Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha

Palanque

Deixe aqui sugestões de pauta, de leitura e desabafos

Escreva!

   
 
Home Receba as últimas notícias via RSS
Opinião Utilidades

EU NÃO ACEITO SER CO-AUTOR DE GENOCÍDIO

Atualizado em 26 de agosto de 2008 às 15:36 | Publicado em 25 de agosto de 2008 às 15:52

Denver, Colorado -- Estou no Colorado para a Convenção que indicará Barack Obama oficialmente candidato do Partido Democrata à Casa Branca. Porém, antes de entrar neste assunto pretendo falar de outro, que julgo mais importante: a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira, em que os juízes decidirão se consideram ou não inconstitucional a demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima.

Quando fui convidado pela TV Cultura para fazer um documentário a respeito não conhecia quase nada sobre o assunto. Passei dez dias entre Boa Vista, a reserva e Brasília entrevistando dezenas de pessoas a respeito. Li muito. Discuti o assunto com especialistas. O material que coletei foi entregue a uma equipe da TV paulista, que fez um belíssimo trabalho de edição. O documentário já foi ao ar duas vezes. Acredito que oferece um panorama a respeito da polêmica, em que vários pontos-de-vista foram contemplados. Falaram tanto o líder dos arrozeiros, Paulo César Quartiero, quando os representantes dos indígenas.

É um assunto complexo, que merece reflexão. Numa entrevista que dei ao Jornal da Cultura eu mesmo disse que não se deve tratar deste assunto com o coração -- ou o figado, como preferirem -- mas com a cabeça.

Porém, não é o que tenho visto desde que estive em Roraima. Infelizmente tenho testemunhado algo que me surpreende: o racismo, o preconceito e o desprezo de muitos brasileiros pelos indígenas. Os próprios indígenas costumam dizer que isso se deve à desinformação. É o que ouvi, por exemplo,  da advogada que os representa no STF, Joênia Wapixana, a primeira indígena que se formou em Direito no país.

Talvez seja, de fato, desinformação. Mas, sinceramente, acredito que é algo mais perverso: é racismo. É intolerância. É desprezo pelo diferente, por algo que no inconsciente coletivo do brasileiro representa "atraso", um alvo conveniente contra o qual dirigimos nosso ressentimento pelos fracassos do Brasil de brancos, negros e europeus.

São freqüentes, neste e em outros endereços da internet, as referências ao tratamento que os Estados Unidos deram aos indígenas, como se o genocídio cometido em outros lugares fosse justificativa para o genocídio no Brasil. "Se os americanos fizeram, nós também podemos fazer", argumentam. É vergonhoso, para dizer o mínimo. Quando se trata dos indígenas, queremos ser tão criminosos quanto os americanos? É isso? Ou nós seremos melhores do que eles?

A ignorância é, de fato, a maior inimiga dos indígenas brasileiros. Os brasileiros brancos ignoram a riqueza étnica do País, ignoram as condições em que vivem os indígenas, ignoram as leis que amparam as demarcações. E os ignorantes são muito mais suscetíveis às campanhas de desinformação movidas contra os indígenas, que tiram proveito do preconceito existente na sociedade brasileira. "Índio não dá audiência", costumava dizer a diretora de um programa da TV Globo quando eu trabalhava na emissora, supostamente apoiada em pesquisas de opinião. "Índio é bêbado e vagabundo", costumava dizer um parente meu, testemunha de conflitos fundiários no interior do País. As manifestações de racismo explícito envolvendo violência se cristalizaram no caso do índio Galdino Pataxó, aquele que foi queimado por jovens brancos de classe média alta em Brasília.

A violência institucional contra os indígenas não é uma novidade no Brasil. Foi política de estado o confinamento dos indígenas em territórios exíguos, verdadeiros campos de concentração em que se misturaram povos de diversas etnias, inclusive de famílias inimigas. Uma visita às aldeias da região de Dourados, no Mato Grosso do Sul, dará ao leitor uma idéia do que estou falando.

Lá, milhares de indígenas foram concentrados em pequenos territórios, sem assistência médica, educação ou apoio para cultivar a terra. Aos jovens resta mendigar nas ruas das cidades próximas ou trabalhar como bóias frias. Os homens deixam as reservas em busca de trabalho temporário nas lavouras. As mulheres ficam sós para cuidar dos filhos. E o Brasil só se dá conta dessa situação calamitosa quando bebês começam a morrer ou jovens, sem perspectiva, cometem suicídio.

A Constituição de 1988 reconheceu o direito dos indígenas à terra e obriga o Estado brasileiro a garantir a eles o espaço necessário para a sobrevivência. É óbvio que a população indígena cresce e que as demarcações precisam levar em conta isso. Justamente para evitar que situações como a verificada em Mato Grosso do Sul se repitam.

Não estamos tratando de um favor, mas do cumprimento da lei.

O estereótipo de que os índios são "bonzinhos", ou "selvagens" ou "inocentes" ou "manipuláveis" é só isso: um estereótipo.

Perguntem à advogada Joênia Wapixana e ela diz: "Não é pelo fato de que um índio fala português ou usa um laptop que ele deve abrir mão dos seus direitos constitucionais".

Estes são direitos coletivos ao usufruto da terra.

Terra indígena, como já escrevi aqui, é terra da União, ou seja, do Brasil, de toda a sociedade brasileira. Ao reconhecer o direito de uso da terra o Brasil não está abrindo mão de sua soberania ou "entregando" terra. Está reconhecendo a sua obrigação de preservar as diferentes etnias e de conceder aos indígenas o usufruto de território essencial para sua preservação.

Pessoalmente, entre conceder o usufruto da terra aos indígenas ou aos arrozeiros eu, Azenha, prefiro conceder aos indígenas. Sei que eles vão preservar a terra muito melhor do que agricultores, cujo principal objetivo é o lucro pessoal. Eu prefiro sustentar 500 indígenas do que uma família de classe média alta branca que se apropriou de terras públicas, tem outras propriedades e pode muito bem produzir fora de áreas demarcadas.

É disso que o STF vai tratar: de uma disputa POR TERRA entre alguns fazendeiros brancos e milhares de indígenas.

De uma disputa que já causou muitas mortes. Sabe quantas? Vinte e uma, na contabilidade dos indígenas. Nenhum homem branco. Todos os 21 mortos são indígenas. Todos morreram em conflito fundiário desde que a FUNAI começou o trabalho de reconhecimento da Raposa/Serra do Sol. Quantas vezes a mídia corporativa brasileira deu espaço para as teorias conspiratórias da extrema-direita, que em nome de beneficiar o agronegócio e as mineradoras tenta transformar os indígenas em uma ameaça à soberania?

Essa ameaça inexiste. Todas as terras indígenas pertencem à União e a presença de autoridades brasileiras nelas é garantida por decreto. A fantasia dos "vazios demográficos" não é mais que isso: uma fantasia de militares de extrema-direita que, com o fim da guerra fria, procuram "inimigos" que justifiquem a Doutrina de Segurança Nacional, uma doutrina que eles aprenderam com os americanos e que exige a existência de "inimigos internos".

É irônico que os "inimigos internos" de hoje sejam os indígenas, agora supostamente aliados dos americanos e europeus.

Não é nada irônico que gente que se diz "de esquerda" ou "progressista" se junte à extrema-direita para fazer dos indígenas "inimigos".

Por não terem voz na mídia, nem na academia, nem nos partidos, nem no Congresso, os indígenas são um inimigo conveniente.

São a garantia de que nós, brasileiros brancos, que nos sentimos tão pequenos ou derrotados diante de americanos, suecos, franceses e argentinos, podemos finalmente dizer que "ganhamos uma".

"Ganhar uma" sobre os direitos dos indígenas, em minha opinião, é genocídio. Não a limpeza étnica clássica, evidente, de grandes proporções.

A limpeza étnica malandra, nas sombras, a conta-gotas, justificada pomposamente por tribunais, jornalistas, partidos e políticos com citações jurídicas e a "produção" de fatos consumados a posteriori para forçar a "desdemarcação".

