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"NA BOLÍVIA SE JOGA O FUTURO"

Atualizado em 30 de abril de 2008 às 18:52 | Publicado em 30 de abril de 2008 às 12:35

WASHINGTON - A situação na Bolívia está ficando cada vez mais polarizada. No próximo domingo vai realizar-se o referendo que trata da autonomia do departamento de Santa Cruz, o mais rico do país. Não se trata, apenas, da fratura entre ricos e pobres. É o rompimento da planície com o planalto, da elite branca e mestiça com os índigenas do altiplano, do projeto político dos grandes industriais e latifundiários com o do indígena que pretende representar os movimentos sociais.
 
Philip Goldberg, o embaixador dos Estados Unidos em La Paz, foi o chefe da missão americana em Pristina, Kosovo, entre 2004 e 2006. Tem experiência na partilha de países. Através da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e do National Endownment for Democracy (NED) Washington financia grupos da "sociedade civil" bolivianos, alguns deles voltados para a resolução de conflitos.
 
O governo de Evo Morales demoniza o embaixador, a quem acusa de interferir nos assuntos internos da Bolívia e a quem pediu que se posicionasse publicamente em relação à autonomia de Santa Cruz. O embaixador respondeu que cabia aos bolivianos decidir. Os Estados Unidos apontam para a Bolívia como um exemplo da interferência indevida da Venezuela na vizinhança.
 
Os dois países têm as grandes reservas de petróleo e gás natural do continente.
 
Nem o Mercosul, nem a União Européia vão reconhecer o resultado do referendo do próximo domingo - que era a pretensão dos líderes de Santa Cruz.
 
Os "poncho rojos", um grupo de apoio a Evo Morales, anunciaram a formação de um exército indígena para defender a unidade da Bolívia.

No pé desta página você pode ler ou salvar o arquivo em PDF da Constituição boliviana, rejeitada por líderes de Santa Cruz. Eles dizem que o texto favorece os indígenas em detrimento de outros bolivianos.
 
O artigo que reproduzo abaixo dá uma idéia da polarização dos bolivianos:
 
NA BOLÍVIA SE JOGA O FUTURO
 
por Luis Bilbao, na Bolpress*

Toda pessoa consciente deveria preocupar-se com o que ocorre na Bolívia. Os Estados Unidos estão a ponto de deflagrar ali uma guerra que sacudiria a região e que logo levaria um estado de comoção e beligerância a toda a América do Sul.

A desculpa é a autonomia de quatro departamentos (Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija); o instrumento, a oligarquia; a mídia, corpo mercenário financiado, treinado e comandado pelo Departamento de Estado através da CIA e outras agências; o objetivo, fragmentar a Bolívia, deter o processo revolucionário encabeçado por Evo Morales, introduzir uma cunha de fogo no Cone Sul e criar as condições para atacar a Venezuela e o Equador. Desde domingo passado, o Paraguai também está ameaçado. Os Estados Unidos necessitam a guerra.

A economia capitalista já não pode respirar sem ela. Erram os que crêem que o pântano do Iraque impede outras frentes de combate. É o inverso: só resta a eles seguir adiante. Mas buscam fazê-lo na diagonal, espelhando a linha de ação do Oriente Médio: abrir fissuras objetivas nas formações econômicas, sociais, étnicas e religiosas; aguçar conflitos latentes; desatar a guerra entre facções, colocar-se acima delas e cavalgar sobre a destruição mútua dos povos.

A diferença com aquela zona devastada pela invasão, pelas lutas intestinas e o constante alimento da guerra (os candidatos a suceder George W. Bush já anunciaram sua disposição de "arrasar o Irã"), é que na América Latina existe um germe de um centro político continental.

Os governos de Cuba, Venezuela, Nicarágua e Bolívia  assumiram a necessidade de enfrentar o imperialismo nas condições do mundo contemporâneo, ou seja, atacando a raiz do capitalismo. A reunião de emergência realizada na madrugada do último dia 23 por Hugo Chávez, Evo Morales, Daniel Ortega e Carlos Lage - como representante de Raúl Castro - e as decisões adotadas nela, são indicativas de que esse bloco começa a atuar como direção política internacional.

