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Daniel Valença: Como na ditadura, movimentos pró-impeachment querem cadeia e tortura para quem é de esquerda

10 de março de 2016 às 14h50

pixuleco em mosssoró-001

Sobre realidades, choques e comunistas

por Daniel Valença, especial para o Viomundo

Em outubro de 2015 o país acompanhou a barbárie em que se transformou um ato anti-Lula em Natal.

Ali, um militante da UJS bradava bravamente “Olê-Olê-Olê-Olá, Lula, Lula”, enquanto era espancado covardemente, sob cumplicidade policial.

Ao tentar fazer cessarem as agressões, fui cercado por mais de dez pessoas encolerizadas aos berros de “petista”, “comunista”, “bandido”. E eis que, perante câmeras, um senhor de 65 anos, militante do Movimento Brasil Livre, pelas costas, me aplicou um choque com um taser[1], que eu relatei em artigo publicado aqui mesmo no Viomundo.

Ali, as pessoas me desconheciam. Sabiam apenas da minha “natureza” de comunista. Algo que seria inato à minha pessoa e que, como um câncer, precisava ser extirpado.

Em outra realidade, há poucas décadas, também havia comunistas.

No Brasil, eles lutavam por reforma agrária, saúde, educação. Existiam também os que os viam como doença. Dentre suas vítimas, esteve o religioso Frei Titto, após muitas sessões de torturas e choques, enlouqueceu.

No Chile, país em que trinta mil pessoas foram assassinadas – muitas delas comunistas – para além de choques em testículos e vaginas, os anti-comunistas foram além: Victor Jara, um dos maiores cantores da história chilena, teve as mãos e a língua decepadas antes de morrer. Seus algozes diziam que o fizeram para que “nunca mais cantasse músicas comunistas”.

Neste domingo, em uma atual realidade nacional de riscos à quebra da ordem institucional e perseguição aberta ao ex-presidente Lula, os mesmos líderes anti-petistas armaram seu Pixuleco. Mesmo sem juntar 13 pessoas, confiantes, divulgaram o ato em seu perfil de facebook “Vermelho Nunca Mais”, com os dizeres: “Comunista só merece desprezo e cadeia”, “um choque de realidade”, “Para Daniel Valença, com carinho”.

Tais “movimentos”, ao atribuir uma “natureza” aos comunistas, terminam por revelar, todavia, a sua natureza. Apesar de referentes a realidades distintas e apartadas por quatro décadas, os movimentos que hoje reivindicam choques e cadeias revelam face semelhante aos que, no passado, torturaram mediante choques, estupros por cães treinados para isso e outros expedientes.

A natureza desses “movimentos” que lideram as ações anti-Lula é a negação da política. É o ódio. É a eliminação, a violência. É o ódio contra o pobre que saiu da senzala. À mulher que se emancipa. Aos homossexuais. É o ódio contra a diversidade. Eles não têm propostas, eles não têm projetos.

Setores de centro e até de direita, porém democráticos, ainda não se aperceberam dos riscos inerentes a esse processo. Não podem se esquecer que em 1964 Lacerda foi um dos líderes políticos de um golpe militar. E o futuro, como hoje sabemos, a ele não pertenceu.

De nossa parte, somos petistas, somos comunistas. Nos orgulhamos toda vez que nos atribuem essa “natureza”. Para nós, ela reflete a capacidade humana de fazer política e, mediante ela, aprender a se solidarizar com as demais pessoas.

Nós, petistas, comunistas, continuaremos de cabeça erguida ao lado de trabalhadoras e trabalhadores que construíram a riqueza extraordinária que é esse país e em defesa de uma sociedade realmente humana, sem choques, torturas e golpes. Por uma sociedade sem classes sociais.

Aos que aderiram à barbárie, continuaremos torcendo para que recuperem sua natureza humana, sua capacidade de viver em coletividade e na diversidade.

Daniel Araújo Valença é comunista. Petista filiado desde 2003. Também é professor do curso de Direito da UFERSA, membro fundador do Grupo de Estudos em Direito Crítico, Marxismo e América Latina – Gedic e doutorando em direitos humanos pela UFPB.

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8 Comentários escrever comentário »

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Urbano

12/03/2016 - 15h01

Sem nos esquecermos do extermínio total num pega pra capar, uma vez que em tempo de ‘paz’ é na base do conta-gotas álcool em mim…

