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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Leda Paulani: Como consultores e a mídia distorcem informações para criar clima de recuperação econômica

18 de outubro de 2017 às 20h00


A imprensa e a ‘badalada’ recuperação da economia

do Barão de Itararé

Como (e por que) a imprensa, ignorando números e indicadores, passou do terrorismo midiático sobre a economia durante o governo Dilma Rousseff para um inabalável otimismo após a sua destituição? Qual a real situação da economia no Brasil pós-golpe?

Leda Paulani (professora da USP e ex-secretária Municipal de Planejamento da cidade de São Paulo) e Márcio Pochmann (professor da Unicamp, ex-presidente do Ipea e presidente da Fundação Perseu Abramo) debateram o tema no Barão de Itararé, em São Paulo.

Segundo Paulani, dois trimestres seguidos de crescimento, ainda que minúsculo, foram o suficiente para que o ministro da Fazenda Henrique Meirelles declarasse que “o país está superando a recessão”. As manchetes da mídia corporativa bateram bumbo na mesma direção.

A professora lembra que, diante da maior recessão da História do Brasil, qualquer índice positivo agora é sobre uma base bastante deprimida.

Ela opina que o crescimento de 1% no primeiro trimestre deveu-se acima de tudo a uma safra extraordinária. No segundo trimestre, o crescimento de 0,2% deveu-se, segundo Paulani, especialmente ao uso dos saques do FGTS, que geraram maior consumo das famílias e também foram direcionados ao pagamento de dívidas junto ao sistema financeiro.

A professora afirma que a mídia não enfatiza outros dados muito mais preocupantes sobre a economia: a queda da taxa de investimento, do crescimento da indústria e dos gastos do governo, que permitem fazer projeções de médio prazo.

Leda Paulani estranha que os especialistas ouvidos pela mídia falem em crescimento de 1% do PIB em 2017.

Para que isso aconteça, a economia teria de crescer 2% no terceiro trimestre e outros 2,5% no último trimestre. “Onde eles são formados? Ou foram cooptados?”, pergunta.

Paulani diz que faz parte do modelo neoliberal “assombrar a sociedade”, com o objetivo de pregar reformas que beneficiam setores específicos da sociedade.

É o caso, agora, da reforma da Previdência, que pelo discurso dos jornais ou acontece, “ou o Brasil quebra”.

O professor Márcio Pochmann destacou a falta de pluralidade na mídia, que replica apenas as opiniões de economistas e consultores ortodoxos.

Num olhar de longo prazo, sentencia: “O Brasil vive uma fase em que seu capitalismo não tem força dinâmica de expansão”.

Vale a pena ver a íntegra das palestras (acima).

Leia também:

Defesa de Lula ataca “convicções” de Dallagnol

 

4 Comentários escrever comentário »

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Policarpo

20/10/2017 - 10h05

Acho interessante quando acusam os petistas de ser uma seita, de ter aparelhado o Estado com seus militantes fanáticos, só não chamam o PT de igreja, preferem chamar de organização criminosa.

Mas o que vejo (e aqui não é força de expressão) foi que de fato o que se transformou em uma seita, ou melhor, em uma igreja, talvez mesmo uma organização criminosa, foi justamente o Mercado.

Alguém poderia dizer que estou exagerando e dizer que o Mercado apenas estava exercendo seu direito de expressar livremente suas opiniões e defender seus interesses.

Tudo isso seria verdade se não fosse pelo fato de que o Mercado, ou as empresas que o formam serem pessoas jurídicas (não podem votar) e não físicas (que são as que podem exercer esse direito).

Quando as empresas permitem que seus funcionários, mais ou menos graduados, possam fazer militância política durante a jornada de trabalho, estão violando normas básicas de conduta e comportamento empresarial, bem como incorrendo em crime contra a economia popular.

As empresas sabiam disso e não só não fizeram nada, como permitiram, com sua omissão, esses crimes. Como puderam as áreas de compliances das empresas permitirem isso. Simples porque seu corpo diretivo não só concordaram como incentivaram esse tipo de conportamento e de prática.

Se como se diz se formou um “partido da mídia golpista”, como admitiu os próprios representantes de classe do jornalismo, certamente, o mesmo passou com as empresas de outro setores, entre eles,e, proncipamente, nos setores financeiros de nossa economia. Porque não utilizamos a expressão de partido das empresas golpista, é porque essas empresas puderam operar como partido político ao arrepio da lei.

Foi o partido das empresas golpistas que ofereceu a narrativa do Golpe como impeachment e como operação legal veiculada diuturnamente por sua agência de propaganda, a chamada Grande Imprensa. Quando na verdade o que se gestava era um golpe parlamentar com a ajuda da mais alta instância do poder judiciário.

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David

19/10/2017 - 23h10

Prezados amigos do Viomundo, no 3o parágrafo se fala em “dois semestres seguidos de crescimento”, mas na verdade, acho que vcs queriam dizer dois TRIMESTRES. Por favor, corrijam para não confundir os leitores.

Grande braço

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    Conceição Lemes

    20/10/2017 - 00h28

    Obrigada pelo alerta, David. Vamos corrigir já. abs

Joao Maria

19/10/2017 - 14h19

Os econimistas mentem, a grande imprensa mente. Eu vejo nas ruas muitas empresas fechadas, filas de desempregados no Sine. Segundo informaçoes de empresario que tenta fazer emprestimo na Caixa nao consegue. A Caixa esta com problema de inadimplencia como nunca se viu na historia. Nao adianta Meirelles falar em crescimento, se a gente ve outra coisa no dia a dia.

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