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O dia em que o Muro de Berlim caiu

Atualizado em 09 de novembro de 2009 às 09:51 | Publicado em 08 de novembro de 2009 às 18:27

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por Luiz Carlos Azenha

O dia em que o muro de Berlim caiu eu estava em Berlim. Fazia parte de uma equipe da TV Manchete que foi privilegiadíssima. Eu, o Domingos Mascarenhas, o Hélio Alvarez e o Paulo Bolivar Carneiro acompanhamos ao vivo o fim da Guerra Fria.

Acompanhamos todo o processo, a partir do segundo mandato de Ronald Reagan nos Estados Unidos (nossa base era Nova York).

Não dá para analisar esse período da História sem voltar no tempo. Sem voltar ao Team B, um dos primeiros projetos dos neoconservadores em Washington. Todo ano a Central de Inteligência Americana fazia uma avaliação do poderio militar soviético. Nos anos 70, um grupo de intelectuais que atuava fora do governo começou uma campanha acusando a CIA de subestimar o poderio soviético.

Foi o primeiro "projeto" do gênero em que os neoconservadores utilizaram uma estrutura paralela ao Estado para forçar o governo americano a tomar uma decisão. Podemos dizer que foi o embrião da privatização da política externa americana, deslocando o controle dela de dentro de instituições federais para institutos privados financiados pela indústria bélica.

O anticomunismo fazia, então, o papel agora preenchido pelo "islamofascismo", o "bolivarianismo" e a "guerra contra as drogas".

A União Soviética andava mal das pernas. Em 1988, na nossa primeira visita ao país, dava para notar claramente a decadência econômica e consequente atrofia política. A propaganda americana fazia da URSS, no entanto, um adversário muito mais ameaçador que de fato era. Ao longo dos anos 70, mas especialmente depois da vitória do democrata Jimmy Carter em 1976, a turma do Team B tratou de turbinar a ameaça. O nome, equipe B, surgiu do fato de que se tratava de uma equipe formada paralelamente à da CIA para fazer as estimativas do poderio soviético. Foi George Bush, o pai, na época diretor da CIA, quem convocou o Team B.

A invasão soviética do Afeganistão, em 1979, não foi interpretada como um sinal de fraqueza da URSS diante das turbulências causadas pela revolução islâmica no Irã. Foi usada pela propaganda dos falcões como exemplo do poder militar soviético, embora o Kremlin tenha usado apenas armas convencionais e o exército Vermelho dado amplas mostras de incompetência.

Quando Reagan assumiu o poder, em 1980, os neocons chegaram junto ao poder. Reagan adotou o projeto guerra nas estrelas, para levar a guerra ao espaço e aumentou os gastos militares seguindo as recomendações do Team B. Reagan inventou grandes ameaças regionais, como os sandinistas da Nicarágua, precursores de Hugo Chávez. Com a justificativa de combatê-los, Reagan promoveu regimes brutais na América Central e guerras que, em nome de combater o comunismo, na verdade se destinavam a sufocar movimentos sociais em Honduras, na Guatemala e em El Salvador.

O fato é que a política de Reagan não só fortaleceu a linha dura em Washington, fortaleceu também a linha dura no Kremlin. A aventura militar no Afeganistão sangrou os soviéticos lentamente, da mesma forma que sangra hoje os norte-americanos.

Quando Mikhail Gorbatchev assumiu o poder, o fez claramente sob pressão para entregar os anéis e salvar os dedos. A rapidez com que ele e Reagan se entenderam, nas negociações de paz -- que nossa equipe acompanhou na Islândia, em Moscou, Nova York e Washington -- deixava claro que o império soviético estava ruindo.

Quem, como nós, tinha acompanhado esse processo, sabia que mudanças profundas viriam mais cedo ou mais tarde. Quando desembarcamos em Berlim Ocidental para fazer um programa sobre o fim da Guerra Fria para a TV Manchete não se sabia, ainda, que o Muro de Berlim seria fisicamente derrubado. Mas, quando a notícia nos pegou de surpresa, não dá para dizer que foi exatamente uma surpresa.

Pelas estimativas da CIA, o muro de Berlim jamais cairia. A essa altura, as estimativas da agência sobre o poderio soviético já estavam em linha com os objetivos politicos dos falcões da política externa, dos neocons e da indústria armamentista.

Já as estimativas originais do Team B se revelaram completamente exageradas -- porém, já tinham servido a seu propósito. Mais tarde esse modus operandi foi reprisado quando se disse que Saddam Hussein tinha um exército poderoso ou controlava armas de destruição em massa.

