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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Diane Ravitch: As corporações atacam a educação pública

10 de março de 2012 às 15h20

Escolas que podemos invejar

Diane Ravitch, no New York Review of Books, 8 de março de 2012

Tradução Viomundo

[Resenha do livro Lições Finlandesas: O que o mundo pode aprender com as mudanças educacionais na Finlândia?, de Pasi Sahlberg, Teachers College Press, 167 páginas, U$34.95]

Em anos recentes autoridades eleitas e formuladores de políticas públicas como o ex-presidente George W. Bush, o ex-chanceler educacional de Nova York, Joel Klein; a ex-chanceler educacional de Washington DC, Michelle Rhee e a secretária de Educação [equivale ao ministro, nos Estados Unidos] Arne Duncan concordaram que não deve haver “desculpas” para a existência de escolas com notas baixas em testes de múltipla escolha. Os reformistas do “sem desculpas” acreditam que todas as crianças podem atingir determinada proficiência acadêmica independentemente de pobreza, problemas de aprendizagem ou outras condições, e que alguém deve ser responsabilizado se os alunos não conseguirem. Este alguém é invariavelmente o professor.

[Nota do Viomundo: Na lista acima podemos incluir um sem número de ‘especialistas’ e políticos brasileiros que bebem na matriz neoconservadora]

Nada é dito sobre cobrar responsabilidade dos líderes municipais ou de autoridades eleitas que decidem questões cruciais como financiamento, tamanho da classe e distribuição de recursos. Os reformistas dizem que nossa economia corre risco, não por causa da crescente pobreza ou desigualdade de renda ou da exportação de empregos, mas por causa de professores ruins. Estes professores ruins devem ser identificados e jogados fora. Qualquer lei, regulamentação ou contrato que proteja estes malfeitores pedagógicos precisa ser eliminada para que eles sejam rapidamente removidos sem considerar experiência, senioridade ou processo legal.

A crença de que as escolas, em si, podem superar os efeitos da pobreza teve origem décadas atrás, mas sua mais recente manifestação está num livro curto, publicado em 2000 pela conservadora Fundação Heritage, de Washington DC, intitulado Sem Desculpas [No Excuses]. No livro, Samuel Casey Carter identificou vinte e uma escolas em regiões de alto índice de pobreza com bons resultados nos testes. Na última década, figuras influentes na vida pública decretaram que a reforma escolar é chave para sanar a pobreza. Bill Gates declarou à National Urban League, “vamos acabar com o mito de que podemos acabar com a pobreza antes de melhorar a educação. Eu diria que é ao contrário: melhorar a educação é a melhor forma de resolver a pobreza”. Gates nunca explicou porque uma sociedade rica e poderosa como a nossa não pode enfrentar a pobreza e a melhoria da educação ao mesmo tempo.

Por um período, a Fundação Gates imaginou que escolas menores eram a resposta, mas Gates agora acredita que a avaliação dos professores é o ingrediente primário da reforma escolar. A Fundação Gates dá centenas de milhões de dólares a distritos escolares para desenvolver novos métodos de avaliação. Em 2009, a principal reformista, secretária da Educação Arne Duncan, lançou um programa competitivo de U$ 4,35 bilhões chamado Corrida ao Topo, que exige que os estados avaliem os professores baseados nos resultados de testes e que removam os limites existentes sobre as escolas charter gerenciadas privadamente [escolas que recebem financiamento público e privado, mas que não se submetem a todas as regras impostas pelo estado; em vez disso, se comprometem a atingir determinados parâmetros definidos numa declaração de princípios, o charter].

O principal mecanismo da reforma escolar de hoje é identificar professores capazes de melhorar os resultados dos testes dos alunos ano após ano. Se os resultados melhorarem, dizem os reformistas, então os estudantes vão seguir na escola até a faculdade e a pobreza eventualmente vai desaparecer. Isso vai acontecer, acreditam os reformistas, se houver um “grande professor” em toda classe e se um número maior de escolas for entregue a gerentes privados, ou mesmo a corporações com fins lucrativos.

Os reformistas não se importam se os testes padronizados são vulneráveis a erros de medição, de amostragem ou outros erros estatísticos. Eles não parecem se importar se especialistas como Robert L. Linn da Universidade do Colorado, Linda Darling-Hammond de Stanford e Helen F. Ladd de Duke, assim como a comissão formada pelo National Research Council, já alertaram sobre o mau uso dos testes-padrão como forma de dar recompensas ou sanções a professores, individualmente. Nem enxergam o absurdo de avaliar a qualidade de cada professor a partir de testes de múltipla escolha a que estudantes são submetidos uma vez por ano.

Os testes podem revelar informações úteis, mostrando a alunos e professores o que está sendo ou não aprendido; os resultados podem ser utilizados para diagnosticar problemas de aprendizagem. Mas coisas ruins acontecem quando o resultado de testes passa a ter grande consequência para estudantes, professores e escolas, como a redução do currículo para incluir só o que é testável ou cola ou diminuir o padrão de ensino para inflar os resultados. Em resposta à pressão federal e estadual para melhorar o resultado dos testes, distritos escolares de todo o país têm reduzido o tempo para o ensino de artes, educação física, História, civismo e outras matérias não-testáveis. Isso não vai melhorar a qualidade da educação e com certeza vai prejudicá-la.

Nenhuma nação do mundo eliminou a pobreza demitindo professores ou entregando escolas a gerentes privados; não há estudos que apoiem qualquer destas estratégias. Mas estes fatos inconvenientes não reduzem o zelo dos reformistas. A nova turma de reformistas da educação é formada principalmente por gerentes de fundos hedge de Wall Street, integrantes de fundações, executivos de corporações, empreendedores e formuladores de políticas públicas, mas poucos educadores experientes. A desconexão dos reformistas do dia-a-dia da educação e a indiferença em relação a estudos acadêmicos sobre o assunto permitem aos reformistas ignorar a importância das famílias e da pobreza na educação.

As escolas podem fazer milagres, os reformistas dizem, ao se basear em competição, desregulamentação e gerenciamento pelos números — estratégias similares às que produziram o crash econômico de 2008. Em vista da queda dos reformistas por estas estratégias, os educadores tendem a chamá-los de “reformistas corporativos”, para distinguí-los daqueles que entendem as complexidades da melhoria do sistema de ensino.

A bem financiada campanha de relações públicas dos reformistas corporativos foi bem sucedida ao persuadir autoridades eleitas e o público norte-americano de que a educação pública precisa de uma terapia de choque. Uma pessoa tende a se esquecer de que os Estados Unidos têm a maior e uma das mais bem sucedidas economias do mundo e que parte deste sucesso pode ser atribuído a instituições que educaram 90% das pessoas desta nação.

Diante de uma incansável campanha contra os professores e a educação pública, os educadores têm buscado uma narrativa diferente, livre da estigmatização dos resultados de testes de múltipla escolha e das punições previstas pelos reformistas corporativos. Encontraram isso na Finlândia. Mesmo os reformistas corporativos admiram a Finlândia, aparentemente não reconhecendo que a Finlândia desprova todas as suas diretrizes.

Não é estranho os Estados Unidos usarem outra nação como modelo para a reforma da educação. Na metade do século 19, os líderes da educação dos Estados Unidos elogiavam o sistema prussiano por seu profissionalismo e estrutura. Nos anos 60, os norte-americanos correram para o Reino Unido para se maravilhar com as escolas progressistas. Nos anos 80 os norte-americanos atribuiram o sucesso econômico do Japão ao sistema educacional do país. Agora a nação mais favorecida é a Finlândia e por quatro boas razões.

Primeiro, a Finlândia tem o sistema com melhor performance do mundo, medida pelo Programme for International Student Assessment (PISA), que avalia leitura, conhecimento matemático e científico para estudantes de 15 anos de idade da Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OECD), inclusive os Estados Unidos. Contrariamente a nossos testes, não há consequências práticas nos testes aplicados pelo PISA. Nenhum indivíduo ou escola fica sabendo de seus resultados. Ninguém é recompensado ou punido por causa dos resultados dos testes. Ninguém se prepara para os testes, nem existe incentivo para distorcer o resultado.

Segundo, de uma perspectiva norte-americana, a Finlândia é um universo alternativo. Rejeita todas as “reformas” atualmente populares nos Estados Unidos, como a aplicação de testes, escolas charter, pagamento dos professores por mérito, competição ou avaliação dos professores baseada nos resultados de testes aplicados a estudantes.

Terceiro, entre as nações da OECD, as escolas finlandesas têm a menor variação em qualidade, significando que chegam perto de atingir uma oportunidade educacional igualitária — um ideal norte-americano.

Quarto, a Finlândia emprestou muitas das ideias que valoriza dos Estados Unidos, como a igualdade de oportunidades educacional, instrução individualizada, avaliação de portfolio e aprendizagem cooperativa. Muitos destes empréstimos derivam do trabalho do filósofo John Dewey.

Em Lições Finlandesas: O que o mundo pode aprender com as mudanças educacionais na Finlândia?, Pasi Sahlberg explica como as escolas do país se tornaram bem sucedidas. Autoridade de governo, pesquisador e ex-professor de matemática e de Ciências, Sahlberg atribui a melhoria das escolas finlandesas a decisões ousadas tomadas nos anos 60 e 70. A história da Finlândia é importante, ele escreve, “porque traz esperança àqueles que estão perdendo a fé na educação pública”.

