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Santayana: Se não se convocar a razão e o bom senso, o Brasil terá a cara de Moro e Bolsonaro

14 de janeiro de 2016 às 15h59

moro, o diabo e bolsonaro

O diabo e a garrafa. Os riscos da ascensão da antipolítica

Mauro Santayana, na Rede Brasil Atual, via seu blog

Em pleno processo de impeachment, e de julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), das ações envolvendo a chapa vitoriosa nas últimas eleições, a situação da República tem sido marcada pela espetacularização de um permanente “pega para capar” jurídico-policial, a ascensão da “antipolítica”, o aprofundamento da radicalização e a fascistização do país.

Políticos e empresários têm sido presos —  muitos por ilações frágeis ou exagerado rigor cautelar –, enquanto outros homens públicos e bandidos e delatores premiados apanhados com milhões de dólares na Suíça circulam livremente ou estão em prisão domiciliar.

Milhares de brasileiros acreditam piamente que o Brasil é um país quebrado e destruído, quando temos as sextas maiores reservas internacionais do mundo e somos o terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos.

Que um perigoso “bolivarianismo” pretende implementar uma ditadura de esquerda na América Latina, quando, seguindo os ritos democráticos normais, e sob amplo acompanhamento de observadores internacionais, a oposição liberal acaba de ganhar, pelo voto, as eleições na Venezuela e na Argentina.

Que o Brasil é um país comunista quando pagamos juros altíssimos, e somos, historicamente, dominados, na economia e na política, por um dos mais poderosos sistemas financeiros do mundo, pelo agronegócio e o latifúndio, por bancos e empresas multinacionais.

Discutindo na mesa de pôquer da sala de jogos do Titanic, envolvidos por suas disputas, e por uma rápida sucessão de fatos e acontecimentos, que têm cada vez mais dificuldade em digerir e acompanhar, os homens públicos brasileiros ainda não entenderam que a criminalização da política, criada por eles mesmos, como parte de uma encarniçada e deletéria disputa pelo poder, há muito extrapolou o meio político tradicional, espalhando-se, como o diabo que escapa da garrafa, como uma peste pela sociedade brasileira, na forma de uma profunda ojeriza, preconceito e desqualificação do sistema político, e daqueles que disputam e detêm o voto popular.

Se não se convocar a razão e o bom senso, para reagir ao que está acontecendo, e se estabelecer um patamar mínimo de normalidade político-institucional, tudo o que restará será o confronto, o arbítrio e o caos.

Está muito enganado quem acha que o mero impedimento de Dilma Rousseff resolverá a questão.

No final da década de 20, os judeus conservadores comemoravam, da varanda de suas mansões, na Alemanha, o espancamento, nas ruas, de esquerdistas e socialistas, pelos guardas de grupos paramilitares nazistas como as SS e as SA, e se regozijavam, em seu íntimo, por eles os estarem livrando da ameaça bolchevista.

Depois também viram passivamente — achando que estariam resguardados por suas fortunas —  passar sob suas janelas, as filas de operários e pequenos comerciantes judeus a caminho dos campos de concentração — até chegar a sua vez de ocupar, como sardinhas em uma lata, o seu lugar nas câmaras de gás.

Poucas vezes, na história, o efeito bumerangue costuma poupar aqueles que, como aprendizes de feiticeiro, se atrevem a cutucar o que está dentro da caixa de Pandora.

Depois de Dilma e do PT, seria a vez de Temer, e depois de Temer virão os outros — todos os partidos e lideranças que tenham alguma possibilidade de alcançar o poder, por via normal.

Parafraseando Milton Nascimento, na política brasileira “nada será como antes amanhã”.

O Brasil que se seguirá à batalha sem quartel e sem piedade, levada a cabo pela oposição nos últimos anos e meses tendo como fim a destruição e total aniquilamento do PT —  cujas principais vítimas não serão esse partido, mas o Estado de Direito, o presidencialismo de coalizão, a governabilidade e a própria Democracia — não terá a cara do Brasil do PSDB de Serra, de Aécio, ou de FHC, mas, sim, a de Moro e a de Bolsonaro.

