Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha
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Paraísos na Terra Utilidades

O JAPÃO QUE POUCOS CONHECEM

Atualizado em 11 de abril de 2008 às 17:00 | Publicado em 06 de janeiro de 2008 às 21:05

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Foi o pôr-do-sol mais bonito que testemunhei. Tão bonito que paramos o carro e ficamos absorvendo calados o recorte das árvores contra o céu avermelhado. Estávamos numa das ilhas de Iriomote, no extremo sul do Japão.

Tínhamos chegado até lá voando de Okinawa,
o Rio de Janeiro dos japoneses. Os japoneses de Tóquio discriminam os moradores de Okinawa por vários motivos. Eles são tidos como folgados, lentos e preguiçosos. De fato, a vida em Okinawa é mais devagar. É um dos lugares mais quentes do arquipélago japonês. A população de Okinawa é muito mais descontraída.

Tem até praia frequentável, apesar da água gelada do oceano Pacífico. Existe um ressentimento histórico. Os Estados Unidos começaram por Okinawa a invasão do Japão, durante a Segunda Guerra Mundial. A resistência foi feroz, mas os americanos ocuparam a ilha. Os japoneses de Tóquio acham que os moradores de Okinawa não resistiram tanto quanto deveriam.

Foram duas horas de vôo até chegar ao paraíso de
Iriomote. É o território japonês mais próximo do continente asiático. Uma ilha sub-tropical que combina montanhas com cachoeiras, rios, mangues e bichos exóticos.

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Com um guia japonês e uma tradutora (de blusa vermelha), remamos pelo mangue que levava a uma cachoeira. Aquilo que parece um peixe gigante, ao lado do barco, é o cinegrafista José Henrique. Ele mergulhou com a câmera subaquática para filmar os peixes.

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Viajamos o Japão de Norte a Sul. Nada nos surpreendeu tanto quanto o que vimos naquelas ilhas. Parecia a Amazônia asiática.
Ficamos muito menos tempo do que desejávamos em Iriomote. É uma ilha quase desabitada, que aos poucos vai se transformando num destino turístico para japoneses aventureiros e endinheirados. Fica mais caro voar de Tóquio para Iriomote do que comprar um pacote turístico para a Austrália.

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Na foto acima, um navio encalhado aparece no horizonte. O mar nesta região pode ser traiçoeiro. Mudanças bruscas nas correntes marítimas confundem os navegantes.
Barcos acabam encalhados nos bancos de areia e corais.

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Um momento de reflexão, antes de gravar, numa praia de Iriomote. Estamos no mar da China. Do ponto mais alto da ilha, é possível avistar Taiwan e a costa da China comunista. Em Iriomote, encontramos cartazes prometendo recompensa a quem capturasse, vivo ou morto, um bicho brasileiro.

O sapo-boi foi levado para o Japão para controlar a população de insetos. Pulou de ilha em ilha, viajando como clandestino em barcos. Em Iriomote, se tornou uma praga que ameaça o frágil equilíbrio ecológico.

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Quem disse que é impossível andar sobre o mar? Fizemos isso ao passar de uma ilha para outra, na maré baixa. À esquerda, tripé nas costas, o nosso assistente japonês. A tradutora carrega o celular na mão direita e os tênis na esquerda. O gaúcho Zé Henrique usa um lenço na cabeça para se proteger do sol. De blusa azul, a diretora do programa, Vanda Viveiros de Castro. Eu, como sempre, visto o colete de explorador, que quebra muitos galhos porque tem quase uma dúzia de bolsos.

Publicado originalmente em 2005


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