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PRESIDENTE OBAMA

Atualizado em 21 de julho de 2008 às 10:32 | Publicado em 21 de julho de 2008 às 10:28

A eleição que se avizinha, em novembro, será a sexta escolha de um ocupante da Casa Branca que acompanharei de perto, nos Estados Unidos.

Todas as demais foram fortemente influenciadas pela situação econômica do país, com exceção da reeleição de George W. Bush, em que a segurança nacional pesou consideravelmente.

Desta vez não será diferente.

O tema  número um subjacente à campanha será o preço da gasolina: 4 dólares o galão, um recorde histórico - considerada a inflação. O eleitor americano sabe que o presidente não tem poder para reduzir o preço na marra, mas liga intuitivamente os republicanos ao interesse econômico das grandes gasolineiras, dentre as quais se destaca a Exxon Mobil, cujos lucros são tema recorrente dos discursos populistas de Barack Obama.

O tema número dois subjacente à campanha será o preço das casas, principal patrimônio da família americana. Pode parecer estranho, mas os americanos gostam de calcular quanto eles são "worth", ou seja, quanto "valem". E este valor está intimamente ligado ao valor de suas propriedades. Com o estouro da bolha do setor imobiliário o valor das casas está em queda acelerada. A casa é a principal herança que o americano médio deixa para os filhos. Comprar uma casa é o principal objetivo de um casal recém-formado. Vender a casa - ou apartamento - é comum quando se quer "subir" na vida ou quando os filhos vão embora e o espaço é muito. Refinanciar a casa e pegar dinheiro vivo para comprar um automóvel ou fazer uma reforma é uma operação comum.

O eleitor americano sabe que um presidente não tem o poder de fazer o valor das casas subir. Porém, quando se vê economicamente sitiado qual é a reação natural do eleitorado dos Estados Unidos? Votar por mudança. Votar contra o partido que ocupa a Casa Branca. Acredite quem quiser: Barack Obama "corre o risco" de ser eleito presidente por ampla margem. Obama é da ala liberal do Partido Democrata. Nos anos 80, ser "liberal" era um palavrão nos Estados Unidos. Quase o mesmo que "comunista" nos anos 50. Pois o país agora caminha para ter um negro liberal na Casa Branca.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Conceição Oliveira (29/07/2008 - 16:17)
Moçada, quanto a Obama, acho simplista reduzir a história dele apenas às experiências pessoais (mesmo que elas sejam infinitamente mais ricas de que as de qualquer outro presidente estadunidense, seja em termos étnico-culturais, sejam políticas, sejam de lideranças, sejam inclusive geográficas), mas é igualmente simplista reduzir a atuação dele enquanto candidato e/ou presidente ao fato de ser estadunidense e ter mentalidade imperialista e blá, blá, blá. Há um texto recente do Azenha que me lembrou o próprio Obama em sua biografia, quando ele descreve suas primeiras experiências de organizador de lideranças comunitárias em Altgeld. Ele narra com uma clareza rara (e claro que esse olhar em perspectiva é facilitado pelo seu distanciamento na construção da narrativa biográfica posterior à experiência), mas, enfim, o quadro atual só é maior do que o já vivenciado por outros setores em cidades de decadência industrial em fins de 80 e início dos 90 e Barack era inteligente o suficiente para lidar com os usos e abusos que políticos e lideranças mais conservadoras faziam, na relação entre crise econômica e xenofobia, racismo e outros preconceitos. Acho, sinceramente, que lidar com as corporações que governam o planeta não é tarefa pra um presidente, nem mesmo o dos EUA. Precisamos reinventar a política planetária, reeducar esses sugadores da Terra que não têm qualquer compromisso com a continuidade da espécie humana, ou então é melhor nos acostumarmos com a idéia de extinção.

Conceição Oliveira para João Aguiar (21/07/2008 - 12:49) (29/07/2008 - 16:09)
João e nesta definição onde vc colocaria o Noam Chomsky? Abraços. ********

Mariana Rodrigues (23/07/2008 - 00:57)
Minahs desculpas Azenha. Acabei de fazer um comentário no último post do título Eleições nos EUA, cobrando um post mais atualizado sobre as eleições lá. Não havia lido este. Muito bom.

João Aguiar (22/07/2008 - 11:36)
Alôôôôôôôôôôôuuuuuuuuuuuuu Luiz Paulo, vc disse: "Não se pode, SMJ, carimbar um povo, especialmente um que recebe pessoas de todo o mundo para ali viver." Por acaso vc está sabendo da política migratória dos EUA, a construção do muro de trocentos km com o México e outros "agrados" para os cucarachas?