Os brasileiros brancos querem, aos poucos, matar os indígenas?

Não contem comigo. Não aceito ser co-autor de genocídio.

PS: Por um erro meu, esse texto foi publicado de forma incompleta. Os primeiros comentários foram feitos com base numa versão menor, mas o sentido do texto permanece o mesmo. Peço desculpa ao leitores e comentaristas.


Indique esta Matéria
ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Liana Utinguassú (09/11/2008 - 13:14)
Prezado Azenha, leitores
Por premissa básica nesta vida, trago em meu espírito ,coração, Alma, a consciencia de quem Fui e sou e os Valores deste legado Ancestral.Pois bem,dada a complexidade e tudo que li, tudo que escuto, vejo em relaçãos aos Povos desta Terra, parentes Indígenas,primeiro peço que façamos uma breve e profunda parada para reflexão:" Temos realmente Consciência de quem Fomos?"Não é necessário pressa.cada um leva o tempo que for preciso para ENTENDER,ASSIMILAR,E EFETIVAMENTE RESPEITAR. Mas,temos todo tempo do Mundo? Não, claro que não!A TERRA TEM?
Os Povos Indígenas apenas mostraram ao longo DOS TEMPOS que sempre mantiveram oRESPEITO,cuidado,à TERRA.A carta do Chefe Seatle é uma das PROFECIAS que mais fazem sentido !Façamos uma releitura.
Observemos o modo como os Povos se mantém até hoje,a persistência, FORÇA de Povos que não tem um segundo de tranquilidade, estão sob ETERNA pressão, opressão, SENDO AMEAÇADOS EM SUA VIDA, Mulheres, Filhos, Parentes, Todas suas famílias.SÃO CAÇADOS constantemente! Sim,cercados e caçados.
São Guerreiros e Guerreiras a defenderem sua morada SAGRADA(Será que entendemos isto)? Quando nos referimos a Selvagens!?Por tudo que é mais sagrado! QUEM SÃO OS SELVAGENS? Muitos podem dizer: "Eu não"! Sou "civilizado", os selvagens são estes "Indios" , Nós somos SERES HUMANOS! Alguns enchem a boca para dizer com Orgulho de assim "SER". Será mesmo que um DIA existiu o SER HUMANO?Utinguassú Liana/

Júlio César Almeida de Oliveira (06/09/2008 - 14:19)
Sr Azenha, dos EUA o senhor acha que tem uma boa visão do problema? O senhor já visitou uma reserva indígena? Pois se os próprios brasileiros índios querem usufruir de bens materiais e das benesses de nossa civilização sem perder sua cultura e tradições, porque trancafiá-los em territórios exclusivos? Para nós, civilizados, vê-los em zoológicos humanos? Acho que mesmo lendo sobre o assunto o senhor não entendeu bem o espírito da questão. O problema não é demarcar terras ou não demarcar. Elas já existem e sempre existirão. O problema é se a demarcação deve ser em áreas de fronteira e se elas devem ser contínuas e em forma de bolsões que em última análise desenvolveria substancialmente a região. Levando para o local comércio, médicos e progresso de nossa civilização. Procure estudar melhor o assunto. Não estamos falando de índios brasileiros, mas de brasileiros índios. Não possuímos dívidas históricas com índios. Isto seria o mesmo que tentar impedir que Colombo chegasse as Américas. Temos é que organizar meios de preservar a vasta cultura indígena e, ao mesmo tempo desenvolver a região deles com as benesses de nossa sociedade, como até mesmo a advogada indígena propõe. Não deixemos que escusos interesses internacionais que falam de sua própria culpa nos contaminem. Nós preservamos nossos índios até hoje como em nenhum outro lugar no mundo. Devemos nos orgulhar.

comunidadeeditoria.blogspot.com (04/09/2008 - 07:57)
Gostaria de parabenizar seu artigo, que consegue demonstrar com clareza a atual situação das comunidades indígenas no Brasil e no mundo.

Paulo Rameh (31/08/2008 - 14:49)
Me perdoem todos os leitores e principalmente o ilustre jornalista, mas o que os índios querem? Tem uma parte do seu texto que diz o seguinte: os americanos colocaram os índios deles em áreas minúsculas, sem assistência médica, nem tecnologia, etc. Eu acho que uma coisa ou outra: se eles querem milhares de hectares de terra, que seja pra viver como indígenas, incultos, em suas tabas. Se querem viver com assistência médica, tecnologia, etc, que se integrem à sociedade brasileira como cidadãos, mantendo o que for possível de sua cultura. Não entendo como podem querer além de um território imenso, ao mesmo tempo as benesses da civilização. Ou uma coisa ou outra companheiros. Outra coisa: Roraima é de todo o povo brasileiro, assim como Rio, São Paulo e os pampas gaúchos. Tenham cuidado com o romantismo e os discursos falaciosos. Abração.

Leonidas Arapaho (30/08/2008 - 15:48)
Também não concordo com genocídio.

Azanha, penso que todos estão abordando superficialmente a questão, desconsiderando as implicações que a demarcação em área contínua e de fronteira poderá trazer. A respeito disso, remeto-os ao artigo do Ruy Fabiano "Índios são ou não brasileiros?" de 29/08/2008.

Gostaria que você comentasse o assunto levando em conta a "Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas" da ONU, que não foi assinada pelos EUA, Canadá, Nova Zelândia, Austrália, etc (eles não são bobos).

Outra coisa que ninguém comenta: Se é para repararmos todo o mal que nós "brancos" fizemos aos indígenas nestes últimos séculos, POR QUE NÃO TRABALHARMOS PARA QUE OS INDÍGENAS RETOMEM SUAS ANTIGAS CRENÇAS RELIGIOSAS, SEUS DEUSES (TUPÃ,ETC)???
Não podemos ser hipócritas, não podemos desejar o bem pela metade. Devemos reparar os indígenas em tudo que eles tinham? Então, o que devemos fazer?? Fora religiões importadas? Fora com o cristianismo, com o espiritismo, com o budismo? Fora com os padres, com os pastores que mudaram suas crenças religiosas e que lá ainda permanecem????

Finalmente a frase do chefe Pontiac (América do Norte, séc. XVIII ou XIX): "ELES VIERAM COM UMA BÍBLIA E SUA RELIGIÃO - ROUBARAM NOSSA TERRA, ESMAGARAM NOSSO ESPÍRITO ... E AGORA DOS DIZEM QUE DEVEMOS SER AGRADECIDOS AO 'SENHOR' POR SERMOS SALVOS"

marcos nestal (29/08/2008 - 10:27)
Parabenizo pelo excelente artigo, é de jornalistas como você que o país precisa. Parabéns

Garcia (29/08/2008 - 08:19)
Quando era garoto e o freqüentava o antigo primário (e a educação era boa), tínhamos orgulho não de ser branco ou negro, mas de ter alguma descendência indígena. Os professores (as) que tive, em sua maioria falavam do índio com respeito e até orgulho, aí veio o golpe de 64 e aquilo que já estava ruim para o povo indígena, piorou. Nos dias de hoje noto que o índio tem sobrenome , Silva, Santos, Gomes.... e não sobrenome indígena. Uma amiga descendente de índio paraense disse, isto é para destruir nossa cultura e nosso orgulho. Temos e devemos respeitar os povos indígenas, não são bêbados, vagabundos e nem ladrões e se alguns assim tornaram foi por nossa incompetência.Também não aceito ser co-autor de genocidio.

Patrick (27/08/2008 - 23:35)
Se os colegas baixarem o voto do ministro Carlos Britto (http://www.conjur.com.br/pdf/Voto_Britto_Pet3388.pdf) e o lerem por inteiro, verão que no polo ativo da ação (colaborando na tentativa de desfazer a demarcação da reserva indígena) está o pecuarista Lawrence Manly Harte. Se fosse Lawrence Costa da Silva, eu até poderia entender que seus pais foram meramente tão criativos quanto os meus. Porém, com seus sobrenomes de origem anglo-saxônica, eu fico aqui pensando: que pátria é essa que a turma do hospício defende com tanto empenho?

