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Fátima Oliveira: Nossa situação comprova que conciliação de classes só serve à burguesia

16 de março de 2016 às 11h51

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Lula e João Amazonas durante comício de 1º de Maio de 1989. Foto: Arquivo Fundação Maurício Grabois

João, o Brasil permanece na encruzilhada histórica!

Fátima Oliveira, em O TEMPO

[email protected][email protected]_

Das elaborações teóricas de João Amazonas (1912-2002), o principal pensador do PCdoB, a que mais me encanta é: “O Brasil numa encruzilhada histórica”, pela propriedade de responder a diferentes contextos políticos desde que foi elaborada, inclusive porque o país continua nela!

Grosso modo, a “encruzilhada histórica do Brasil” é: ou o país trilha uma rota progressista, ou se afunda na rota neoliberal antipovo! Tendo em conta a encruzilhada histórica, o PCdoB elaborou o Programa Socialista para o Brasil – O fortalecimento da nação é o caminho, o socialismo é o rumo, aprovado na 8ª Conferência Nacional (1995) e referendado no 9º Congresso (1997), no qual consta no ponto 34 o que se segue:

“A vitória das forças democráticas, progressistas e populares em eleições presidenciais impulsionará a luta pela aplicação do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento. A derrota, ou o êxito eleitoral da tendência política avançada, ou circunstâncias políticas imprevisíveis, podem influir na trajetória e no nível das batalhas, na correlação de forças e nas condições de luta. Todavia, em qualquer situação, a transição ao socialismo deve ser o norte constante do PCdoB”.

Uma das mais nítidas lembranças que tenho de ouvir João Amazonas é o combate firme e incessante ao desarmamento ideológico, a exemplo da conciliação de classe, que difere de “acordos pontuais de governabilidade”, posto que as classes dominantes não entregam o poder sem muita luta, de todas as formas. Ao que eu acrescento: não há na história das sociedades de classes nenhum caso em que as classes dominantes entregaram o poder de mando passiva e pacificamente.

Sob o capitalismo, o que sabemos é que a burguesia e seus prepostos, quando perdem as eleições, até ficam atordoados num primeiro momento, mas imediatamente passam à fase de acumulação de forças para a retomada do poder, por todas as vias, não apenas a eleitoral, como está acontecendo no Brasil: sexismo e misoginia em relação à presidente Dilma, até indução explícita ao suicídio; intensificação de atos de vandalismo contra organizações sociais e partidos de esquerda; e tentativas de destruição da imagem de Lula!

A conjuntura brasileira é exemplar: a conciliação de classes só serve à burguesia. Em momentos de crise, que a própria burguesia planta em governos populares e democráticos com vistas a retomar o poder, invariavelmente em nome do combate à corrupção, ela é insensível a apelos para diálogos em nome do amor ao país! Tal insensibilidade nada mais é do que a expressão de uma das facetas da luta de classes.

José Reinaldo Carvalho, a quem entrego o restante do texto, em “Amazonas, a estratégia e a tática de um partido revolucionário”, relembra: “Por isso, Amazonas não teve dúvidas e se tornou um dos fundadores da Frente Brasil Popular, da memorável campanha Lula Lá de 1989. E foi um dos principais entusiastas e impulsionadores das campanhas do ex-metalúrgico, malgrado as diferenças de concepção e as divergências políticas, ideológicas e teóricas dos comunistas com o PT.

“O camarada João dirigiu a formulação de uma estratégia revolucionária, baseada nos princípios do marxismo-leninismo, e de uma tática ampla, combativa e flexível. Ensinou-nos que o partido deve enraizar-se entre as massas, inserido no curso político, enfrentar os grandes e os pequenos embates políticos do cotidiano e acumular forças revolucionariamente.

“As atuais conquistas democráticas e patrióticas do povo brasileiro têm muito a ver com a contribuição de João Amazonas”.

 Leia também:

Levante da Juventude: Lava Jato, a nova novela golpista da Globo 

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5 Comentários escrever comentário »

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Urbano

19/03/2016 - 14h09

É que um dos estratos nunca pensa em conciliação, mas tão somente em concussão.

Responder

cleverson

16/03/2016 - 20h01

Hugo Chavez, disse que tentou um acordo com os poderosos, chegou a pensar numa “3º via”, mas, depois de algum esforço viu que nao era possivel, entao passou para o “radicalismo”. Mas, nao foi tao bocó quanto Lula e Dilma. Alem, de dar dignidade a seu povo, também o POLITIZOU. Depois do golpe, fechou uma das Globo (deveria ter fechado a todas) e seguiu em frente, ganhando um punhado de eleiçoes.

Politizar o povo, essa é a senha.

Responder

    Ruy Teixeira

    17/03/2016 - 12h34

    Existem pessoas que precisam de liderem mas por favor não exagera.

Lukas

16/03/2016 - 14h47

Saudades de Enver Hoxha. Este foi cedo demais…

Responder

    Ruy Teixeira

    17/03/2016 - 12h35

    Já tomou seu remedinho hoje ?

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