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Cartas de Minas

Escola sem Partido: Beatriz Cerqueira nocauteou três defensores em 10 minutos; Fernando Holiday, um deles; veja vídeos

21 de julho de 2017 às 15h02

por Conceição Lemes

Beatriz Cerqueira é professora e coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG).

Seguramente, uma das importantes vozes no Brasil contra o antidemocrático e obscurantista projeto  “Escola Sem Partido” — a Lei da Mordaça.

O vereador Fernando Holiday (DEM-SP) é um fervoroso defensor.

Em 7 de julho, os dois participaram de audiência pública sobre o tema na Câmara Municipal de Além Paraíba, sul de Minas.

O debate prometia ser duro.

Machismo e misoginia são recorrentes nas propostas e posturas do vereador. Basta percorrer a sua página no Facebook.

No começo deste ano, ele atacou de polícia política e  invadiu de forma ilegal escolas públicas da cidade de São Paulo para “fiscalizar” os conteúdos desenvolvidos em sala de aula, sob o pretexto de estar investigando “doutrinação ideológica”.

Em plenário, a vereadora Sâmia Bomfim (PSOL) criticou-o por patrulhamento, censura, assédio.

Em 5 de abril, representou contra ele no Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).

Segundo denúncias de professores e funcionários a Samia e que constam na representação, Holiday estaria

“intimidando professores e funcionários, exigindo acesso aos planos de aula, invadindo salas, fotografando conteúdos abertos em monitores de computador e coagindo profissionais da educação no exercício de sua atividade”.

Dois dias depois, madrugada de 7 de abril, o número do celular Samia e o de Isa Pena, outra vereadora  do PSOL, estavam circulando abertamente na rede.

Acusado pela divulgação dos telefones, negou, como habitualmente faz.

Independentemente da negativa, ambas passaram a receber ofensas, intimidações e ameaças de seguidores do Movimento Brasil Livre (MBL), do qual Holiday é coordenador.

O MBL é um grupo de direita, fascista. A logomarca logo dele  estava em um meme que tinha os fones das vereadoras, informando que eram contra o projeto Escola Sem Partido.

O vereador vive criando factoides para “causar”.

Dois meses antes, o seu alvo era o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), mas acabou sendo a vereadora Juliana Cardoso (PT-SP), que, em nota, relatou:

Hoje, dia 10 de fevereiro, enquanto fazíamos uma reunião com o Senador Lindbergh Farias, assessores do Vereador Fernando Holiday invadiram a sala, munidos de celulares e câmeras para gravar uma reunião particular do meu mandato com a presença do Senador,  fazendo provocações chulas e agredindo verbalmente nossos assessores. 

A intenção final era escrachar o Senador Lindbergh, por isso o levamos em grupo até o seu carro para que ele pudesse sair em segurança. 

Não satisfeitos, os mesmos assessores de Holiday, horas depois, ligaram para a GCM da Câmara Municipal chamando-os para o 6º andar avisando que lá haveria uma “ocorrência”

Então, eles foram até o 6º andar e invadiram por três vezes uma reunião particular do mandato que estava ocorrendo na sala da Liderança do PT a portas fechadas, eles abriram a porta e começaram a gravar a reunião e agredir verbalmente nossos assessores com provocações.

(…)

Desde então, Holiday ataca-a sistematicamente, distorcendo fatos, caluniando, desqualificando com adjetivos pejorativos.

Negro, ele quer revogar na cidade o Dia Nacional da Consciência Negra (celebrado em 20 de novembro) e as cotas raciais nos concursos públicos municipais.

Eleito vereador em cima do discurso contra a corrupção, Holiday usou caixa 2, em 2016, para pagar cabos eleitorais que trabalharam com panfletagem na reta final da disputa, denunciou o Buzzfeed.

Ao defender propostas reacionárias, é agressivo, grosseiro, metido a valentão.

Porém, na hora de um debate sério, aflora a sua pouca capacidade de aprofundar as ideias. Ou, então, ele afina.

Foi o que se viu em Além Paraíba. Um Holiday apagado, sem conteúdo, repisando sofismas e chavões. Discurso pronto, tal qual matéria de jornal de sexta-feira santa dizendo que não vai faltar peixe.