Responder

FrancoAtirador

11/03/2016 - 01h10

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Erundina sai do PSB-SP
e deixa o caminho livre
para o Socialista Alckmin.
(http://www.vermelho.org.br/noticia/277458-1)
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Roberto Amaral, fundador,
também abandona a Sigla
que traiu Miguel Arraes.
(http://www.cartacapital.com.br/blogs/cartas-da-esplanada/roberto-amaral-segue-erundina-e-deixa-o-psb)
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Vereadora Marília Arraes
já havia deixado o PSB
para se filiar ao PT-PE.
(https://twitter.com/mariliaarraes)
(https://pt-br.facebook.com/arraes)
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Responder

marilamar

11/03/2016 - 00h31

È GUERRA e estamos reagindo como ANJOS??? avise a militancia, o PT, e demais esquerda que o LULA corre um serio risco de morte imediata: Eles nao querem apenas o LULA preso, eles querem assassina-lo(envenenado, algum louco, atentado, acidente e etcs) para poder derrotar o MITO, isto é plano do EUA, globo, psdb, e podre judiciario, a militancia e o PT deve protege-lo, pois vivo, jamais conseguiram dar o GOLPE YANKES??? É facil o LULA resolver isto, vai com a familia e todos os perseguidos pela LAVARATO e pelo MPE dos CORRUPTOS, pedir asilo politico as embaixadas da CHINA e da RUSSIA, com certeza será recebidos como MARTIRES uma perseguiçao politica de uma elite burra e subservientes dos YANKES dos EUA…? Quanto as FFAA brasileira esta devendo uma reparaçao ao POVO BRASILEIRO desde de 1964, onde alguns generais corruptos se venderam por uma ninharia aos YANKES dos EUA??? No minimo deveriam prender todo o PODRE JUDICIARIO, MPF, MPEs, PF, TCU, TSE, TREs, TJs, PGRs, TCs….., e depois todos os politicos protegidos por esses orgaos publicos corruptos, prender todos os MAÇONS no Brasil e executa-los por TRAIÇAO A PATRIA, crime previsto com a MORTE….e prender todos os simpatizantes fascistas e nazista que esta facinho, tambem pena de MORTE por traiçao a PATRIA, vamos limpar o BRASIL nao só da corrupçao, mais tambem dos TRAÍRAS e VENDILHOES!!!!!

Responder

FrancoAtirador

10/03/2016 - 23h32

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A FARSA SERÁ TELEVISIONADA
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Curiosidade:
Vai ter BBB*
no Domingo?
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*Big Brother BraZil ou
*Black Block Brasinha ou
*Boi, Bíblia & Bala ou
*Bola, Bingo e Bunda ou…
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Responder

