jose fernandes de macedo junior (15/08/2009 - 12:19)
Belo texto! Lírico! Vou relê-lo e lembrar minha juventude, as decadas de 60,70,... Porra!...Sacanagem!... Tava lá atrás tudo isso e o Azenha ligou o "toca-disco" da memória.Mas aceite meu muito obrigado pelo cativante texto.
Patricio (14/08/2009 - 21:14)
Pois eu tenho saudades.
Não da ditadura, mas dos amigos que se foram durante e depois dela. Não do porrete que comia lascado, mas da agilidade que tínhamos quando corria dos meganhas. Não da censura, mas da coragem de pôr na vitrola o LP do Geraldo Vandré, bem alto, assustando os vizinhos da pensão em que morávamos. Não dos artistas que se recusaram a cantar para o povo, alegando ser vítimas de uma patrulha ideológica que não existiu, mas da coragem de outros músicos que colocavam o dedo na ferida da direita e diminuíam nossa dor.
E de Maria, que não morreu na tortura, mas teve tempo para denunciar essa tralha de gente que ainda hoje está por aí, tirando com nossa cara.
Gerson (14/08/2009 - 17:27)
Krishnamurti já dizia:
"Tudo o que tenho a dizer-vos é que os deuses, os mestres, os guias, não são absolutamente necessários para atingirdes a libertação."
"Eu nego que a verdade possa achar-se através dos outros, por muito maravilhosas que sejam tais pessoas e as suas organizações. A totalidade absoluta não pode ser realizada senão pelo vosso esforço pessoal".
"As religiões são obstáculo ao entendimento e a Verdade é um país sem caminhos".
"Eu segui o santuário que vós seguis, com as vossas mediações e cerimônias. E como passei por todas essas coisas eu vos digo: - deixai-as de lado! Como sofri e também fui cativo eu vos digo: - deixai essas coisas de lado, elas não auxiliam. A Verdade é uma terra sem caminhos, porque ela é o Todo".
TPI (14/08/2009 - 16:54)
Se a gente olha com um olhar comparativo, não dá para ter saudosismo, mas o grande diferencial era a juventude, o gosto e depois o cheiro das descobertas. Aí não dá para comparar, porque as primeiras vezes ficam na cabeça e depois passamos a rodar no automático e um dia sentimos falta daquelas sensações que nosso passado juvenil nos permitiu, e ligamos isso ao tempo. Lembram da música do Chico Buarque na voz do Moreira da Silva: "ai que saudade que eu tenho dos meus doze anos/ que saudade ingrata/ dar banda por aí/ chutando lata..."?
No mais, pequenos comentários: 1) que sorte o Azenha ter pai comunista, meus parentes eram salazaristas e eu sei a desgraça que era isto. 2) Tem tecnologia nova que ainda não alcançou a velha. Vejo um filme em formato digital e eles não alcançam a vivaciade da película, que ainda vejo em algumas mostras.
L@!r M@r 3$ (14/08/2009 - 16:26)
Legal esse texto. Vivo falando pros meus filhos que a melhor época da nossa vida é a que vivemos agora. rsrsrs.
Bom fim de semana!
Gb (14/08/2009 - 16:11)
Olha, Azenha, respeito a sua opinião, mas vejo de outra forma. A década de 60 foi das mais ricas culturalmente no mundo, extamente pelo que fez os dias de hj serem diferentes daquela época. Não fossem essas "quebras de tabus", hj não seria normal uma moça de 18 anos sair com as amigas para boites e voltar sozinha de madrugada sem ficar "mal falada". Eu, particularmente, sinto falta desse espírito rebelde, de querer mudar as coisas. Vejo muita gente deitada em berço esplêndido e não ve que a liberdade que usufruem hoje é em boa parte devido a quem lutou no passado para que mudanças acontecessem.
Neo-tupi (14/08/2009 - 15:36)
Assino embaixo. Também era criança nos 60, e só acho que nos anos 60 para trás a infância era mais infância.
Quanto a isso eu não tenho dúvidas que houve um retrocesso.
Nada contra o videogame e a internet, que podem ser usadas tão bem quanto era usados livros de Monteiro Lobato. O que estraga é a mercantilização da infância, o consumismo infantil (quando a infância é justamente a liberdade das pressões sociais, como de consumo), a formação de consumidores infantis, "adulteração" da infância precocemente, a terceirização parcial da família pela creche, segregação social em escolas privadas para os mais ricos e escolas públicas para os mais pobres (na minha infância, em cidade do interior, ricos e pobres frequentavam escolas públicas e dividiam a mesma sala de aula, jogavam futebol juntos, estavam em grupo juntos, se os pais não eram integrados socialmente, as crianças pelo menos eram durante algum tempo.
Felizmente já ganha corpo a preocupação com estes assuntos.
