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Cartas de Minas
Cartas de Minas

O lamento pela morte de Moniz Bandeira, que muito nos ensinou sobre o imperialismo

11 de novembro de 2017 às 17h55

Referência na ciência política, Moniz Bandeira morre aos 81 anos

da CartaCapital

Morreu nesta sexta-feira 10, em Heidelberg, na Alemanha, o historiador e cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira, um dos mais notáveis intelectuais brasileiros e um pioneiro no estudo das Relações Internacionais.

Moniz Bandeira tinha problemas cardíacos e estava internado desde outubro.

Ele morreu por volta das 14h na cidade alemã de Heidelberg, onde encontrava-se radicado e era cônsul honorário do Brasil.

Ele deixa a mulher Margot Elisabeth Bender, de nacionalidade alemã, e o filho, Egas.

Em janeiro deste ano Moniz Bandeira concedeu uma entrevista a CartaCapital sobre seu último livro, A Desordem Mundial, no qual analisa as consequências para o resto do planeta das intervenções militares e diplomáticas dos Estados Unidos nas últimas décadas.

 

Moniz Bandeira era doutor em Ciência Política pela USP, professor aposentado de história da política exterior do Brasil na Universidade de Brasília e professor-visitante nas universidades de Heidelberg, Colônia, Estocolmo, Buenos Aires, Nacional de Córdoba e Técnica de Lisboa.

O cientista político era especialista em política exterior do Brasil, principalmente com a Argentina e os Estados Unidos. Em 2015, foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura pela União Brasileira de Escritores (UBE), em reconhecimento pelo seu trabalho como “intelectual que vem repensando o Brasil há mais de 50 anos”.

No ano seguinte foi homenageado na UBE com o seminário “80 anos de Moniz Bandeira”, ocasião em que sua obra foi destacada por importantes personalidades do meio acadêmico, político e diplomático

Algumas de suas obras mais relevantes são Brasil, Argentina e Estados Unidos (Da Tríplice Aliança ao Mercosul) e Formação do Império Americano (Da guerra contra a Espanha à guerra no Iraque), pela qual ganhou o prêmio Juca Pato, ao ser eleito pela UBE, por aclamação, como Intelectual do Ano 2005.

Além de influente intelectual, Moniz Bandeira também teve uma importante trajetória de militância política. Filiado ao Partido Socialista Brasileiro, dentro do qual foi um dos organizadores da corrente Política Operário (Polop), acompanhou João Goulart em seu exílio no Uruguai após o golpe de 1964.

Clandestino em São Paulo, publicou em 1967 o livro O Ano Vermelho – Revolução Russa e seus Reflexos no Brasil.

Em 1973, quando ele já estava outra vez preso, a Editora Civilização Brasileira lançou Presença dos Estados Unidos no Brasil (Dois séculos de História), que se tornou um clássico na área de relações internacionais. O livro foi traduzido para o russo e publicado na então União Soviética.

Durante o governo de Leonel Brizola no Rio de Janeiro, nos anos 1980, Moniz Bandeira foi nomeado Diretor-Superintendente do Instituto Estadual de Comunicação.

Moniz Bandeira, um grande brasileiro

A Bancada do PT na Câmara  manifesta seu profundo pesar pelo falecimento, na sexta-feira (10), do  historiador, cientista político e escritor Luiz Alberto Moniz Bandeira, um dos mais notáveis intelectuais brasileiros.

Sempre alinhado à esquerda democrática, ao longo de décadas, com seu trabalho acadêmico ou pela militância política,  o professor contribuiu para  entendermos o Brasil, despertando a  consciência de que podemos ser uma país soberano, democrático, solidário, desenvolvido,  com justiça social e liberdade de expressão.

Moniz Bandeira revolucionou a maneira de vermos as relações Brasil /Estados Unidos, assim  como com a Argentina, deixando obra que é referência na área de relações internacionais.

Por ajudar no processo de repensar o Brasil e pela vasta produção intelectual, foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura pela União Brasileira de Escritores (UBE), em 2015.

Para todos os democratas e progressistas que desejam um Brasil soberano, Moniz Bandeira deixou livros que abrem caminho para a compreensão dos desafios que o País ainda enfrenta, especialmente no atual momento, em que forças ligadas ao capital estrangeiro tentam acabar com qualquer projeto de desenvolvimento nacional autônomo.

Livros clássicos como “Formação do Império Americano”, “A Segunda Guerra Fria” e “A desordem mundial e o  “O ano vermelho — a Revolução Russa e seus reflexos no Brasil”  integram a sua farta produção intelectual.

Neste momento de dor, transmitimos à sua mulher Margot Elisabeth Bender,  ao filho Egas e a todos os seus familiares nossos mais sinceros sentimentos de pesar. Moniz Bandeira, um historiador genial, um grande patriota e defensor da nacionalidade viverá para sempre em nossos corações.

Brasília, 11 de novembro de 2017

Carlos Zarattini (PT-SP), líder do partido na Câmara Federal

PS do Viomundo: Lamentamos a morte do professor, cujos artigos tivemos o prazer de reproduzir muitas vezes nesta página.

Leia também:

A perda de Fátima Oliveira, grande batalhadora das causas feministas

 

2 Comentários escrever comentário »

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Nelson

12/11/2017 - 10h58

Quantas vezes você viu o professor Moniz Bandeira ser entrevistado, consultado ou citado pela mídia hegemônica? Essa mídia que já demonstrou, historicamente, não ter compromisso algum com os interesses e as necessidades do povo brasileiro e do nosso país.

Eu não lembro de ter visto. Por aí, podemos ter a exata medida da capacidade e da importância dele para nosotros.

É de lembrarmos aqui o que dizia o grande Leonel Brizola, do qual o professor era admirador: “Se a Globo [grande mídia] for a favor, seja contra. Se a Globo for contra, seja a favor”.

Parafraseando a expressão cunhada por David Harvey, “follow the money”, eu digo que, se você quer saber o que é realmente necessário para nosso país e nosso povo, siga por um caminho contrário àquele que te é indicado pela grande mídia.

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Ruy Mauricio de Lima e Silva Neto

11/11/2017 - 18h40

Ruy Silva · UFPR (Universidade Federal do Paraná)
Lamento profundamente o desaparecimento de um cérebro privilegiado como esse, justamente num momento em que precisamos tanto de reflexão e de união. Realmente uma perda comparável à de Darcy Ribeiro ou de Celso Furtado. Um grande brasileiro que acabou tendo que emigrar para encontrar um ambiente menos asfixiante do que o nosso, onde pudesse prosseguir suas pesquisas e seus ensinamentos. Temos mais, num momento como esse, que recorrer às suas inúmeras obras e delas extrair um plano emergencial para sairmos deste torpor todo.Lamento profundamente.Uma das piores perdas que poderíamos sofrer.

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