Fracassos posteriores da CIA, em prever o colapso da própria União Soviética, a invasão do Kuwait pelo Iraque e o 11 de setembro foram atribuídos às diretrizes adotadas pela agência depois da passagem de George H. Bush, que mais tarde se tornaria presidente dos Estados Unidos. Lá atrás, os neocons haviam compreendido que as estimativas e avaliações da CIA eram essenciais para travar a guerra de propaganda. Se não houver um inimigo externo, eles inventam. Mesmo que for o terrível Manuel Noriega e suas machetes assassinas. Papel aceita tudo.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Pitagoras (11/11/2009 - 19:27)
Como é que é, cara pálida? Muro de comunista não pode. Mas muro de capitalista, tudo bem. Muro de Israel pulverizando e isolando as comunidades palestinas em sua própria terra, pode. Muro contra os "bárbaros", pode. Mas as mercadorias das fábricas americanas transferidas para o México, desempregando americanos, passam por cima do muro. E vão se proliferando os muros capitalistas, pois o exército de desempregados, mão de obra de reserva, que fazem o "serviço sujo", deve ser cuidadosamnete regulado, nem muito nem pouco, somente o que supra as necessidades da superesstrutura econômica capitalista.

Rodolfo (10/11/2009 - 11:16)
"Milton Hayek (09/11/2009 - 16:59)
Estão vendo???É só mudar os chavões e a gente desmascara essa vulgata neoliberalóide que vomita por aqui:

"Rodolfo (09/11/2009 - 11:19)
A Islândia quebrou por um único motivo, o neoliberalismo é lindo na teoria e uma desgraça na prática.

Aliás, quando já tivemos regimes capitalistas,sem intervenção do Estado, e democráticos?"

O Chile de Pinochet é o modelo perfeito do Rodolfo."
Miltinho,

Os EUA são a maior economia do mundo porque são capitalistas, independente da crise. O Japão possui a segunda maior economia do mundo porque é capitalista. A Alemanha é a maior economia da Europa, independente da crise, por ser capitalista. A China se tornará a segunda maior economia do mundo porque se transformou em economia de mercado, apesar de viver sobre uma ditadura comunista, e possuir uma legião de novos consumidores e um exército de mão de obra barata.

Onde a qualidade de vida é melhor, Coreia do Sul ou do Norte? Japão ou Cuba? Berlim ou Frankfurt?

Não sei qual modelo é o melhor, sei que o capitalismo tirou muito mais pessoas da pobreza do que socialismo, apesar da propaganda burra panfletária afirmar o oposto.

http://infinitoaldoluiz.blogspot.com/ (09/11/2009 - 19:59)
A magia do testemunho jornalístico, belo arquivo, parabéns. Seu trabalho todo dia melhor, sou grato!
Sobre o texto: quando a Nova Ordem Mundial escravagista usava outros nomes menos "globalizantes", a CIA e outras "Inteligencias" até de supostos "adversários", sempre foram de grande valia para o sistema de morde & sopra, tipo guerra fria, que ilude com perfeição às massas e lhes garantindo permanentemente grandes negócios de dominação e poder e aos seus banqueiros.
Haja vista como em shows midiáticos derrubam e constroem grandes muros de acordo com a conveniência de seus propósitos.

P.S.: A postagem do Locatelli sobre nunca ter havido socialismo na URSS é pertinente e complementa minha visão deste "muro".
Sinto muito, sou grato.

Milton Hayek (09/11/2009 - 17:02)
Com 700 bilhões de dólares dos impostos dos estadunidenses,aqui nos EUA,indo para empresas dos amiguinhos empresários que vivem protegidos pelo Estado fica difícil falar de "regime centralizado ',não é meu filho???
Você é a favor da centralização da economia pela cleptocracia que hoje governa os EUA???

Fabio (09/11/2009 - 09:22)
O que caiu em Berlim foi um modelo estatista, centralizado, socialista que perdurou por 70 anos no século passado e que ainda tem um resquício existindo em Cuba. Este modelo levou a uma grande diferença econômica e social entre os países da Europa, mais especificamente entre as Alemanhas. É basicamente o mesmo modelo que agora os bolivarianos (neo-socialistas) e seus amigos querem implantar para toda a América Latina.

