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Artur Scavone: O republicanismo global de José Eduardo Cardozo

02 de março de 2016 às 19h25

Agência Brasil - ABr - Empresa Brasil de Comunicação - EBC

O Republicanismo Global de José Eduardo Cardozo

por Artur Scavone, especial para o Viomundo

Os cidadãos que defendem o avanço social e a progressão das liberdades democráticas, buscando uma nação mais justa e mais humana, estão postos diante de uma armadilha expressa com crueza pela última declaração do ex-Ministro da Justiça: “É difícil ser republicano neste país”.

República é a instituição de um regime sob império da lei, uma associação de indivíduos em que “o povo submetido às leis deve ser o autor; só àqueles que se associam cabe regulamentar as condições da sociedade”, para lembrar Rousseau. E a democracia moderna se origina com a afirmação do poder popular como origem do poder político. Mas democracia não pode ser entendida pelo princípio liberal do império da lei e da ordem porque essa visão implica a ossificação da política nos limites das instâncias do Estado.

Democracia é a existência de uma sociedade democrática “entendida como atividade de instituição de direitos, instituição que é uma criação social, de tal maneira que a ação democrática realiza-se como um contrapoder social que determina, dirige, controla e modifica a ação estatal e o poder dos governantes”, para citar Marilena Chauí.

Adotar um posicionamento republicano, portanto, comprometido com os ideais que deram forma e força à origem do PT, implica compreender que é preciso haver um movimento de baixo para cima, que a sociedade deve regular o Estado e efetivamente ser capaz de criar e reformar leis no bojo de um processo cadente de debates livres sobre os interesses e destinos da nação.

Mas, se olharmos para a nossa República, veremos que quem cria, reforma, anula e dita leis são os grandes conglomerados econômicos expressos nas ações coordenadas pela Globo, Veja, Folha e Estadão, para citar os principais. Eles são o “povo” da democracia brasileira. E o judiciário é a atual arma de ação por onde essa força retrógrada busca seu retorno à frente da direção do país.

O que está ocorrendo no Brasil hoje não tem a ver com um posicionamento republicano do judiciário ou de quem quer que seja. Não só porque temos uma inversão dos valores democráticos – o povo não legisla, não tem acesso, não é ouvido, não debate – mas porque toda a ação do judiciário está espantosamente direcionada à formação de um espetáculo midiático ditado pelos donos do poder cujo único objetivo é caracterizar o PT, Lula, Dilma e a esquerda de maneira geral como componentes de uma quadrilha que assaltou o Estado brasileiro.

Ou seja, trata-se de destruir um projeto de país que foi iniciado com a eleição de Lula, sofreu e sofre erros e acertos, mas é um projeto que abre espaços para a construção de um avanço social e democrático como o país nunca viu.

Esse é o Republicanismo Global, ditado em grande medida pela rede Globo. Como uma orquestra afinada, o republicanismo global vaza notícias de uma polícia política que busca crimes para imputar às lideranças de esquerda, não importa quais sejam. Não se apuram os crimes que lesam o patrimônio público. Não se apura Furnas. Ou Banestado. Ou os Trens do Metrô. Ou o mensalão tucano. O que se faz é publicar sistematicamente nos telejornais os comprovantes de compra dos pedalinhos de Dona Marisa para seus netos. E sistematicamente fazer o linchamento midiático das principais lideranças à esquerda que atrapalham o projeto hegemônico do capital para a América do Sul.

Por isso tudo, senhor ex-Ministro, o que nós queríamos não era que o Ministério da Justiça impedisse a Polícia Federal de apurar os crimes que eventualmente o PT ou outras forças de esquerda tenham cometido por adotarem as práticas tradicionais da política nacional.

O que nós queríamos, isto sim, é que o Ministério da Justiça se fizesse presente, numa atitude efetivamente republicana, impedindo que essa orquestração macabra entre os donos do poder, a grande mídia e setores do judiciário se tornasse nesse tsunami proto-fascista que instila ódio e espalha uma epidemia conservadora que ameaça explodir o tecido social brasileiro.

Republicanismo sim, mas jamais sob o comando da Globo.

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7 Comentários escrever comentário »

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Antonio

04/03/2016 - 10h51

Pelo que ocorre hoje é que esse filho da p… do Cardozo pediu para sair e a Dilma coloca ele como Advogado Geral da União.
Começo a acreditar que Dilma é uma anta!

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Mauricio Gomes

03/03/2016 - 06h11

Republicanismo? Isso no meu tempo de moleque tinha outro nome. Tá mais para “bundamolismo”, “otarismo”, etc. Se ser republicano significa deixar que policiais pratiquem tiro ao alvo com a imagem da presidente, chamem ministro nas redes de Zé Carbozo, xinguem o Lula de “essa anta’, plantem grampos ilegais, forcem acusados a delatarem o que lhes interessa, etc, então é melhor mandar esse republicanismo para a ponte que partiu e botar alguém macho como ministro, que acabe com a indisciplina e a esculhambação que se instalaram na PF.

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jose neto

02/03/2016 - 23h43

Zé Eduardo: ou incompetente ou traíra.

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Nelson

02/03/2016 - 20h36

É impressionante a mesquinhez que revelam alguns membros da esquerda que, um dia, se disseram lutadores por uma sociedade mais solidária. O Sr Cardozo deveria “pegar as malas” o mais breve possível e seguir o caminho da Dona Suplicy.
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    Jair de Souza

    03/03/2016 - 18h27

    Concordo plenamente com sua proposta final. O Sr. Zé Cardozo deveria mesmo se juntar ao grupo que vocês apoiam e para o qual trabalham. Deveria mesmo seguir o exemplo de dona Suplicy. O Sr. Cardozo já mostrou é é gente do grupo de vocês, fiquem com ele, por favor.

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