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Como será a revista Nova África

Atualizado em 18 de setembro de 2009 às 14:51 | Publicado em 18 de setembro de 2009 às 07:29

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A repórter Aline Midlej faz anotações ao sair de um vilarejo dos himba quase na fronteira da Namíbia com Angola, na África. Notem o braço avermelhado dela. Uma mulher himba aplicou na repórter a mistura de gordura e ocre que tinge as mulheres himba de vermelho.

por Luiz Carlos Azenha

Nos próximos dias pretendo apresentar a vocês um projeto do qual orgulhosamente faço parte. Trata-se da revista Nova África, que estréia dia 25 de setembro, 10 da noite, na TV Brasil. Uma série de 26 programas semanais em que uma equipe da Baboon Filmes viaja pela maior parte do continente.

Mas, antes, uma explicação: a Baboon Filmes disputou uma concorrência pública com várias produtoras de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília -- todas interessadas em fazer o projeto. E venceu. A Baboon pertence a dois jovens empresários de São Paulo, Henry Ajl e Markus Bruno, ambos repórteres cinematográficos. Fui convidado pela produtora para escrever o projeto editorial, o que fiz em parceria com a historiadora Conceição Oliveira. E, depois de 28 anos como repórter de televisão -- comecei em 1980, na TV Bauru, da Rede Globo -- faço minha estréia como diretor.

Na verdade integro uma equipe de feras, uma mistura de gente que tem grande experiência no ramo, como eu, e de novatos como a repórter Aline Midlej. Estou certo de que vocês vão se encantar com a Aline. É uma mulher batalhadora e dedicada, que ontem estava com o Henry em algum lugar do Congo, a caminho de um encontro com os pigmeus na região fronteiriça com Ruanda. Como a maioria dos brasileiros afrodescendentes, ela tem poucas informações sobre suas raízes na África. Nossa idéia foi colocá-la não só como repórter, mas também como personagem dessa descoberta, que é de muitos.

Para todos os envolvidos no projeto, aliás, tem sido uma descoberta. Quando eu comecei a me interessar pela África eu ainda morava nos Estados Unidos. Fui notando aos poucos que quase toda a historiografia refletia o olhar europeu sobre um continente partilhado pelas potências européias no auge do imperialismo mercantil. E que, mesmo títulos recentes, embora descartassem o racismo mais aberto, estavam impregnados de preconceito. Notei que quase não existia nada escrito em português sobre a rebelião Mau-Mau no Quênia, a matança dos herero no que hoje é a Namíbia ou os crimes do rei Leopoldo no Congo. Pela dimensão dessas tragédias, há pouco escrito sobre esses temas mesmo em inglês.

Com certeza, não é por acaso. Descobri também que quando os europeus buscaram ocupar fisicamente o território africano, em nome do "comércio, cristianismo e civilização", se esforçaram para apagar a história da África e descrevê-la como território dos "bárbaros". Os negros como símbolo de barbárie era do que os europeus precisavam para justificar a expropriação das terras, a exploração dos recursos naturais e a implantação de regimes racistas, dos quais o da África do Sul se tornou símbolo, embora vários tenham sido tão perversos quanto o dos africâners.

Entendendo episódios como a rebelião Mau Mau e outros eventos que podemos classificar grosseiramente na categoria de lutas de resistência, cresce a admiração pelas estratégias que os africanos adotaram para preservar sua cultura e tradição. Foi o que vimos, por exemplo, na ilha de Moçambique, com o povo macua. Os macua reciclaram as influencias que "desembarcaram" na costa de Moçambique mas nunca perderam a energia vital -- podemos vê-la hoje por aí, nas ruas do Rio de Janeiro e Salvador.

A África real também é surpreendente por não se encaixar na África "da diáspora". Como observou com propriedade o pintor moçambicano Naguib, numa entrevista que gravamos com ele em Maputo, os afrodescendentes muitas vezes idealizam, à distância, uma África que já não existe mais. E resistem bravamente a qualquer fato que não se encaixe nesse mundo idealizado, em que a cor de pele é definidora de quem é "herói" e quem é "vilão".