A do messianismo, da vaidade, da onipotência e do imponderável, e a do oportunismo e do fascismo — e aqui não nos referimos ao velho fascio italiano — em seu estado mais puro, ensandecido e visceral.

Leia também:

Contra o Brasil de Fato, Aécio tenta a censura pelo bolso

Investigação VIOMUNDO

Estamos investigando a hipocrisia de deputados e senadores que dizem uma coisa ao condenar Dilma Rousseff ao impeachment mas fazem outra fora do Parlamento. Hipocrisia, sim, mas também maracutaias que deveriam fazer corar as esposas e filhos aos quais dedicaram seus votos. Muitos destes parlamentares obscuros controlam a mídia local ou regional contra qualquer tipo de investigação e estão fora do radar de jornalistas investigativos que trabalham nos grandes meios. Precisamos de sua ajuda para financiar esta investigação permanente e para manter um banco de dados digital que os eleitores poderão consultar já em 2016. Estamos recebendo dezenas de sugestões, links e documentos pelo [email protected]

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Acyr Ramos

20/01/2016 - 02h01

O que vejo aqui em Curitiba é bem preocupante, o “homem de preto” virou herói, vai em supermercados, é visto, anunciado por alguém, logo em seguida, ovacionado, aplaudido, a turba fica histérica, faz corrida de manhã em
parques, para ser reconhecido, aplaudido. Pobre do país que precisa de heróis. Lembro de 1986, ainda assinante
da Veja, a capa da revista ” O caçador de Marajás” e a figura de jovem governador de um estado pequeno do nor-
deste (Alagoas), daí em diante as reportagens da revista e outras mídias, construindo o mito, o salvador da pátria.
E assim foi, o resto todos sabemos. Hoje a história se repete, o magistrado em plena campanha política, o Collor
de toga.Aqui na replubica do Parana, temos desvios monstruosos de verbas de construções de escolas, verbas estas
do governo federal, e onde o M.P.F. a Justiça Federal, como envolve o governo do P.S.D.B. não vem ao caso. Existe
um caso interessante que retrata bem como aqui é provinciano. Houve o assassinato de 2 jovens atropelados por
um ex-deputado, filho de tradicional família. O cidadão, embriagado, dirigia a 170 km, participava de um racha
com alguém importante na política local. No dia seguinte os radares da via onde foi o acidente, desapareceram
o posto de gasolina que havia na esquinado local do acidente, desapareceu. Certos fatos aqui lembra o oeste
americano, ou então os coronéis do nordeste. Aqui, ainda imagina ser uma cidade de primeiro mundo.
Pobre Curitiba, pobre povo curitibano

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Rafael

19/01/2016 - 12h14

Muito bonito o texto, o juiz é midiatico, há toda uma seletividade e direcionamento no processo, mas a corrupção na empresa é um fato sim senhor e lugar de bandido é a cadeia, a analogia com os judeus vale no momento,pois esses metódos sempre foram presentes com o andar de baixo, agora que virou absurdo?

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Mário SF Alves

18/01/2016 - 23h39

“Mallanaga

17/01/2016 – 21:14″
______________________
17/01/2016? Falando sozinho, Mállaga?
___________________________________________
Que vácuo, não? Ah, sim, de fato, a corrupção é o mal maior que sempre assolou esse real e potencialmente riquíssimo país de – até 2003 – 70% de sua população constituída por excluídos. Sim, é isso que atualmente e diuturnamente vem pregando a “límpida” e “transparente” mídia corporativa oposicionista.
____________________________________________________
E precisa ser esquerdista para entender isso?

