Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha
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NA ISLÂNDIA, COM REAGAN E GORBATCHEV

Atualizado em 11 de abril de 2008 às 17:00 | Publicado em 06 de janeiro de 2008 às 21:52

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A Islândia fica entre a Groenlândia e a Europa. Nos tempos da Rede Manchete, fomos lá ver o primeiro encontro entre os então líderes dos Estados Unidos e da União Soviética, Ronald Reagan e Mikhail Gorbatchev, em outubro de 1986.

A foto acima foi feita quando gravávamos num cenário exótico. A fumaça é causada por uma usina de produção de energia elétrica. Nunca havia estado num país tão fascinante. No caminho entre o aeroporto e a capital, Reikjavik, parecia que estávamos em outro planeta. No horizonte, vimos erupções de gêiseres produzindo fumaça branca.

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Era outono quando visitamos a Islândia. Havia luz oito horas por dia. No inverno, são apenas quatro horas de sol. É que a ilha fica perto do Pólo Norte.

O clima é muito estranho. Num só dia experimentamos sol, chuva, neve e sol de novo, no fim da tarde. As correntes marítimas que passam pela costa da ilha produzem mudanças radicais de temperatura. Os islandeses são descendentes dos vikings, o que explica a resistência física e mental deles.

O território que não é gelado tem a cobertura de uma vegetação estranha, a tundra. É uma espécie de musgo que cresce entre pedras. Na Islândia as mulheres ocupam um grande espaço político. Elas têm trinta por cento das vagas no Parlamento e comandam um terço dos ministérios. Muitos homens saem jovens do país.

Imigram para a Suécia e outros países nórdicos, em busca de melhores empregos. Há dez mulheres para cada homem em Reikjavik. Durante nossa visita, fomos a casas noturnas. Nunca vi tantas mulheres namorando com mulheres. Como era grande o número de jornalistas, o governo local arranjou para que ficássemos hospedados numa casa de família. Fomos muito bem tratados. A dona da casa se apaixonou pelo assistente de nossa equipe.

A filha dela nos chamou para experimentar um banho de água sulfurosa, numa das muitas lagoas que ficam perto de vulcões extintos. Foi um bando de gente, homens e mulheres. Chegando lá, fomos pegos de surpresa. As islandesas foram tirando a roupa, sem qualquer constrangimento. Ficaram nuas e mergulharam nas lagoas de água quente. Pela primeira vez nós, brasileiros, nos sentimos conservadores: entramos na água, mas todos de calção de banho.

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Entrevistei uma islandesa, no centro de Reikjavik. A cidade é muito agradável. Parece feita de caixinhas de fósforo. O cinegrafista Domingos Mascarenhas usa um chapéu de pele e lã de carneiro. O nosso assistente, de blusa vermelha, foi aquele que se deu bem. Namorou a dona da casa em que ficamos hospedados e teve uma semana de mordomias.

Publicado originalmente em 2005


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