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DEMOCRACIA: WASHINGTON POST NOTICIA CAMPANHA DE SINDICATO CONTRA O JORNAL

Atualizado em 23 de janeiro de 2008 às 00:26 | Publicado em 22 de janeiro de 2008 às 23:33

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O Post junta milhões enquanto alguns de seus trabalhadores recolhem migalhas. Soa como negócio sujo

WASHINGTON - No Brasil a mídia nunca noticia a própria mídia. A mídia nunca assume grandes erros. A mídia jamais vai aceitar que contribuiu para o pânico que levou milhares de brasileiros a se vacinar contra a febre amarela sem necessidade. É óbvio que houve diferenças. Sei que a Folha de S. Paulo publicou um editorial falando da inexistência de epidemia. E que a TV Globo passou a alertar os telespectadores para o risco da vacinação. Mas, se os leitores deste site estão certos, o tom começou errado. O dr. Celso Francisco Granato, da UNIFESP, que entrevistei para este site, estava em Buenos Aires quando o noticiário sobre a febre amarela começou no Brasil - e ficou com a impressão de que a cobertura incentivou as pessoas a se vacinar desnecessariamente.

Falo disso para demonstrar a diferença que persiste entre a mídia brasileira e a mídia americana, que vem de uma cobertura calamitosa pré-ocupação do Iraque, em que endossou todas as mentiras e barbaridades propagadas pelo governo Bush. Ainda assim, o nível é outro. Os leitores que acompanham este site talvez se lembrem que escrevi sobre as negociações salariais entre o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e a TV Globo, lamentando que um pequeno grupo de "colaboradores" da empresa passou a endossar a proposta patronal de aumento real de 0,5%, bem abaixo dos índices de outras categorias. Na época eu falei que, além de se livrar da CPMF, a Globo vinha registrando um grande faturamento em 2007, de acordo com notícias de jornais. Foi um Deus nos acuda entre alguns colegas, que pelo jeito acham que não deve haver relação entre quanto uma empresa ganha e quanto dá de aumento de salário. A ação dos pelegos não vem de hoje. Eles abraçam com fervor a proposta patronal há alguns anos e a apresentam como sendo dos funcionários. O que recebem em troca? Promoções que resultam em aumento salarial, garantia eterna de emprego e outras vantagens.

Aqui nos Estados Unidos é comum que os jornais noticiem de forma equilibrada as negociações salariais ou os negócios que envolvam as empresas às quais são ligados. É um esforço de transparência. Reproduzo o exemplo mais recente, do Washington Post, só para que vocês tenham um idéia de como eles estão anos-luz à nossa frente quando se trata de transparência da mídia, aquela que cobra transparência do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.

ABAIXO, O TEXTO PUBLICADO PELO PRÓPRIO WASHINGTON POST:

"Post é alvo de campanha

Sindicato da Produção de Jornais tenta retomar negociações de contrato

por Thomas Heath

O Sindicato que representa cerca de 400 trabalhadores de pós-produção do Washington Post lançou uma campanha de um mês contra a companhia nesta semana, tentando retomar negociações que estão paralisadas para obter o primeiro aumento de salário em cinco anos. A campanha inclui comerciais de rádio, televisão, outdoors em ônibus e nas estações Metro Center e Farragut North Metro. Alguns dos anúncios impressos usam os nomes das seções do jornal para ajudar o público a entender. Por exemplo: "Alguns empregados trabalham há cinco anos sem aumento. Chutar trabalhadores é um SPORT no Post?" ou "OUTLOOK não é bom para trabalhadores do Post que buscam salário justo."

[SPORT e OUTLOOK, que significa perspectiva, são nomes de seções do Washington Post]

O sindicato também criou um site na internet, o WashingtonPostUnfair.com para divulgar suas reclamações. "Tudo o que queremos é um contrato justo", disse Hunter Phillips, o diretor administrativo e negociador principal dos Trabalhadores em Comunicação da América, sindicato baseado no Distrito de Columbia que representa os funcionários do que é conhecido como mailroom.

