Atualizado em 23 de janeiro de 2008 às 17:43 | Publicado em 23 de janeiro de 2008 às 17:36
WASHINGTON - Você acha que sabe pouco sobre rádios comunitárias ou aquelas que aparecem na TV como "piratas"? Não se surpreenda. É que a mídia brasileira não fala do assunto. Quem é que cobra transparência daqueles que cobram transparência do Judiciário, do Legislativo e do Executivo? Talvez o Movimento dos Sem Mídia, alguns sites na internet ou movimentos sociais. Mas a própria mídia não desempenha esse papel. E isso fica claro em resultado de pesquisa feita pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), que acompanhou o noticiário de 53 diários e quatro revistas semanais de informação durante os anos de 2003, 2004 e 2005.
De acordo com o coordenador de relações acadêmicas da ANDI, Guilherme Canela, as rádios comunitárias foram assunto de 0,8% das matérias que os jornais e revistas brasileiros publicaram sobre a mídia. Cerca de 40% do noticiário foram dedicados a casos famosos, como a ameaça de expulsão do correspondente do New York Times no Brasil, Larry Rother.
De acordo com Guilherme Canela, assuntos fundamentais quase não são tratados pela mídia brasileira, como a propriedade cruzada, ou seja, a possibilidade de que uma mesma empresa atue em um mesmo mercado com TV, rádio e jornal. Em várias democracias do mundo existem regras para impedir a concentração dos meios na mão de poucos, inclusive nos Estados Unidos, onde recentemente as regras foram relaxadas. Mas, de acordo com Guilherme, mesmo que o Brasil aplicasse as regras enfraquecidas dos Estados Unidos provocaria uma transformação no setor.
De acordo com a ANDI - uma das entidades que fizeram campanha pela implantação da classificação indicativa nos programas de TV - um exemplo prático de que a propriedade cruzada tem impacto aconteceu no Brasil. Os jornais que mais noticiaram e abriram espaço para o debate sobre a classificação indicativa não tinham ligação com empresas da mídia eletrônica.
Eu estou em Washington, o Guilherme em Brasília e o fone do Skype deu eco, razão pela qual a entrevista foi parcialmente editada e já começa com o entrevistado falando.
Eu concordo com o comentário do companheiro, mas acho que a mídia perdeu junto com a oposição. Não adianta mudar a opinião política de uma nação cansada de sofrer no governo anterior FHC (PSDB), fomos esquecidos na lateral de campo, enquanto o jogo ia para linha de fundo, até que entrasse um técnico muito competente (LULA) e escalado nós para sermos o meio de campo.