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Prefeitura desmente que tenha proibido conversas sobre política dentro de táxis em SP

19 de janeiro de 2016 às 16h06

taxistas

por Luiz Carlos Azenha

Nos últimos dias, uma notícia circulou e vem se espalhando feito rastilho de pólvora aceso a partir dos táxis de São Paulo.

“O prefeito Haddad nos proibiu de falar sobre política”, disse um taxista.

Outros dois, em corridas distintas, afirmaram o mesmo. O cliente de uma loja repetiu.

Até um jornalista que, em tese, deveria saber interpretar texto, papagaiou a suposta “proibição”.

“Isso está parecendo uma Venezuela”, ele acrescentou.

O argumento conspiratório dos taxistas é de que, num ano eleitoral, Haddad quer censurar o que é dito sobre ele nos táxis de São Paulo.

Fomos checar com a Prefeitura de São Paulo. O Departamento de Transportes Públicos, respondendo à solicitação da repórter Conceição Lemes, confirmou que existem novas normas de conduta e traje, produzidas com a participação de Centros de Formação de Condutores.

Elas não incluem qualquer proibição do prefeito Haddad de que se fale sobre política nos táxis.

O trecho das novas normas, que gerou o boato, segue abaixo:

VI. Evitar polêmicas ou situações que provoquem estresse no passageiro em virtude de:
a. Paixões esportivas;
b. Convicções partidárias;
c. Fé e cultos religiosos;
d. Opções de comportamento pessoal;
e. Não tratar de problemas particulares, nem da categoria.

O DPT está, sim, orientando os taxistas para que evitem uma corrida desagradável, ou seja, que não iniciem polêmicas ou situações que provoquem estresse no passageiro.

Quem quer entrar em um táxi e ter suas escolhas esportivas, partidárias, religiosas ou de comportamento pessoal questionadas por aquele que nos presta um serviço?

Trata-se da normatização de um comportamento civilizado no transporte de passageiros.

No Facebook, o leitor Rafael Cimi acrescentou:

Não precisaria de um manual desse tipo se os taxistas soubessem que aquilo é um veículo de trabalho, e não o carro deles. Eu não gosto de papo chato, de televisão passando o Datena (ou qualquer outro programa), de carro sujo, de rádio tocando CBN ou música alta e de motorista que se recusa a ligar o ar-condicionado. Eles estão prestando um serviço.

Algumas normas previstas em São Paulo:

Higiene

Higiene pessoal exigida:
I. Cabelo e barba sempre arrumados;
II. Unhas limpas e arrumadas;
III. Qualquer aroma que cause incômodo ao passageiro:
a. Suor;
b. Cigarros;
c. Bebidas alcoólicas;
d. Perfumes com fortes fragrâncias.
Higiene do veículo táxi:
I. Manter cintos de segurança, assentos, encosto de braços, painel e demais itens internos do veículo limpos;
II. Manter limpo filtro de ar condicionado;
III. Aspirar teto, piso, porta malas e interior do veículo;
IV. Manter a parte externa do veículo sempre limpa e polida;
V. Todos os acessórios disponibilizados aos passageiros devem ter limpeza constante;
VI. Manter porta malas limpos e com espaço determinada pela homologação do veículo;
VII. Manter o espaço dos bancos de assentos livres para o passageiro.

Conforto

Conforto e conveniência do veículo táxi:

I. Obrigatório:
a. Carregadores de energia elétrica para aparelhos eletrônicos (celulares, tablets, notebooks, etc.);
b. Disponibilizar meios de pagamento eletrônicos;
c. Ar condicionado ligado, com ambiente refrigerado, sempre que solicitado pelo cliente;

II. Opcional disponibilizar como itens de cortesia:
a. Água potável;
b. Papel toalha;
c. Suporte para transporte de bicicletas.

Atender com polidez e urbanidade o passageiro:

I. Recepcioná-lo com otimismo e alegria;
II. Desejar-lhe felicitações pelo momento do dia;
III. Mostrar-se prestativo:
a. Cumprimentar o passageiro;
b. Não discriminar, nem fazer distinção de passageiro;
c. Abrir a porta para o passageiro e gesticular com as mãos indicando o acesso ao veículo;
d. Abrir e colocar a mala do passageiro no bagageiro;
e. Oferecer água e outros itens de cortesia.

IV. Policiar-se no uso de palavras:
a. Não proferir palavrões;
b. Jamais atacar a honra de qualquer pessoa;
c. Não fazer sarcasmo ou piadas constrangedoras;
d. Respeitar-se a si mesmo e ao passageiro.
V. É proibido utilizar celular dirigindo o veículo táxi.
VI. Porta malas: sempre limpo e com bagagem pessoal acondicionada em bolsa ou mochila, garantindo o espaço mínimo homologado do porta malas para uso da bagagem do passageiro.
VII. Se o taxista não estiver em serviço, cobrir o luminoso.

Atendimento personalizado de acordo com o interesse do passageiro:
I. Trajeto;
II. Informações turísticas;
III. Padrão do ar condicionado;
IV. Noticiários ou música ambiente;
V. Manter-se em silêncio ou dialogar nos temas manifestados pelo passageiro;
VI. Evitar polêmicas ou situações que provoquem estresse no passageiro em virtude de:
a. Paixões esportivas;
b. Convicções partidárias;
c. Fé e cultos religiosos;
d. Opções de comportamento pessoal;
e. Não tratar de problemas particulares, nem da categoria.
VII. Que o táxi seja espaço agradável e que o passageiro deseje utilizar sempre.