[Setor que despacha os jornais para bancas e assinantes]

"Queremos que o Post sente-se conosco e barganhe de boa fé, o que não acredito que o jornal fez. Eles nos deram um proposta tipo pegar ou largar". Phillips disse que as negociações, que começaram no início de 2004, foram paralisadas desde que o Post insistiu em acrescentar no contrato uma cláusula que livra a empresa do plano de aposentadoria do sindicato. Um porta-voz do Post disse que a companhia tem trabalhado duro para tentar fechar um acordo com a Communications Workers of America (CWA).

"O Post ofereceu ao sindicato, para um período de três anos, uma proposta de contrato abrangente que inclui aumento de salários para todos no mailroom e formas mais seguras de aposentadoria que o plano do sindicato, que nos últimos anos reduziu os benefícios futuros", disse Rima Calderon, o diretor-senior de comunicações da Post Co.

"O sindicato escolheu uma campanha de relações públicas em vez de negociar em torno do plano de aposentadorias, o que impede os trabalhadores do mailroom de receberem aumentos de salário e melhor segurança ao se aposentar", Calderon acrescentou. Phillips se negou a dizer quanto o sindicato está gastando na campanha, mas disse que contribuições tem chegado de sindicatos locais de todo o país. A CWA tem cerca de 750 mil integrantes. De acordo com uma nota da CWA, o Post teve um lucro de U$ 324,5 milhões em 2006 e "distribuiu milhões em compensação para os executivos. Apesar disso, nossos trabalhadores continuam sem receber nada. Nada de aumento. Nada de paridade. Nenhuma ajuda em seguro de saúde."

Calderon disse que os U$ 324,5 milhões representam lucros para toda a Washington Post Co.. A divisão de jornais, onde trabalham os que estão reivindicando, foi responsável por cerca de U$ 63,4 milhões deste lucro.

Os trabalhadores de produção em geral cumprem turno durante a noite, separando e ensacando os jornais e carregando os caminhões de distribuição. A CWA diz que os trabalhadores do mailroom do Post não têm aumento de salário desde maio de 2002 e atualmente ganham entre U$ 12,71 a U$ 26,15 por hora. Cerca da metade deles trabalha período integral e os outros meio-período, disse Phillips.

[Considerando o dólar a 1,70 real, eles ganham o equivalente a de 21,60 reais a 44,45 reais por hora. Ou seja, o salário mínimo para quem trabalha 40 horas por semana é o equivalente a 3.456 reais por mês, podendo chegar ao equivalente a 7.112 reais mensais]

O jornal é o principal produto da The Washington Post Co., que o presidente Donald E. Graham recentemente relançou como "uma empresa de mídia e educação" para refletir a ascensão da Kaplan Inc. na companhia e o declínio do jornal. Em anos recentes, o Post tem perdido assinantes e faturamento com a migração de leitores para outras mídias - principalmente a internet - em busca de notícias. Os patrocinadores seguiram o público. Apesar do washingtonpost.com ser um dos sites de notícias mais populares do país e dar lucro, gera cerca de um quinto da renda de anúncios do jornal.

[Kaplan Inc. é a divisão de produtos educacionais]

A circulação diária do jornal atingiu o pico de 832.232 cópias em 1993. Agora vende, em média, 638.800 jornais de segunda a sábado. O faturamento operacional para a divisão que cuida de jornais, primariamente o Post, caiu 50% durante o terceiro trimestre de 2007, em relação ao mesmo período de 2006. O faturamento do jornal tem sido duramente afetado pela queda nos anúncios imobiliários e pela contínua fuga de classificados e ofertas de emprego para a internet."

 

 


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Cida Medeiros (23/01/2008 - 21:47)
Tenho acompanhado o site Media Channel, que realiza análise do comportamento da mídia internacional, principalmente a estadunidense. Na análise da cobertura de Davos, um dos temas que o Media Tenor, cobrindo para o Media Channel, pontua é o da percepção do público sobre o diálogo entre o "mundo" muçulmano e o "mundo" ocidental a partir das informações recebidas. O estudo disponível no endereço http://www.mediachannel.org/wordpress/2008/01/21/world-economic-forum-islam-and-the-west-dialogue/ é muito interessante. Talvez pudéssemos colocar em prática algo do gênero aqui no país como forma de trazer à luz - e responsabilidade - o papel danoso que notícias desrespeitodas e descuidadas podem provocar em percepções e atitudes de cidadãos.