Ricardo (27/08/2008 - 22:47)
Excelente artigo, Azenha! Já é hora das pessoas decentes porem a mão na consciência e olharem com olhos críticos o bombardeio (des)informativo que a pior canalha senhorial deste país anda nos impingindo diariamente. O documentário da TV Cultura foi uma raríssima excessão ao show de mediocridade tendenciosa comandado pela Bandeirantes. Aproveito para deixar aos leitores a sugestão de um artigo meu que o Le Monde Diplomatique mandou ao ar recentemente. Chama-se "De costas para Rondon" e está disponível no site: http://diplo.uol.com.br/2008-08,a2488

Leo (27/08/2008 - 21:32)
Engraçado isso. Querer justificar, como muitos fazem, o genocídio pelo que há embaixo da tera deles. No fundo é o que justifica a morte de milhares de pesosas no Iraque. A infelicidade daqueles terem petróleo sob os pés. Então é isso, que toda cultura diferente e que toda a pessoa que for um obstáculo a um acúmulo econômico sejam extrerminados. No fundo é isso que se diz.
E é contra isso, também, que os zapatistas se rebelaram no méxico há 14 anos atrás. Um movimento indígena que disse Já Basta!. Precisamos de um Já Basta no Brasil. Um Já Basta dos que não têm rosto e são esquecidos. Um Já Basta aos que querem que as prórpias vítimas deixem as estradas dos seus algozes abertas.
É a mesma luta que começou 500 anos atrás, e que ainda não acabou...

Renato (27/08/2008 - 19:53)
Errado, na terra desses canalhas indígenas ninguém entra sem autorização deles, existe uma estrada federal onde à partir das 18 horas ninguém circula por ordem desses canalhas. Tá Certo os Bandeirantes e os EUA. MORTE À ESSA GENTE.

vou deixar o meu e-mail: fghmack@ig.com.br

Admar Junior (27/08/2008 - 19:18)
Boa noite.

Minha grande tristeza é constatar: QUEM GANHA E QUEM PERDE!
Quem é mais importante: 1 paulista, 1 carioca, 1 gaucho, 1 paraense, 1 pernambucano, 1 baiano, 1 indio ou a SOBERANIA DO NOSSO PAIS?
Parece que fomos e continuamos sendo "ingenuos romanticos". O mundo se preocupa com nossos indios, as ONGs se preocupam com nossos indios, a ONU se preocupa com nossos indios? Bobagem, tem riquezas naturais ali para eles gringos mais importantes que indios.
Agora fazendeiro grileiro tem que ir pra cadeia, se apropriou de terras da UNIÃO, cadeia neles, não importa se branco, negro, nortista, sulista, apropriar-se do que não é seu é ROUBO e deve ser tratado conforme a Lei.
Agora dê ao indio o que ele precisa e pode administrar, isto é justo! Senão virá um bicho gringo, melhor já existe lá por aquelas regiões gringo orientando indio como ser politico e defender a terra para (eles gringos),
Um abraço a todos.

marcelo - curitiba (27/08/2008 - 18:12)
Nesta tarde, ao ouvir os votos dos Ministros do STF,escutoo Direito pedir vista dos autos. Me ocorreu o óbvio, que ía fazer leilão.Ver quanto vale sua decisão.Triste perceber que eu tenha pensado uma coisa dessas. Triste a gente ter tão pouca credibilidade em nosso maior tribunal.
Me deu um certo desalento, saber que qualquer que seja a decisão, certamente os índios já saíram perdendo. E se ganharem, duvido que vão levar. Essa "meia dúzia" de gente inescrupulosa que está por trás de toda essa celeuma não me faz crer que os deixarão em paz. Pena que essas pessoas também sejam brasileiras... Me envergonho de chamar gente assim de compatriota.

Afonso de Oliveira (27/08/2008 - 14:45)
Um painel perfeito que nos possibilita pensar e refletir sobre um assunto preteritamente resolvido e que agora, graças às famosas e conhecidíssimas inversões de valores, através de personagens midiáticos indecentes, adquire proporções indevidas, inclusive pelo absurdo terrorismo psicológico imposto quanto ao pretenso perigo à soberania nacional.
Mais uma cretinice que toma forma e se agiganta, através de informações inverídicas, descontextualizadas muitas vezes, vergonhosamente manipuladas e altamente reacionárias, as quais conseguem terreno fértil em certas cabeças propensas ao não pensar, ao não se interessar em saber ao fundo, enfim ao se deixar levar por publicações pueris, interesseiras e interessadas, tão somente, nos possíveis benefícios econômicos de alguns espertalhões, como sempre.
Os mesmos que se utilizam daquela argumentação tão primária de que os indígenas não são "gente", que são bêbados, indolentes, improdutivos e imbecis, logo sem direito a nada, apenas à miséria e ao confinamento - imbecilidades, cá entre nós, que estão, sim, nas mentes desses infelizes abutres!
Não nos esqueçamos das perfeitas e legítimas cidadanias indígenas, enquanto brasileiros que são tanto quanto nós, cidadãos bem nascidos e devida e magnificamente " bem educados". Educação essa que nos leva, sem dúvida, a situações de desconhecimento total da história desses povos e, porconseguinte, a decorrentes insensibilidades sociais.

----------------------continua-----------------------

Afonso de Oliveira (27/08/2008 - 14:44)
Entendamos que tais reservas são demarcações soberanas aos povos indígenas e que as mesmas estão em mãos devidas, independentemente da ganância demonstrada em seu solo e em suas riquezas naturais por parte de agronegócios e/ou minerações, ambos muitas vezes, ou melhor, na maioria das vezes ecologicamente temerários.
Não deixemos que uma área virgem e nativa se transforme apenas ou em plantações de arroz, ou em pastos para quadrúpedes, ou, pasmem, em posses irregulares da terra com vista à futuras valorizações impróprias e indevidas das mesmas, ou seja, em práticas puramente especulativas.
Sem essa de que ali poderão ser erguidas comunidades trabalhadoras economicamente ativas e prósperas!
Sem essa de que tais terras poderão ser sinônimo de progresso ou de sei lá o quê!
Que optemos, isso sim, por políticas adequadas à biodiversidade própria e local.
Que optemos pela preservação sustentável e inteligente e não pela monocultura ou pastoreio burros e atrasados. Nem pela possível transformação de tal sítio em área de simples e danoso extrativismo com prospecção dos minérios ou seja lá o que mais esteja em seu subsolo. Não a um novo Eldorado do Carajás, de tão triste memória!
Que hoje, torço, o STF tenha bom senso, coisa que tem lhe faltado há muito, e vote adequadamente pela manutenção territorial integral da já demarcada Reserva Raposa Serra do Sol.

Fátima-Bahia (27/08/2008 - 11:48)
Ô Azenha,também acho que esta questão é complexa e não consigo saber ao certo o que é melhor.Também.não sou eu ou você quem tem que saber,mas sim as pessoas envolvidas na região e que vivem aquela realidade.O problema é que lidamos com um sistema desonesto,instituições e pessoas corrompidas e a carência de informações honestas.Concordo quando você aponta o dedo em uma das questões centrais:racismo e genocídio(físico e cultural),mas o que está por trás de tudo é a ganância,é o lucro imediato,é o estupro institucionalizado da nossa terra,das nossas raízes,dos nossos direitos como cidadãos.Disso nós temos que saber e fazer algo a respeito,mas volto à questão de sempre:COMO?Comentamos aqui esta questão da Reserva há meses,hoje ela está sendo julgada e o futuro desses índios sendo decidido,mas de que vale nossos comentários e indignação?Teremos alguma influência nessa decisão do STF,os juízes sabem o que pensamos,o que achamos certo?A maioria da população nem tem idéia do que ocorre hoje,"ELES" DECIDEM e nós,o que podemos fazer além de se indignar e comentar?Você(o Edu e outros mais)tem feito muito neste espaço,com o documentário na TV,mas mesmo assim ainda é pouco para fazermos a diferença,para termos de verdade o poder de contribuir em decisões tão caras para nós!
um grande abraço,com um pontinha de esperança que Tupã ainda tenha poder e possa guiar mentes e corações no STF!