Mas não é o suficiente. Os partidos e organizações com que contam estes quatro governos são a vanguarda revolucionária do continente, mas não alcançam reunir o conjunto dos trabalhadores, camponeses, jovens e dos povos desde o rio Bravo até a Patagônia. Essa é uma tarefa pendente.

A única via para atingí-la é que essas vanguardas, em toda a sua diversidade, encontrem o caminho das grandes maiorias e consigam explicar e persuadir a milhões do que está ao mesmo tempo claro mas às vezes tão obscuro: o imperialismo e as oligarquias que se subordinam a ele e os que vacilam em enfrentar a Casa Branca estão nos levando ao abismo da guerra.

É preciso detê-los. É preciso somar vontades, no mais amplo espectro possível, a partir da simples compreensão da ameaça. Não se poderá impedir a violência pedindo a Evo, como faz a OEA, que negocie com os cães de guerra atiçados por Washington. Trata-se de defender incondicionalmente ao legítimo governo indígena da Bolívia. E por todos os meios necessários.

Urge convocar reuniões em cada cidade  da América Latina para explicar e debater esta conjuntura dramática. Destas milhares de assembléia deverão surgir ações de mobilização e formas de união nacional e regional. Devem estar prontas para enviar delegações a La Paz, fazer atos, concertos, encontros de todo tipo, em todas as partes, com todos e todas que entendem a gravidade do momento e com o único objetivo de amarrar as mãos assassinas do imperialismo.

*Luis Bilbao é diretor do América XXI


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Carlos Henrique (17/05/2008 - 01:02)
Dias atrás lendo comentário em jornal argentino tomei conhecimento da seguinte piada. "O marido faz um fragrante de sua mulher o traindo. Qual sua reação? Depende: - Se for um conservador saca seu revolve e mata os dois em nome da honra. - Se for um liberal sae divorcia da mulher e quem sabe, até pode manter um bom relacionamento. - Se for um esquerdista, toma suas faixas contrata um grupo social e se posta em frente a embaixada americana em protesto com queima da bandeira americana e de tudo o que se lhe dá direito em um país livre." O caso da Bolívia tem relação com esta piada. Chavez ameaça estuprar a Bolívia e quem paga o pato é o Golberg e sua embaixada.

marcelo (02/05/2008 - 14:15)
Jonh Bastos... Acho melhor voce ser um pouco mais informado: Colombia e Chile crescendo CHINESAMENTE? Os paises com maior crescimento economico, segundo a Cepal,sao Argentina, Venezuela, Cuba e Panamá. Continue torcendo contra para que nosso país e seus vizinhos permaneçam a coloniazinha mediocre de um império fascista e hipocrita!

John BASTOS (30/04/2008 - 19:07)
Com a Bolivia se dividindo, a Argentina pegando fogo no campo, a Venezuela com 30% de inflacao, a primeira experiencia populisma na America Latina no seculo 21 estah chegando ao fim, do mesmo modo que sempre acontece. Enquanto isso, Colombia e Peru crescem chinesamente e sem grande inflacao e divisoes na sociedade; Chile acumula gigantescos superavits fiscais; ateh o Brasil que de vez em quando flerta com o populismo, consegue o grau de investimento...

Conceição Oliveira (30/04/2008 - 17:11)
Arles e Bel, além das denúncias do vídeo de hoje no blog do Mello tem um documentário em 4 partes, imperdível. Eu pedi ao Mello o html ele me deu(agora já avancei mais um pouquinho nesses códigos fontes, mas às vezes ainda faço besteira, quem entra via firefox por exemplo automaticamente liga o vídeo do documentário do Pasquim e não sei como impedir isso) de todo modo eu publiquei um dossiê no site da HP sobre a Bolívia, além dos vídeos e textos reproduzidos do Azenha,do Mello do Edu e do site do Ayres, achei dois vídeos cujas representações do presidente indígena são polarizadas como o é a situação atual da Bolívia. Para quem tiver paciência ainda tem links pra mais vídeos de um jornalista boliviano que o Ayres publicou, e uma longa entrevista publicada no ano passado pela revista Piauí sobre o governo e sobre a pessoa de Evo linkados ao longo da postagem que acabei de abrir. abraços abraços