Detratores dizem que a Finlândia tem boa performance acadêmica porque é etnicamente homogênea, mas Sahlberg responde que “o mesmo vale para o Japão, Xangai ou Coreia”, que são admiradas pelos reformistas corporativos por sua ênfase nos testes de múltipla escolha. Para os detratores que dizem que a Finlândia, com sua população de 5,5 milhões, é muito pequena para servir de modelo, Sahlberg responde que “cerca de 30 estados dos Estados Unidos têm uma população parecida ou menor que a da Finlândia”.

Sahlberg fala diretamente sobre a sensação de crise educacional que existe nos Estados Unidos e em outras nações. Os formuladores de políticas dos Estados Unidos procuram soluções baseadas no mercado, propondo “competição mais dura, obtenção de mais dados, abolição dos sindicatos de professores, criação de mais escolas charter ou adoção de modelos de gerenciamento do mundo corporativo”.

Em contraste, a Finlândia gastou os últimos quarenta anos desenvolvendo um sistema educacional diferente, focado em melhorar a qualidade dos professores, limitar os testes a um mínimo necessário, colocar responsabilidade e confiança antes de cobranças e entregar a liderança das escolas e dos distritos escolares a profissionais da educação.

Para um observador norte-americano, o fato mais marcante da educação finlandesa é que os estudantes não fazem testes-padrão até o fim da escola secundária. Eles fazem exames, mas os exames são desenvolvidos pelos próprios professores, não por uma corporação multinacional de ensino. A escola básica finlandesa de nove anos é uma “zona livre de testes-padrão”, onde as crianças são encorajadas a “saber, criar e sustentar sua curiosidade natural”.

PARA LER A SEGUNDA PARTE, CLIQUE AQUI.

Para quem quiser ler em inglês, aqui.

Leia também:

Luiz Martins: “Descalabro total, perversão do que é instituição pública de ensino”

Falta de transparência trai memória das vítimas da ditadura na USP

 

88 Comentários escrever comentário »

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Marco Piva: Mão do mercado esbofeteia soberania - Viomundo - O que você não vê na mídia

26/04/2013 - 19h20

[…] Diane Ravitch, no New York Review of Books: As corporações atacam a educação pública […]

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Vladimir Safatle: A biblioteca roubada em todo o Brasil « Viomundo – O que você não vê na mídia

05/02/2013 - 19h08

[…] A não ser para os consultores contratados a peso de ouro para vender o mais novo método educacional portador de grandes promessas. Vladimir Safatle é professor livre-docente do Departamento de filosofia da USP (Universidade de São Paulo). Leia também:  Diane Ravitch:  As corporações atacam a educação pública […]

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Diane Ravitch: De onde sopram os ventos de destruição da educação pública « Viomundo – O que você não vê na mídia

14/06/2012 - 23h53

[…] Diane Ravitch: As corporações atacam a educação pública […]

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Heloisa Villela: O feriado que os norte-americanos decidiram esquecer « Viomundo – O que você não vê na mídia

01/05/2012 - 12h04

[…] Diane Ravitch: As corporações atacam a educação pública […]

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Diane Ravitch: Cuidado, o Germe está de olho em nossos filhos « Papagaio Rouco

14/03/2012 - 19h04

[…] A primeira parte está aqui […]

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Pedro

13/03/2012 - 09h38

Será que a quantidade de instrução que Bill Gates detém corresponde aos bilhões que ele acapara? Se fôssemos medir o volume de instrução que ele detém pela quantidade de sanduiches que ele pode comprar com seus bilhões, ou melhor, que ele tira da boca de milhões, talvez chegássemos a resultados surpreendentes. Para não dizer que não falei de educação, que é o tema do artigo, gostaria de lembrar o que o historiador francês Alexis de Tocqueville disse a respeito da libertação dos escravos nas colônias francesas: se fôssemos esperar, que é o que queriam os escravocatas, que os escravos tivessem a educação de homens livres para serem libertados, muito provavelmente tornaríamos eterna a escravidão.

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Laura

12/03/2012 - 08h57

Até que enfim uma análise que põe no lugar esta baboseira das "avaliações". Milhôes de Dólares, Reais, que moeda for, para sustentar burocratas brandindo suas aleivosias e imposições estapafurdias!
Dêem condições para os educadores educarem, simples assim.
Como na Finlandia.

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Eduardo Mendes

12/03/2012 - 07h55

Há também o problema de que os alunos, já algum tempo, são treinados pra passar no vestibular, e não pra aprender.

E isso fez com que as disciplinas incorporasse matérias que antes eram só vistas no ensino superior.

Como fazer os alunos aprenderem tanta coisa em tão pouco tempo, e quando eles nem tem a base e maturidade pra isto?

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Rasec

12/03/2012 - 02h11

Aumentar carga horária, mas reduzir a grande quantidade de conteúdos a que os estudantes são submetidos sem terem tido opção de escolha. O conteúdo de Matemática do Ensino Médio é simplesmente um absurdo, sem contar Química, Física e Biologia. E, sim, responsabilizar os docentes. Por que numa turma de matemática quando 60% da turma não atinge a nota mínima a culpa é dos alunos? Não terá sido do professor que ou correu com o conteúdo, ou não deu exercícios suficientes para possibilitar dúvidas e seus esclarecimentos ou aplicou uma avaliação totalmente discrepante do nível de sua aula?
O professorado tem sim, culpa no cartório!

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Douglas

11/03/2012 - 19h34

Educação no Brasil é uma GRANDE PIADA. Não há o mínimo de cuidado e zelo. Não há profissionais (nos órgãos responsáveis para promover a educação) talhado para isso. Existem POLÍTICOS que forjam kit isso, kit aquilo com o intuito único e exclusivo de se eleger a cargo eletivo. Uma picaretagem. Para que coisa mais vergonhosa do que ter um outro político no MCT que conseguiu um doutorado comprado? (http://tomoliveirapromotor.blogspot.com/2012/03/nova-polemica-tese-de-doutorado-de.html)

Esse mesmo cidadão é um desastre tanto acadêmico (sic!) quanto político. Portanto, meus caros, a realidade é nua, crua e dura! Esses governos brasileiros, salvo noutra encarnação, quem sabe terá algum comprometimento com a educação. Vamos manter palhaços nas comissões de educação (http://www1.folha.uol.com.br/poder/881156-pr-confirma-tiririca-na-comissao-de-educacao-e-cultura-da-camara.shtml). Esses pulhas são uma vergonha e um desastre nacional. Estaremos sempre séculos atrás de Coréia, Japão, China, etc. Não vamos humilhar inserindo os EUA, Inglaterra, Alemanha, França entre outros. Assim já é demais. Aqui do nosso lado, nossos hermanos já podem tripudiar ainda mais de "nóis" (http://www.alfredomenezes.com/index.php?paginas_ler&artigos&id=2907). Vamos, enquanto isso, dá prêmios para jogadores de futebol (http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/ESPORTES/149777-GOVERNO-PROPOE-PREMIO-E-AUXILIO-MENSAL-AOS-CAMPEOES-DE-58,-62-E-70.html). É o fim da picada. Esse governo é um des-governo! São PTralhas mesmo.

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    leonel

    03/04/2013 - 14h10

    japão, china, corea estão anos luz a frente dos americanos no ambito da educação. se você ver por exemplo a NASA você vera sempre orientais. kk

Outro Antonio

11/03/2012 - 19h17

Onde a direita governa a escola pública é ruim. Primeiro para atender aos interesses dos empresários carniceiros da pseudoeducação. Depois, para que o povo não progrida e continue na bestial ignorância que tanto faz bem aos malandros da direita, os quais são os coronéis corruptos de grandes estados como o de São Paulo. Educar não é difícil quando se junta um modelo pedagógico decente, perspectiva, universo local, disciplina saudável para se atingir uma meta, professores e alunos preparados e vontade política.

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FrancoAtirador

11/03/2012 - 15h58

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Apoio popular à lei de meios

"Sem um amplo debate,
a liberdade de expressão
continuará privilégio de poucas famílias,
que apostam na confusão
para manter tudo como está"

Por Lalo Leal , na Revista do Brasil, Edição 69

Há exatos 13 anos estive com a então deputada Marta Suplicy no gabinete do ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. Integrávamos a ONG Tver, e ele, o segundo governo de FHC. A audiência tinha a ver com as manifestações recebidas pela organização sobre a qualidade da programação da TV brasileira, que naquele momento parecia ter chegado ao fundo do poço.

Repudiávamos qualquer tipo de censura, entendendo que o problema só poderia ser enfrentado com a existência de leis claras e objetivas, formuladas democraticamente e aprovadas pelo Congresso Nacional. Estávamos no gabinete do ministro para saber se ele concretizaria a promessa do antecessor, Sérgio Motta, de pôr em discussão o projeto de uma lei de comunicação eletrônica de massa, para substituir o velho Código Brasileiro de Telecomunicações, de 1962 e totalmente ultrapassado.

Não fomos felizes. O ministro parecia desconhecer o assunto, pedindo seguidas informações aos auxiliares. Ainda assim, prometeu que até o final daquele ano promoveria debates públicos sobre o projeto. Realizou um, fechadíssimo, em Brasília, e nada mais. Vivi o caso de perto. Mas ele não é excepcional, é apenas exemplar. Faz parte da luta pela regulação da comunicação no Brasil, iniciada antes da Constituinte de 1988, que persiste até hoje. Nela defrontam-se grupos da sociedade em defesa de uma lei para a comunicação, os empresários do setor beneficiários do vazio legal que lhes permite obter lucros fabulosos sem contrapartida social e os governos, sempre ameaçando entrar em cena e recuando, temerosos do poder da mídia.