Milton Hayek (09/11/2009 - 16:59)
Estão vendo???É só mudar os chavões e a gente desmascara essa vulgata neoliberalóide que vomita por aqui:

"Rodolfo (09/11/2009 - 11:19)
A Islândia quebrou por um único motivo, o neoliberalismo é lindo na teoria e uma desgraça na prática.

Aliás, quando já tivemos regimes capitalistas,sem intervenção do Estado, e democráticos?"

O Chile de Pinochet é o modelo perfeito do Rodolfo.

Subconscious Mind (09/11/2009 - 16:15)
O Muro de Berlim é o Muro fronteiriço Estados Unidos-México , é o Muro de Israel , é o O Muro da Vergonha, criando guetos no Rio de Janeiro ; é o Muro da escola , o Muro do presídio , é o Muro lá de casa !!!!!

francisco.latorre (09/11/2009 - 15:36)

ops...

a invasão do kuwait e o 11/9 foram cuidadosamente planejados e executados pelos próprios amerikanos.

o império não brinca em serviço...


Evandro Afonso do Nascimento (09/11/2009 - 15:11)
Caro Luiz,
Sou eu de novo. Como bom mineiro, mato a cobra e mostro o pau. Veja um trecho da reportagem que saiu na revista alemã Spiegel Online International de 07/03/2009. Título: Maioria dos alemães orientais sente que a vida era melhor no comunismo. Um trecho da reportagem: Como um defensor da ditadura da antiga Alemanha Oriental, o jovem compartilha da visão da maioria das pessoas da parte oriental da Alemanha. Hoje, vinte anos depois da queda do muro de Berlim, 57%, ou a maioria absoluta, de alemães orientais defendem a antiga Alemanha Oriental. "A RDA tinha mais pontos positivos do que negativos. Havia alguns problemas, mas a vida era boa lá", dizem 49% dos entrevistados. Oito por cento dos alemães orientais se opõem veementemente a todas as críticas à sua antiga terra natal e concordam com a declaração: "a RDA tinha, na maior parte, pontos positivos. A vida lá era mais feliz e melhor do que na Alemanha reunificada de hoje".
Por que a grande mídia ocidental não tratou deste transcendental resultado que deveria ser analisado por aqueles que querem construir uma sociedade melhor.
Atenciosamente, Evandro Afonso do Nascimento.

Filipe Rodrigues (09/11/2009 - 14:28)
Será que daqui a 20 anos estaremos comemorando a queda do Muro(Wall)Street? O leste europeu viveu intensamente dois mundos completamente distintos: as ditaduras do proletariado e do capital. São países que sairam de regimes autoritários, burocráticos, centralistas para um capitalismo selvagem, mafioso, desregulado e que agora sofrem bastante com a maior crise do capitalismo em 80 anos. Obama caminha para ser o Gorbachev americano, os EUA hoje estão numa encruzilhada, parecidos com a América Latina e o Império Soviético nos anos 80, se retirarem os incentivos econômicos a economia americana despenca e se continuam a dívida pública e a inflação aumentam. Os economista do G-20, FMI, BID e etc não estão fazendo nada para impedir futuras crises, por isso o ano de 2010 será de crescimento, más é bem provável que a crise volte em 2011, alguns economistas acreditam que até 2012 o Dólar vá para o beleleu.

Parzival (09/11/2009 - 13:00)
Tenho quase certeza absoluta, mas amigos do Azenha na Globo podem ajudar a averiguar oq vou dizer.
As imagens do pedro Bial no Muro de Berlim é um
Chroma Key, recurso usado colocando um fundo verde
para recortar a cor e colocar o fundo que quiser.
Eu tive essa impressão.

Edson Vergilio (09/11/2009 - 11:49)
O episódio da "Queda do Muro de Berlim"que hoje completa 20 anos, me fez lembrar do PEDRO BIAL que de jornalista investigativo que cobriu um evento tão importante, hoje virou apresentador do BBB. Isso também me fez lembrar a frase: "Não adinta o que pensa o homem, se o salário do homem pensar outra coisa".

Fabio (09/11/2009 - 11:27)
O socialismo é um fenômeno de debilidade mental juvenil, que acomete os fracos de espírito e os que têm um "parafuso" moral a menos. Tem gente que escapa disso quando os hormônios se estabilizam no organismo. Já em outros indivíduos ela permanece, numa esterilidade moral, fruto de uma febre vermelha adolescente.

Em ambientes socialmente injustos, como a Rússia da virada do século 20, cresce enquanto movimento popular.

Esse "método" de revolução foi dando cria, e o trabalho das esquerdas mundo a fora foi o de criar instabilidade social, inquietação, levar as diferenças ao extremo, incitando a discórdia.

