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Maria do Rosário aos parlamentares: Não ao acordão das sombras para salvar Temer; ouçam o povo!

10 de julho de 2017 às 23h17

Não ao acordão das sombras

por Maria do Rosário, especial para o Viomundo

Não nos enganemos com os que, após bastante hesitação, começam a abandonar o navio afundado que se tornou o Palácio do Planalto.

Estes buscam apenas dois objetivos: assegurar a própria sobrevivência eleitoral e preservar os privilégios dos donos do dinheiro.

Cientes disso, seguiremos exigindo o afastamento de Temer combinado à restituição da soberania popular no País. A mera troca de atores com a manutenção do roteiro em nada contribuirá para sairmos da crise em que a cada dia mais submergimos.

Qualquer solução que seja fruto dos conchavos parlamentares, de um pacto entre as elites que uma vez mais vire as costas para o povo, terá como resultado a imposição de uma agenda contrária à recuperação do emprego e à retomada do crescimento.

É uma agenda do mercado, pelo fim da previdência pública, por um reforma trabalhista que retira direitos e expõe os trabalhadores e trabalhadoras à voracidade do capital e o desmonte das políticas educacionais, de saúde e de transferência de renda que vinham mudando a vida das pessoas.

Em meio às sombras nas quais se escondem aqueles que se elegeram pelo voto popular, mas se submetem aos mandos e desmandos do capital financeiro e dos grandes empresários, nossa posição é mais do que nítida. Temer não pode seguir à frente da Presidência da República perpetrando crimes e obstruindo a Justiça.

Para tanto, o processo de apreciação da autorização das investigações que cabe à Câmara dos Deputados deve se dar de maneira mais transparente possível, sem o açodamento que busca impor um governo desesperado que vê sua base se desintegrar.

A sessão que tomará a decisão final de seu afastamento deve ser em um domingo, com transmissão para todo o Brasil, para que todos possam saber quem, apesar de tudo, teve a desfaçatez de buscar a salvação do presidente.

Defendemos ainda que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na qual faço parte, aprove de uma vez por todas a PEC das Diretas, e que o Congresso Nacional reconheça que não possui condições políticas de indicar o próximo presidente via eleição indireta.

Meu apelo é para que os parlamentares ouçam as ruas, o povo, não só em campanha, mas sempre. É disso que o Brasil precisa.

*Maria do Rosário é deputada federal (PT-RS)

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