Chegamos a 2012 com o aceno de que agora a sociedade será consultada sobre os termos da futura lei. Não se sabe quais propostas formuladas ao final do governo Lula e encaminhadas ao novo ministro das Comunicações serão aproveitadas nessa consulta. No entanto, há uma condição prévia para que reflitam a vontade popular: a ampla divulgação do que está sendo discutido. Senão, mais uma vez os meios hegemônicos confundirão a sociedade. Dirão, como vêm dizendo, que tudo não passa de uma nova forma de censura. Seguirão escamoteando a existência de um mercado de comunicações altamente concentrado, limitador da diversidade e da pluralidade de ideias. Para que a manifestação da população seja consciente, três pontos precisam ficar bem claros para todos:

1. O rádio e a TV ocupam um espectro eletromagnético escasso e finito, operando por isso como concessões públicas, outorgadas pelo Estado em nome da sociedade. A qualidade dos serviços prestados deve ser controlada pelos usuários, como em qualquer concessão (de empresas de ônibus, por exemplo). São necessários órgãos reguladores para fazer a intermediação entre o público e as emissoras.

2. A regulação de conteúdo (classificação indicativa e preferência para finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas) aplica-se apenas ao rádio e à TV, conforme determina a Constituição, e não aos jornais e revistas. Os veículos comerciais costumam confundir as coisas dizendo que a regulação se aplicaria a toda mídia, para sustentar a falsa ideia da censura. Outra falácia é a afirmação de que o controle remoto é o melhor controle, como se a oferta de programações não fosse limitada e semelhante. Muda-se de canal para ver quase a mesma coisa no outro.

3. O fim da propriedade cruzada dos meios de comunicação (empresas proprietárias de vários meios: rádio, jornais, revistas, TV, gravadoras, editoras etc.), abrindo espaço para mais vozes, hoje caladas. Atualmente, a liberdade de expressão é privilégio das poucas famílias que controlam a mídia brasileira.

Ao governo cabe a tarefa de popularizar esses temas convocando, por exemplo, cadeias nacionais de rádio e TV para explicá-los à sociedade. Caso contrário, corremos o risco de ter uma nova lei apenas para garantir os privilégios atuais.

http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/69/apo

Responder

FrancoAtirador

11/03/2012 - 15h40

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A educação e os rinocerontes que rondam a história do Brasil

Impossível imaginar-se um país a crescer, sem o fim da analfabetismo.
Por tal constatação ou insistência, um dos participantes do programa "Manhattan Connection",
sugeriu que, em Paulo Freyre, o educador brasileiro já falecido,
respeitado no mundo inteiro por sua luta contra o analfabetismo,
fosse cravada uma estaca no peito.

Por Enio Squeff, na Carta Maior

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMost

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Joao Barbosa

11/03/2012 - 12h15

A relação entre a posse de recursos naturais por um país X o nível educacional dos seus estudantes é inversamente proporcional: http://www.oecd.org/dataoecd/43/9/49881940.pdf

Matéria: https://www.nytimes.com/2012/03/11/opinion/sunday

Uma solução inteligente para a divisão dos recursos do pré-sal, então, seria: dividí-lo proporcionalmente a quantidade de estudantes matriculados e mais um fator X, acrescido ao bom RESULTADO dos estudantes no ENEM.

Matávamos dois coelhos com uma cajadada!!!

Criávamos um ranking, relacionando os estados em ordem decrescentes de alunos matriculados no ensino médio. Dividiríamos, proporcionalmente, parte do pré-sal entre os estados.

Criávamos um outro ranking, com o resultado dos estudantes no ENEM (fator X) e acrescentaríamos a divisão feita anteriormente.

Assim, os estados iriam lutar não só para ter mais estudantes nas escolas como também, para manter um alto nível esducacional para os mesmos.

Responder

mfs

11/03/2012 - 12h07

Os professores das escolas públicas do Brasil inteiro escolhem livremente os livros didáticos com os quais irão trabalhar, e que serão comprados e distribuidos gratuitamente pelo MEC. Ou seja, alunos de escolas públicas recebem de graça os livros indicados pelos professores. Apesar disso, muitas prefeituras descobriram o caminho do ouro: elas rejeitam os livros didáticos doados pelo MEC porque preferem gastar milhões comprando apostilas de grupos privados. Ou seja, apostilas de dezenas de páginas no lugar de livros com centenas de páginas; apostilas que não passaram pelo crivo da avaliação do MEC no lugar de livros didáticos examinados pelas universidades federais a pedido do MEC; apostilas obrigatórias sem consultar os professores no lugar dos livros do MEC que são indicados pelos proprios professores. Os livros do MEC são de graça, as apostilas compradas pelos prefeitos custam milhões aos cofres públicos e aumentam as fortunas dos donos das empresas produtoras de apostilas. Em qual país do mundo as apostilas substituem os livros? Só no Brasil! Só no Brasil uma apostilazinha que custa uma fortuna substitui livros didáticos e as autoridades não acham nada demais. Quer dizer, menos as autoridades que fazem as compras… Essa PRIVATIZAÇÃO DO ENSINO PÚBLICO já domina a maioria dos municípios de São Paulo (oh!) e gradualmente se espalha pelo resto do país.

Responder

mfs

11/03/2012 - 12h00

A Constituição brasileira impede que um grupo estrangeiro assuma o controle acionário de uma empresa jornalística. No entanto, uma multinacional pode ser dona de 100% de uma editora de livros didáticos! Como aceitar essa invasão cultural chancelada pela lei? Nos últimos anos, quase todas as editoras de livros escolares caíram nas garras de grupos estrangeiros, espanhois e norte-americanos. Ninguém considera assunto de interesse nacional os livros que ensinam historia, geografia e sociologia para nossas crianças e jovens serem escritos e editados sob o comando de executivos de multinacionais?

Responder

RESENHA do livro Lições Finlandesas: O que o mundo pode aprender com as mudanças educacionais na Finlândia?, de Pasi Sahlberg | PIG

11/03/2012 - 11h09

[…] A TRADUÇÃO DA RESENHA realizada pelo VIOMUNDO (KliKaKi). Gostar disso:GostoSeja o primeiro a gostar disso post. Esta entrada foi publicada em […]

Responder

Mauro

11/03/2012 - 08h28

”, onde as crianças são encorajadas a “saber, criar e sustentar sua curiosidade natural”.
Ta ai a base da educação e isto ocorre naturalmente em cada região mantendo tradições, locais que é a base para uma identidade nacional.
Para tanto a reciclagem de professores sem este principio de nada melhora a educação

Responder

    m.a.p

    11/03/2012 - 09h46

    Conversa -mole!
    Em primeiro lugar o professor não é lixo para ser reciclado, ainda mais por esses pedagogos formados em cursos de fins-de-semana.
    Encorajar a curiosidade natural das crianças, " bullshitt", até as pedras sabem que a escola brasileira não é para ensinar mas sim para socializar, entreter, cuidar e as vezes até para incluir.

Geralda

11/03/2012 - 01h05

A educação básica pública, chegou mesmo no fundo do poço; quando um governador chega publicar em um jornal fora do seu Estado uma grande e famigerada mentira que o salário inicial é uma das mais salafrárias mentiras; o que esperamos do Governo de Minas? Aqui a educação pública ficou para a classe menos favorecida.O governo de Minas é o maior salafrário, passou um trator em cima de toda a educação mineira. Mas eles que nos aguarde nas eleições.

Responder

Marcio H Silva

10/03/2012 - 23h50

Recebido de um colega professor da rede publica do RJ por e-mail. O RJ está em Último lugar no ranking nacional.
Fato ocorrido com o colega professor : o Mauro Célio da Silva contou toda a história
O lance é que na escola em que ele trabalha ( C.E. Leopoldina da Silveira ) em Bangú não há ainda aparelhos de ar-condicionados fazendo com que o ambiente torne-se um forno.
Os alunos fizeram manifestações, em frente ao colégio, na rua e o Mauro, por ser um professor engajado na luta da educação, está sendo ACUSADO de incitar o movimento dos alunos e também de os colocarem em risco.
É NECESSÁRIO QUE TODA A COMUNIDADE FACEBOOKIANA SAIBA QUE O GOVERNADOR DO ESTADO ESTÁ REPRIMINDO QUALQUER MANIFESTAÇÃO DE DENUNCIA NAS ESCOLAS E HOSPITAIS POR PARTE DOS SERVIDORES PÚBLICOS. ELE QUER MANTER A SOCIEDADE ALIENADA DE TAIS ACONTECIMENTOS,. ACONSELHOS PAIS E ALUNOS QUE PRODUZAM VÍDEOS DENUNCIANDO A PRECARIEDADE DOS SERVIÇOS PÚBLICOS. SERGINHO MALVADEZA NÃO PODE SAIR ILESO!!!
Mauro Célio da Silva