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Robson

15/01/2016 - 22h26

Há alguns meses atras, o advogado, ex-presidnte da OAB/RJ e deputado federal Wadith Damous ja tinha dado o recado sobre o fascismo do magistrado instalado na Republiqueta de Curitiba!!! https://youtu.be/ZuxvgfGMat4

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Rodrigo

15/01/2016 - 17h22

“Milhares de brasileiros acreditam piamente que o Brasil é um país quebrado e destruído, quando temos as sextas maiores reservas internacionais do mundo e somos o terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos.”

Grandes bos*** ter reserva ou ser credor americano enquanto o desemprego assola grande parte das familias, que não aguenta mais pagar luz, água, gasolina e ônibus.

Quer defender o governo, defenda, é seu direito. Mas não venha querer enganar a população com números que no fundo não dizem nada.

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Urbano

15/01/2016 - 14h38

Só que a razão e o bom senso estão que não se sustentam nas pernas, prestes a se borrarem… Caso haja alguma outra conclusão, até agora não encontrei, por mais que eu prense ao máximo os parcos neurônios.

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Sidnei Brito

15/01/2016 - 10h01

Alemanha? Década de 1920? Judeus? Nazismo? Que nada! O autor poderia ter lembrado aos amigos do PSDB e seus satélites é do Brasil de 1964.
A velha UDN era a chamada “vivandeira de quartéis”, sempre pronta a apoiar a intervenção militar com o único objetivo de “limpar a política” dos que realmente tinham votos, só para deixar o campo livre para gente como Carlos Lacerda, candidatíssimo a presidente após a realização do “saneamento” pelos militares.
Adhemar de Barros e mesmo Juscelino também sonhavam em se dar bem com a “intervenção cirúrgica” dos militares que iriam, em meses, devolver alegremente o poder para os políticos de verdade.
Não somente os militares ficaram vinte anos, como a UDN e demais partidos foram extintos e Lacerda, Juscelino e Adhemar foram cassados e perseguidos. Em poucos anos, o algoz Lacerda estava buscando se unir até à sua vítima Jango para lutar contra o arbítrio.
Não é razoável supor que todo esse ativismo de Moro, MPF e PF em conluio com a mídia seja só com o objetivo de jogar o poder central nas mãos do PSDB ou políticos em geral. Com o diabo fora da garrafa, não vai ser nada difícil para esses meninos em dois tempos destruir os tucanos – lembrando que, de acordo com dados oficiais (lista TSE, ficha suja etc.), a tal corrupção do PT chega, em alguns casos, a ser quase residual perto da do PSDB e de seus principais aliados.

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Lukas

14/01/2016 - 21h26

Anos atrás, o perigo era Joaquim Barbosa.

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    FrancoAtirador

    15/01/2016 - 15h56

    .
    .
    Ficou melhor pra tua KKK.
    .
    Agora vocês têm um Juiz
    .
    Branco da Raça Ariana.
    .
    .

FrancoAtirador

14/01/2016 - 20h56

.
.
NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DO MUNDO
.
FOI TÃO VÁLIDA A APLICAÇÃO DO DITADO:
.
‘A PROPAGANDA É A ALMA DO NEGÓCIO’
.
Se não for cortada a Cabeça Midiática da Hidra do Capital Financeiro,
.
de nada adiantará cortar a Cabeça Política Partidária, pois renascerá.
.
.

Responder

Messias Franca de Macedo

14/01/2016 - 19h18

Um pouco sobre vazamentos e ‘vazamentos’!

… Vazamento de gás é um risco imensurável!
Vazamento de óleo no oceano é um perigo ao meio ambiente!
Vazamento de água, um desperdício abominável!
Vazamento de ‘pum’ num elevador, “um desastre”!
Vazamento num telhado, é pingueira, que perturba “pra Dedel”!
(…)
‘O vazamento’ dos nomes dos correntistas brasileiros do Suiçalão não deverá contar com a celeridade e diligência do PIG!
(…)
Mas, ‘os vazamentos [seletivos]’ “das delações que estão sob segredo de Justiça” no Petrolão dos golpistas… Aí, pode!
Pasme: a Ilegalidade ‘vazada’ nas barbas da Legalidade!
Tudo em nome do ‘golpe jurídico-midiático que se arrasta desde o antanho do Mentirão’!