luiz paulo (22/07/2008 - 10:16)
Olha, poucas vezes pude ler absurdos neste site como os que adornam o artigo do Azenha. "Americanos são reacionários." Isso é senso comum mas parece-me totalmente fora da realidade de hoje. Não se pode, SMJ, carimbar um povo, especialmente um que recebe pessoas de todo o mundo para ali viver. Não nos esqueçamos que o Busch foi eleito com menos voto que seu adversário e nos lembramos apenas dos "reacionários" que votaram nele. Não sou defensor dos EUA mas, serenamente, obrigo-me a reconhecer que boa parte das conquistas de direitos civis que se espalham pelo planeta surgiram lá. Boa parte dos males também... mas isso, a história mostra, é comum nos impérios dominantes. Quanto a "fazermos igual a eles" sem se preocupar em ter uma visão ampliada, me parece uma retórica antiga e que não ajuda em nada nosso futuro e nossos interesses, portanto torcer pelo McCain porque é melhor para nós... seria como torcer para a Argentina perder na primeira fase de uma competição para o caminho ficar mais fácil para o Brasil (analogia fraquinha essa). Se queremos ser o país que podemos ser temos que dialogar (se pires na mão) com todos os principais atores, firmando nosso posicionamento com assertividade, sem espírito vira-lata, pensando o Brasil como uma potência do bem, com sagacidade e sem bravatas. Quero repudiar a manifestação de que o "Obama é a Rice...". Não dá para comparar, basta ver o histórico dos dois personagens. Se for porque são negros, ficou muito pior!

Diego Alexandre (22/07/2008 - 09:35)
Barack Obama nunca vencerá essas eleições! É como meu pai disse nas penúltimas eliminatórias para a Copa, a da Coréia e Japão, quando o Brasil precisava ganhar, em casa, da Venezuela, para se classificar e todos temiam a Venezuela que vencera alguns jogos depois de anos sendo a última colocada; meu pai disse: "- Tão com medo da Venezuela! Pára! É a Venezuela! Alguém realmente crê que o Brasil não vai ganhar da Venezuela, em casa?" Eu digo o mesmo: "- Alguém em sã consciência acha que os Estados Unidos, um dos países mais preconceituosos e canalhas e conservadores do mundo, vão permitir que um liberal e negro vença as eleições para a Presidência? Jamais! E se der a sorte (ou azar) de vencer, matam ele!".

Jorge Nunes (22/07/2008 - 08:47)
Para mim McCain é melhor para a América Latina, graças aos republicanos a América Latina está leve. livre e solta. Tanto que um golpe contra Chavez articulado com a CIA fracassou. Eles continuam usando técnicas que não colam mais por aqui. Se alguém assistir o documentário A BATALHA DO CHILE e comparar com A REVOLUÇÂO NÂO SERÁ TELEVISIONADA perceberá que as técnicas de usar a mídia para derrubar um governo continuam as mesmas, na verdade ridiculamente igual. Então torço por McCain deixem o cara continuar explodindo o Iraque e o oriente médio atrás de uma imaginária Al Quaeda.

Paulo (21/07/2008 - 23:03)
Vejo aqui, não é de hoje, uma torcida muito grande por Obama. Como se ele fosse o bem e McCain o mal, só por ser do partido de Bush. Este, com certeza, piorou a crise mundial em todos os sentidos. Mas não quer dizer que McCain cairá na besteira de repetí-las, ou continuá-las. Não observem o discurso. Observem a essência. Torcer por torcer, McCain será melhor para o Brasil que Obama. E acho que deveríamos nos importar com nosso país, que é onde vivemos. Afinal, não reclamam tanto que os americanos só se importam com o próprio umbigo? Certos eles! Vamos copiá-los nisso também.

Margarida Gonçalves (21/07/2008 - 21:03)
Vai dar Obama, mesmo com o significado estadunidense de liberal

aldoluiz (21/07/2008 - 20:12)
Meus amigos, Obama nada mais é que a versão democrata da republicana Condoleezza. (Os piores cegos não são sempre os que não querem nunca ver...?)

Edu marcondes (21/07/2008 - 18:03)
Concordo em número e grau com, o Pedro (que nem sei quem é)e lembro que na história politica do EUA o Partido Democrata está associado a posições e ações bem pouco liberais. Por exemplo, ele é tão ou mais belicista que o Partido Republicano. Só discordo de uma coisa. Obama não é verde. Pelas imagens que tenho visto na midia o considero negro. Ou quando muito moreninho.

lu dias/bh (21/07/2008 - 17:45)
AZENHA, sempre torci pelo Obama, talvez levando em conta a sua negritude, num país onde a população negra vem se firmando aos poucos, depois de tanto ódio racial. Mas não acredito que um filho da política do Tio Sam possa estar descontaminado do autoritarismo que sempre advogaram seus dirigentes. Tampouco acredito que possa deixar de olhar os países pobres e em desenvolvimento, como se não fosse o quintal do país, fato corriqueiro na história do país. Qualquer mudança na ética daquela gente e na maneira de pensar o mundo de uma forma mais universalizada, somente poderá começar com as crianças na escolinha. Talvez eu pense assim por não acreditar em milagres. Para mim Obama ainda é uma incógnita, mas não nutro nenhum tipo de OBA! OBA! Preocupa-me, também, o fato de que, por ser o primeiro negro na presidência do Tio Sam, possa descambar para o populismo de modo a querer agradar o seu povo. Pois para que venha a pensar em benefício do planeta, como um todo, terá que tomar muitas decisões consideradas desfavoráveis ao país. Principalmente no que concerne à proteção do ecossistema e à guerra no mundo árabe. Sem falar na política econômica. Temos que avaliar até onde ele será capaz de compreender o momento que vive o mundo. Mas torço para que ele seja eleito e que governe de olhos voltados para um mundo mais igualitário e, em consequência, mais humano. E que venham os pítons, as pitonisas, os xamãs e as sibilas para nos trazerem boas novas. Abrs.