Por esse motivo não existem "governos socialistas", já que o socialismo é uma forma de anarquia. Existem ditaduras socialistas (Cuba, Venezuela, Coréia do Norte) e governos social-democratas na prática e de esquerda no discurso (caso do Brasil).

Rodolfo (09/11/2009 - 11:19)
A URSS quebrou por um único motivo, o marxismo é lindo na toeria e uma desgraça na prática.

Aliás, quando já tivemos regimes comunistas e democráticos?

Luiz Carlos Azenha (09/11/2009 - 09:53)
Pedro, acrescentei outras fotos. Evandro, minha análise limitou-se aos fatores externos que acompanhei de perto. Com certeza houve muitas questões internas, mas acredito que depois que o Gorbatchev decidiu puxar o plug a DDR ficou sem saída. abs

silvio (09/11/2009 - 09:44)
george orwell já descreveu este fenômeno do inimigo externo em 1984. Apesar de ficção, ele sabia do que estava falando. Usa o cômico para revelar a hipocrisia. Como em seu mundo fictício só existem 3 países, há sempre um aliado e um inimigo que se alternam sem grandes avisos a depender dos interesses do estado totalitário vigente.

e pode manter o acompanhamos, ao invés do acompanhávamos. O sendo bacana está querendo interpretar o que você está pensando... "já que você está contando um fato que estava acontecendo". Eu que não estou, entendo que você deu o acontecido por encerrado. Como de fato aconteceu.

Moacir Simples Assim (09/11/2009 - 09:36)
O comunismo jamais foi derrotado.

Por razões estratégicas, muitas vezes é melhor deixar o inimigo imaginar que ganhou o jogo.

Dê um pouco de corda para o "esperto" que ele se enforca sozinho em sua própria cobiça e pretensão.

Hoje todos nós já conhecemos as maravilhas do capitalismo selvagem, mas também conhecemos os meios de domá-lo.

A luta continua!


Fabio (09/11/2009 - 09:22)
O que caiu em Berlim foi um modelo estatista, centralizado, socialista que perdurou por 70 anos no século passado e que ainda tem um resquício existindo em Cuba. Este modelo levou a uma grande diferença econômica e social entre os países da Europa, mais especificamente entre as Alemanhas. É basicamente o mesmo modelo que agora os bolivarianos (neo-socialistas) e seus amigos querem implantar para toda a América Latina.

Fabio Passos (09/11/2009 - 08:47)
Lá no blog do Georges Bourdoukan...

"
Cínicos

A mídia Ocidental celebra a queda do muro de Berlim. Mas ignora o Muro do Apartheid construído por Israel para oprimir os palestinos.

A mídia Ocidental festeja o fim do muro de Berlim, mas ignora que os palestinos estão morrendo de sede porque os israelianos(governantes arianos de Israel) fecharam as torneiras.

Outro muro que a mídia ignora solenemente é o que foi construído pelos Estados Unidos para evitar a entrada de mexicanos no país.

Muito mais mexicanos e palestinos morreram vítimas dos muros do que os cidadãos da Alemanha.

Isso também é ignorado.

Coisas da mídia ocidental.
"

http://blogdobourdoukan.blogspot.com/

Roberto Locatelli - São Paulo (09/11/2009 - 07:24)
Nunca houve socialismo de verdade na URSS. O que houve foi o sufocamento da revolução pelo capitalismo, desde o início, através de uma furiosa guerra contra a Rússia. Como resultado, uma burocracia estatal venceu as disputas internas ao Partido Bolchevique, tomando o poder. Era o início do regime stalinista. Uma das primeiras coisas que Stálin fez, depois de tomar o poder, foi extinguir a Internacional Comunista com uma simples canetada. Com isso, o destino da revolução russa estava selado. O socialismo ficou só nos discursos.

Pedro Luis Paredes (09/11/2009 - 01:37)
Pô cara, você só tirou essa foto?

Fabio Passos (09/11/2009 - 00:41)
Já em 2009 podemos curtir Boots Riley e Tom Morello mandando um recado prá maldita minoria rica e branquicela que governa o mundo...

Street Sweeper Social Club - 100 Little Curses
http://www.youtube.com/watch?v=PGhLQScRElI

"... Cuz on the breakin backs of others is where you got all your cash
Till we make the revolution I hope your life sucks ass."

pablo (09/11/2009 - 00:35)
porra, acho que o mineiro tá a fim de te dar uma cantada. Segura a tua onda, mermão...

quanto ao texto, considero como um belo contribuinte para a discussão anti-imperialista. Tem muita coisa que ainda precisa ser posta em pauta no debate nacional. Parabéns ao viomundo.com.br.