Modestamente, aos poucos, pretendemos dar conta dessa complexidade, ouvindo especialmente os protagonistas que o Jornalismo em geral relegou ao papel de "coadjuvantes exóticos": os próprios africanos.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
antonio barbosa filho (24/09/2009 - 11:54)
Infelizmente, da África só conheço o Egito, que tem características muito específicas. Sonho aprender muito mais sobre o Continente, tão plural quanto fascinante.
Esta série de programas, se puder ser acessada pela internet, prestará imenso serviço ao nosso esclarecimento sobre povos-irmãos aos quais tanto devemos e com os quais temos muito em comum, cultural, política e economicamente.

Luiz Reis (21/09/2009 - 15:46)
Uma notícia maravilhosa...
Nós, brasileiros, precisamos deixar de ter vergonha de sermos brasileiros. Nós NÃO SOMOS europeus ou norte-americanos e isso não é demérito, em minha opinião, ao contrário. Nossas raízes africanas (nós também não somos africanos) precisam ser decifradas, aceitas com orgulho, queridas...
Não vi e já gostei. Se alguém acha que não tem nada a ver... acha que seria possível um filme assim na época de FHC? Me fez lembrar do Filme "Brasileirinho" de 2005, feito por um finlandês e que vai nessa linha de se orgulhar de ser brasileiro e lutar para sê-lo.
Parabéns, Azenha e produção.

Plínio Teodoro (19/09/2009 - 17:51)
Oxalá!... Vida longa ao projeto... Parabéns!

Wemerson Santos (19/09/2009 - 16:28)
Iniciativa brilhante. Parabéns.

Edmundo Adôrno (19/09/2009 - 11:13)
Meu caro Luiz,
Desejo sucesso, começarei logo a indicar o programa. O povo daqui da Cidade da Bahia precisa tomar conhecimento de iniciativas como essa e, evidentemente, de seus conteúdos.
Dito isto, gostaria de finalizar com breve comentário sobre a Aline: que mulher bonita é essa meu irmão.
Abs.

Jorge Verissimo Pereira (19/09/2009 - 08:26)
Azenha,como quem mora no exterior podera ver esta serie? Sera colocada na integra na internet?

sergio (19/09/2009 - 07:44)
Uma ilha em Moçambique, presumo.

Marcio Carlomagno (18/09/2009 - 22:10)
Azenha, parabéns pelo projeto. Queria muito assiti-lo, pena que na minha cidade não pega a TV Brasil. Após a exibição, ele será disponibilizado em outras mídias, leia-se internet e youtube?

Leo (18/09/2009 - 20:51)
envie um lembrete na véspera ou no dia em que cada episódio for ao ar, pra gente não esquecer.

Virgilio Freire (18/09/2009 - 20:41)
Azenha,
Parabéns por esta iniciativa, vocês trarão para o Brasil uma riqueza cultural imensa e mostrarão coisas que no Brasil a maioria desconhece.
Morei e trabalhei um ano na Nigéria. Morar na África, como morar e trabalhar em qualquer outro país, é diferente de conhecer como turista.
Morei em Lagos, mas viajei por todo o país. Descobri, por exemplo, que em Lagos existe um bairro "brasileiro" que foi o centro onde se estabeleceram os libertos que vindo do Brasil voltaram para a Mama Africa. Existe um romance sobre isso, quase esquecido, "A Casa da Água" de Antonio Olinto, excelente. Aprendi que não existe um Povo Nigeriano, existem tribos - no caso da Nigéria, os Ibos, os Iorubás e os Haussas. Os Ibos ficam na região onde fica o petróleo, e tentaram a independencia na década de 60, a chamada Guerra de Biafra, perderam e morreram muitos, milhares de fome. O governo é dominado pelos Iorubás, e os Haussas ficam ao norte, perto do Saara, e é interessante porque sào de cor negra e traços árabes, lábios finos, nariz afilado. Escrevi bastante no meu blog sobre a Nigéria, inclusive colocando música nigeriana, que é fantástica.
http://virgiliofreire.blogspot.com/search?q=nig%C3%A9ria

Achei incrível descobrir que os deuses iorubás são Ogum, Oxum, Iemanjá... os deuses da Bahia.
Se quiser conversar terei o máximo prazer em dar dicas sobre a Nigéria.

Sérgio (18/09/2009 - 18:53)
Olá Azenha

Vivi em MOZ por 3 anos. Tenho muito interesse de acompanhar as notícias africanas. Estive rapidamente na Ilha de Moçambique e lá encontrei as mais belas africanas.