EIS A DECISÃO REPRESSORA DO ESTADO
D.O (08/09), na página 05:
SUBSECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO DE PESSOAL
ATO DO SUBSECRETÁRIO
DE 07.03.2012
… SUSPENDE, preventivamente, até a decisão final do processo administrativo
nº E-03/002.455/2011, o servidor MAURO CÉLIO DA SILVA,
Professor Docente I, matrícula, nº 0940.053-2, na forma do artigo 59,
§ 3º, do Decreto-Lei nº. 220/75, de 18 de julho de 1975.
Id: 12713
A seguir alguns comentários pertinentes de colegas do face :
Jane Mary É não é ou ditadura?Mauro Célio da Silva faz como os bicheiros deste país:pede habeaus corpus pra responder em liberdade, ou melhor, trabalhando.Sacanagem!Já foi ao jurídico do sindicato?
Diego Felipe Cara, por mim faríamos um ato pelo sindicato. Mas algo de impacto, este tipo de acontecimento é inadmissível. Temos de usar o jurídico do sindicato sim, mas temos que agira com mobilização também. Pois a justiça só funciona com pressão, é boneco do Estado.
Educ Bruno-rj ‎Jane Mary, o Mauro Célio da Silva está com apoio jurídico. O Cabral tá com todo o judiciário!
Diego Felipe Este tipo de ocorrido é precedente para a criminalização de todo professor ativista no Estado.
Aline Machado QUE ABSURDO!!!! Precisamos nos unir para defendê-lo! daqui a pouco não poderemos nem espirrar na U.E.!!!
Jane Mary ‎Educ Bruno-rj sou totalmente a favor de um ato de desagravo ao Mauro Célio da Silva.É isso mesmo,não podemos deixar o colega sozinho nessa.Poderia ser com qualquer um de nós.
Edir Pereira da Silva porque a suspensão?? É preciso denunciar este Estado Fascista. Penso que o governo está nos chamando pra briga de novo, como fez na greve passada. Ele convocou a greve e ele mesmo encerrou a greve!!!


http://www.diariodaclasse.com.br/profile/OmarCost

Responder

Marcio H Silva

10/03/2012 - 23h47

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/a-educaca

“A educação básica terá um colapso por falta de professores”
Maria Lucia Vasconcelos, professora e ex-secretária, lançou livro sobre a etapa escolar e avalia que País deve investir no docente.

Responder

Joao Barbosa

10/03/2012 - 21h51

A Escola dos meus Sonhos

Na escola dos meus sonhos, os alunos aprendem a cozinhar, costurar, consertar eletrodomésticos, a fazer pequenos reparos de eletricidade e de instalações hidráulicas, a conhecer mecânica de automóvel e de geladeira e algo de construção civil. Trabalham em horta, marcenaria e oficinas de escultura, desenho, pintura e música. Cantam no coro e tocam na orquestra. Não têm dificuldade em se integrar. Os professores ensinam o que sabem e os alunos satisfeitos produzem conhecimento com prazer.

Uma semana ao ano integram-se, na cidade, ao trabalho de lixeiros, enfermeiras, carteiros, guardas de trânsito, policiais, repórteres, feirantes e cozinheiros profissionais. Assim aprendem como a cidade se articula por baixo, mergulhando em suas conexões que, à superfície, nos asseguram limpeza urbana, socorro de saúde, segurança, informação e alimentação. Na escola dos meus sonhos, criam-se expectativas. Depois das reflexões, um apóia o outro e ninguém desobedece as normas estabelecidas.

Não há temas tabus. Todas as situações-limite da vida são tratadas com abertura e profundidade: dor, perda,
falência, parto, morte, enfermidade, sexualidade, caráter e espiritualidade. Ali os alunos aprendem o texto dentro do contexto: a Matemática busca exemplos na corrupção dos precatórios e nos leilões das privatizações; o Português, na fala dos apresentadores de TV e nos textos de jornais; a Geografia, nos suplementos de turismo e nos conflitos internacionais; a Física, nas corridas de Fórmula-1 e nas pesquisas do supertelescópio Huble; a Química, na qualidade dos cosméticos e na culinária; a História, na violência de policiais contra cidadãos, para mostrar os antecedentes e as desigualdades na relação colonizadores – índios, senhores – escravos, Exército – Canudos, etc.

Na escola dos meus sonhos, a interdisciplinaridade permite que os professores de Biologia e de Educação Física se complementem; a multidisciplinaridade faz com que a História do livro seja estudada a partir da análise de textos bíblicos; a transdisciplinaridade introduz aulas de meditação e dança e associa a história da arte a história das ideologias e das expressões litúrgicas.

Ela não briga com a TV, mas leva-a para a sala de aula: exibem-se vídeos de anúncios e programas e, em seguida, são analisados criticamente. A publicidade do iogurte é debatida com animação; o produto adquirido, sua química analisada e comparada com a fórmula declarada pelo fabricante; as incompatibilidades denunciadas, bem como os fatores porventura nocivos à saúde. O programa de auditório de domingo é destrinchado: a proposta de vida subjacente, a visão de felicidade, a relação animador-plateia, os tabus e preconceitos reforçados, etc. Em suma, não se fecham os olhos à realidade, muda-se a ótica de encará-la. Há uma integração entre escola, família e sociedade.

Não há provas baseadas no prodígio da memória nem na sorte da múltipla escolha. Como fazia meu velho mestre Geraldo França de Lima, professor de História (hoje romancista e membro da Academia Brasileira de Letras), no dia da prova sobre a Independência do Brasil, os alunos traziam para a classe a bibliografia pertinente e, dadas as questões, consultavam os textos, aprendendo a pesquisar. Não há coincidência entre o calendário gregoriano e o curricular. João pode cursar a 5ª série em seis meses ou em seis anos, dependendo de sua disponibilidade, aptidão e seus recursos. É mais importante educar do que instruir; formar pessoas que profissionais; ensinar a mudar o mundo que ascender à elite. O aluno que se esforça progride. Dentro de uma concepção holística, ali a ecologia vai do meio ambiente aos cuidados com nossa unidade corpo-espírito e o enfoque curricular estabelece conexões com o noticiário da mídia.

Na escola dos meus sonhos, os professores são bem pagos e não precisam pular de colégio em colégio para se poderem manter. Pois é a escola de uma sociedade em que educação não é privilégio, mas direito universal, e o acesso a ela, graças a Deus, dever obrigatório.

Frei Beto ( http://www.bancodeescola.com/freibeto.htm )

Responder

Gerson Carneiro

10/03/2012 - 21h50

Vou contar a melhor experiência da minha adolescência.

Desde a 4ª série primária estudei objetivando ingressar em uma escola que houve na Bahia, na cidade de

Pojuca, a 80 km de Salvador, chamada FJC – Fundação José Carvalho.

Embora particular, pertencia a um empresário que explorava minério de ferro na Bahia, era destinada a alunos de baixa renda do Nordeste, com cota de 5% para alunos não carentes, e todos desfrutavam de bolsas 100% subsidiadas pela própria Fundação.

O ingresso era mediante uma bateria de testes que começavam no mês de setembro nas cidades do interior de alguns Estados do Nordeste , para onde se deslocava uma pedagoga da Fundação, com a finalidade de aplicar os testes.

Os alunos aprovados nessa fase eram selecionados para passarem o mês de janeirointeiro na FJC, aonde eram submetidos à uma bateria de avaliações, incluindo a observação comportamental, e no final de janeiro era divulgada a lista de aprovados que voltariam já como alunos no início do mês de março.

Funcionava em regime de internato. Havia alojamento, refeitório, quadra de esporte, piscina olímpica, uma extensa área verde, um bosque com lago, e um templo ecumênico, e um teatro.

Permanecíamos em tempo integral na FJC, de março a dezembro, com uma ida para casa por um período de 15 dias no mês de junhojulho.

Permanecíamos no Colégio, de segunda a sexta-feira, das 08h00 às 17h00, com parada de uma hora para o almoço. E aula de Educação Física das 06h00 às 07h00.

O fardamento também era fornecido pela FJC.

Da 17h00 às 19h00 era horário livre para prática de esporte ou o que quisesse fazer.

Das 19h00 às 20h00 horário do jantar, e após livre para estudar ou ver TV ou brincar no salão de jogos (sinuca, pimbolim, dama, xadrez…).

Às 22h30 tocava-se um sino e todos se recolhiam ao alojamento. Cada apartamento era dividido por quatro alunos, ou quatro alunas (havia alas masculinas e alas femininas).

Não havia sala de aula porque não havia aulas. Havia uma programação mensal de X horas distribuídas em X disciplinas. E tínhamos que dar conta daquela carga horária mensal.

Embora fossemos da mesma turma, cada aluno fazia sua programação individual de estudos, o importante era chegar no final do mês e todos terem cumprido a carga horária.

Pegávamos o conteúdo programático respectivo da carga horária mensal em cada departamento de cada disciplina, íamos até a biblioteca, pegávamos os livros e íamos estudar. Como eu disse, sem sala de aula e sem aulas. O aluno poderia agendar um horário para tirar dúvidas com o professor.

Depois de estudar o conteúdo programado para aquele mês, o aluno marcava uma avaliação oral com o professor de onde, o professor poderia ou não liberar o aluno para a prova escrita, cuja nota de aprovação era de no mínimo 80%, menos que isso, repetiríamos os estudos até conseguir nota de no mínimo 80%.

No final de cada mês, caso não tivéssemos conseguido a nota mínima de aprovação em cada disciplina, acumularíamos a carga horária não cumprida mais a do mês seguinte, e no final de cada semestre, o aluno que tivesse muito acúmulo, era jubilado.

