Atualizado em 20 de abril de 2008 às 21:29 | Publicado em 20 de abril de 2008 às 20:40
SÃO PAULO - "Cometemos a ousadia de conquistar o governo da República do Paraguai", disse o presidente-eleito Fernando Lugo há alguns instantes em Assunção. Segundo ele, "mudança" foi a palavra mágica da campanha da Aliança Patriótica, lançada oficialmente em 27 de agosto de 2007.
Nas ruas de Assunção, milhares de pessoas celebram a derrota do Partido Colorado, que governa o país há 61 anos.
Fernando Lugo disse que o domingo foi uma "data histórica" para o país. Faz alguns meses "ninguém sonhava que isso poderia acontecer", afirmou o ex-bispo. Afirmou que a vitória foi resultado de "um grupo de sonhadores políticos."
"Estamos convencidos de que este país tem o direito de melhores horizontes", afirmou. Disse também que pretende acabar com o clientelismo político, marca registrada do Partido Colorado.
Referindo-se ao vice Federico Franco, disse: "Esta dupla presidencial, quando se ratificar oficialmente os resultados, estará aberta com a mente, os braços e o coração para encontrar todos os representantes internacionais, em busca de uma verdadeira integração regional e mundial".
Segundo ele, o Paraguai esteve hoje "nos olhos, no coração e na mente" de muita gente de fora do país.
"Quero pedir ao bom Deus que abençoe a todos os paraguaios", afirmou Lugo, fazendo referência especial aos que estão "na Espanha, na Argentina ou no Brasil".
A vitória de Fernando Lugo foi muito mais ampla do que previam até mesmo as pesquisas de boca-de-urna, divulgadas assim que a votação terminou. Com 76% das seções eleitorais apuradas, ele tem vantagem de 9% sobre a candidata oficialista, Blanca Ovelar. Lugo tem 40% dos votos, contra 31% de Blanca Ovelar. A vantagem do ex-bispo é de cerca de 140 mil votos.
Com base nos números das pesquisas de boca-de-urna, a previsão era de que o Partido Colorado teria as maiores bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado, além da maioria dos 17 governos de departamentos.
O Paraguay não é mais pobre que a Bolívia porque o Brasil construiu Itaipu, gerando durante sua construção o m aior ciclo de desenvolvimento daque país. Após a entrada em operação, gerou royalties e a compra, tão compulsória quanto a venda exclusiva para o Brasil, deixando muitas vezes nossas hidro-elétricas vertendo água sem produzir para cumprir o Tratado. Há alguns anos Eduardo Galeano (Jornalista e escritor uruguaio), León Pomar (argentino) e Julio Sanguinetti (brasileiro) escreveram sobre a guerra inverdades que foram totalmente corrigidas através de farta documentação pelo historiador (15 anos de pesquisa em diversos países) Francisco Doratiotto que escreveu um livro chamado Maldita Guerra, cuja leitura é recomendável para aqueles que se sentem em dívida após 150 anos.