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Arthur que pretendia surrar Lula pula do barco do impeachment

03 de fevereiro de 2016 às 23h03

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Artur Virgílio Neto diz que impeachment é ‘coisa miúda’ e é chamado de independente por Aloízio Mercadante

Cacique tucano, que ajudou a fundar o PSDB, se insurge contra derrubada de Dilma Rousseff em dia de visita do ministro da Educação, um dos fundadores do PT, à cidade de Manaus

Manaus (AM), 03 de Fevereiro de 2016

LUCIANO FALBO E JANAÍNA ANDRADE, em A Crítica

Se em Brasília tucanos e petistas não encontram espaço para o diálogo em busca de saídas para a crise econômica, fundadores de ambos os partidos deram mostra, nesta quarta-feira (3) em Manaus, de que ainda há possibilidade discussão de pautas em prol de interesses coletivos. Pelo menos foi o que se viu nos discursos do prefeito Artur Virgílio Neto (PSDB) e o ministro da Educação, Aloízio Mercadante (PT).

Os dois propuseram um pacto nacional, com foco na educação, para reerguer o País. A proposta surgiu durante um encontro do ministro com gestores locais no Centro de Convenções Vasco Vasquez, na Zona Oeste, nesta manhã.

Na ocasião, Artur se insurgiu contra o impeachment de Dilma Rousseff (PT), defendendo a discussão de uma pauta positiva, enquanto Mercadante teceu elogios ao prefeito, chamando-o de combativo, corajoso e independente. O tucano disse que o impeachment “é coisa miúda” e que “agora é hora das pessoas se unirem”.

“Se nós, brasileiros, não tomarmos algumas atitudes muito claras contra crise, que eu chamo de um pacto nacional, nós vamos terminar fazendo com que 2015, 2016 contaminem os anos de 2017, 2018. E aí, o Brasil teria que muito penosamente atravessar um período de recessão grave”, disse Artur.

“Aproveito a presença do ministro para dizer que precisamos discutir uma pauta positiva e que resulte na união da sociedade. A alfabetização das crianças é uma dessas pautas nobres”, defendeu o tucano.

“Temos muito o que fazer e temos eleição marcada para 2018, e lá que é a hora das pessoas se separarem, agora é hora das pessoas se unirem. O país não pode ficar sem rumo, ou ficar com preconceitos na hora de conversar com adversários. Entendo que é possível, muito bem, separar as coisas. Eleição é uma coisa, fora da eleição é outra coisa. De minha parte, o meu coração esta aberto para sair dessa coisa miúda que é o impeachment, enquanto a crise se agrava cada vez mais, portanto é a hora de darmos uma reviravolta nisso. Minha visão política eu deixo para a eleição de 2018. Sou a favor de um pacto nacional”, completou o prefeito de Manaus.

Por sua vez, Aloízio Mercadante, ressaltou a atuação de Artur no Senado – entre 2003 e 2010, mesmo período dos dois mandatos do ex-presidente Lula, quando foi o líder da oposição e crítico ferrenho do governo. Antes, no governo de Fernando Henrique Cardoso, foi deputado-federal e ministro chefe da Casa Civil.

“O Artur é um tucano de raiz. É um tucano combativo e foi uma voz corajosa e independente no Senado Federal, portanto, eu vejo com bons olhos esse gesto dele propor um pacto, propor uma agenda positiva de reforma para o País. Nós não precisamos ter acordo de mérito sobre todas as reformas, mas nós podemos ter uma convergência sobre a pauta e sair dessa polarização que só tem prejudicado”, afirmou Mercadante.

“Ninguém ganha com esse cenário político eleitoral que o Brasil atravessa. Nós, homens públicos, já estamos ficando de cabelos brancos e já sabemos o que cada um pensa. Saio daqui esperançoso e trabalharei, por que sei quem muitas pessoas estão do nosso lado e querem pensar uma agenda de reforma. O Pacto pela Educação aqui hoje talvez seja um passo para um Pacto Nacional”, defendeu.

Posturas

O prefeito de Manaus é o primeiro líder tucano de grande expressão a se manifestar claramente contra o impeachment. O comportamento destoa da postura adotada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014 e um dos principais defensores da saída da presidente do cargo por meio do processo aberto na Câmara dos Deputados.

Não é a primeira vez que o prefeito se mostra contra o impeachment. Em entrevista para A Crítica no dia 3 de janeiro, o político afirmou que o processo de impedimento seria teria um custo muito alto. Antes, porém, o prefeito chegou a convocar manifestantes, em março de 2015, para um protesto contra Dilma.

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Roberto

05/02/2016 - 08h57

Na verdade, esse posicionamento pode ser fisiológico, mas considerando que o Alvaro Botox Dias já pulou fora do barco do PSDBosta, tenho a impressão que o quarteto em $i (chuchu, boca de sovaco, vampiro da móoca e o amigo do dono do helicoca) ficarão sozinhos e de penico na mão…

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Fernando

04/02/2016 - 20h33

Quanta sinceridade… Principalmente em chamar o indivíduo apenas de Arthur, esquecendo o Virgílio, que tanto marcou o combativo que disse que ia dar uma surra no Lula. Patético.

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FrancoAtirador

04/02/2016 - 12h09

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Para ver o que um Ano Eleitoral faz na Cabeça de um Indivíduo…
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Adelaide

04/02/2016 - 11h00

É ano eleitoral e alguns tucanos perceberam que perderam também no terceiro turno (o do golpe), então em 2016 é conveniente votos de quem não aderiu ao golpe do impeachment. E o Mercadante… bem o nome já diz tudo… São o independente Artur e o Livre Mercadante.

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Julio Silveira

04/02/2016 - 10h56

Isso é só mais um momento de confirmação para esquerdistas honestos de que ambos os partidos são farinha do mesmo saco. Perdi a ilusão de que diferenças os separam, estão juntos até no governo.
Já acredito que tudo que vemos trata-se de estratégia politica para que até a alternância no poder não sofra mudanças. A Dilma não poderia fazer um governo mais tucano, ou será o vice versa?

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Bacellar

04/02/2016 - 00h35

Quantum mutatus…

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Nelson

04/02/2016 - 00h17

Não sei não, mas algo me diz que Mercadante rima com insignificante.

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