Foi a melhor experiência da minha adolescência. Além de ter medado uma oportunidade de estudo, era uma espécie de intercâmbio onde conheci pessoas de várias partes do Nordeste.

Em função dessa experiência, senti dificuldade de permanecer em sala de aula na faculdade, queria mais pegar os livros e ir estudar.

Acho triste esse negócio de aprovação automática nos dias atuais. Retira toda responsabilidade e disciplina do aluno.

A ideologia do fundador da FJC era a de que o aluno carente, com inteligência e potencial de estudo, deveria ter oportunidade para que se evitasse a possibilidade dessa pessoa vir a usar a sua inteligência para algo ruim em sua vida adulta. Porque a inteligência acompanha o ser, independentemente do caminho que ele trilhe.

Responder

    Márcia Arruda

    11/03/2012 - 18h00

    Um depoimento que comove. É a primeira vez que ouço falar dessa experiência. Gerson, ela ainda existe?

    Gerson Carneiro

    11/03/2012 - 18h41

    Nesse modelo existiu até a primeira metade da década de noventa. Continua funcionando mas não mais como internato.

    Apesar de termos tudo subsidiado pela FJC, volta e meia presenciava alunos reclamando que estavam "perdendo a juventude", ou de forma idiota, alegavam que o empresário que investia em nós, Dr. Jose Carvalho, assim fazia porque recebia isenção de impostos. Acho que era por causa da imaturidade que falavam essas besteiras de vez enquando.

    Mas também vi muitos, como eu, que não tinham outra oportunidade de mudar a realidade sem perspectiva, agarrar aquela chance e ser eternamente grato pela oportunidade que o Dr. Jose Carvalho nos ofereceu.

    Alí aprendemos a assumir responsabilidade e compromisso conosco, coisa que a tal aprovação automática de hoje retira do aluno e joga nas costas do professor.
    http://www.fjc.org.br/unidade.php?id=30

    Rosa

    11/03/2012 - 21h03

    Essa escola ainda existe? Gostaria que toda escola fosse assim. Tudo precisa mudar, desde a estrutura fisica das escolas até a maneira de aprovar os alunos.

Willian

10/03/2012 - 21h43

No Brasil, professor finge que ensina, aluno finge que estuda e o governo finge que paga.

Responder

    Felipe

    10/03/2012 - 23h51

    devo fingir que seu comentário não é raso, sem graça e preconceituoso?

    Alberto

    11/03/2012 - 00h00

    Nem sempre. Generalismos rasteiros não levam a lugar nenhum

    Luis

    11/03/2012 - 12h51

    Não concordo com essa "frase pronta" generalizada.

Richard

10/03/2012 - 21h33

O mercado educacional por aqui segue o mesmo caminho. Nas privadas a competição é grande; Grupo Abril (anglo), Pearson (coc) e o maior absurdo, a comercialização de seus supostos sistemas apostilado para o setor público, prefeituras municipais especialmente.

Responder

Jairo_Beraldo

10/03/2012 - 21h30

Enquanto isso no Japão:

"O único profisional que não precisa se curvar diante do Imperador, é o PROFESSOR, pois segundo os japoneses, numa terra onde não há professores não pode haver IMPERADORES!"

PS – Não contem isto aos "jestores" tucanoides Xuxu Pinnochio e M. Perigo. Eles podem surtarem!

Responder

Richard

10/03/2012 - 21h28

Por aqui, embora existam exceções, a situação não é diferente. Nossos jovens se estupidificam em escolas públicas e privadas, propedêuticas da famigerada fórmula do vestibular (forma, não o vestibular em si, que até acho democrático). Nas instituições privadas o mal é maior, da primeira serie do fundamental à última do médio, a orientação é testes, testes e, mais testes, por que numa pegadinha você pode ficar fora da universidade. Todo o potencial intelectual que caracteriza juventude se vê limitado a operações estupidas impostas pelos testes. E o ENEM, avaliação que promete revolucionar a Educação brasileira, há quem o defenda, mas sua forma chega a ser mais ridícula que os vestibulares. Como é possível mensurar conhecimento por aquele tipo de prova. Na verdade, aquilo é uma operação rasteira que evidencia o buraco em que se encontra o que chamamos de modelo educacional. Também esperar o que de uma política educacional que tem autores (vendedores) de autoajuda, chalitas e hadads, como expoentes máximos.

Responder

Gerson Carneiro

10/03/2012 - 21h17

A inteligencia (e consequentemente o bom gosto) é algo que acompanha o indivíduo desde o berço.

[youtube 6fwjJZjFy3E&feature=player_embedded#! http://www.youtube.com/watch?v=6fwjJZjFy3E&feature=player_embedded#! youtube]

Responder

    renato

    11/03/2012 - 12h33

    Um berço ruim acaba com o bom gosto, e extermina com a inteligência.
    Desejo um bom berço a todas as crianças do meu país.
    Que a Dilma nos lídere para acabar de vez com a miséria.
    Pode descontar mais 2% do meu salário para acabar com a FOME.
    A FOME é uma coisa desgraçada.
    Ela nos impede de ver Fred Mercury, e dizer que somos campeões .
    Mas a criança do vídeo esta salva. Agora ela pode receber educação ao longo de sua vida.

    Douglas

    11/03/2012 - 19h32

    esse com certeza detesta música do Restart, aviões do forró e axé putaria.

Airton

10/03/2012 - 21h01

Excelente resenha! Enfatiza a grandeza da obra: expõe o absurdo da ideologia neoliberal na educação ao contextualizá-la política, econômica e socialmente.

Responder

Júnior

10/03/2012 - 21h00

Por favor professores de São Paulo, onde é que vocês estão?
Comentem as últimas reformas propostas pela Secretaria da Educação de São Paulo, sobre o gerente escolar, a avaliação diagnostica desse começo de ano, a mudança da grade curricular, as proficiências a serem atingidas, o Idesp o novo modelo do Saresp e a prova de mérito.
Nós precisamos destravar esse debate. Eu cheguei a poucos anos, portanto ainda tenho muito o que aprender dentro da rede pública.

Responder

    rita

    11/03/2012 - 23h48

    gerente escolar? que novidade é essa? ah tá, a escola funciona como uma empresa e terá um gerente para garantir que seus trabalhadores cumpram as metas estabelecidas… seremos gansos….e o bonus será gordo como são os das empresas privadas, dos senhores que trabalham para as finanças? será bancado por um estado de insolvencia eminente? quero saber tudo o que me diz respeito…

Arau

10/03/2012 - 20h56

O PSDB de SP usa o sistema dar bonus por desempenho. Isso é a cara desse partido que D E S T R U I U a educação pública em SP. Começou com o "ignorância continuada", e continua, aliás, o que condenou milhões de pobres a serem eternamente mal formados.

Não me conformo como essa classe média burralda, ainda vota nesses cretinos.

O líder supremo do reacionarismo tucanóide vai ser candidato a prefeito em SP, e a burguesia, e a pequena burguesia paulistana quem tem como farol de informação a ultra entreguista Globo e ultra vendida e direitista Veja, vai votar nele sem pestanejar, pois eles não leram, e não querem ler o livro A PRIVATARIA TUCANA, e mesmo que lessem, eles preferem um corrupto direitista, do que um esquerdista revolucionário.

Dane-se a educação de qualidade com formação crítica padrão Finlândia, os donos do poder não querem ninguém pensando, querem um povo Matrix, para manipular, com suas teorias do "rei" mercado.

Responder

    Richard

    11/03/2012 - 15h49

    Essas estratégias do PSDB para se justificar perante o BIRD são mesmo cretinices. Porém, o PT faz é parte hegemônica do governo federal e também, mutatis mutandi, faz a lição determinada pelo BIRD. Então o problema não é o lazarento do PSDB, ao meu ver esse diagnóstico empobrece a análise, o buraco é mais embaixo.

Marat

10/03/2012 - 20h43

Certa vez ouvi uma coitada, dentro do ônibus, dizer, ou melhor, papaguear o discurso do PIG: "Não sei porque fazer greve! Eles sabem que o salário de professor é baixo. Por que então escolherm aesta profissão?"… É dose, mas o PIG ainda é muito forte. Creio que nossa tal "democracia" é muito mal construída. É uma espécie de "democracia-burguesa", criada pelos novos-ricos, que desejam ser quatrocentões!

Responder

Fernando R.

10/03/2012 - 20h41

Sou professor de escola pública no RJ.
Dizer que a escola pública é ruim está tão longe da verdade quanto dizer que a escola privada é boa. As realidades são antes de tudo heterogêneas.
Creio que um dos maiores inimigos do progresso da escola pública está no corporativismo docente, cujas atenções se voltam firmemente às convicções sindicais. Novas propostas de melhoria da gestão escolar são mal vistas pela classe, pois antes de tudo o que conta é que o professor ganharia pouco. Política educacional só faria sentido como política salarial. O resto seria cortina de fumaça dos governos.
Sou professor desde 1999. Leciono DUAS NOITES por semana para o ensino médio em uma razoável escola noturna, embora o nível dos alunos seja fraco. Com meu tempo de casa e minha titulação de doutor, recebo líquidos R$1.600,00 por mês.
Não é muito, mas pelo tempo dedicado, acho que não é pouco.
O Brasil enxerga mal a escola, com uma visão embaçada por generalizações superficiais.