Stanley Burburinho (23/01/2008 - 17:27)
A Míriam Leitão que para mim faz um jornalismo PIG, ficou calada porque a Ministra Dilma tem Doutorado e Pós-Doutorado.

Stanley Burburinho (23/01/2008 - 17:11)
**** A POLÍCIA FEDERAL INVESTIGA O DESEMBARGADOR LIPPMANN, QUE CENSUROU O REQUIÃO, POR TER AJUDADO UM RÉU EM JULGAMENTO O Requião, que é aliado do Lula e é odiado pela Globo, concorreu nas eleições passadas ao cargo de Governador do Paraná com Osmar Dias que é do PDT -- e é irmão do senador Álvaro Dias do PSDB-PR --, mesmo partido que o Des. Lippmann que censurou o Requião já foi candidato. Vejam abaixo a transcrição do grampo da PF onde o Desembargador foi flagrado conversando com o delegado da Polícia Federal Wilson Alfredo Perpétuo. O agente respondia na Justiça por crime de contrabando de uísque em ação proposta pelo Ministério Público. O processo consta no controle do TRF pelo número 1999.04.01.007301-9: http://www.unafisco.org.br/noticias/clipping/2004/SRF%20170704.doc (...)A gravação Os trechos das conversas entre o delegado da PF Wilson Perpétuo e o desembargador federal Edgard Lippmann: Wilson Alfredo Perpétuo - Eu tô te pedindo como amigo. Se você me ajuda nesse negócio aí. Porque p..., Lippmann, é um troço nojento. Edgard Lippmann - O que é que vai ser julgado aí? Perpétuo - É aquele negócio do uísque lá, negócio da troca lá do Carimã. Lippmann - Eu sei. Perpétuo - Você entendeu? Lippmann - Me diga uma coisa... O que eu te falei. Vai haver uma mudança. Perpétuo - Então, eu queria que esse julgamento fosse jogado para frente. O que você acha? Lippmann - Isso aí, Perpétuo. Tinha que fazer. O Osmann é que é teu advogado? Perpétuo - É. Lippmann - Ele poderia fazer o seguinte... Dá um atestado aí... Perpétuo - O quê? Lippmann - Dá um atestado. Dizendo que ele não poder vir à sessão. Ele tem procuração nos autos, não tem? Perpétuo - Tem. Lippmann - O que acontece é o seguinte: a partir do segundo semestre... Hoje nós temos três sessões: a primeira que é tributária e crime. E, a partir deste segundo semestre, o tributário vai ficar só no tributário e o crime só crime. E os processos deles, tanto do Amir quando do Germano, quanto os criminais, vão ser redistribuídos(...) Abaixo, outro trecho de texto que encontrei: %u201CÉ sui generis falarmos em censura no Brasil em 2008. Pensava que isso fosse coisa do passado. A Gazeta do Povo de hoje informa que o desembargador Edgar Lippmann Júnior foi candidato a deputado pelo PDT, que então abrigava os maiores adversários políticos do governador Roberto Requião. Logo, fica no ar uma impressão de perseguição. Ninguém pode limitar o direito de qualquer cidadão a expressar sua opinião. A censura não vai, nem pode, prosperar.%u201D Antônio Wandscheer, prefeito de Fazenda Rio Grande. http://www.aenoticias.pr.gov.br/modules/news/article.php?storyid=34620

