Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha
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Paraísos na Terra Utilidades

MERGULHO EM FERNANDO DE NORONHA

Atualizado em 11 de abril de 2008 às 16:59 | Publicado em 30 de dezembro de 2007 às 23:09

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O peixe parecia estar ao alcance de minha mão, quando mergulhei pela primeira vez em Fernando de Noronha, a ilha-paraíso na costa do estado de Pernambuco. Quem vai, volta fascinado. No meu caso, foi a descoberta de um novo mundo. Nada prepara uma pessoa para a experiência. Francisco José, o repórter da TV Globo, deu todas as dicas. Brincam que ele já fez tantas reportagens lá que deu crachá da Globo para alguns tubarões. Quando desembarquei, alguns moradores estavam descontentes. Apesar do limite ao número de visitantes, imposto pelo IBAMA, o instituto do governo que cuida do meio ambiente, a pressão dos que querem ganhar dinheiro na ilha é forte. Havia um navio de cruzeiro ancorado na ilha.

Gente que nunca teve a ver com a história local tinha projetos para construir hotéis em Noronha. Os nativos alertavam para a crônica falta de água doce e a lenta destruição do ecossistema. Deixei em Noronha todo o stress acumulado em anos de profissão. Mergulhando na rota das tartarugas gigantes, passei colado numa delas. Minhas filhas tiravam a cabeça da água para descrever o que viam: uma arraia aqui, cardumes ali, até um tubarão passou por perto de uma delas, sem se importar com a visitante. Farelos de pão no bolso de um calção atrairam centenas de peixinhos. Foi preciso se desfazer da comida para escapar das mordiscadas na pele da perna.

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A praia do Leão é uma das atrações da ilha.
Difícil dizer qual delas é a mais bonita. Fizemos um passeio turístico para observar os golfinhos. Eles saltavam, acompanhando o barco. No dia seguinte, alugamos uma embarcação menor. Queríamos ver tudo de novo. Não demos muita sorte enquanto navegávamos. Decidimos dar um mergulho. Tivemos uma surpresa agradável: um cardume de golfinhos passou por nós. O mergulho com cilindro foi o equivalente à descoberta de um novo mundo. Tantos milhares de quilômetros percorridos na superfície da Terra, como é que eu nunca tinha pensado em explorar aquilo? Desde o batismo em Noronha fiz o curso de certificação, numa piscina de Nova York. Enquanto treinava, fechava os olhos para imaginar que estava na ilha brasileira. A instrutora americana logo me acordou do sonho. A aula tinha acabado.

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Com uma câmera subaquática, fotografei um golfinho que passou colado ao meu corpo. A fama de Noronha vai longe. Em 2003, entrevistei nos Estados Unidos o ex-astronauta Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar na Lua. Ele foi selecionado para a missão pela experiência que tinha como mergulhador. Um dos hobbies de Buzz, agora, é explorar navios naufragados.

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Na foto acima, Aldrin posa segurando um peixe durante um dos mergulhos recreativos que fez. Na entrevista, perguntei ao ex-astronauta se, depois de ter pisado na Lua, ele ainda acreditava ter desafios pela frente. "Lógico", ele disse, "eu ainda quero mergulhar no Brasil". Ficou silencioso alguns segundos, tentando lembrar do lugar. "Neirona? Norina? Neurona?", perguntou. Estava falando de Fernando de Noronha.

Publicado originalmente em 2005


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Luiz Domingos de Luna (16/01/2008 - 13:21)
deuteronomioarte@bol.com.br www.meninodeusaurora.com.br Quando o homem conseguir penetrar na intimidade da natureza para modificá-la na sua totalidade, a Razão ganha, a inteligência ganha, o capitalismo ganha, a bem da verdade somente um coisa se perde. A Vida.



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