Diogo Costa (08/11/2009 - 23:31)
A queda do Muro de Berlim foi simbólica. Em dezembro de 1991 desmoronou de vez a União Soviética e o mundo assistiu atônito ao fim do "Socialismo Real" e a breve ascenção do poder unipolar hegemônico dos EUA. Somente gostaria de lembrar aos internautas que a história humana é a história das lutas de classes, viva a dialética e o materialismo histórico! Aos capitalistas, convém não cantar vitória, pois nenhum modo de produção é eterno e o modo de produção capitalista também não o será. Aos socialistas e ou comunistas, deveis lembrar que a luta de classes está mais viva do que nunca, a queda do Muro de Berlim ou o fim da União Soviética são apenas batalhas perdidas na guerra constante entre classes sociais antagônicas e irreconciliáveis. Aos que pregam o fim da história, sugiro que abandonem a metafísica como método de análise dos processos históricos. Porquê? Vejamos, o primeiro partido ou grupo político de orientação comunista foi a Conspiração dos Iguais, capitaneado por Babeuf na França pós revolucionária em 1796. O Manifesto Comunista foi escrito por Marx e Engels, sepultando os socialistas utópicos e outros menos cotados, em 1848. A primeira tentativa bem sucedida (ainda que breve) de tomada do poder pelos comunistas foi a Comuna de Paris de 1871. A primeira Revolução Comunista bem sucedida no Planeta Terra foi a bolchevique, capitaneada pelo POSDR de Lênin e Trótski em 1917. A história não terminou, veremos ainda muitas revoluções ao longo da história.

Marcos P.B. (08/11/2009 - 22:55)
Este artigo ajuda a fazer algumas conexões da história que eu não conhecia ainda.
Obrigado !

Paulo S. Dos Santos (08/11/2009 - 22:40)
Hoje tenho certeza que os governante da URSS venderam seu país. Provavelmente notaram e entraram em consenso que o privatismo seria lucrativo para os que controlavam.
Não são muito diferentes dos daqui. E o povo soviético é que sofreu horrores com a transição para o capitalismo. Na verdade ainda sofre hoje.

Evandro Afonso do Nascimento (08/11/2009 - 22:03)
Prezado Luiz Carlos,
Achei interessante sua ligação da queda do muro de Berlim à decadência econômica da União Soviética. Entretanto, você ficou somente nisso e na política exterior dos Estados Unidos. O processo foi bem mais complexo, a Alemanha Oriental era o país de melhor qualidade de vida do bloco socialista e é em sua política interna onde estão as as causas principais da queda do muro. Vou colocar a discussão de uma forma objetiva, como sempre faço em discussão política. Suponha que o socialismo na Alemanha Oriental tivesse oferecido uma vida melhor aos seus cidadãos do que o capitalismo aos alemães ocidentais. Você acha que o muro teria caído? Cursei pós-graduação e trabalhei em indústria da Alemanha Oriental, de 1974 a 1976 (depois voltei várias vezes àquele país), tive muito contato com sua realidade. No livro que lancei recentemente (Lembranças do Exílio - Chile, Panamá, República Democrática Alemã e Costa Rica, 2008, 1a edição esgotada)analiso a queda da Alemanha Oriental com detalhes e isenção (não pertencia nem pertenço a nenhum partido). A queda do muro se deu fundamentalmente por fatores intrínsicos ao desenvolvimento do socialismo na Alemanha Oriental, sem querer naturalmente restar importância a sua ligação com a União Soviética. Outro exemplo. Por que a Coreia do Norte continua socialista, embora seja bem mais pobre que a antiga Alemanha Oriental e tendo ao lado a rica Coreia do Sul capitalista? As coisas são bem mais complicadas.
Atenciosamente, Evandro

Éverton Pelegrini (08/11/2009 - 21:03)
Muito legal ler esse seu relato Azenha, porque você estava nos EUA nessa época, então pode ter uma noção melhor do que se passava lá, dessa transformação na mídia. A explicação desse lobby de alguns setores da mídia que nos ajuda a entender um pouco mais essas guerras que estão em andamento até hoje.