Gustavo Eduardo Paim Pamplona (30/04/2008 - 17:00)
Pessoal, nada sobre o assunto mas... "Standard & Poor's eleva rating do Brasil para grau de investimento" http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u397316.shtml Pois é... caros amigos. ;-) Agora que o Brasil vai crescer como "nunca antes na história deste país" (hahahhahahhahahahahhahahah) Abraços []'s

Fábio (30/04/2008 - 16:26)
Esta notícia está sendo ignorada pela grande mídia, se não fossem iniciativas como a deste blog estariamos a mercê da Globo e da Folha. Fábio Rogério fabiorccorrea@ig.com.br www.bahcaroco.blogspot.com

Isabel (30/04/2008 - 15:34)
Notícias como esta levam a gente a pensar e principalmente temer. Geraldo Opus Dei Alkimin vai no mes que vem á Colômbia, lamber as botas do Uribe. A afoita criação de uma "crise militar" dos setores mais caducos das forças armadas, insuflados pelo PSDB/DEMO, através dos seus portavozes midiáticos. A Rice e sua conversa mole sobre "flexibilização das fronteiras". E sobre a Bolívia, o Mello publica vídeo de uma advogada denunciando as remessas de dinheiro do governo americano aos golpistas e seus portavozes jornalísticos. Mello ainda diz:"Fico pensando quando teremos uma Eva Gollinger brasileira, que denuncie o esquema no Brasil e aponte jornalistas que recebem para desestabilizar o governo Lula." Não precisa ser nenhum gênio pra juntar as pecinhas. Não é só o ódio ao povão que move as direitas latinoamericanas, é traição mesmo. Estão loucos para entregar suas respectivas pátrias aos EUA. E a esquerda, cegueta , vai se diluindo por aí. O bicho vai pegar. Tentou-se de tudo, a mídia crente em seu poder de fogo prestou-se e presta-se a todos os papéis ignóbeis. Não deu certo, então a saída é a guerra.

Antonio Arles (30/04/2008 - 13:46)
É Azenha, o panorama boliviano atual realmente me preocupa. Em caso de guerra civil no País, provavelmente alguns governos de países vizinhos vão tentar interferir no conflito. Essa talvez seja a deixa esperada pelo governo dos EUA para também intervir diretamente na Região. Já vimos um "protótipo" disso no embate entre Equador e Colômbia. A instabilidade regional é de interesse dos EUA - diante da clara mudança do panorama político observado na Região - e se constitui numa ameaça à "independência" dos países da Região. Precisamos ficar atentos a este processo, pois já foi adotado em outras regiões do mundo, como bem lembrado por você. Cabe também ressaltar, seguindo a dica da Conceição, que o Mello colocou em seu blog um novo vídeo, onde são apresentados documentos que supostamente provam a ligação de agências estadunidenses com os grupos separatistas na Bolívia. Forte abraço.

graciliano (30/04/2008 - 13:13)
Agradeço ao Azenha por dar a merecida atenção ao momento que vive a Bolívia. A mídia cartelizada só tratará do assunto caso o governo Evo Morales, em defesa da integridade territorial e da Constituição boliviana for obrigado a reprimir os separatistas. Segundo fontes confiáveis da Bolívia, há planos da "inteligência norte-americana" para reconhecer um novo governo do que seria o Estado Camba, um enclave sediado em Santa Cruz de la Sierra, após o referendum de domingo, 4 de maio. Para disfarçar a manobra, antes o "novo Estado" seria reconhecido por países alinhados, como Israel, Colômbia, Grã-Bretanha e alguns ex-socialistas da Europa. Em seguida os EUA o fariam e ofereceriam apoio militar contra "agressões" da Bolívia constitucional. O perigo é iminente e o governo brasileiro deveria falar de público (já o fez na OEA e por canais diplomáticos, estou certo) que jamais reconhecerá um Estado surgido deste golpe separatista. Os fatos acontecem na nossa fronteira e devem preocupar todos os democratas da América Latina.

Conceição Oliveira (30/04/2008 - 12:55)
Mello publicou em seu site um documentário contundente sobre a questão, vale a pena assistir.



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