Gerson Pompeu (27/08/2008 - 11:04)
Né brinquedo não!
Tem gente por aqui que parece achar que deveríamos cimentar todo o solo brasileiro, deixando apenas algum espaço para monoculturas em grande escala e para pasto.
Vixe Maria! Te esconjuro! Pé de pato, mangalô, trêis vêis!!!

Luiz (27/08/2008 - 11:04)
Azenha. Na Band AM hoje de manhã, eles colocaram um áudio onde havia índios orando (envangélicos) em inglês. É possível isso?

bentoxvi-o santo (27/08/2008 - 10:51)
AZENHA.COMO SEMPRE O MAIOR INIMIGO É NOSSO PROPRIO POVO...NOSSOS IRMÃOS INDIOS...SÃO A BOLA DA VEZ...AS MILHARES DE ONGS INTERNACIONAIS NÃO...A QUARTA FROTA NÃO...A VELHA TROPA DE OCUPAÇÃO...ANDA PREOCUPADA...FAZEM ATÉ REUNIÕES...

Cristiano Torres (27/08/2008 - 10:43)
Estou de saco cheio de viver num país onde índio, preto e pobre são tratados como bandidos ou cidadãos de segunda classe. Esperemos que esses ministros não sejam loucos completos e confirmem a demarcação contínua. É a única coisa justa.

Marcos G. P. (27/08/2008 - 09:29)
Eu também não quero ser co-autor de genocídio, em nenhuma de suas formas,seja dizimando índio, seja ( sutilmente) legalizando o aborto , seja a manipulação de células embrionárias ( como justificativa de um pretenço progresso da sociedade). Agora a dita sociedade "progressista" argumenta que a cultura indígena é um atraso, arcaica e que não cabe nos padrões culturais "civilizados", que é preciso, senão enquadrá-los, ao menos limitar ao máximo sua existência - pra não falar em extinguila.

Marco Antônio Leite (27/08/2008 - 09:00)
Dependendo das sacas de arroz que os juízes receberão já saberemos o triste epilogo desse filme da farra da corrupção. No conceito do homem branco índio apenas é um penduricalho sem valor nenhum. Ademais, de penduricalho as cidades estão cheias, ou seja, desempregados, sem-terra, sem-casa, morador de rua, crianças nos elegantes faróis ou semáforos nas bacanas esquinas burguesas da vida. Usando e abusando de seu bom coração, o homem branco quer despachar o índio para aquele lugar...?

Marcio Leandro (27/08/2008 - 07:29)
Acabei de ler no UOL:

"Análise: "A questão é: como fazer valer a decisão do STF?"
Da Redação
Em São Paulo
O STF (Supremo Tribunal Federal) inicia nesta quarta-feira o julgamento de uma série de ações que questionam a demarcação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, no Estado de Roraima, na divisa com a Venezuela e a Guiana. A reserva foi homologada por decreto do presidente Lula, em 2005, de forma contínua. Produtores de arroz, que plantam na região, e o governo de Roraima querem que a demarcação não seja contínua, já que os índios não ocupam toda a área."

1) Dá para ver claramente o direcionamento que tomam ao dizer "A reserva foi homologada por decreto do presidente Lula, em 2005, de forma contínua."...e esquecer que a área foi demarcada no governo FHC. Uma tentativa de jogar o conflito que pode surgir no colo do atual governo.

2) "Produtores de arroz, que plantam na região, e o governo de Roraima querem que a demarcação não seja contínua, já que os índios não ocupam toda a área." Notem o último trecho!!!!!!

Marcio Leandro (27/08/2008 - 07:08)
Vi seu documentário e li esse seu texto e me senti emocionado com os seus argumentos, também não quero ser cúmplice desse genocídio. As pessoas bem intencionadas e quem tem conhecimento da história da posse da terra no Brasil não podem defender esses produtores que se apropriaram indevidamente de terras devolutas e/ou expulsaram e mataram os habitantes originais, posseiros ou indígenas.
Lembrei dos antigos bang bangs das sessões da tarde da vida onde os índios estadunidenses eram os vilões das histórias sempre!!! Aqui no Brasil não temos filmes de bang bang, temos isso na realidade.
O meu grande temor é o fato do STF ser um tribunal para os brancos e ricos, como tem provado recentemente.

Jorge Verissimo Pereira (27/08/2008 - 06:08)
Azenha, e o massacre sera dos 2 lados da fronteira. Veja esta materia do Independent falando sobre a relacao do Alan Garcia, com os indios. Ele quer mandar tropas para la. para que? Pq os indios estao protestando contra mudanca de le que tornara mais facil a invasao de terras por mineradoras, petroliferas e qualquer um que queira sugar a riqueza da amazonia peruana a troco de nada.
materia completa em http://www.independent.co.uk/news/world/americas/perus-army-on-standby-as-jungle-unrest-grows-904128.html

LIMPEZA ÉTNICA EM SALVADOR É TODO DIA (27/08/2008 - 05:22)
Um ato ecumênico e o abraço simbólico da Praça da Piedade marcaram, nesta terça-feira, 26, à tarde, o encerramento da 4ª Caminhada do Dia Estadual de Enfrentamento aos Homicídios e à Impunidade, promovida pelo Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves de Roussan (Cedeca-Bahia). De janeiro a agosto deste ano, dos 1.230 homicídios praticados em Salvador, só nove famílias de vítimas buscaram a entidade.

Portando faixas que lembram os assassinatos de vários jovens, cerca de 500 pessoas, entre estudantes, representantes do Projeto Adolescente Aprendiz, GGB, Fundação Instituto Dom Geraldo, entre outras instituições, participaram do evento, que teve início na Praça do Campo Grande ao som dos tambores do Grupo Olodum Mirim. A data foi instituída através da Lei nº 9.520/2005, de autoria do deputado estadual Yulo Oiticica (PT), em memória da Chacina do Lobato.

Ocorrida no mesmo dia e mês, no ano de 1993, marcou a cidade quando quatro adolescentes foram assassinados a tiros na Estação de Lobato, crime praticado por um policial militar e por um agente ferroviário. Segundo o deputado, que participou da caminhada, a chacina é a história da impunidade, porque os principais acusados foram condenados, mas estão em liberdade.

Sílvio Baptista Filho, representante do Grupo pela Vida do Cedeca, explicou que este é formado por 150 pessoas que perderam seus filhos assassinados, principalmente em crime praticados por PMs. A dona-de-casa Eleni Alves do Santos é uma dessas pessoas.

Ela perdeu o filho Luciano Alves do Santos, de 16 anos, morto na Mata Escura pelo policial militar Gilson Silva da Paixão, que integrava a segurança do ex-governador Paulo Souto. O jovem foi baleado e violentamente espancado na presença de diversas pessoas, mas seu corpo só foi encontrado pela família cerca de 13 dias depois, na Estrada Velha do Aeroporto.


Altino Correia - Presidente Prudente - SP (27/08/2008 - 02:32)
E depois dizem que não existe preconceito no Brasil!
Azenha, você foi direto ao assunto e produziu um comentário excepcional. Estou de pleno acordo, porém, é preciso lembrar que o idoso, o jovem, o desempregado, os nordestinos, o analfabeto e o índio são tratados na maioria das vezes com certa restrição. Por que essa discriminação? Somos todos iguais, e a população brasileira sabe muito bem disso, desde que se tornou conhecida a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que por sinal está comemorando 60 anos. Parabéns companheiro Azenha, e vá em frente, com a minha solidariedade.

francisco.latorre (27/08/2008 - 01:03)
no azenha:
http://www.viomundo.com.br/opiniao/eu-nao-aceito-ser-coautor-de-genocidio/

É um tiro no pé.
o brasil de mendes-mídia que não é o brasil do eleito lula,
fortalece a visão de um brasil despreparado.
pra amazônia e pra democracia.
eu não aceito ser coautor de genocídio.
vergonha.
-vamos saber quem é quem ou o que nesse tribunal. olho.

