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Lula: “O preconceito racial é doença, nós temos que enfrentá-lo e vencê-lo; vocês não devem nenhum favor ao Brasil”, ouça áudio

19 de agosto de 2017 às 18h38

Lula em São Francisco do Conde/BA, onde foi o patrono dos estudantes da Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira). Fotos: RicardoIStuckert/Instuto Lula, via Fotos Públicas

Para Lula, racismo é doença e dívida com povo africano é impagável

Em cerimônia de formatura no campus da Unilab na Bahia, ex-presidente diz que Brasil “está pagando as horas, anos e séculos da vida dos que foram trazidos para trabalhar até morrer sem ganhar”

por Redação RBA publicado 19/08/2017 

São Paulo – Os jovens se atiravam nos braços dele como se fosse alguém da família. Cada formando escolheu a própria música que comporia o momento em que fosse receber o canudo das mãos de “Luiz Inácio Unilab Lula da Silva”, como anunciou o orador.

Suas faces estampavam beleza, orgulho de suas histórias e de suas origens. Roupas coloridas, penteados afro externavam o espírito: aprendemos a resistir desde cedo, como disse a oradora, ao mencionar reportagem da Folha de S.Paulo, que trazia como destaque a crise da faculdade.

“Quem quer uma faculdade de negros e negras, pobres, indígenas, quilombolas, africanos?”, questionou, ao definir o perfil da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira.

Aquela cerimônia de formatura encerrada na noite desta sexta-feira (18) respondia. Os alunos Fernando Colônia, da Guiné-Bissau, e Fabiana Pedreira, do Brasil, ao falar em nome de suas turmas, pediram que a Unilab seja ampliada com mais cursos.

“Agradecemos (ao ex-presidente Lula, patrono da formatura) por ter sancionado a lei de criação desta nossa Unilab, possibilitando que as duas margens opostas do Atlântico se reencontrassem, dessa vez em outras condições, para que assim nós, negras e negros, brasileiros e africanos, pudéssemos construir uma nova história, de mãos dadas, a caminho da nossa emancipação política e social”, disse Fabiana.

A gratidão a Lula é manifestada nos sorrisos, aplausos, nas infindáveis selfies. Mas os principais homenageados eram eles mesmos, desde a menção à história de seus antepassados e todos os negros e negras, ao carinho para com a funcionária Chica, do restaurante universitário. O Campus dos Malês da Unilab fica em São Francisco do Conde, na região metropolitana de Salvador. A maioria de seus 40 mil habitantes forma a maior população negra do país.

Itelvina José Fernandes, de Guiné-Bissal caçula entre os cinco irmãos e primeira a obter diploma universitário

Entre eles a família de Itelvina José Fernandes, de Guiné-Bissau, que acabara de receber o canudo das mãos do Doutor Honoris Causa da Unilab, Luiz Inácio Lula da Silva.

“Sou a caçula da minha família. Tenho mais quatro irmãs e um irmão e sou a primeira a receber um diploma”, diz Itelvina. “Estou sem palavras para explicar como é receber um diploma das mãos do presidente Lula. Isso só foi possível graças a uma política de Estado do Brasil.”

Durante seus 15 minutos de fala, encerrados às 23h30 de ontem, Lula contou que foi ao Senegal quando era presidente, junto com seu então ministro da Cultura, Gilberto Gil.

Ao visitar a “Porta do Nunca Mais”, lugar onde os africanos escravizados deixavam o continente, refletiu: “Como mensurar uma dívida dessa? O trabalho que nunca foi pago?”, disse classificando a escravidão como dívida impossível de ser paga em dinheiro. “Vocês não devem nenhum favor a este país. O Brasil não está fazendo favor, está pagando as horas, os anos e séculos da vida de africanos que foram trazidos para cá e trabalharam até morrer sem ganhar nada”, disse.

O patrono cumprimentou todos os formandos e observou que, apesar dessa dívida impagável, o racismo ainda persiste na sociedade brasileira, citando diretamente o Campus de Redenção (CE), sede da Unilab. “Certamente se fossem brancos de olhos verdes, não haveria esse preconceito”, criticou. E definiu: “Preconceito não é posição política, é doença.”

Ouça a fala de Lula (16 min)


Título na ruas

A sexta-feira da Caravana Lula Pelo Brasil começou no município de Cruz das Almas. A chegada de Lula à cidade de 75 mil habitantes, a 150 quilômetros de Salvador, teria como objetivo a entrega do título de Doutor Honoris Causa pela direção da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). A inciativa foi barrada ontem por um juiz federal local, atendendo a um pedido do vereador de Salvador Alexandre Aleluia (DEM).

Assista à reportagem do Seu Jornal, da TVT

A estudante de Biologia Clícia Tainã Cerqueira Bonfim acompanhou a chegada da caravana com uma única esperança: dar um abraço no visitante. Aluna da universidade, erguida na região durante o governo Lula, Clícia revelou sentimento de frustração dos estudantes.

“Toda a cidade esperava por ele aqui com a esperança de poder abraçá-lo. A maioria dos estudantes sabe da importância dele para a universidade, é uma região muito marcada pelos preconceitos, já que é grande o número de negros e pobres que vivem aqui”, disse.

“Esse título seria uma forma de a gente agradecer. A proibição até da entrada dele na universidade causou indignação muito grande. Mas, simbolicamente, esse título é do presidente, e de uma certa forma ele sabe disso.”

Sabe mesmo. Em entrevista a uma emissora local ainda pela manhã, o ex-presidente minimizou a decisão judicial. Criticou a medida, descabida do ponto de vista da autonomia das universidades, mas disse ter sido compensado pelo carinho dos baianos. “Cada menino negro da Bahia que recebeu o seu diploma é o meu título de Honoris Causa. E isso nenhum vereador ou juiz pode apagar”, afirmou.

Com reportagens da Cláudia Motta, enviada à Bahia e informações da Fundação Perseu Abramo e da TVT.

Edição: Paulo Donizetti de Souza

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a.ali

19/08/2017 - 23h34

é por tudo isso e mt. mais que a coxaiada, lambuzada de ódio, não suporta o, sempre, Presidente Lula.
já que os analfabetos funcionais direitistas vêm beber de sabedorias e verdades nesse blog progressista, também, e assistindo ao vídeo do discurso do Presidente Lula, lhes toque, nem que seja um naquinho, de humanidade e humildade!

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Sérgio

19/08/2017 - 21h09

Esse é o cara!

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    lulipe

    20/08/2017 - 13h01

    É o cara condenado a 9 anos por corrupção!!!

    Gersier

    20/08/2017 - 20h34

    Ô lulip, vai comer o seu pasto, jumento. OPS, esquecí, amebiano só se alimenta da merda, principalmemnte a que sai da cloaca de um tal PIG.

Vilson Souza Barbosa

19/08/2017 - 19h34

Vida longa e Deus abençoe o presidente Lula!

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