Cadê a valentice exibida contra os professores em aula?

Três fatores podem ter contribuído:

1) Ele costuma “causar” quando está com sua tropa, protegido. Lá, estava sozinho e a claque era pequena.

2) A calça justa com prefeito de Além Paraíba, Miguel Belmiro de Souza Júnior, também do DEM.

Miguel Belmiro é professor de Educação Física e posicionou-se contra o Escola Sem Partido. Disse mais:

“Como professor, que gostaria de estar discutindo as más condições de trabalho do Magistério, e que, estará sempre voltado para investir e prestigiar as melhorias dos professores”

3) O fato de Beatriz Cerqueira vivenciar todo dia o assunto. Logo, não daria para engabelá-la nem a maior parte da plateia.

Também não funcionariam as provocações que ele tanto gosta de fazer. Beatriz foi forjada no embate de duras negociações com os governos Aécio Neves, Antonio Anastasia e Fernando Pimentel.

Enfrentou a Polícia Militar em manifestações durante os períodos tucanos. Teve inclusive P2 na sua cola na era Anastasia.

Resultado: Beatriz deu uma surra em Holiday.

Fez o mesmo nos dois deputados mineiros do PRB, que também falaram a favor do Escola sem Partido: o federal Lincoln Portella e seu filho, o estadual Léo Portella.

Bem que Portella-pai vociferou no meio da apresentação de Beatriz, tentando ganhar no grito. Não colou.

Alguma dúvida sobre o resultado da audiência?

No Facebook de Holiday, há apenas o post ao lado a respeito do evento. O máximo que ele conseguiu foi dizer: “A militância de esquerda está agitada e revoltada”.

Dê uma olhada na foto abaixo. Foi tirada ao final da audiência. Atente bem à fisionomia do grupo.

Revoltados? Certamente, a “militância de esquerda” não.

Se o resultado tivesse sido o inverso a repercussão no Facebook de Holiday seria só essa ao lado?

A surra foi tamanha que o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG) não teve nem de sair da cadeira, de onde assistiu tudo:

“A Bia nocauteou os três em 10 minutos. Nem tive de falar.

“O menino é muito fraquinho e a tese deles, uma antiguidade. Versão 2017 do Jarbas Passarinho, ministro da educação da ditadura: ‘estudante é para estudar’. Só que não! Estudante é muito mais!”

Assista às apresentações:

 

14 Comentários escrever comentário »

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Eu

23/07/2017 - 02h37

Minha primeira ação política foi na escola primária, ao juntar os colegas para exigirmos que uma professora cessasse de bater nas mãos dos alunos que não decoravam a tabuada com uma régua de madeira (o que nem era meu problema pessoal, o que tenho de melhor sempre foi a memória). E minha primeira preocupação educacional foi na adolescência, quando me dei conta que eu desconhecia alguns filósofos que adolescentes da geração anterior, na mesma faixa etária, já discutiam, como Wittgenstein e Kierkegaarde. Sentia-me a quilômetros de distância do nível que eu gostaria de atingir.

Hoje, duvido que jovens tenham tal inquietação diante de seu desconhecimento. A maioria nem tem interesse no que desconhece, e faz da própria ignorância elemento de orgulho. Pior ainda é ler que há amparo a um movimento que visa instaurar medidas autoritárias desde a mais tenra idade. Levando-se em conta que é, justamente, a época ideal para fixar o aprendizado, deixo à imaginação de todos o frio na espinha que sinto ao pensar o que estamos deixando incutir em nossos jovens, e o resultado futuro disto. As “hitlerjügend” tinham início na primeira infância, e no final eram estas crianças que iam apaixonadamente ao front morrer pelo Führer. Não foi por acaso que todos os modelos antidemocráticos sempre preocuparam-se em doutrinar a juventude o mais precocemente possível, esta é a melhor garantia de perpetuação de ideias e atitudes, não importando o quão ruins elas sejam. E de assegurar a existência de uma massa de manobra para quaisquer interesses, por mais escusos que sejam.