Roberto Barboza (27/08/2008 - 00:21)
A ganância dos latifundiários gaúchos, capixabas, nordestinos, paulistas ou das grandes corporações nacionais e internacionais do agronegócio não tem fronteira. A única sustentabilidade com que estão preocupados é a das contas bancárias e da manutenção dos empréstimos oficiais para a expansão de "suas" terras. A abordagem "imparcial" da nossa "GRANDE mídia", deliberadamente, defende interesses dos inescrupulosos detentores do poder político e do capital. Sem o menor constrangimento ela (a mídia) joga a população brasileira contra os últimos dos moicanos do hemisfério sul. A Rede Globo, no JN desta semana, mostrou que os índios invadiram as fazendas dos arrozeiros (ou arruaceiros tropicais?). Quem invadiu o que e de quem? O comportamento da imprensa é o que podemos classificar de medieval. Bastante oportuna e esclarecedora a matéria do jornalista Antonio Carlos Fon sobre a nossa vergonhosa história recente, relembrando o massacre impetrado pelo regime militar contra a população nativa. Na concepção medíocre dos patrões, editores da imprensa brasileira, as únicas tragédias que merecem espaço são as urbanas dos "Nardonis", dos mosquitos da dengue, das febres amarelas e dos "dossiês" aloprados. É passada a hora da sociedade e dos governos, local e federal, assumirem a "mea culpa" e garantirem o direito de existência das comunidades originais, livres das ambições sem limites dos "civilizados", já que da imprensa e dos latifundiários pouco podemos esperar. Louvável a postura e a pronta ação do Ministério da Justiça neste deplorável episódio dos pistoleiros grileiros e jagunços assassinos invasores de terras da União. Agora resta saber qual será a decisão dos juízes do STF. Não duvido que seja a de algemar os indígenas e enviar algumas lagostas e salmão fresco (sobras do Cacciola) para o arrozeiro "arruaceiro" P. C. Quartiero. Afinal, os índios já não têm o dia 19 de abril? Querem mais o que? Parabéns Azenha mas, somos todos cúmplices quando lavamos as mãos diante de qualquer genocídio, linchamento ou hábeas corpus preventivos para escroques. Não acha?

José (27/08/2008 - 00:03)
Livrar bandido da cadeia, vá, lá... Eu penso que o atual STF não deve brincar com a soberania do povo, por mais indefeso que este possa parecer. Recado de alguém que não agüenta mais ver a face da canalhice instalada nessa terra! Não podemos aceitar mais essa atitude rasteira e covarde de alguns cretinos que nunca representaram nossos direitos. É obrigação de todos os brasileiros de bem estarem preparados, e devidamente pintados!

Ary da Silva Martini (26/08/2008 - 23:52)
"Choravam como se fossem gente"! (de um bandeirante paulista, após ter comandado um massacre numa aldeia no interior de SP, onde mulheres, velhos, homens e crianças foram cortados ao meio a golpes de facão). Muitos ainda acham que índio chora como gente.

Hugo Albuquerque (26/08/2008 - 22:40)
AZENHA, clap clap clap, brilhante texto cara!

ricardo silveira (26/08/2008 - 22:11)
Caríssimo jornalista, Azenha, belíssimo texto, o melhor que já li sobre esse conflito. Como seria bom para o país se a manifestação do STF fosse ao encontro desse texto.

Guto (26/08/2008 - 21:01)
Caro Anon, respondendo a sua pergunta:enquanto o mundo for mundo!!!

Augusto José Hoffmann (26/08/2008 - 20:05)
Prezado Romanelli, com o devido respeito e consideração ao seu enunciado: Acho que para nós bastam os outros 87,5% tomados dos índios, não?

Guto (26/08/2008 - 19:55)
Vejam o que disse ,Orlando Vilas Boas, um dos maiores sertanistas do Brasil e que como pouco conhecia a realidade do problema do índio, antes de falecer deixou gravadas as suas previsões.

Numa entrevista que mais parece uma profecia, Orlando Villas Boas anteviu tudo que está acontecendo agora e foi além, deixou um alerta.

O próximo passo será a reivindicação de um território Yanomami desmembrado do Brasil e da Venezuela.

Vale conferir o que Orlando Villas Boas deixou gravado e comparar com os acontecimentos atuais. O vídeo está no youTube: http://br.youtube.com/watch?v=xs1ncyrT4hU

João Bravo (26/08/2008 - 19:34)
Esta empatado no STJ por 1X1 o pedido de HC de Cacciola.Não bastasse este lixo de justiça fazer merda aqui, ainda vão buscar corrupto em Mônaco pra soltar dias depois, nos fazendo passar mais vergonha. STF, não tem mais o respeito e credibilidade junto ao povo, acho que por mais prejudicial que seja a decisão quanto a demarcação, pode em um futuro ser questionada.Acho que a prioridade seria inquirir o senhor Gilmar Mendes, para saber como ele conseguiu ler os pedidos dos advogados do Dantas em capitulos.

Anon (26/08/2008 - 18:25)
Até quando teremos que conviver com um poder judiciário a favor dos poderosos? Que dia veremos a justiça?

Romanelli (26/08/2008 - 18:18)
pra que não se esqueça, 12,5% (doze) do BRASIL já são reservas indígenas. Haja esquecimento de minorias, não?

Philips (26/08/2008 - 18:16)
Azenha,
Veja que declaração delicada dada pelo coordenador-geral do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Dionito José de Souza, nesta terça-feira em Roraima,"O STF pode tomar decisão de qualquer forma que seja, mas aquela terra ali nós vamos continuar ocupando. Os povos indígenas não vão sair de lá, sendo [a demarcação] em área continua ou em ilhas. A gente não vai aceitar limite de arrozeiro ou alguém que queira limitar nossa terra ali."Ninguém quer viver com bandido, queremos que tirem os arrozeiros de lá", afirmou Dionito Souza. "Eu, que sou dono da terra, deveria ter matado esse cara [Paulo César Quartiero, líder dos rizicultores] a flechada, mas não fiz isso. A gente reconhece os direitos dele - quer trabalhar, trabalhe, mas não em uma terra dos outros, não seja invasor", acrescentou. Coitadinho destes índios...

Romanelli (26/08/2008 - 18:13)
Volto a dizer, acho que a coisa tem que ser olhada pensando no futuro, no todo, nem arrozeiros grileiros, nem indígenas, mas sim dentro de uma visão mais ampla. Temos que parar de tratar índio como retardado, há entre eles, os homofóbicos, os sádicos, os centrados e os tarados. Afinal, eles são herdeiros de Adão? São santo? Vou contar uma historinha. Aqui em SP existia a muito tempo os povos sambaquizeiros. NINGUÉM sabe ao certo quem eram, pois qdo Cabral chegou eles estavam dizimados. Deixaram como legado construções GIGANTESCAS feitas de ostra e mariscos, construções que tem 30mts de diâmetro e 15mts de altura, um colosso de mais de 2 mil anos. Como esses povos conseguiram? Aquelas construções não eram naturais, nem lixo, nem dilúvio, dependia de tecnologia, de conhecimento, talvez de criação, mas pra que? NINGUÉM sabe, ninguém estuda, ninguém conserva, ninguém pergunta, os TUPIS já dizimaram aquela turma. TENTO dizer que a história continua, há que olharmos pra frente, sem sectarismos nem separatismos, em última instância somos todos os ESQUECIDOS que vagamos nesta bola, Terra. E por isso e mais que reafirmo, a criação de áreas extensas como RESERVAS (já são 46% de RR) pode SIM comprometer o futuro de novos brasileiros que aqui chegarão. O MODELO de reservas NÃO garantiu SUSTENTABILIDADE, integridade nem altivez praquela gente. Sejamos coerentes, é muita terra pra POUCOS brasileiros, emos que buscar melhores soluções pra todos, pras maiorias e minorias de esquecidos

Augusto José Hoffmann (26/08/2008 - 18:03)
Uma provocação:
Aos participantes do tema "Quem se deu bem nas Olimpíadas".
A polêmica é salutar mas é interessante definir rumos. Aos que criticam(com razão é claro) a ditadura chinesa o que acham do "carinho brasileiro" dispensado às nossas minorias, especificamente, aos índios?