Responder

    Júnior

    11/03/2012 - 00h04

    Parabéns Fernando, você tocou na ferida. Política educacional não é política salarial. Leciono em São Paulo onde essa confusão é um dos eixo do debate da categoria.

    Alberto

    11/03/2012 - 00h04

    Um comentário de gente que tem o que a maioria anda longe de sonhar: VERGONHA NA CARA!!! Realmente não é uma fortuna, mas não é pouco: R$ 1.600,00 por 8 horas semanais de trabalho + férias duas vezes ao ano, não é?

    lucas

    11/03/2012 - 10h59

    Você não viu nada. E eu que ganho R$ 1600,00 por 200 horas/aula semanais (sou professor de química e física)? Tenho 16 classes, enquanto o professor de matemática ou português tem 6 classes e ganha o mesmo. O Fernando ganha R$ 40,00 por hora. Eu ganho isso em 15 minutos consertando computador.
    E o aluno? É só um detalhe?

    Alice Matos

    11/03/2012 - 07h42

    Fernando R. dá para sentir a sinceridade do seu comentário.

    professor3f

    11/03/2012 - 11h07

    Aqui no Piauí, trabalho 20 horas dentro de sala de aula em uma faculdade na área de saúde, assim tenho aulas todas as noites e recebo como salário R$ 2.400.

    renato

    11/03/2012 - 12h56

    Tem só quatro horas para entrar e sair da faculdade, comer, tomar banho, escovar os dentes, namorar, ir ao cinema, etc, Professor 3f largue mão não vale a pena. Você na realidade não esta dando boas aulas, e esta tomando lugar de pelo menos dois professores, com toda esta carga horária.
    Agora se é semanal, as 20 horas, (ou seja 4 horas por dia), esta ganhando, veja bem, POUCO principalmente na área de saúde, agora se for para enfermaria simples, esta ganhando bem.
    Um profissional comum trabalha 44 horas semanais, e ganha se muito, 3 salários mínimos.
    Uma pessoa que trabalha aqui no PR, em uma instituição que recebe crianças(78 atualmente) oriundas da Justiça, trabalha 44 hora semanais, 1 sábado de plantão no local de trabalho, ligado ao celular as 24 horas do dia, recebe 901,00 r$, com descontos 745,00R$.
    Isto é só para enriquecer a conversa.

    Felipe

    11/03/2012 - 15h47

    A questão salarial é mais funda do que aparenta, ela permeia o conceito de valor, ou seja, quanto você deveria receber pelo o que você ensina pelo tempo que ensina? quais os critérios pra quantificar em papel moeda o tempo de qualificação que você gastou pra exercer a docência, qual o valor daquilo que você transmite em sala de aula, o seu salário consegue abastecer suas necessidades básicas, o seu salário permite uma acumulação? E por ultimo como saber qual o quanto índices e testes medem o seu conhecimento e o dinheiro que você deva receber por ele?

    Qual seu valor professor, quanto é seu preço?

    rita

    12/03/2012 - 00h11

    nenhum. pois o professor não pensa, já perdeu de longe a noção de qual a formação pretende oferecer a seus alunos. o professor é apenas um executor, um trabalhador… e ainda faz mal feito… quem planeja de fato? é algo externo a escola, um poder difuso, de varias frentes, com um discurso dominador… esses sim ganham muito…

    rita

    14/03/2012 - 21h06

    ora… o ato politico da educação devia partir de professores… mas não é isso o que ocorre… quem elabora quem planeja? não é o professor… o professor é apenas um executor… dou como exemplo: os cadernos do aluno da secretaria da educação de sp. qual professor da rede publica ajudou a elaborar tudo aquilo? aqueles cadernos foram elaborados a partir das universidades. e esse pessoal fez de graça?

    Fernando R.

    12/03/2012 - 11h35

    Existe coisa mais vital que o oxigênio? Você daria tudo que tem para usar o oxigênio, caso ele lhe faltasse, mas hoje, se alguém lhe oferecer este gás por R$1,00, você não pagaria, certo?
    Sem desejar parecer reacionário, o valor do professor é aquele que o mercado está disposto a pagar, por mais essencial que ele seja. É assim que se dá o valor das coisas.

    Marcio H Silva

    12/03/2012 - 18h54

    Caro Fernando R., desculpe, mas discordo de sua afirmação. A educação é área estratégica de uma nação, e não está sujeita a valores de mercado. Os países citados acima Finlandia, China, Japão e coreia pensaram na estratégia e passaram a remunerar bem o professor e os resultados apareceram……

    Fernando R.

    13/03/2012 - 16h07

    Olá, Márcio
    Não discordo do que diz, mas acho que existe – ou deveria existir – um alinhamento entre o que o que as instituições particulares e públicas pagam ao professor. Por isso citei o mercado. Penso que nos países citados, a educação predominante é a pública. Não há porque matricular o filho em uma escola particular, a não ser por motivos de segregação entre ricos e pobres.

    Felipe

    13/03/2012 - 04h20

    Após ler o texto e os comentários me surgiu uma breve reflexão sobre o valor do professor.

    Convite aos professores para a inauguração do debate

    Refletindo sobre o complexo sistema utilizado para a remuneração me vi cercado de perguntas e reflexões sobre esse tema e gostaria de convidá-los a um debate em meu socorro, quem sabe assim ao menos uma parcela das minhas dúvidas seja sanada…

    I – PERGUNTAS:

    Pensamento norteador das questões:
    A questão salarial dos professores é mais profunda do que aparenta, pois ela permeia o conceito de valor, ou seja, está subordinada a quanto você deveria receber pelo conteúdo que você ensina em relação ao tempo usado para transmitir o devido conhecimento?!

    1 – Quais os critérios – materiais, temporais e metodológicos – para quantificar em papel moeda o tempo de qualificação que você gastou para exercer a docência?

    2 – Qual o valor sobre o conhecimento que você transmite em sala de aula?

    3 – O seu salário de professor consegue abastecer suas necessidades básicas?

    4 – O salário de professor permite uma acumulação?

    5 – Como saber qual a validade da metodologia dos índices e testes que medem o seu conhecimento – subjetivo – e a sua capacidade de ensinar?

    II – REFLEXÕES:

    1 – Existe um consentimento na quantificação introduzida pelo modelo de troca de valores (tempo do seu trabalho empregado para educar) chamada papel moeda (sistema de recompensa destinada a manutenção vital da mão de obra) cujo lastro é assegurado pelo Dólar – no caso brasileiro -, que por sua vez garante-se pela capacidade produtiva da economia norte americana.

    2 -A medida de valoração adotada por uma nação – em nível nacional e global de inserção mercadológica – cujo emprego determina e quantifica o quanto de papel moeda será utilizado no salário docente para recompensar o tempo, qualificação e a educação (objetivação e materialização do trabalho intelectual) revertidas nas práticas pedagógicas é sobretudo visto como reflexo do projeto de nação adotado pelo Estado.

    3 -O papel de fomentação e regulação estatal sobre a prática e a remuneração do ato de lecionar me leva a crer que a escolha pela valorização ou abandono do professor diante de questões mercadológicas são atos políticos de um Estado propositalmente omisso. Logo, o salário docente vai além do mercado e passa a compor o campo de ideologias e concepções políticas destinadas a tecer um sistema político-social.

    4 – As duas reflexões anteriores me induzem a pensar que a Educação não tem preço, pois ela é o elemento gerador de todo conhecimento e produção material e imaterial, sendo assim o professor deveria se ver em posse de um salário que represente toda a capacidade produtiva de uma nação devido à alta dependência de seu papel dentro de uma sociedade para além de questões de mercado.

    5 – Enfim, a Educação na minha concepção é um ato político e não um produto de mercado, sendo assim, passa a não ter valor quantificável.Então a pratica de ensinar necessita de uma remuneração que represente o valor social e moral da função que o professor tem para a formação da nação, tanto nas questões de cidadania quanto nas questões técnicas de tecnologia e pesquisa.

    III – O professor NÃO VALE quanto o MERCADO quer pagar, mas sim, quanto a sociedade necessita dele em seu projeto de nação!

    TODO ESTE TEXTO É UM FLUXO DE CONSCIENCIA SEM MAIORES PESQUISAS, E GOSTARIA MUITO DA COLOBORAÇÃO DE QUEM PENSA A EDUCAÇÃO PARA ME AJUDAR COM AS VISÕES, PRATICAS E FORMAS DE FAZER EDUCAÇÃO NESTE DEBATE.

    Fraternalmente,
    Felipe.

    ratusnatus

    14/03/2012 - 12h55

    Sinceramente amigo, escola de qualidade não é bandeira dos profissionais de educação. A bandeira deles é salário e só. Como vc mesmo disse.
    Quando o orçamento da educação sofre cortes na França não são os professores que vão às ruas quebrar tudo…
    Querer colocar nas costas dos profissionais do setor os anseios de toda uma sociedade me parece demais.