Hans Bintje (14/08/2009 - 15:01)
MEU MUNDO É HOJE
Paulinho da Viola
Composição: Wilson Batista
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim
Meu mundo é hoje não existe amanhã pra mim
Eu sou assim, assim morrerei um dia
Não levarei arrependimentos nem o peso da hipocrisia
Tenho pena daqueles que se agacham até o chão
Enganando a si mesmo por dinheiro ou posição
Nunca tomei parte desse enorme batalhão,
Pois sei que além de flores, nada mais vai no caixão
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim
Vídeo YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=RvkG5iDxU4s
Willian (14/08/2009 - 13:27)
O Azenha escreve um texto lírico e os comentaristas já colocam a política no meio. Ops, tô fazendo o mesmo...
P.S.Pô, Azenha, vc não tem saudade nem do telex?
Cláudia (14/08/2009 - 11:24)
Nossa, que coincidência. Hoje mesmo recebi um e-mail com um daqueles infindáveis Power Point cujo título, Vou me embora para o passado, uma corruptela de Manuel Bandeira, já dá uma idéia do conteúdo que poderia muito bem ser assim resumido: qualquer época é melhor do que essa em que vivemos. O que o autor não percebe é que para ele não existe época alguma para se viver porque em qualquer uma encontraria defeitos e o discurso seria sempre o mesmo, Vou me embora para o passado.
Mário Alberton (14/08/2009 - 10:26)
Esse é pra ser publicado em livro de crônicas.
http://infinitoaldoluiz.blogspot.com/ (14/08/2009 - 09:20)
Ao Christian Schulz
Amigo, o "problema do som " hoje, é que por baixo dessa barulheira toda, "tá rolando direto na massa encefálica o SOM DO SILÊNCIO" em muitos níveis e versões com objetivos inconfessos ... Já colocou sua atenção nisso?
Muita paz e para você e todos nós, sou grato.
emerson (14/08/2009 - 02:05)
talvez tão estranho quanto alguém sentir saudade de um tempo idealizado que não viveu, é alguém sentir saudade de um tempo que não merece ser lembrado.
ver um coroa de quase 70 anos sentir saudade de sua juventude e elogiar sua geração, que no fim das contas, nos colocou nesta sinuca.
ver estes velhos sentirem saudade da sua década de sonhos e ficar preso nela, sem perceber o presente
Eleutério Boanova (13/08/2009 - 22:20)
Eeeee!!! Viva nós os véio....
Jorge Menezes (13/08/2009 - 21:58)
Diz isso, pra essa elite repulsiva que domina este país desde sempre e que quer de volta o passado...
Francisco Nogueira (13/08/2009 - 21:33)
Parabéns!
Emerson Luis (13/08/2009 - 19:20)
Azenha, que belo!
Andre Lucato (13/08/2009 - 19:03)
Olha, Azenha, muito bonito seu texto.
Tenho 35 anos e o li com um misto de ter vivido e ao mesmo tempo não.
Só que discordo visceralmente de sua colocação de que "a ciência não resolveu o problema". Você tem que definir "problema".
Se ela não resolveu TODOS os problemas, pelo menos não PIORA A QUESTÃO como é o caso da fé que, por deturpação de alguns ou não, ainda justifica guerras, discriminações sociais/sexuais/raciais e promove uma deseducação que é INCONCEBÍVEL nos dias de hoje, sem nem mesmo ser questionada.
Quanto se progrediu no combate ao câncer? Qual era a qualidade de vida dos idosos ontem? E qual é hoje? Qual era nosso conhecimento do mundo ontem em relação a hoje, no aspecto de satisfação intelectual? Antibióticos, vacinas, aviões, computadores, automóveis...
A ÚNICA responsável por você conseguir fazer suas idéias chegar a tantas pessoas é a ciência. Você só poderá embarcar em Cumbica e desembarcar em Lisboa devido à ciência. Só conseguimos tirar um rim de uma pessoa e prolongar a vida de outra, devido à ciência.
Não significa que não falte muito ainda. Falta. E ainda assim a única coisa que nos faz avançar com a velocidade que avançamos é a ciência, porque se dependesse da religião, a Terra ainda seria chata, ainda mataríamos bruxas, sangraríamos pessoas e a comunicação entre nós seria entre uma guerra e outra.
Abraço.
Carlinhos Medeiros (13/08/2009 - 18:53)
Belo texto, Azenha. Bons momentos trazem inspiração.
Calma Zé, se for ver as coisas nem mudaram tanto assim... Já existe até single ended 7.1 VALVULADO! rs
Não como os velhos que mapeiam os conflitos entre gerações, criando aberrações e desfazendo de ideais nobres e princípios básicos por uma moral alheia. São os ultra vintage.
Ainda tem muita gente presa em regras moralistas, e nascidas a pouco pode acreditar. Perdoe. Isso é culpa justamente dos ultra vintage, que não tem mais salvação apesar de usufruir plenamente do avanço tecnológico. Os que vão além se desprendem, e da até gosto de ver, ler...
Pronto, cansei de ser chato. É que não tinha nada pra escrever, achei interessante e coloquei um breve contra ponto.