ANTÔNIO ALBERTO (Pe. Alberto) MENDES FERREIRA. (26/08/2008 - 18:02)
Citando Ivan Moraes aqui (26/08/2008 - 02:34)
"É disso que o STF vai tratar: de uma disputa POR TERRA entre alguns fazendeiros brancos e milhares de indígenas": nao espere nada, nadinha, alem de merda do STF. NAO ESPERE ABSOLUTAMENTE NADA DO STF. " >>

COMO QUE UM INDIVÍDUO, TÃO DESCONTROLADO EMOCIONALMENTE E TÃO INFANTIL AFETIVAMENTE, COMO DEMONSTRA ESTA FOTO, >>
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2008/08/isso-pode.html >>
PODE EXERCER A FUNÇÃO, EM ÚLTIMO GRAU, DE JULGAR AS PESSOAS ??? >>

COMO É QUE FICA, SUPERIOR TRIBUNAL FEDERAL E CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, VOCÊS NÃO DESCONFIAM NÃO ???


Geurgetown Felix de Araujo/Rio de Janeiro (26/08/2008 - 18:01)
Caro Azenha,

Já está na hora de valorizar o povo indígena. Hora de nós brasileiros valorizarmos este povo. Você acha que fomos muito diferentes do E.U.A. Não, não fomos diferentes. Nós liquidamos e dizimamos nossos indios e ainda o fazemos. Aqui como nos E.U.A é o pais de dimenões continentais e descoberto por estrangeiros "desbravadores" e aí os indios não tiveram chance. Hoje, 2008, o que mudou? Se ainda somos os mesmos, tudo vai continuar como está: haverá um genocídio. Se somos humanos no sentido mais puro da palavra há uma chance de ser diferente. Vamos começar a cobrar uma posição do nosso presidente, governadores daquela região, prefeitos e principalmente de nós mesmos. Na Bolívia e Equador principalmente já há governos sintonizados com a causa indìgena, contrariando a Grande Mídia. Assim como você, outros blogs poderiam dar mais espaço a causa indìgena, sem perder o teor de seu conteúdo.


Augusto José Hoffmann (26/08/2008 - 17:59)
Peço escusas. Comentário abaixo truncado = mal-entendido.
Por favor, onde se lê: "Penso se tratar de algo profundo..." entenda-se "mais profundo" e onde aparece indíginas é indígenas. Emboa leia-se "embora". Grato.

ANTÔNIO ALBERTO (Pe. Alberto) MENDES FERREIRA. (26/08/2008 - 17:57)
NÃO QUERO SER CÚMPLICE, TAMBÉM ESTOU FORA ! >>

COMO QUE UM INDIVÍDUO, TÃO DESCONTROLADO EMOCIONALMENTE E TÃO INFANTIL AFETIVAMENTE, COMO DEMONSTRA ESTA FOTO,>>

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2008/08/isso-pode.html >>

PODE EXERCER A FUNÇÃO, EM ÚLTIMO GRAU, DE JULGAR AS PESSOAS ??? >>

COMO É QUE FICA, SUPERIOR TRIBUNAL FEDERAL E CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, VOCÊS NÃO DESCONFIAM NÃO ???

Alexandre Carlos Aguiar (26/08/2008 - 17:25)
Por favor! Já matamos e dizimamos populações inteiras de povos habitantes destas regiões em nome da Economia. Chega, né. E se fosse ao contrário? Se eles começassem a tomar as terras dos arrozoeiros, ou mesmo invadissem as cidades e fazendas para caçar e assentar suas tribos? O que o homem dito civilizado faria?

Augusto José Hoffmann (26/08/2008 - 17:18)
Penso se tratar de algo profundo do que o simples resgate do subtraído desde 1500. Trata-se de reconhecer o simples direito dos povos indíginas à terra. No começo, era TUDO deles! Quem comprou ou de que forma obteve? É uma questão grave, emboa simples em sua essência. Revela o ranço, o primitivismo daqueles que se colocam no lugar de sábios. São quase nada. Bem menos sábios do que os próprios índios. O brasil precisa mudar e, ao que parece, estamos perdendo excelentes oportunidades. Uma pena. Da corte denominada STF, depois de Daniel Dantas, espero tudo. Absolutamente tudo. Perdemos o prumo.

Ricardo Souza (26/08/2008 - 16:42)
Azenha, gostaria de depor que, após ler tantas matérias sobre o assunto, ver o documentário em que participasse, e tudo mais, só agora, após a leitura desse texto, pude realmente compreender todas as coisas que estão por trás dessa disputa! Valeu mesmo!

Maria Carolina Marcello (26/08/2008 - 16:38)
O Brasil é sim de todos os brasileiros, mas existe a necessidade de cuidado especial com as minorias.

Justamente como falado no texto, são várias etnias indígenas na disputa por terra contra alguns arrozeiros - que podem ir para outro lugar, serão indenizados pelas terras que têm. Os índios, não. Estão fadados a esse destino de preconceito, insegurança, abandono.

Não achei o texto emotivo, pelo contrário. O que li foi um relato extremamente racional e sensato, com o qual concordo plenamente.

Eduardo Aguiar de Almeida (26/08/2008 - 15:43)
Excelente, Azenha. Parabens! Seu texto honra simultaneamente a Cidadania, a Democracia e a "cara" peculiar do povo brasileiro. O Brasil, através de seus dirigentes, políticos, militares, magistrados, etc, não pode mais continuar cometendo esses "micos", ressucitando ideologias colonialistas e facistoides de modo tão descarado e desavergonhado. Eduardo Almeida (indigenista, jornalista e agricultor. Salvador, BA. almeidaedu@uol.com.br Ex-Presidente da Funai, ex-Membro do Foro Permanente de Assuntos Indígenas da ONU)

nancy lima (26/08/2008 - 15:32)
foi com lágrimas que terminei de lêr seu texto,o documentário vi as duas vz que passou,Azenha vc é um cara lúcido.Vamos torcer pois a votação é amanhã e ainda só se fala nesta cidade dos ouros e pratas.

Romanelli (26/08/2008 - 15:23)
LAMENTO, mas acho que vc fala com o coração, e não me convenceu. O BRASIL tem que ser de TODOS os brasileiros, não só de índios, nem de arrozeiros, de brancos ou de negros. REPITO, 12,5% do território já é Reserva Indígena (MUITO mais que Portugal), 35-40% já são Parques e Reservas Federais e Estaduais. Estas políticas afetarão o FUTURO de novas gerações. POUCO me importa o que diz a constituição de 88, até parece que ela é perfeita, é o típico caso de você usar um argumento apenas qdo a face vc aproveita. Esta não é a mesma constituição que diz que todos somos iguais perante a lei? Como vc disse, as POPULAÇÕES crescem, e isso tem que ser levado em conta, os BILHÕES que ainda virão. 12,5% das terras, e mal utilizadas, muitas vezes vilipendiada, e ainda temos que ver índios mendigarem por assistência e piedade. A questão tem que ser ampla, tratada dentro de um amplo debate sobre a questão fundiária, a reforma agrária, a posse, o latinfúndio, a pequena e a micro propriedade, a SUSTENTABILIDADE. Acho que em se falar de RESERVA cria-se um privilégio contemporâneo, melhor mesmo se PARQUE Nacional, a ser preservado e "explorado" por todos

bentoxvi-o santo (26/08/2008 - 14:43)
AZENHA.A VISÃO DE PAÍS DO BRASIL...É A DO CENTRO-SUL MARAVILHA...O RESTO DO BRASIL NÃO EXISTE PARA ELES...NOSSOS INDIOS SÃO CIDADÃOS BRASILEIROS NATOS...E A NOSSA REGIÃO NORTE DO PAÍS...UMA REGIÃO EXTREMAMENTE ESTRATEGICA PARA O FUTURO DO BRASIL...OS CENTRO-SULISTAS SÓ OLHAM PARA SEUS UMBIGOS...SUA CULTURA...SEUS VALORES...