Quando retornei, identifiquei diversas manifestações moçambicanas na língua, nas festas e pasme, no Vale do Ribeira, uma vila inteira cultuando antepassados moçambicanos. Me informe sobre o projeto Nova Africa. Saudação

Luís Antonio , SC (18/09/2009 - 18:19)
E a Record, Azenha. Você continua? Sorte grande!!

Gerson (18/09/2009 - 17:11)
Espero que seja possivel também assistir pela internet.
http://www.tvbrasil.org.br

P.S. Sobre a África, o fotógrafo Sebastião Salgado tem um trabalho excelente, também. Tá meio sumido.

Parabéns Azenha !
Aguardo ansiosamente a estréia.

Zilda (18/09/2009 - 16:44)
Gentem uma parabólica custa menos de R$ 500,00 e dá acesso a muitos canais públicos:Educativa do PR, TV Escola, TV Câmara e Senado,Futura,. Com a vantagem de não pagar mais nada, só pela própria antena.

Para Francisco de conceição Oliveira (18/09/2009 - 15:51)
Não está, não, Francisco tem dois canais UHF, digital e analógico, é mais fácil entrar no site e no menu abaixo:
* Principal
* Notícias
* Programação
* Sintonizar
* Fórum
* Enquete
* Fale Conosco
cliquem em SINTONIZAR, tem uma explicação pra fazer em banda larga para todo o país e via tv em algumas cidades.
Quem tem net em São Paulo é canal 4.
O site da tv Brasil é:
http://www.tvbrasil.org.br/

Willian (18/09/2009 - 15:26)
Na Sky tem a TV Educativa do Paraná e a NBR, que poderia retransmitir.

francisco.latorre (18/09/2009 - 14:39)

parabéns azenha...

depois de se revelar um editor iluminado no viomundo... vai dirigir...maravilha...

___

conceição...

que eu saiba a tv brasil está fora do uhf em são paulo...

e fora do pacote básico da tevê paga...

pros amigos de outros estados...

uma antena uhf custa menos que dez reais.

viva a tv brasil.


Waguinho Maia. (18/09/2009 - 14:17)
Olá querido Azenha, moro em Campina Grande - PB aqui não chega o sinal da tv Brasil, gostaria de saber se vai ser possível assistir através da Net? sou estudante do curso de Geografia da Universidade Estadual da Paraiba e vai ser muito proveitoso para minha bagagem cultural assistir esse documentário. Abraço.

Leider Lincoln (18/09/2009 - 13:38)
Acompanharei e indicarei a todos os meus alunos.
Éspero que esta série nos ajude a mostrar as raízes brasileiras que a mídia porca e mentirosa tentou tampar e seja o reflexo de uma nova era na comunicação brasileira.
Globo, este é só a primeira porção de cal. Direito à informação verdadeira, esta é só a sua aurora!

Eduardo Oliveira (18/09/2009 - 13:33)
O grande problema desta e outras reportagens, e a recepção do sinal da TV Brasil, onde é muito prejudicada devido estar alocada na banda UHF.

Por que será que apenas TV Cultura, SBT, Globo, Record, Rede TV!, Gazeta e Band; estão em VHF! Para melhorar a qualidade da TV, o governo deverá ampliar a banda VHF e acirrar a disputa televisa entre a sociedade...

Renilton (18/09/2009 - 13:15)
Como estou em Portugal nesse momento, assisto vários programas da TVBrasil através do Portal da TVCultura do Pará (http://www.portalcultura.com.br/). Espero que o Revista Nova África seja disponibilizado por lá.

Conceição Oliveira (18/09/2009 - 13:15)
Aos que não tem acesso a cabo, lembrem-se a TV Brasil é uma tv aberta.

Acessem o site da TV Brasil para se informar, em várias cidades brasileiras, incluindo SP, é possível assistir via UHF, VHF ou parabólica, lá tem as instruções de como sintonizar.
Valerá a pena.
abraços

Renilton (18/09/2009 - 12:58)
Parabéns Azenha!!
Desvelar alguns dos traços da "Mãe África" é, certamente, um importante contributo para a compreensão de nossas raízes.

Helena Chagas (18/09/2009 - 12:27)
Linda apresentação. Parabéns!!!

