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Cartas de Minas

Preço das ações superaquece; vem aí outro colapso em Wall Street?

19 de junho de 2017 às 10h40

Alerta Wall Street: Perigoso superaquecimento no preço das ações mundiais

Fernando Grossman e José Martins, Crítica da Economia

A Bloomberg News informa que um número recorde de capitalistas está dizendo que as ações nos Estados Unidos estão supervalorizadas.

Um recorde de 44 por cento de operadores de fundos de investimentos pesquisados pelo Banco da América Merrill Lynch observa uma preocupante sobrevalorização das ações.

No mês passado, só 37 por cento desses homens do mercado tinham essa percepção.

O índice Nasdaq das ações de alta tecnologia – de gigantes como Apple, Microsoft, Google, Facebook, etc. – é o mercado com os mais nítidos sintomas de superaquecimento.

Segundo a pesquisa, cerca de 57 por cento dos entrevistados observa que as ações da internet estão muito caras e 18 por cento vê nelas uma bolha especulativa.

Esse fenômeno não é isolado. Começa a aparecer atualmente em todo o mundo. Com mais clareza para o grande público do que até algum tempo atrás.

Enquanto os preços das mercadorias produzidas na indústria mundial caem os preços das ações negociadas nas bolsas de valores sobem descontroladamente.

Essa desproporcionalidade de preços e quantidades, à qual se refere a economia vulgar, é uma combinação altamente indigesta para o capital. E para seus impotentes economistas.

Acontece que as ações negociadas nas bolsas nada mais são (especulação à parte) do que títulos de propriedade do capital das empresas onde se produz as mercadorias carregadas de valor e de mais-valia.

Quando a relação entre a mais-valia e o valor das mercadorias deixa de subir os preços das ações deveriam fazer o mesmo. Mas na realidade das flutuações econômicas e correspondentes ciclos de negócios não é isso que acontece.

Ao contrário. Exatamente quando os preços das mercadorias estacionam e começam a cair, como ocorre atualmente, sempre se repete um fenômeno inexplicável pelos economistas.

Por razões aparentemente misteriosas os preços das ações “descolam” daqueles preços que as sustentam e começam a voar para o infinito.

É um fenômeno que acontece em todo final de um ciclo periódico de produção e superprodução do capital – também conhecido no mercado como ciclo de negócios. Inevitavelmente.

Quando ele se manifesta, os economistas do mercado sofrem de dupla paralisia. Intimamente ligadas. A primeira é não poder explicar por que esse “descolamento” acontece. E olha que não é a primeira vez que acontece. A segunda paralisia é ficar totalmente impotente para essa “irracionalidade dos agentes”.

Geralmente eles falam de “aumento da especulação”. De mais uma “bolha especulativa” e outras bobagens. Mas esses palpites de quem nunca foi capaz de levar em conta a lei de gravidade do mercado de capitais não servem para nada.

Muito menos impedem que todo o sistema deslize para mais um inevitável ajustamento daquela brutal desproporcionalidade de preços e quantidades.
A crise periódica torna-se inevitável.

É por isso que o resultado da pesquisa do Banco da América/ Merrill Lynch com os managers dos maiores fundos de investimentos de Wall Street preocupa tanto a Bloomberg News e seus seletos leitores. Com todos os motivos do mundo.

Até o fim do ano pode acontecer uma maravilhosa fogueira em Wall Street e em outras importantes praças financeiras do mundo. Que Marx e Engels nos ouçam.

Leia também:

Celso Amorim: O colapso da soberania brasileira

 

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Eu

20/06/2017 - 02h55

Ótimo artigo. Somado ao excelente artigo de Carlos Drummond para a penúltima edição de Carta Capital, é de dar arrepios de frio na espinha:

https://www.cartacapital.com.br/revista/956/nos-eua-uma-nova-bolha-imobiliaria-ameaca-criar-outra-crise

Parece que a ganância se sobrepõe sempre à parca sabedoria que as crises trazem, ou pelo menos deveriam trazer. Talvez isto ocorra pelo fato de que os principais responsáveis sejam, quase sempre, os menos penalizados (afinal, o “insider trading” existe para ajudar os amigos, não é?) e os inocentes terminem pagando a maior parte do pato. O fato é que agregar ao estímulo à belicosidade contemporâneo o risco de uma desaceleração brusca ou um “crash” econômico é uma receita que, em um tempo histórico relativamente recente, terminou muito mal. Mas esta é também uma lição que alguns fazem questão de ignorar ao máximo.

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Jotage

19/06/2017 - 17h42

Em um mundo onde os juros estão baixíssimos, com exceção do Brasil, onde ninguém quer aplicar por motivos óbvios, a busca de refúgio para o capital passam a ser as ações, mesmo pagando mais do que valem. Esta formada a bolha e que deve estourar quando alguém quer vender mas não existem mais compradores.
Isto é o capitalismo e não tem como fugir disto. Aí devem acontecer as intervenções governamentais salvando a aplicação dos ricos e passando o custo ao povo.

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