Vera Silva (26/08/2008 - 14:31)
Eu também não aceito ser cúmplice de genocídio. Porque ninguém pode cometer um crime em meu nome. Nem mesmo o STF.

Fábio S. Ribeiro (26/08/2008 - 14:04)
O golpe se arquiteta: depois do encontro dos reaças no Clube dos Militares, o tucano Nelson Jobim vem a público dizer que os lucros do pré-sal devem ser investidos nas forças armadas, e não na educação. Abre o olho, Brasil!! A direitona esta vindo com tudo!!!

Cláudio (26/08/2008 - 14:03)
Perfeito! Eu também estou fora dessa! A União (notadamente as Forças Armadas!) tem muita terra ociosa e a doutrina de Segurança Nacional da ESG do tempo da ditadura - em parceria com os EUA - é ridícula.

Dimitri (26/08/2008 - 13:56)
Azenha, vc foi direto ao ponto: racismo! A historia do Brasil eh a historia de um processo de homogeneizacao cultural (e ainda gostam de dizer que somos multiculturais pq existe muito sincretismo - mas o fato eh que o sincretismo nao sobe ao castelo das elites, a nao ser como "exotismo"). A ideia desse pessoal todo eh "assimilar" as diferencas indigenas - e fagocitar seria um termo melhor. Como disse um outro comentarista ai, nao vamos aceitar e ser coniventes com isso nao. Ta certo, tambem nao vao me usar nesse genocidio.
Agora quanto a sua reportagem vc saberia dizer como as pessoas que estao fora do Brasil ou mesmo nao tem acesso ao sinal da TV Cultura poderiam assistir ao programa? Vc nao tem alguma parte do documentario no youtube? Gostaria de assisti-lo!

flora (26/08/2008 - 13:18)
num país onde existe tantas louras, resultado natural e óbvio do cruzamento entre brancos, negros e índios, o racismo é fácil de explicar...
na verdade, a quantidade absurda de farmácias nessa terra é que explica as louras, mas deixando de brincadeira, que o assunto é triste e sério, queria realmente entender o que o STF vai fazer amanhã, se as terras já foram homologadas e são garantidas pela constituição. a simples existência da discussão já não tem que ser considerada inconstitucional?
também acho intrigante a certeza que os "brancos" brasileiros têm da sua cor. teriam que começar ignorando o sangue mouro da península ibérica para se sentir caucasiano por aqui. aliás, ouvi de um autêntico representante da elite "branca" que detesta a palavra caucasiano. bandeira maior impossível...
não sou autoridade para falar porque assisto pouco tv, mas me parece que todos os canais, sem exceção, dão muito pouco espaço aos índios, e não deveriam, porque sabendo fazer, com talento e honestidade, agrada.

Marco Antônio Leite (26/08/2008 - 13:05)
O indígena haje pela razão, já o homem branco pela ganância. Como as leis favorecem somente o homem branco, essa raça desumana entende que índio não vale a raiz que come. No entanto, por trás desse conceito esta o interesse em roubar as terras dos verdadeiros donos a fim de plantar arroz e vender a preço de ouro para os brancos e negros pobres.

Philips (26/08/2008 - 12:48)
A melhor declaração sobre este problema da demarcação de terras foi dada pelo Ministro Marco Aurélio, "se prevalecesse o princípio que rege as demarcações, a "minha querida" cidade do Rio de Janeiro - disse o Ministro (?) - teria que ser devolvida aos índios que lá viviam quando os portugueses chegaram.Aí eu pergunto, quando os índios tomarão minha casa, também?

Ps:Ah, ia me esquecendo, lembram do índio payakan que cometeu o estupro, acompanhado de tortura e tentativa de homicídio, da estudante Silvia Letícia da Luz Ferreira, de 18 anos, filha de agricultores de Redenção, cidade de 150.000 habitantes, 750 quilômetros ao sul de Belém.Está soltinho da silva, protegido pela FUNAI...

Dijora (26/08/2008 - 12:45)
Qual é o cerne da questão?
O cerne é quem está "invadindo". São pessoas originárias em sua maioria da região sul do país. Imigrantes alem~es, italianos, e outros. Que já trazem a superioridade Ariana, como fizeram no Mato Grosso.Ouça a música mais ouvida por eles em seus Centros. Começa assim "Deus é gaúcho....".Desde sempre quiseram fazer um país independente do Brasil. Alguém diga que estou equivocado. " Indios... bah tchê , vamu mata tudo que é tudo vadio...!!!" e ai?

Luiz Henrique Gomes Moraes (26/08/2008 - 12:00)
É um bom começo, já ouvi gente dizer que não considera índio, o índio que usa bermudas, celulares, laptops, etc.
Como se essas pessoas tivessem a verdade e opinião moral para alguma coisa. Eu que sou negro, ninguém reclama por que eu não me visto com o vestuário africano, se for assim não sou um negro.

Sérgio Abreu (26/08/2008 - 11:26)
É isso aí, Azenha. Vamos em frente, enfrentar essa gente má

francisco.latorre (26/08/2008 - 10:43)
sobre os iroqueses tem
"a origem da propriedade, da família e do estado"
do f. engels,
encima de outro livro de um americano que não recordo.
um espetáculo.
tem na editora escala. seis reais.

Ivan Moraes (26/08/2008 - 02:34)
"É disso que o STF vai tratar: de uma disputa POR TERRA entre alguns fazendeiros brancos e milhares de indígenas": nao espere nada, nadinha, alem de merda do STF. NAO ESPERE ABSOLUTAMENTE NADA DO STF.

Fabio Passos (26/08/2008 - 00:50)
Também tô fora! O Brasil pode tornar-se próspero sem que precise tomar a terra e assassinar os poucos indios que restam.

alvaclara (25/08/2008 - 23:41)
Azenha,
Alguém leu "Enterrem Meu Coração na Curva do Rio"? Autor: Dee Brown, vale a pena. Tem também um filme do mesmo nome, será exibido amanhã na HBO. Parece ser o mesmo tema, mas de enredo diferente. Nome Original: Bury My Heart At Wounded Knee - Elenco: Aidan Quinn, August Schellenberg, Adam Beach, J.K. Simmons, Eric Schweig, Wes Studi, Fred Dalton Thompson, Anna Paquin, Laura Bachynski - As vidas de Charles Eastman, nascido Ohiyesa, um índio sioux doutor em Física, Touro Sentado, líder Dakota, e o senador Henry Dawes se cruzam quando um movimento messiânico eleva a esperança dos Sioux, no ocaso da cultura indígena americana. O livro tem a seguintes passagens: "Onde estão hoje os Pequots? Onde estão os Narragansetts, os Moicanos, os Pokanokets e muitas outras tribos outrora poderosas de nosso povo? Desapareceram diante da avareza e da opressão do Homem Branco, como a neve diante de um sol de verão. Vamos nos deixar destruir, por nossa vez, sem luta, renunciar a nossas casas, a nossa terra dada pelo Grande Espírito, aos túmulos de nossos mortos e a tudo que nos é caro e sagrado? Sei que vão gritar comigo: Nunca! Nunca! TECUMSEH, dos Shawnees "De quem foi a voz que primeiro soou nesta terra? A voz do povo vermelho que só tinha arcos e flechas...O que foi feito em minha terra, eu não quis, nem pedi;os brancos percorrendo minha terra...Quando o homem branco vem ao meu território, deixa uma trilha de sangue atrás dele...Tenho duas montanhas neste território - as Black Hills e a montanha Big Horn. Quero que o Pai Grande não faça estradas através delas. Disse estas coisas três vezes; agora venho dizê-las pela quarta vez."
MAHPIUALUTA (Nuvem Vermelha), dos Sioux Oglalas . Aproveitem e façam uma releitura do "Ouro de Cuiabá" - Paulo Setúbal (pai do Olavo, um dos maiores acionistas do Banco Itaú)



Lucas Cardoso (25/08/2008 - 21:34)
Pequena correção: Os Iroquois foram expulsados para o oeste, não pro leste. Depois o processo de faz acordo, quebra acordo, mata gente, expulsa sobreviventes se repetiu muitas vezes, cada vez com períodos menores de paz. Os livros de história chamam isso de marcha para o oeste.

