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Breno Altman: Esquerda vai meter o pé na jaca e apoiar representantes do golpismo?

09 de janeiro de 2017 às 23h41

rodrigo eunício

 Deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) e senador Eunício Oliveira (PMDB-CE)

A ESQUERDA VAI METER O PÉ NA JACA?

por Breno Altman, no Opera Mundi, 09/01/2017

O PT e o PCdoB estão novamente às voltas com decisões a tomar sobre quem apoiarão para presidir as duas casas legislativas.

Parte de suas bancadas parlamentares, na Câmara dos Deputados e no Senado, não esconde a tentação de apoiar candidaturas da base governista, como é respectivamente o caso de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Aliados a fórmulas vencedoras, petistas e comunistas poderiam conquistar cargos nas mesas diretoras, melhores condições de atuação nas comissões internas e até alguma barganha, de natureza progressista, na agenda de votação do próximo biênio.

Os defensores de acordos deste naipe ressaltam que a disputa pelo comando legislativo responderia a equilíbrios internos do parlamento, mais ou menos maleáveis às minorias em função das forças e personagens que vierem a predominar.

Não haveria relação direta, portanto, com enfrentamentos político-ideológicos que eventualmente dividam o país. Mais ainda: utilizar esse último critério como filtro para alianças poderia enfraquecer a oposição, retirando-lhe espaços e instrumentos para combater o governo com eficácia.

Talvez esses argumentos tivessem alguma pertinência em épocas de normalidade institucional ou em situações de baixa intensidade da luta de classes. Mas devem ser discutidos, nesse momento, à luz de uma realidade completamente distinta.

A narrativa primordial dos partidos de esquerda está marcada pela denúncia de golpe parlamentar que deu origem a um governo usurpador, cujo objetivo primordial é destruir conquistas históricas do povo brasileiro, atropelando a Constituição e o regime democrático.

Como essa tese poderia continuar a ser tratada com seriedade se PT e PCdoB apoiarem nomes representativos do golpismo, batendo palmas e arregimentando votos ao lado das  principais lideranças reacionárias e dos chefes governistas?

Qual credibilidade manteriam essas agremiações se assumissem tal posição, conspurcando a causa pela qual se batem em troca de algumas cotas de poder parlamentar?

Aumentaria ou reduziria o prestígio desses partidos, na sociedade e em suas próprias bases, caso costurem um pacto com os piores inimigos do povo, do qual os únicos beneficiários eventuais seriam os próprios deputados e senadores de esquerda?

A simples hipótese desses acordos, convenhamos, já é indigna e desmoralizante. Condena-se ao fracasso e ao opróbio qualquer força progressista que confraternize ou se confunda com os algozes da soberania popular. Ou que desmente, por atos concretos e pusilânimes, valentes ideias proclamadas com pompa e circunstância.

Não há ativo político mais relevante, afinal, do que a coerência. Ou já nos esquecemos do preço que se paga quando se fala uma coisa e outra se faz?

Os parlamentares de esquerda deveriam, isso sim, impulsionar amplas candidaturas antigolpistas, capazes de representar a resistência democrática, como seria a opção pelo apoio a André Figueiredo (PDT-CE) na Câmara dos Deputados e a nome equivalente no Senado.

Ao invés de colocar a eleição dos comandos legislativos a serviço de interesses corporativos, transformá-la em frente de batalha contra o governo usurpador e o retrocesso, fundindo-se com o movimento das ruas.

Oxalá haja juízo nas bancadas progressistas e não metam o pé na jaca, impedindo que o cretinismo parlamentar coloque todo o corpo da esquerda brasileira sob o risco de metástase.

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9 Comentários escrever comentário »

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Sergio Santos

12/01/2017 - 11h24

Estamos em um regime de exceção e a esquerda não pode aceitar essa situação. Se aliar aos golpistas significa dar razão a eles e legitimar o golpe.
É por posições como essa que a sociedade está apática perante esse golpe de classes e esse governo usurpador que, a cada dia que passa, rouba direitos sociais e trabalhistas da classe trabalhadora.

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Mineiro

10/01/2017 - 20h18

Esses dois partidos deveriam sim tomar frente da batalha e liderar a esquerda e todos os movimentos sociais. Ir pras ruas ,se juntar ao povo, botar o pé no barro,ir ao encontro das ruas com fé e vontade. É não fazer o contrário, se acovardar, se ajoelhar borrando nas calças. Isso os m…querem fazer e ainda por cima nos levar junto.

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Mineiro

10/01/2017 - 20h10

Sem comentários, esse Pt e esse PCdoB me parece que nao aprendeu a lição, e pior ainda, acha-nos com cara de imbecil e de palhaço só pode. Não é possível que nessa altura do campeonato, os estudantes sendo massacrados pelos fardados pau mandado do s golpistas, eles os mesmos passando o trator em cima de todos os nossos direitos , é desgraçados entregando tudo. E o que o Petezinho sem vergonha,mais o seu comparsa o PCdoB, na primeira oportunidade agarraram a teta pra voltar a governar. Isso pra min é pior do que ser golpistas ,e ser covarde e conivente. Eu aposto que o Lula dos acórdãos tá por trás disso, ele e seu partido adoram um acordo. Se isso se confirmar vai ser o fim desses dois partidos,aí eu concordo que seja mesmo.

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Patrick

10/01/2017 - 15h37

Mas da última vez que a esquerda se recusou a “meter o pé na jaca” e não se “misturar com isso” deu em Eduardo Cunha como presidente da Câmara, com as desastrosas consequências para o país que todos estamos vendo. Será que é essa mesmo a melhor opção, como afirma o costumeiramente sensato articulista, Breno Altman?

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Crazy horse

10/01/2017 - 14h01

O PTistas acusam o Psol de ser a esquerda que a direita gosta mas, na primeira oportunidade de se mostrar progressista o PT, tende a se aliar aos golpistas. Coisa de louco virou esse nosso país.

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Luiz Carlos P. Oliveira

10/01/2017 - 10h48

Faz alguma diferença a esquerda ocupar cargos em mesas diretoras da Câmara? Os golpistas tem maioria absoluta, aprovam o que quiserem. Então, não apoia ninguém e fica longe de decisões que só ferram o povo. Danem-se estes golpistas.

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    lulipe

    10/01/2017 - 22h24

    Tolinho…

Bovino

10/01/2017 - 05h07

“Esquerda que faz o jogo da direita”
“Uma militância sem partido”

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