    Luciana Dias

    17/03/2012 - 15h45

    Caro Fernando, você presta um desserviço à sociedade com sua afirmação de que professor do ensino público ganha bem. Também sou professora da rede pública e trabalho 5 manhãs por semana, das 7 às 12. Quando chego em casa, estou morta de cansaço porque tive que enfrentar turmas superlotadas (com uma média de 40 alunos), muito desinteressadas de qualquer saber escolar e dispostas a me insultar por qualquer motivo, enquanto minhas diretoras me bombardeiam de reclamações, e só parecem se preocupar com os testes medidores, da prefeitura e do estado, exigindo um milagroso desempenho (facilmente conseguido através de fraude) de meus alunos quase débeis. À tarde, além das tarefas que cabem a todas as mulheres "emancipadas" de nossa moderna sociedade industrial, ainda tenho que preparar aulas (é, eu ainda faço isso, porque, afinal, devo ser uma boa professora!) e me ilustrar sobre novos métodos de ensino e novas abordagens de minha disciplina, a História, que fica maior e mais complexa a cada dia. Como nunca tive tempo nem saco para puxar saco de ninguém, não fiz mestrado nem doutorado e, por isso, conto apenas com as gratificações por tempo de serviço, que, incididas sobre um salário de R$ 800,00, no Estado, só chegam a R$ 916,00. Ao fim, somado o salário da prefeitura, que é um pouco maior, apesar das condições de trabalho serem bem piores (salas muito quentes, mais um dia de trabalho do que o Estado, diretoras histéricas, etc.) fico com míseros R$ 2.300,00 no final do mês.
    Ora, qualquer profissional de nível superior com mais de 5 anos de experiência, em um país capitalista, ganha mais do que isso, trabalhando em salas climatizadas, com cafezinho, conforto, tranquilidade e, o mais importante, respeito da sociedade.
    Mas talvez você esteja certo ao afirmar que o salário não é o mais importante. Respeito ainda parece ser o que mais se deve prestar a um profissional, qualquer que seja sua função. E isso, eu garanto, eu não tenho recebido de ninguém!
    Luciana Dias – Professora de História do ensino público do RJ.

Marat

10/03/2012 - 20h39

A sociedade capitalista/burguesa do Brasil odeia gente que pensa, gene crítica. Por isso odeiam muitos professores, e amam pessoas engajadas em suas causas, como a Míriam Leitão e outros membros sórdidos do PIG, que ganham rios de dinheiro para fazer apologia ao capitalismo, e com isso aumentar o número de monstros insensíveis que infestam nossa decadente e triste sociedade!

Responder

Operante Livre

10/03/2012 - 20h37

Educação, ao menos em SP onde vivo mais parece uma ação criminosa em que esta-se sempre a imputar culpa a alguém, em geral o professor. Qualquer pessoa com seus 50 anos ou mais sabe apontar diversos motivos pelos quais as escolas públicas em que aprendemos são incapazes de ensinar nossos filhos – com algumas poucas exceções.

Achar um culpado pela decadência do ensino no Brasil é evitar responsabilizar os que realmente promoveram e mantêm a degradação: políticas governamentais que afetam todos os diretamente envolvidos na educação.
Nós, no Brasil, importamos um péssimos costume de dar mais valor aos índices do que estes merecem, pois muitas vezes não dizem absolutamente nada além daquilo que uma autoridade pública – política ou não – quer que ele diga.

Esta valorização dos indicadores – notas de provas, índice de aprovados, índice de alfabetizados etc – não costuma explicar o câncer que escondem. Alguns índices são interpretados como se seus nomes fossem, por si, capazes de revelar o que se propõem medir. Outros índices, que revelariam défices são omitidos.
Processos semelhantes ocorrem na saúde e na segurança e ´geração de emprego, para citar apenas três das preferidas do público fanático por índices sem críticas.
Indicadores são importantes quando devidamente interpretados e produzidos por metodologias que não se limitam a contagens brutas. Assim, os testes seriam úteis quando associados a outros instrumentos de avaliação descritivo-qualitativa.

Veja-se o que ocorre na saúde. Importa mais quantos atendimentos são feitos do que a qualidade. Importam os números que são produzidos, e isto, à semelhança de fraudes que são produzidas na educação e na produção científica publicada, também incentiva manipulações fraudulentas de quantidades e qualidades no atendimento em saúde básica. Exemplos não faltam: são computadas consultas e outras ações de saúde não realizados para inflar números e "cumprir" metas de produtividade – comum na relação entre empresas contratadas para prestar serviço de saúde (PSF, por exemplo) aos municípios – para justificar o recebimento de verbas para a saúde.

O que tem a ver o colete com as calças: viramos uma sociedade em que o nível de desenvolvimento tem sido reduzido a indicadores quantitativos alienantes e alienados – praticamente em todas as esferas, educação, saúde, emprego, segurança etc, como se números, por si e em si, fossem capaz melhorar o que está ruim. Indicadores sociais são análogos aos testes-padrão. Têm valor se interpretados no contexto em que são produzidos – o que seus produtores tencionam com eles.

Responder

Marat

10/03/2012 - 20h31

Alguns amigos mais experientes duzem que não é de bom tom falar mal (ou falar as verdades?) daqueles que já faleceram… Se eles estiverem corretos, não posso falar mal de um brasileiro falecimento recentemente…

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José Eduardo

10/03/2012 - 20h20

Parece que vi toda a política pública do governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, sendo descortinada no texto. Sou professor da rede pública estadual e a cada dia verifico que estas "testagens" e medições qualitativas são enfiadas goela abaixo de escolas, estudantes e professores. O entendimento do atual governo bebe nestas fontes diretamente. Por outro lado muitos de nós professores ou estão cansados com as idas e vindas da política ou acabaram se desestimulando e se tornam meros "tarefeiros" da educação. Outros ainda, faltam ao trabalho e compram ou "conseguem" atestados médicos para não levar a falta por completa falta de estimulo para trabalhar na rede pública (não falta um dia sequer na rede privada), e isso sem contar os politizados que por ter uma visão mais a esquerda ou mais social ou mesmo mais tempo de carreira conseguem enxergar longe o que chega de "novo" (algo que não posso deixar de concordar em partes) O resultado da equação com números tão negativos não poderia ser diferente do que se vê atualmente
Mas apesar de tudo, ainda enxergo que é possível MUDAR, pois se cada professor que ainda acredita ser possível uma educação que transforme a sociedade fizer seu papel de formiguinha com cada jovem, com certeza termos muitos resultados positivos.
Acredito que o maior PROBLEMA, não esteja na formação ou no valor do salário ou mesmo a falta de valor social da profissão, ou nas equações matemáticas dos gestores empresários que tentam entender a escola como uma empresa que vende produtos na era global. Tenho certa convicção que o que falta em muitos dos colegas é um real desejo ou interesse no cuidar do seu semelhante, pois VALORES como INDIVIDUALIDADE, cada UM POR SI, CONCORRÊNCIA desenfreada, fizeram de muitos de nós, PROFESSORES OU NÃO, pessoas que perderam o interesse REAL nas necessidades de seu próximo. Isso é perceptível mesmo nas relações entre membros de uma família.
Ao escolher ser professor ou educador a pessoa está escolhendo um emprego onde a função principal é oferecer ao outro alguma forma de informação (conhecimento) que lhe permita progredir socialmente, quando o individuo em sala, mesmo inconscientemente dos des-valores citados acima, coordena um processo educativo (ensino aprendizagem) ele sem querer acaba não estabelecendo as relações sociais necessárias para que o processo se desenvolva e ocorra aprendizagem. Por exemplo é comum ouvir que determinado professor tem muito conhecimento mais não sabe transmitir para o aluno. e o que o leva a isso? Várias podem ser as respostas, mas primeiramente perdemos o real interesse pelo nosso próximo, antes vem o salário, vem outras preocupações e mesmo PRÉ-CONCEITOS a cerca do que se esteja por ali fazendo. Desta forma concluo com a convicção que apesar de PRECISAR DE UM SALÁRIO CONDIGNO COM A MINHA PROFISSÃO, DE UMA MELHOR INFRA-ESTRUTURA DE TRABALHO, a mudança da escola passa pela retomada de alguns valores que a nossa sociedade abandonou nesta era do capitalismo informacional global….

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David R.Silva

10/03/2012 - 20h04

Noutra linguagem: O famigerado "Mercado" e sua "Mão Invisível", tem cara e nome, o Capitalismo Selvagem e governos Cupichas dos Estados Governados pelo PSDB, vulgo, famigerados Tucanos. Caso recente, USP….os tucanos sempre copiaram os Direitistas Americanos em tudo….vide eleição 2010…Educação….Tratamento aos movimentos Sociais…., enfim, os Tucanos é uma cópia piorada de TIO SAM. Que Horror! de Belo Horizonte.

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    Felipe

    11/03/2012 - 15h33

    Mas como sempre a mão invisivel nao vive sem a mão do Estado, o que seria da educação privada sem os subsídeos e a aplicação direta de capital público, vide PROUNI.

Jão

10/03/2012 - 18h42

Viomundo,

na sua opinião existe alguma forma de reinventar a educação pública no Brasil?

Estudei toda a vida em escola pública, mas consegui bolsa integral em instituição particular através do ENEM e ProUni.

A situação da escola pública no Brasil é deplorável, é uma lástima, para dizer o mínimo.

Meu irmão mais novo está cursando a mesma escola que cursei, veja se isso é normal:

TODA SEMANA A POLÍCIA MILITAR INTERROMPE A AULA COM CÃES FAREJADORES À PROCURA DE DROGAS;

OS PROFESSORES FALTAM MAIS QUE OS ALUNOS;

JÁ HOUVE DUAS SEMANAS DE REUNIÕES QUE PREJUDICARAM DUAS SEMANAS DE AULAS;

Nem vou entrar no mérito da qualidade do ensino.