Obs.: Muito legal essa foto de vocês quatro encostados no muro de Berlin todo pixado. Tão parecendo gangster de rap estadunidense. Na verdade, tão mais pra Vanilla Ice hahaha. Mas ta estilosa mesmo a foto.

Vlado (08/11/2009 - 20:54)
Gustavo Pamplona de BH, quando sua mãe disse que você era um cara bacana ela estava apenas sendo mãe. Não era prá ser levado a sério...

Vlado (08/11/2009 - 20:50)
"Foi um dos mais belos momentos da História. Futuramente será lembrado como um marco, da mesma forma que são o fim do Império Romano e a Queda da Bastilha"
Klaus, você acabou deixando de lado um outro momento se não belo, pelo menos mais importante: O atentado de 11 de setembro.

Se você quer continuar escrevendo errado... tudo bem.... (08/11/2009 - 20:36)
Qualquer professor de português vai falar o mesmo. E quando é que você vai entender que eu sou um cara bacana

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Gustavo Eduardo Paim Pamplona - Belo Horizonte - MG
Desde Fev/2008 APORTUGUESANDO no "Vi o Mundo"! ;-)
Desde Fev/2008 SENDO BACANA no "Vi o Mundo"! ;-)

Fernando Augusto, RJ (08/11/2009 - 20:31)

O início do fim da URSS é bem anterior à queda do Muro de Berlim, e começa com o abandono dos progressivo dos ideais revolucionários em nome de uma governabilidade. E se acelera com a ascensão do stalinismo.
O ditador sanguinário Joseph Stalin com sua sede de poder executou as principais lideranças da revolução. E como não há revolução sem revolucionários, esta implodiu.
Os revolucionários foram substituídos por burocratas stalinistas, fieis ao ditador, mas não a revolução.
Antes do stalinismo havia debate na URSS, e o partido tinha vida.
Stalin deturpou os valores do socialismo, e tem muito mais culpa pelo fim da URSS que o desastrado Mikhail Gorbatchev.

Gerson (08/11/2009 - 20:15)
Acho que não devemos esquecer da tentativa de aberturas na URSS quando dos movimentos da Perestroika e da Glasnost, anterior a queda do Muro de Berlin.

Me parece que estes fatos estão diretamente conectados.

Não entendo muito disso, mas quem puder dar uma clareada agradeço.



José Antônio Araújo (08/11/2009 - 19:38)
Caro Azenha:
No final dos anos 50, ou começo dos 60, li um livro que creio ainda ser bastante atual que se chama "O Estado Militarista" do jornalista Fred Cook. É antológico e bastante didático nas explicações da aliança infernal que a indústria armamentista, a direita dos "falcões" e boa parte da imprensa fizeram nos EEUU, a qual permanece até os nossos dias. Eisenhower, ninguém menos que o grande herói americano da 2ª guerra mundial e seu presidente fez tal denúncia. Você já leu esse livro?
Um abraço,
José Antônio

Klaus (08/11/2009 - 19:21)
Foi um dos mais belos momentos da História. Futuramente será lembrado como um marco, da mesma forma que são o fim do Império Romano e a Queda da Bastilha.

Muro Invisivél (08/11/2009 - 19:09)
O muro imaginário que separa a miséria dos poucos ricos no Brasil continua de pé rígido como um elefante. Esse muro de Berlim não diz absolutamente nada para nós brasileiros, pois somos marginalizados pelos Alemães como também por toda a Europa e Estados Unidos. Cadê o barba de São Bernardo do Campo que não derruba esse muro para que o proletariado possa viver de forma humana e que a renda nacional seja mais bem dividida entre os trabalhadores nacionais

Não seria "acompanhavámos"? (08/11/2009 - 18:55)
Apesar que o verbo "acompanhar" tanto no "presente" como no "pretérito perfeito" na primeira pessoa do plural (Nós) é "acompanhamos" com uma pequena diferença. Em Portugal, o pretérito perfeito leva um acento em "acompanhámos".

Mas o fato é que sua narrativa o correto seria o pretérito imperfeito: "nós acompanhávamos"

Deixa eu te explicar:

Apesar que o fato da "queda do muro de berlim" já foi consumado mas você tem que dar a idéia que ele não foi consumado já que você está contando um fato que estava acontecendo... e que ainda não tinha sido terminado/consumado.

Eu lembro pouco de você na Manchete.. mas lembro das reportagens na época.

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Gustavo Eduardo Paim Pamplona - Belo Horizonte - MG
Desde Fev/2008 ACOMPANHANDO no "Vi o Mundo"! ;-)



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