FrancoAtirador

10/03/2016 - 19h16

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O Senador Jorge Viana (PT-AC) pediu que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) se manifestem
sobre a alegada Parcialidade nos Trabalhos do Ministério Público e do Judiciário
com o objetivo de atingir o Partidos Trabalhadores (PT), Lula e o Governo Dilma.
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Vídeo: (http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/03/10/jorge-viana-pede-que-cnj-e-cnmp-se-manifestem-sobre-investigacoes-da-lava-jato)
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O SR. JORGE VIANA (Bloco Apoio Governo/PT – AC):
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“Só queria, Sr. Presidente, caros colegas Senadores, Senadoras, dizer que todos nós estamos apreensivos com o momento em que o País vive. Não é sem razão.
Nos últimos dias, nas últimas semanas, nos últimos meses, do desempregado ao empresário, todos procuram saber o que está se passando, quando a situação vai melhorar, o que podemos fazer, o que será feito.
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16:42
E eu, sinceramente, acho que, depois da Constituição de 1988, que consolidou a retomada da democracia no Brasil, talvez seja esse o momento em que o Congresso Nacional é mais requisitado. Não sei se tivemos momentos com tanto “tensionamento” ou tantos questionamentos e perguntas – ou se teremos –, mas o certo é que estamos vivendo uma quadra importante.
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Se pensarmos bem, nós estamos diante de uma situação que é contraditória: nunca o País tinha alcançado um nível de inclusão social, de crescimento econômico, de desenvolvimento, de melhoria nos seus indicadores, do seu prestígio junto à comunidade internacional como aconteceu nos últimos anos. Ao mesmo tempo em que registramos – e a história certamente registrará – tantos avanços para os universitários, para os empresários, para a imagem do País no exterior, para o desempregado, para o excluído, para aquele que não tinha voz nem vez, nós alcançamos tanto, conquistamos tantas positivas mudanças, e agora, em pouco mais de um ano e meio, vivemos uma situação, Senadora Regina, de piora, de um mau humor – mais que um mau humor: de uma situação que beira um enfrentamento num País que há mais de cem anos não faz guerra com ninguém. E alguns agora apostam numa guerra entre nós mesmos, brasileiros e brasileiras.
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Eu penso que, nesta hora, todos nós somos chamados à responsabilidade. Tenho visto as tentativas do Executivo, a Presidenta Dilma tentando estabelecer uma normalidade para que aquilo que as urnas lhe deram, o mandato, possa seguir em frente. Tenho visto o Judiciário, nas suas diferentes instâncias, tentando dar a sua contribuição.
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Não estou aqui para satanizar nada! Ao contrário! Tenho visto o Congresso funcionando, com suas chagas, com seus problemas, mas procurando também dar uma contribuição. Sou testemunha da ação do Presidente Renan, aqui no Senado, ele é Presidente do Congresso, tenho visto a ação de Líderes.
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Contudo, o que temos vivenciado no País? É só ouvir um empresário, um comerciante, pequeno, médio ou grande, um funcionário público, um profissional liberal que você vai ver, em poucas palavras, uma preocupação com o nosso País, com esse clima que não ajuda em nada e colabora para piorar tudo. Alguns dizem que o PIB diminuiu 3,8% no ano passado, sendo 2% por conta da Lava Jato. Se vamos ter de pagar, com desemprego, com inflação alta, com o enfrentamento por uma ação que visa combater a corrupção, talvez seja esse o preço que temos de pagar.
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Mas será que não seria possível encontrar uma maneira de dar uma satisfação ao cidadão, àquele que não aceita conviver com a corrupção, que não aceita uma relação promíscua entre empresas, Governo, políticos, partidos políticos, que precisa, sim, ter uma resposta? Mas será que a única resposta é essa? Será que o caminho é esse? Será que está havendo exageros?
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Eu fiz o último discurso, aqui da tribuna, prendendo-me às palavras do segundo Ministro mais antigo do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello. Ele dizia que, no caminho que estamos indo, vamos encontrar um cadáver. Ele dizia que estava havendo abuso de autoridade. Não sou eu quem diz isso, é o Ministro do Supremo. Eu até acho que, numa hora dessas, talvez o ideal fosse que essa instância que criamos, o Conselho Nacional de Justiça, pudesse falar algo, porque alguém calado a gente não sabe o que quer. O Conselho Nacional do Ministério Público não se manifesta. E estão calados talvez esperando que as ruas possam chegar a alguma conclusão. E, nas ruas, o que vamos ter são confusões, não conclusões; enfrentamentos, não um diálogo.
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Penso que todos nós estamos sendo chamados à nossa responsabilidade. Está havendo exageros – e não tenho nenhuma dúvida de que está havendo –, está havendo uma ação parcial, e não tenho nenhuma dúvida de que está havendo; por quê? É uma ação verticalizada contra um Partido, contra determinado segmento que atua na política.
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Talvez o jeito de resolvermos a crise seja horizontalizar, colocar todos aqueles que têm algo a esclarecer, que têm contas a acertar, porque não me venham dizer que esse modus operandi que está sendo desmontado e que está vindo – e eu não digo que é em má hora, não; é até em boa hora – é algo criado recentemente. Essa estrutura de relação promíscua entre poder econômico e poder político, relacionada a dinheiro público, é algo que o País experimenta há muitos anos. Explicitou-se agora, e não cabe a mim discutir as razões.
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Eu só queria concluir, porque não vou me alongar. Há vários colegas. Eu, sinceramente, acho que o Presidente do Congresso, Senador Renan Calheiros – que, nesses últimos vários meses, Senadora Marta, tem procurado mediar, tem procurado achar uma agenda de trabalho para dar uma resposta à sociedade –, tem procurado conversar com os líderes de instituições, para estabelecer algo que possa, de alguma maneira, a partir do Congresso Nacional, dar uma resposta à sociedade. Talvez o Presidente Renan tenha que cumprir um papel de maior destaque ainda.
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Eu espero, sinceramente… O PMDB tem agora uma convenção. Tem sete ministérios, tem uma participação orgânica no Governo, tem o Vice-Presidente da República. Eu torço para que haja um posicionamento que não agrave a situação. Tenho confiança nisso. Mas espero também que, nas manifestações de domingo, não se parta para ninguém desafiar ninguém. Que seja apenas o exercício da democracia e que, na segunda-feira, nós possamos estar trabalhando na busca do melhor para o Brasil.
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O Brasil precisa e espera o que temos de melhor, não o que temos de pior. O Brasil está esperando que cada um de nós ofereça o que tem de melhor. Eu, sinceramente, prefiro acreditar que é possível, com determinação, com trabalho, com diálogo, com entendimento, superarmos essa crise.
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Tivemos, desde a redemocratização, quatro Presidentes: o Presidente Collor, que, num consenso quase nacional, foi “impichado”; o Presidente Fernando Henrique, o Presidente Lula e a Presidenta Dilma. Os que querem interromper esse mandato agora têm que calcular o tamanho do dano institucional.
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O melhor para o País é a normalidade democrática, é o respeito ao Estado de direito, é o respeito à Constituição, como ontem, simbolicamente, o Presidente Renan entregou ao Presidente Lula.
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16:51
Sinceramente, todos nós podemos fazer algo pelo País, pelo nosso povo,
e a hora é esta, de cada um dar a sua contribuição.”
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(http://www25.senado.leg.br/web/atividade/notas-taquigraficas/-/notas/s/3724/#quarto54)
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Responder

Bacellar

10/03/2016 - 16h52

Por isso sempre vale o apelo aos liberais e sociais democratas legitimos; nao se misturem a esta gente! Fascismo nunca mais!

Responder

adilson

10/03/2016 - 15h21

“Setores de centro e até de direita, porém democráticos, ainda não se aperceberam dos riscos inerentes a esse processo”

Já se deram conta sim! Só que aprenderam com 64 e não mostram a cara. São uns covardes.

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