É proibido ao taxista na prestação do serviço de táxi praticar qualquer ato ou comportamento que possa representar ou propagar preconceito de:
a. Raça;
b. Gênero;
c. Religiosa;
d. Partidária;
e. Esportiva;
f. Opção sexual;
g. Qualquer outro tipo.
É proibido recusar passageiro ou escolher corrida.

Informações mais detalhadas sobre a Portaria nº 183/15, com as novas regras para taxistas, neste link.

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9 Comentários escrever comentário »

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Miguel Silva

19/01/2016 - 23h43

Já estava na hora de alguém colocar ordem nessa casa da mãe joana que é o serviço de táxi. Há muitos táxis por esse Brasil caindo aos pedaços, dirigidos com imperícia e por motoristas cheirando mal e mal educados, que acham que são contratado para conduzir entulhos ao invés de passageiros. Só nos damos conta disso quando já estamos (mal) aboletados dentro da geringonça e com um cinto seboso a trespassar nosso peito. Alguém já disse que o presidente da república deveria se um motorista de táxi porque o sujeito entende de tudo e para tudo tem uma solução. O motora sempre é a favor da pena de morte e contra os direitos humanos, saudoso dos tempos da ditadura e inimigo do PT, a quem culpa por todas a mazelas do país e pelo caos do trânsito porque Lula deu oportunidade qualquer pobretão comprar um carro (esquecem as benesses recebidas na era lulopetista como redução de IPI na compra de táxis) . Quando um governante acha de colocar as coisas nos trilhos, ainda há gente que, demagogicamente, sai em defesa da esculhambação.

Responder

Helena/S.André SP

19/01/2016 - 22h16

Sem querer criar polêmicas em torno do assunto, mas ao ler o post do jornalista Ricardo Kotscho (Poderemos falar do que no taxi? Só de hortaliças?) deu a impressão de que a prefeitura baixou normas de que não se deve falar de política no taxi. Pelo visto a interpretação do jornalista no post, levou o seus comentaristas a entenderem que Haddad baixou uma norma de forma autoritária, mas ao ler o post aqui do Viomundo deu para entender a real intenção da prefeitura com suas normas: normatização de um comportamento civilizado no transporte de passageiros. Acho que o sr. Kotscho foi mal na sua interpretação das normas. Às vezes tenho a impressão de que ele é contra a tudo que se relaciona a Haddad. É só ler alguns de seus posts em relação às realizações da prefeitura de SP. Nenhum elogio, só críticas. Claro, que ele tem todo o direito de fazer suas críticas, mas, venhamos e convenhamos, o governo Haddad tem tido mais acertos que erros e, na minha modesta opinião, está fazendo um bom governo em SP. Apesar de ser de S.André, torço para que Haddad seja reeleito em SP.

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    Daniel

    20/01/2016 - 08h34

    Eu entendi a proposta. Imagine-se no lugar do motorista do táxi, você sem querer começa a falar de futebol e descobre que o seu passageiro é uma dessas bestas-feras que não admite que os outros tenham o direito de ter opinião diferente da dele. Já imaginou como seria o restante da viagem? Melhor prevenir não tocando em assuntos que você não sabe como o seu passageiro vai reagir

Francisco

19/01/2016 - 20h55

Fica a pergunta:

Como é que Haddad faria para fiscalizar o que nem o regime militar conseguiu?

Não é porque a censura de pensamento é conseguida nas redações dos jornais e revistas, que isso poderia ser replicado numa cidade com dez milhões de pessoas…

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Mauricio Gomes

19/01/2016 - 20h04

Isso tem cheiro podre dos demotucanos por trás. “É a eleição estúpido”!

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roberto

19/01/2016 - 18h11

Repórteres da extinta grande mídia, são tão ignorantes e aculturados que pegam o bonde andando e acham que descobriram um furo. Mandam a mal escrita matéria para seus editores ,que são ainda mais ignorantes que eles, e em poucas horas a notícia fajuta está nos jornais e na TV, com a ridícula salvaguarda do “fulano estaria”, “tal coisa seria” etc.
Essa extinta grande mídia brasileira já está virando fóssil.

Responder

    Daniel

    20/01/2016 - 08h38

    Agora a pouco a Esgoto (perdão, Veja) na ânsia de jogar lama em uma pessoa vagamente associada à Lula colocou na matéria a foto de uma outra pessoa sem nenhuma relação com a primeira. Eles não checam coisa alguma antes de publicar, e depois ficam gritando indignados quando é decidido regulamentar a mídia (para não ter esse tipo de palhaçada acontecendo, jornalismo é coisa SÉRIA)

Luís CPPrudente

19/01/2016 - 18h00

Antigamente se dizia que os taxistas eram janistas ou malufistas (com raras exceções). Hoje eles são coxinhas (novamente com raras exceções). Eles geralmente praticam atos ilícitos ao deixar o rádio ligado na CBN (a rádio que troca a notícia) ou na gaga Jovem Pan.

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