Atualizado em 21 de abril de 2008 às 10:38 | Publicado em 20 de abril de 2008 às 19:56
SÃO PAULO - A contagem dos votos no Paraguai indica que Fernando Lugo se elegeu presidente do país com margem de cerca de 8%. Com mais de 30% dos votos apurados, Lugo tem 39%, contra 31% da candidata oficialista Blanca Ovelar e 21% do ex-general Lino Oviedo.
O comparecimento foi de cerca de 60%.
Segundo a empresa pesquisadora Gabinete de Estudos de Opinião (GEO), o ex-bispo venceu com os votos do interior, enquanto o Partido Colorado venceu em Assunção, o maior colégio eleitoral.
A mesma empresa estima que o Partido Colorado elegerá de 15 a 16 dos 40 senadores. O Partido Liberal Radical Autêntico, que indicou o vice de Fernando Lugo, terá de 14 a 15 senadores. A União Nacional de Cidadãos Éticos (UNACE), do ex-general Lino Oviedo, terá de 7 a 8 senadores e será o fiel da balança. Partidos menores, como o cristão Partido Pátria Querida e o PartidoTekojoja, terão de 2 a 3 senadores.
O Partido Colorado também venceu o governo da maioria dos 17 departamentos e terá o maior número de cadeiras na Câmara dos Deputados.
Agora começa uma luta fratricida pelo controle do Partido Colorado entre as turmas do presidente Nicanor Duarte Frutos e do ex-vice-presidente Luís Castiglioni, que foi derrotado nas prévias internas pela ex-ministra da Educação Blanca Ovelar. Além disso, assim como acontece no Brasil, começa também aquela barganha que se segue à eleição.
A vitória do ex-bispo será mais confortável do que previam os próprios assessores dele. Porém, ele não terá as mãos livres para governar, especialmente pela forte presença do Partido Colorado no Congresso, cuja bancada será dirigida pelo presidente Nicanor Duarte, que se elegeu para o Senado.
A campanha de Lugo se apoiou em três pontos essenciais: reorganizar o estado paraguaio para promover programas sociais de combate à pobreza; combater a devastação ambiental e a concentração de terras nas mãos dos estrangeiros, resultado da expansão descontrolada do plantio de soja; e recuperar o que define como "soberania energética", obtendo para o Paraguai melhores condições de pagamento para a energia produzida nas usinas hidrelétricas de Itaipu e Yaciretá, construídas em parceria com Brasil e Argentina.
Espero, mesmo, que ele cumpra as promessas de campanha, inclusive a neutralização das provaveis injustiças na sociedade da usina de Itaipu. Se ele conseguir e isso se der ainda na gestão do Lula, o PIG vai soltar foguetes, assim como fez em relação à Bolívia. A minha percepção sobre o Paraguai (criada através das aulas de história da quinta série, de algumas reportagens policiais, de relatos de muambeiros sobre Ciudad del Este e das reportagens do Viomundo) é de que lá é uma "amostra-grátis do inferno", em qualidade de vida. Aí eu lhe pergunto, Azenha: É tão ruim assim, mesmo ?