Maria Izabel L. Silva (23/01/2008 - 14:13)
Luiz Azenha. Entrevista da ministra Dilma, hoje no BOM DIA BRASIL. Claudia Bontempo pergunta: "Os principais analistas defendem um racionamento de energia no Brasil. Por que, para o governo, é proibido falar em racionamento?" A ministra responde na lata: " Por que o racionamento não é necessário. Quem defende o racionamento são aqueles que, na gestão passada [leia-se FHC] não tomaram as providencias necessárias para evitar a crise. Este governo esta tomando todas as providencias e o racionamento não é necessário"[foi assim que a ministra falou salvo uma ou outra palavra]. Miriam Leitão não participou da entrevista. Calada estava. Calada ficou. Ela é uma dos "principais analistas" que defendem o racionamento de energia, porta vozes dos demotucanos e do PIG, que querem inventar uma "crise" de energia e um consequente racioanemnto, como forma de atacar o governo. Muito me surpreende que a TV Globo tenha dado espaço para a ministra falar ... a Globo gosta da ministra Dilma??Gosta sim. A ministra impõe muito respeito. Desculpe. Isso não tem nada a ver com a sua matéria. Mas sua matéria é irretocável. Cê tem razão.A imprensa americana esta anos-luz do PIG brasileiro ... e os sindicatos americanos são muito menos ideologizados.Para eles, o que importa são os resultados... Mande notícias da greve dos roteirista de Hollywood.

Hélio Sassen Paz (23/01/2008 - 10:54)
Azenha e leitores, Já tivemos, no Brasil, um episódio - raríssimo, diga-se de passagem - de reação contra a "toda-poderosa Vênus Platinada" em março de 1994, em uma ação que o ex-governador do RS e do RJ Leonel de Moura Brizola moveu e ganhou contra o conglomerado midiático. Confiram em http://br.youtube.com/watch?v=ObW0kYAXh-8 O problema é que, infelizmente, o nosso país vive uma falsa democracia, onde todo mundo tem o direito de dizer e de ouvir qualquer coisa, desde que não fira os interesses das oligarquias agrária, banqueira, industrial, multinacional, política e midiática. Hoje, temos juízes censurando o governador Roberto Requião de falar na própria TVE paranaense. Sabe por que?! Porque o Governo do Estado do Paraná não anuncia mais um centavo furado em veículo algum da mídia corporativa daquele Estado. Aqui no RS e em SC, o Grupo RBS manda em tudo. Não há, na mídia corporativa, uma única voz que contrarie o seu agendamento. []'s, Hélio

Ricardo Souza (23/01/2008 - 10:18)
Será que viveremos até o dia em que algo desse tipo será publicado na mídia brasileira? Creio que não...

Luiz Carlos Azenha (23/01/2008 - 10:13)
Darlam, vc tem razão. As generalizações são um pecado. O Washington Post ESTÁ bem melhor agora, mas a mídia americana - e eu acompanhei de perto - deixou passar tanta besteira antes da guerra que vive em uma espécie de purgatório. Perdeu muita credibilidade. A mídia brasileira recebe menos cobrança da sociedade. Em padrões éticos os americanos estão anos-luz à frente: noticiam e debatem a própria mídia, não aceitam viagens pagas para fazer reportagens, quase sempre revelam quando há relações do jornal/TV com o noticiado e assim por diante. Eu acho que qual é menos ruim depende do assunto e das circunstâncias...

Paulo Camargo (23/01/2008 - 10:03)
A temática é ótima. A condição salarial aqui no Brasil ainda está inserida nos padrões do autoritarismo e paternalismo, como é o caso dos pelegos que recebem promoções e outras coisas. Acho isso excelente, e o que deveríamos fazer é acompanhar também a questão salatial de outros veículos da imprensa como o Estadão, Folha e Veja (Abril). Abraço

Darlam Bender (23/01/2008 - 07:21)
Azenha, Primeiro gostaria de parabeniza-lo por esta pagina, visito-a todos os dias a mais de um mes, mas essa é a primeira vez que comento. Em sua entrevista na TV Camara, vc diz que a midia brasileira é melhor do que a americana. Neste texto vc afirma o contrario. Vc acredita que foi durante este ano que a midia brasileira "desaprendeu" a fazer jornalismo? Estou na França, aqui a cobertura da midia é muito melhor que a do Brasil. (Desculpe a falta de acentos)



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