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    Marat

    10/03/2012 - 20h38

    Jão, se os professores e os educadores ganhassem o que eles merecem de verdade, as coisas seriam diferentes. É uma sacanagem ver pilantras ganharem rios de dinheiro enquanto os educadores ganham salários de fome… Ainda assim, conheço muitos professores abnegados, que trabalham duro, mesmo ganhando R$ 1.200,00 por mês!

Gustavo Pamplona

10/03/2012 - 18h35

Analisem isto aqui

[Thereza Collor, 20 anos depois]
http://colunas.revistaepoca.globo.com/brunoastuto

—-
Desde Jun/2007 analisando no "Vi o Mundo"! ;-)

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    Lelena

    10/03/2012 - 19h37

    Menino, o que tem a ver com educação? mas já que está com saudades, mate-as:
    Thereza, uma década depois
    Há 10 anos ela encantou o País apoiando o marido Pedro Collor nas denúncias que culminaram com o impeachment de Fernando Collor. Hoje, casada com Gustavo Halbreich, Thereza Collor curte os filhos e o segundo marido e diz que o passado é só uma lembrança
    http://www.terra.com.br/istoegente/147/reportagen

    Marat

    10/03/2012 - 20h34

    Gustavo, a Thereza Collor valle como colírio, apenas isso!

    Gustavo Pamplona

    10/03/2012 - 22h33

    Ok… vou explicar melhor…

    É digamos a hipocrisia da Globo… apoiaram o Collor, depois se fingem de paladinos da justiça entrevistando pessoas que derrubaram o Collor e como a Globo adora a palavra "impeachment"

    Veja que no texto eles fizeram questão de perguntar para a Thereza o que ela acha da Dilma como se a opinião daquela "dondoca" lá valesse alguma coisa, mas no fundo é aquela… digamos mensagem subliminar entre associar "impeachment" com a presidenta.

    Bom… não são vocês que enxergam teorias conspiratórias em tudo? hahahahhaa

    —-
    Desde Jun/2007 conspirando teoricamente no "Vi o Mundo"! ;-)

    renato

    11/03/2012 - 12h19

    AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH!, me ajuda aí.

Breno

10/03/2012 - 18h33

A educação pública segundo a visão dos grandes CEO's… Como sempre o professorado é o grande "câncer" a ser extirpado do processo. Dessa fonte deve beber todos os políticos, partidos e teóricos da imprensa armada por estes financistas, com pura ideologia mercadológica, onde o "mito do deus mercado" rege o ser destes importantes lideres.

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Fernando Garcia

10/03/2012 - 18h23

Uma coisinha: Arne Duncan é um nome masculino. Imagino que na tradução o gênero feminino foi adotado por confusão… existe uma entrevista recente com o secretário no Daily Show, na qual ele é claramente exposto pelo o que ele é: um CEO buscando lucros para corporações.
Sobre o texto: não acho que ninguém sustenta seriamente "gratificações por mérito", orçamento diferenciados, etc… baseados em resultados de testes padronizados. Entendo que há um certo consenso que os testes são importantes, para se ter ALGUMA idéia do que está ocorrendo, para identificar tendências, etc… mas os testes não podem balizar o sistema.

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Tio Chico

10/03/2012 - 18h10

Poeque o governo comemora o bom desempenho das universidades publicas? 90% das pessoas que estão la pertencem a massa cheirosa(elite social).

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Gerson Carneiro

10/03/2012 - 17h20

Vou contar a melhor experiência da minha adolescência.

Desde a 4ª série primária estudei objetivando ingressar em uma escola que houve na Bahia, na cidade de Pojuca, a 80 km de Salvador, chamada FJC – Fundação José Carvalho.

Embora particular, pertencia a um empresário que explorava minério de ferro na Bahia, era destinada a alunos de baixa renda do Nordeste, com cota de 5% para alunos não carentes, e todos desfrutavam de bolsas 100% subsidiadas pela própria Fundação.

O ingresso era mediante uma bateria de testes que começavam no mês de setembro nas cidades do interior de alguns Estados do Nordeste , para onde se deslocava uma pedagoga da Fundação, com a finalidade de aplicar os testes.

Os alunos aprovados nessa fase eram selecionados para passarem o mês de janeirointeiro na FJC, aonde eram submetidos à uma bateria de avaliações, incluindo a observação comportamental, e no final de janeiro era divulgada a lista de aprovados que voltariam já como alunos no início do mês de março.

Funcionava em regime de internato. Havia alojamento, refeitório, quadra de esporte, piscina olímpica, uma extensa área verde, um bosque com lago, e um templo ecumênico, e um teatro.

Permanecíamos em tempo integral na FJC, de março a dezembro, com uma ida para casa por um período de 15 dias no mês de junho\julho.

Permanecíamos no Colégio, de segunda a sexta-feira, das 08h00 às 17h00, com parada de uma hora para o almoço. E aula de Educação Física das 06h00 às 07h00.

O fardamento também era fornecido pela FJC.

Da 17h00 às 19h00 era horário livre para prática de esporte ou o que quisesse fazer.

Das 19h00 às 20h00 horário do jantar, e após livre para estudar ou ver TV ou brincar no salão de jogos (sinuca, pimbolim, dama, xadrez…).

Às 22h30 tocava-se um sino e todos se recolhiam ao alojamento. Cada apartamento era dividido por quatro alunos, ou quatro alunas (havia alas masculinas e alas femininas).

Não havia sala de aula porque não havia aulas. Havia uma programação mensal de X horas distribuídas em X disciplinas. E tínhamos que dar conta daquela carga horária mensal.

Embora fossemos da mesma turma, cada aluno fazia sua programação individual de estudos, o importante era chegar no final do mês e todos terem cumprido a carga horária.

Pegávamos o conteúdo programático respectivo da carga horária mensal em cada departamento de cada disciplina, íamos até a biblioteca, pegávamos os livros e íamos estudar. Como eu disse, sem sala de aula e sem aulas. O aluno poderia agendar um horário para tirar dúvidas com o professor.

Depois de estudar o conteúdo programado para aquele mês, o aluno marcava uma avaliação oral com o professor de onde, o professor poderia ou não liberar o aluno para a prova escrita, cuja nota de aprovação era de no mínimo 80%, menos que isso, repetiríamos os estudos até conseguir nota de no mínimo 80%.
No final de cada mês, caso não tivéssemos conseguido a nota mínima de aprovação em cada disciplina, acumularíamos a carga horária não cumprida mais a do mês seguinte, e no final de cada semestre, o aluno que tivesse muito acúmulo, era jubilado.

Foi a melhor experiência da minha adolescência. Além de ter medado uma oportunidade de estudo, conclui o curso de quatro anos de técnico em computação, era uma espécie de intercâmbio onde conheci pessoas de várias partes do Nordeste.

Em função dessa experiência, senti dificuldade de permanecer em sala de aula na faculdade, queria mais pegar os livros e ir estudar.

Acho uma lástima esse negócio de aprovação automática nos dias atuais. Retira toda responsabilidade e disciplina do aluno, e joga nas costas do professor.

A ideologia do fundador da FJC era a de que o aluno carente, com inteligência e potencial de estudo, deveria ter oportunidade para que se evitasse a possibilidade dessa pessoa vir a usar a sua inteligência para algo ruim em sua vida adulta. Porque a inteligência acompanha o ser, independentemente do caminho que ele trilhe.

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Elton

10/03/2012 - 17h19

Aqui no Brasil temos vários desses "defensores" da punição a professores como o conhecido (talvez…) Gustavo Ioschpe, que volta e meia escreve na "veja'. Nunca foi professor mas é desses executivos privados com formação em economia e meritocrata de marca maior. Sempre diz que "não adianta pagar mais aos professores, tem que testá-los e remunerar de acordo com o mérito"………..

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    Felipe

    11/03/2012 - 15h30

    Certa vez vi esse Gustavo I. numa roda de conversa de pedagogos e sinceramente, ele não não me pareceu mais do que um contador perdido em meio a assuntos estranhos aos métodos quantitativos pelos quais ele tenta entender o "fazer" Educação.

rita

10/03/2012 - 17h14

tomará que o senhor secretario da educação de sp leia esse artigo e aprenda com ele…

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    Alice Matos

    10/03/2012 - 20h58

    Rita, perca qualquer esperança. Não há um só secretário de educação com neurônios flexíveis…

marcelo santanna

10/03/2012 - 17h01

Céu e inferno no mesmo texto. Só tem um jeito de entender como os EUA se tornaram uma potência, roubando gênios da finlandia, da prussia, do japão, da coreia, senão eles ainda estavam brigando com os indios no velho oeste.
Afinal os EUA não são um exemplo pra nada.

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    Marat

    10/03/2012 - 20h33

    Marcelo, você está coberto de razão. Os EEUU receberam a genética inglesa (que é um horror!), e se fizeram às custas de muito sangue alheio, com o roubo de territórios do México, e depois com a importação de cérebros, São maquiavélicos (no pior sentido do termo) e sujos!

    Willian

    10/03/2012 - 22h30

    Prove.

    Marat

    11/03/2012 - 10h19

    Procure saber como os EEUU roubaram 49% do território mexicano, William. Uma dica. Essas informações você não achará nas páginas do PIG!

    Willian

    10/03/2012 - 21h35

    Exato. Quase não há americanos que ganharam prêmios Nobel na área de Ciências. E estes que vão para os EUA para pesquisar e estudar vão sequestrados, aliás, como deve ter sido o Nicodelis, para a Universidade de Duke.

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