Stanley Burburinho (21/07/2008 - 17:28)
Sr. Hans Bintje (21/07/2008 - 16:25) O McCain seria o antiwar?

Hans Bintje (21/07/2008 - 16:25)
A fonte mais confiável a respeito das eleições dos EUA é o site "counterpunch" - http://www.counterpunch.org Acompanhe o que ele publica a respeito de Obama. Exemplo ( http://www.counterpunch.org/whitney07212008.html ): "What leftist or progressive is not totally fed-up with the Democrats cagey 'bait-and-switch' hypocrisy? Voting the Democratic ticket is not a sign of 'hope'; it's a sign of being a schmuck. The Democrats have done nothing to stop the war and will do nothing to stop the war. The Obama candidacy is merely a way to replace one group of genocidal maniacs with another. Who needs a charismatic, flannel-mouth glamor boy to lead us into battle when a senile fogy with 'anger management' issues will do just fine. Voters of conscience should reject that choice altogether. Just as they should reject the 'lesser of two evils' theory which does not apply when ordinance is being dumped daily on innocent civilians. It has to stop. Obama is not an antiwar candidate, that is merely a fiction maintained by his public relations team."

Luiz Carlos Azenha (21/07/2008 - 14:18)
Marco, Obama é um reformista cuja principal proposta é um sistema nacional de saúde (SUS) com o dinheiro que hoje vai no corte de impostos para os mais ricos. As propostas dele objetivam resgatar a classe média baixa que está ficando para trás na divisão de bolo dos Estados Unidos. Busca formar uma coalizão dos dois maiores partidos para viabilizar as reformas.

Pedro (21/07/2008 - 13:16)
Obama é protecionista, a favor da internacionalização da amazonia, do bloqueio a cuba, anda reavaliando sua opinião sobre sair do iraque, vai continuar com a empreitada contra o "terrorismo" no oriente médio. A unica coisa que vejo de boa no Obama é ele ser um candidato verde... de resto, ele não é nenhum revolucionario.

Augusto José Hoffmann (21/07/2008 - 13:01)
Tenho uma curiosidade imensa: o norte-americano é extremamente reacionário. Como lidarão com um negro na presidência. Obama parece equilibrado, sensato e populista é claro. Gostaria muito de assistir mudanças no país que se considera dono de todas a leis e regras morais e éticas. Nada mau inverter alguns desses "tradicionais valores" do american way of life. Se isto acontecer penso que nós colheremos alguns frutos.Torço para que sejam dos bons.

João Aguiar (21/07/2008 - 12:49)
Peraí, galera, esquerda liberal nos EUA só existe para os próprios estadunidenses, é uma ficção criada num contexto de polarização extremada e consolidada na Guerra Fria em que os mais tênues traços de esquerda, na sua acepção histórica, foi mais perseguida pelo macartismo e etc que judeu na Alemanha de Hitler e ainda perdura de forma determinante na política nos EUA, que vai do fundamentalismo protestante de extrema direita do partido republicano ao liberalismo (econômico)de direita do partido democrata.

Ludi (21/07/2008 - 12:15)
Democratra, Marco. A favor de: - Subsídios agrículas; - Políticas protecionistas (sobretaxar produtos importados); - Contra a NAFTA (agora, porque antes eles eram pró-nafta); - Aumentar os impostos (para os 'ricos', diz ele); - Balancear as importações vs. exportações (superavitário, de preferência).

Rodrigo Fierro (21/07/2008 - 11:55)
Não sei se estou correto, mas parece que quando se fala em "conservador" e "liberal" nos EUA e na Inglaterra (pelo menos), seria o nosso "direita" e "esquerda", respectivamente. Certo?

Marco Aurelio (21/07/2008 - 11:25)
Como Obama realmente é no sentido econômico,Azenha?

Stanley Burburinho (21/07/2008 - 11:12)
Azenha, qual a situação da esquerda norteamericana? A visão do eleitor norteamericano sobre a esquerda continua como antes ou você percebeu alguma mudança favorável, mesmo que sutil?

Luiz Carlos Azenha (21/07/2008 - 10:48)
Político.

Mateuz (21/07/2008 - 10:39)
Azenha quando vc chama o Obama de liberal vc quer dizer no sentido politico (de esquerda liberal) ou no sentido economico (a favor do liberalismo)?



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