Lucas Cardoso (25/08/2008 - 21:30)
Nos EUA, houve um tempo em que eles firmaram um acordo com a nação Iroquoi. Eles permitiram que os índios vivessem nas terras em que eles haviam vivido por gerações (veja bem, os colonos estadunidense "permitiram" aos índios que eles vivessem em suas próprias terras), e em troca, os índios deveriam adotar uma sociedade "civilizada" e escrever uma constituição própria. Eles o fizeram. Não sei de detalhes, mas eles criaram uma sociedade baseada na agricultura coletiva, na solidariedade, etc. Todas essas coisas de selvagens. Dezenas de pessoas fugiam das colônias estadunidenses e iam morar na nação Iroquoi. Tiveram filhos com Iroquois. Viveram durante meses na civilização Iroquoi. Perceba que o racismo entre os colonos e índios não era de forma alguma acentuado. Uma delegação foi mandada para averiguar o estado da civilização Iroquoi. Eles mandaram um relatório falando das maravilhas que eles viram na exótica nação Iroquoi. Mas criticando fortemente, é claro, as fazendas comunitárias pois sem a propriedade privada das terras, ninguém teria incentivo para produzir, e todos passariam fome e pobreza (teoria que não condizia de forma alguma à realidade da civilização Iroquoi). Pouco tempo depois, os governadores estadunidenses quebraram unilateralmente o acordo, invadiram o território Iroquoi, mataram muita gente, e expulsaram os sobreviventes para o leste. Isso parece exemplo a ser seguido?

francisco.latorre (25/08/2008 - 19:49)
/minha sugestão é que mandemos o vídeo do raposa-serra-do-sol do azenha para CADA UM dos excelentíssimos senhores juízes.
/viram como tô educadinho?
/todos contra o genocídio.
/o lance é o seguinte: quem matou matou quem não matou NÃO MATA MAIS.

J C Tavares (25/08/2008 - 19:44)
Parabéns pelo texto. Muita gente que expressa sua opinião sobre esse polêmico assunto, o faz sem ir ao fundo da questão. É tão simples dizer sou contra ou sou a favor. Esta frase não leva mais do que uma fração de segundos. Em um dia desses, um colega de trabalho, disse-me "sou radicalmente contra a doação de terras aos índios, porque todos somos brasileiros e temos o mesmo direito" e me indagou: E você, Tavares, qual a sua opinião? Eu, lhe disse: Como posso responder a sua pergunta em poucas palavras, se são quase quinhentos anos de história indígena no Brasil e quando aqui chegamos eles já habitavam essas terras. O máximo que posso lhe responder é que NÃO ACHO UM ATO DE NOBREZA TRIPUDIAR SOBRE OS MAIS FRACOS. AFINAL, ESTAR DO LADO DO REI E DOS PODEROSOS É MUITO FÁCIL. O que precisamos é achar um denominador comum, e sempre que possível, com soluções favoráveis aos mais necessitados.Senão nada faz sentido viver neste mundo. Quando você tiver dúvidas sobre uma situação, coloque-se do outro lado. Outro dia,na minha função de servidor público,atendi a um senhor negro e no final ele me disse "Em trinta anos eu nunca fui tão bem atendido como fui agora". Ao que prontamente lhe respondi. É PORQUE SIMPLESMENTE, EU ME COLOQUEI NO SEU LUGAR E SÓ DESSA FORMA CONSEGUI SENTIR A SUA AFLIÇÃO.

ailton filho (25/08/2008 - 18:04)
É desrespeito pela vida humana. A mesma vida que não vale nada em Brasília, Nova York, no Vaticano, em Pequim... Esse é um dos principais motivos que leva a crer que logo a própria humanidade vai se colocar em posição de extinção.

Antonio Alvaro Guedes (25/08/2008 - 17:17)
É verdade Azenha, já temos um arsenal de armas químicas e estamos desenvolvendo armas biológicas e nucleares. Logo testaremos a nossa bomba. Iniciamos também uma limpeza étnica. Queremos ser como os americanos: altos, brancos e gordos. Já temos um plano para tal intento: tomar todas as terras dos índios, dos pobres e dos quilombolas. Nestas terras (nos, brasileiros brancos) plantaremos arroz, cana de açúcar e coca para exportar para os EUA. Queremos também expandir nosso território, começaremos pelas Guyanas (todas as três), depois o resto do mundo não branco Está em andamento nosso plano de conquistarmos os EUA,. Continuaremos mandando nossos soldados disfarçados de imigrantes ilegais, todos com chips implantados nos cérebros, para quando receberem nosso sinal iniciem o ataque. Estamos bem preparados para enfrentarmos a 4ª Frota. Temos também cadastrados os nomes de todos os agentes da CIA, MI5 e 6, do Mossad, da KGB e Gestapo. Viva nossa Revolução Neointegralista Bolivariana! ANAUÊ.

O Chris Almeida - BH (25/08/2008 - 16:54)
O Colorado já foi terra indígena, aliás, não há terra nos EUA que não tenha sido...

Maria Lucia (25/08/2008 - 16:49)
Os indígenas de toda a América estão tomando consciência de sua dignidade e valor, de sua história, da exploraçào, genocídio etc que sofreram as inúmeras etnias que habitavam esse grande continente americano.
Ano após ano os congressos, encontros, fóruns etc organizados pelos povos originários de toda a América vão congregando um maior número de participantes e avançando propostas de luta e maior organização.
Se lemos os textos das constituições propostas para a Bolívia e o Equador vamos encontrar uma outra realidade ao contemplar os povos indígenas, cujos representantes participaram ativamente da formulação desses textos.
Azenha,admiro e louvo o seu trabalho em prol de uma maior consciência da questão indígena entre todos os brasileiros. Acho que tb. eleva a auto-estima de nosso povo indígena e os incentiva à organização para uma luta que necessariamente deve ser conduzida por eles e apoiada por todos nós brasileiros patriotas e humanistas.

Conceição Oliveira (25/08/2008 - 16:26)
"EU NÃO ACEITO SER CO-AUTOR DE GENOCÍDIO", eu também não, Azenha.
Seu documentário em minha opinião foi a melhor abordagem que vi sobre o assunto, tem de ser referência, deveria ser visto pelos magistrados do STF, por congressistas equivocados ou oportunistas.
Tenho dedicado tempo pra discutir o assunto e para garimpar textos e materiais a respeito, divulgando nos blogs, sites e listas.
Meu trabalho como historiadora e educadora expostos nas minhas coleções para crianças e adolescentes tem compromisso em dar voz e vez aos povos indígenas e a outros grupos sociais que, de modo geral, sempre tiveram negados os direitos à memória e história. Representar indígenas como algo do passado é contraproducente, representá-los de modo idealizá-lo também (o Vermelho já fez isso quando narrou a viagem dos representantes dos Macuxi à Europa) estereotipá-los como faz a direita conservadora é outro risco. Precisamos ensinar às nossas crianças que é positivo conviver com a diversidade, que os povos indígenas, inclusive, têm diferenças entre si, mas de modo geral entre todos eles a relação com a terra garante sua sobrevivência física e cultural; que neste país as leis precisam ser respeitadas e que a demarcação em áreas contínuas é direito constitucional, finalmente precisamos ensiná-las que essa sanha desenvolvimentista destruidora não precisa ser desta forma, que podemos desenvolver respeitando a vida.



Comente este Texto
Email: viomundoteve@msn.com Receba o conteúdo do site via RSS developed by: webmasters online design by: kallore design