14 de janeiro de 2016!
E até hoje ‘nois’ não sabemos, afinal, que país é esse!…

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    Mallanaga

    17/01/2016 - 21h14

    Parece que não leram a nota da Associação dos Juízes Federais do Brasil sobre a Operação Lava Jato.

    Resumo geral:

    Sobre os que estão acostumados com a impunidade:
    “A quebra de um paradigma vigente na sociedade nunca vem desacompanhada de manifestações de resistência. Gritam e esperneiam alguns operadores desse frágil sistema que se sentem desconfortáveis com a nova realidade nascente.”

    Referente aos que criticam a lisura do processo:
    “Aqueles que não podem comprovar seu ponto de vista pela via do Direito só têm uma opção: atirar ilações contra a lisura do processo. Fazem isso em uma tentativa vã de forjar na opinião pública a impressão de que a prisão é pena excessiva para quem desviou mais de R$ 2 bilhões”

    Para os que pensam se tratar de um “processo de inquisição político-partidário”:
    “A Lava Jato não corre frouxa, isolada, inalcançável pelos mecanismos de controle do Poder Judiciário. Além de respaldada pelo juízo federal de 1º grau, a operação tem tido a grande maioria de seus procedimentos mantidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF4), pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).”

    Essa é para quem pensa que o Juiz é “midiático”:
    “Sobre os supostos “vazamentos” de informações sigilosas, destaca-se que os processos judiciais, em regra, são públicos e qualquer pessoa pode ter acesso, inclusive às audiências, salvo nas hipóteses de segredo de justiça de acordo com as previsões legais dos artigos 5º, LX, e 93, IX da Constituição.A publicidade dos processos e das decisões judiciais visa exatamente a garantir o controle público sobre a atividade da Justiça.”

    Finalizando:
    “Os magistrados não sucumbirão àqueles que usam o Direito e Justiça para perpetuar impunidades sob o manto do sagrado direito de defesa.”

    PS – O choro é livre (zero)esquerdistas!!!

    http://www.ajufe.org/imprensa/notas-publicas/nota-publica-da-associacao-dos-juizes-federais-do-brasil-sobre-a-operacao-lava-jato/

    Fernando Cavalcanti

    18/01/2016 - 15h21

    Sou a favor de todo e qualquer vazamento. É preciso saber o que andaram fazendo com nosso dinheiro. E se roubaram, que paguem. É simples assim.

Mauricio Gomes

14/01/2016 - 18h10

Terá? Olhem o que está ocorrendo em SP e digam se já não estamos em uma república boçalnariana de extrema direita e fascista…

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roberto

14/01/2016 - 18h00

A mistura de Moro com Bolsonaro, vai dar o generalíssimo BolsoMoro, mesclando as demências de Hermann Goering e Adolph Hitler, mas, subdesenvolvidos e com sangue mameluco.

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CaRLos

14/01/2016 - 17h22

Eu sinto a mesma coisa. Mas é aquela história: o povo está se deixando levar pela mídia perversa, mal sabendo que a maior regressão virá na vida dele. Tantas conquistas sociais a população mais pobre e média tiveram. Perderão tudo isso. A nova dona do salão de cabeleireiro, voltará a ser empregada doméstica e se desfazer de seu carrinho; o pedreiro, virará um biscateiro dos ricos; os afrodescendentes verão tardiamente a importância das cotas raciais; os imóveis comprados na faixa dos 25/30 anos, não passará de um sonho impossível. O pobre terá que voltar a “se colocar em seu devido lugar”. Hoje eu estava vendo um caixa de uma padaria, um gari e um balconista, xingando a presidente e o ex-presidente, dizendo que eles acabariam com a aposentadoria do pobre e que o pobre ia ter que trabalhar até morrer. Quem envenenou de tal maneira essas pessoas? E olha que eles estavam empregados. Imagine o ódio daqueles que perderam o empregado.

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