João Batista (18/09/2009 - 12:16)
Azenha, o que chamou a atenção mesmo foi a beleza da repórter! Que mulher linda!

Elisabete Otero (18/09/2009 - 11:57)
Não vi mas já gostei.
Como muitos não teem acesso ao Canal Brasil, vocês já pensaram em disponobilizar em outra mídia, tipo DVD ?
Obrigada,
Elisabete

Paulo1 (18/09/2009 - 11:26)
Azenha,

Sabe-se se haverá algum programa dedicado aos seguintes países: Guiné-Bissau, Gabão ou Angola. Temos colegas dessse países ou brasileiros que moram lá e indicarei para eles o programa.

francisco (18/09/2009 - 11:14)
Prezado Azenha, na condição de leitor e admirador da importância de seu profissionalismo em nosso cenário jornalístico, deixo aqui minha singela sugestão de mais um nome para integrar sua equipe nesse traqbalho tão importante que você aqui nos apresenta. Trata-se do Antonio Risério, poeta, historiador e antropólogo de fácil acesso, e que na condição de bahiano, seja talvez um dos mais profundos conhecedores da cultura afro. Vale a pena ponderar a possibilidade.

vanda (18/09/2009 - 11:04)
A chamada já promete. Parabéns, Azenha, pelo corajoso e invejável projeto, e boa sorte. Com esse e com os próximos.

JORGE LEITE PINTO (18/09/2009 - 10:36)
Com certeza um ótimo projeto.
Por coincidência vi esta semana na Tv uma entrevista interessante com o Bob Geldorf sobre a Africa.

Menjol (18/09/2009 - 10:36)
O projeto parece encantador, mas estou muito preocupado por não ter acesso à TV Brasil. Será que vou poder assistir de alguma outra forma?

Teco de Souza (18/09/2009 - 10:06)
Azenha, parabéns a você, e a todos que participam deste projeto!
É possível, posteriormente disponibilizar este conteúdo na internet? Para atender aqueles internautas que não têm acesso a TV Brasil?

Nando Netto (18/09/2009 - 10:00)
De acordo com alguns comentários, acho que muita gente vai assistir ao programa de olho na Aline.
Deixo os meus parabéns para o dia 26.
Até lá e boa sorte nessa magnífica empreitada.

Moacir Moreira (18/09/2009 - 09:07)
É...o vento virou.

carlos anselmo-eng°-fort/ce (18/09/2009 - 09:02)
salve, azenha,

parabéns pela empreitada.
assisto regularmente a tv brasil e estou muito satisfeito com a programação. só falta, pra ser objetivo, massificar a estação. o povo saber que existe e ser, no futuro próximo, referência pras emissoras privadas.

no mais, machismos à parte, não resisti, a aline é uma morenaça, meu camarada!

abçs

Cláudia (18/09/2009 - 09:01)
Também lamento por não ter acesso ao canal. De qualquer forma deixo aqui meus parabéns pela iniciativa e duas dicas:

- a leitura de O Mundo se Despedaça, do nigeriano Chinua Achebe, ficção que mostra exatamente como se deu essa ocupação dos europeus "em nome do comércio, cristianismo e civilização"

- conversar com Maria Cristina Cortez Wissenbach, professora de História da África da FFLCH - o curso dela enfatiza a África pré-colonial e confronta a ideia difundida pelos europeus de que, por não possuir história escrita, a África seria um continente sem história. Nada mais falso, a riqueza da transmissão oral, desprezada pelo pensamento racionalista, também se constitui história.

Urbano (18/09/2009 - 09:00)
O mundo possui uma dívida muito grande com o povo africano.
Sucesso na empreitada.

Paulo1 (18/09/2009 - 08:10)
Azenha,

Boa sorte! O tema é muito interessante: a África. Pois a que conhecemos e pouco, foi a mostrada por emissoras tupiniquins (Globo) com visão colonialista. Lembram do Globo Reporter? Que poderia ser muito bem descrito como Globo animal? Só mostram a fauna na Africa. Até parece que o continente é habitado somente por animais. Esqueceram que existem seres humanos ali.

Luiz (18/09/2009 - 08:04)
Infelizmente em casa não chega a TV Brasil... de qualquer forma, tenho certeza que vai ser um programa de ótima qualidade e lhes desejo muito sucesso!!!



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