Não se trata de discriminar uma determinada linha de pensamento, mas de garantir a pluralidade do aprendizado; que direita e esquerda, homo e hétero, crença e descrença sejam igualmente dissecados na arena do aprendizado, para que o aluno conheça todas as possibilidades e tome sua posição na vida livremente, seja ela qual for. Tampouco se trata de diminuir a autonomia do docente ou do discente, mas de não permitir a adoção de práticas de viés autoritário; o dedo-durismo (salve Sérgio Porto!) nunca foi aliado da aprendizagem em nenhuma prática saudável, mas fez parte de tudo o que a humanidade já produziu de pior, aqui e alhures.

É tão ruim quanto a “educadora” que necessitava da régua de madeira para suprir sua carência pedagógica.

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Leonardo

23/07/2017 - 01h07

triste ver esses caras lutando pra ficar na gaiola achando que estão se libertando dela..

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Irineu vc não sabe nem eu

22/07/2017 - 21h35

“MBL é um grupo de direita fascista” kkkkk pqp que site ridículo, tudo que não é de esquerda é fascista pra esses imbecis nem sabem o significado de fascismo, vão estudar seus retardados de merda vcs são um antro de desinformação e ignorância.

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RAFAEL FERNANDES RODRIGUES PRIETO

22/07/2017 - 20h41

E vc com o poder da mídia acha que estudantes devem o que? Vc sabe o significado da palavra estudante? Aliás são blogs e sites assim que fazem um desfavor a sociedade… Ou vc vai contra os números, num dos últimos ranking mundial do Pisa estávamos nas últimas posições… Nos últimos 15 anos o índice de estudantes analfabetos funcionais só aumento… Então reveja sua posição e deixe de ser mais um desinformador.

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Cícero donisete de

22/07/2017 - 19h44

Se eu fosse deputado federal minha bandeira era pra que todos os funcionários públicos, todos sem exceção, doaria meio porcento dos salários dos funcionários públicos para construir cadas populares

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    Miguel Matos

    23/07/2017 - 20h27

    Sou funcionário público e já “doo” 27,5% do meu salário para o governo.

Mateus

22/07/2017 - 12h58

A sociedade brasileira tem que lutar pelo fim do Comunismo. Um regime atrasado, ditatorial, totalitário, anti-democrático, violento, intolerante e assassino. Mais 100 milhões de pessoas morreram devido essa vertente política-ideológica que é tão ameaçadora quanto o nazi-fascismo. Em nenhum lugar do mundo deu certo por motivos óbvios. Coitada da Venezuela que não teve força suficiente para resistir esse mal.

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    Ronald

    28/07/2017 - 15h28

    Mateus, pare de ler veja, época, isto é.

    Esta história barata de comunismo está mais do que ridicularizada.

    Você que deve ser assalariado e explorado pelo seu patrãozinho “pato amarelo”, leia isto:

    “Tais sofismas com “mentiras nobres” retratam a política económica e fiscal a favor da finança como uma fortaleza democrática contra governos suficientemente fortes para desafiar o poder da alta finança e os interesses seus aliados na extração de renda. Os 1% procuram criar uma mitologia da tradição, uma dependência como a Síndrome de Estocolmo e uma pseudo-inevitabilidade histórica darwiniana, para orientar o público no apoio aos 1%, como o “nós” universal, enquanto demoniza os defensores dos interesses dos 99% como “eles”, Michael Hudson.

Leandro Medeiros

22/07/2017 - 08h40

O Holiday é um excelente político mas sofre preconceito daqueles que pensam que sua raça é inferior, que tem que ser cotista e etc.

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CARLOS ROBSON SILVA DE SOUZA CORREA

22/07/2017 - 07h14

Kkkkkkk esses doutrinado defendendo partido dentro de escolas, continuem assim, sejam eternos massa de manobra kkkkk

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    Ronald

    28/07/2017 - 15h36

    Esses doutrinado?! mais um que nem escola frequentou…

Estevam

22/07/2017 - 04h41

Só é triste ver meios de comunicação dizendo q são imparciais.. vcs de fato não são.. não querem o escola sem partido pq hj a escola está com o “meu” partido né..

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    Ronald

    28/07/2017 - 15h34

    Acho que este estevam nem frequentou escola. Pensamento sem pé nem cabeça. Triste !!!!

a.ali

22/07/2017 - 00h11

esse é mais um bostinha.

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