Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha
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BRASIL DEVE EXPLICAR COMO PRETENDE PRODUZIR BIOCOMBUSTÍVEIS E ALIMENTOS AO MESMO TEMPO

Atualizado em 24 de abril de 2008 às 17:29 | Publicado em 24 de abril de 2008 às 17:24

WASHINGTON -  Desde que Fidel Castro fez a previsão - correta, por sinal - de que a produção de biocombustíveis poderia afetar a produção e o preço dos alimentos o governo brasileiro está na defensiva. Volta e meia o presidente Lula joga a culpa no milho de etanol produzido nos Estados Unidos ou diz que no Brasil é diferente. Mas é tudo discurseira. Seria interessante se o Brasil mostrasse, de forma didática, como é que pode ampliar a produção de biocombustíveis e alimentos ao mesmo tempo, sem provocar a completa devastação do cerrado e da Amazônia.

Meu testemunho anedótico: é raro ver um pé de comida na estrada que liga Bauru a Botucatu, no interior de São Paulo. É cana, eucalipto, cana, eucalipto e cana. Aliás, já se vê eucalitpo crescendo às margens da Castelo Branco. Fico com a clara impressão de que essas culturas e a da soja vão avançar descontroladamente e que o governo brasileiro só vai se dar conta do estrago quando a porta do cofre estiver arrombada. Ou seja, primeiro vamos destruir tudo, poluir todos os rios, expulsar todos os pequenos agricultores do campo e depois vamos dar um jeito - como, aliás, tem sido a história do capitalismo brasileiro.

O Brasil vai, sim, se transformar na bomba de combustível do mundo. A que custo? Será que mais uma vez o dinheiro vai acabar na mão dos intermediários - a British Petroleum, por exemplo, acaba de anunciar um grande investimento no país - e nós, brasileiros, herdaremos a terra arrasada?

 


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Carlos Henrique (17/05/2008 - 00:49)
Toda a política de confrontação de nosso país nas rodadas de Doha tinha como objetivo a eliminação dos subsídios dos países desenvolvidos. Com esta eliminação, os preços subiriam e viabilizaria a produção da agricultura familiar e em países africanos que perdiam competitividade e vêm abandonando sua lavoura e engrossando as hostes de famintos e migrantes. Sem dúvida a utilização de terras para a produção de biocombustíveis teve uma pequena influência nos preços. O Aumento do petróleo, seu impacto nos fertilizantes e o crescimento do consumo chinês e indiano (o pragmatismo os estás levando à mesa), tiveram muito maior influência que os biocombustíveis. Fidel se não tivese destruído a agrigultura de seu país poderia estar ajudando a alimentar os famintos (primeiro os da ilha) no mundo, já que retórica não enche barriga.

kiko marinho (30/04/2008 - 15:24)
azenha, temos 6 milhões de hectares de cana, 21 de soja, e 200 de pastos, a maioria degradados. a média nacional de cabeças de gado por hectare é abaixo de 1, em sp está em 1,4 mas há experiências acima de 5. daí vem espaço para cana, soja e milho que o mundo precisar. vc ve na estrada só cana e eucalipto por que precisam estar perto de alguma via de escoamento da produção, pois a margem é pequena e vão para longe. já a hortinha vai geralmente pra mesma região, ocupa terras mais baratas (portanto mais longe do asfalto), e vc não vê. abraço.

Robson França (26/04/2008 - 13:36)
Deve explicações para quem, cara pálida? Washington? Recomendo o documentário "Quem matou o carro elétrico?" que trata de um projeto que estava sendo executado na Califórnia em 1996 que pretendia substituir parte dos automóveis do estado por carros elétricos. Porém, há outros interesses que não desejaram esse acordo e fizeram todo o possível para acabar com esse projeto. Embora tenhamos "bastante" terra para cultivo, temos que lembrar de deixar espaço para as reservas indígenas, as florestas, os habitantes. Caso contrário... Mas a questão é mais complicada: na Europa os agricultores estão em pé de guerra. Afinal uma superpotência aparece com uma alternativa viável para a crise energética. E, em alguns lugares da Europa, milho é ração. Será que os Europeus tem medo de produzir certos produtos agrícolas para consumo? E os EUA? Quando irão parar de beber petróleo e outros combustíveis? Abraços.

Sergio Telles (26/04/2008 - 12:39)
O Brasil usa 8% de seu território apenas com produção agrícola. Portanto, terra pra expandir essa produção e gerar riqueza é o que não falta. Temos sim que aproveitar o momento e expandir nossa produção e também a produtividade desta (investir parte da receita em tecnologia agrícola), e tornar-se um grande produtor tanto de alimentos como de combustíveis. Foi dessa forma que os EUA tornaram-se potência e agora que temos essa oportunidade, não devemos desperdiçá-la.

normando (26/04/2008 - 12:24)
Acredito que o Brasil nao tem de explicar nada visto que pode tanto produzir comida como energia , o que se deseja a nivel de Europa e Eua e anular nossas vantagens nestas areas,manipulando mercados e a midia . Todavia cabe aos brasileiros atraves do governo ordenar e regular as atividades economicas afim de garantir o respeito e a conservação dos recursos naturais .

agostinho (26/04/2008 - 12:19)
Ai nesta sua bela casa, ha Elias, Conceiçoes e Ronaldos. Azenha,eu leio e geralmente aprecio. Porem porque não um pouco tambem dos outros, este leitor entre eles?

Fabio Venancio ,Santa Cruz das Palmeiras-SP (26/04/2008 - 01:36)
Caro Luiz Carlos Azenha.Moro em uma região em que a atividade principal é o cultivo da cana-de-açúcar.A população da cidade depende de 2 usinas situadas em Pirassununga.Santa Cruz das Palmeiras já foi uma das maiores produtoras de café do estado e hoje só restaram alguns poucos pés de café para contar a história .Do cultivo de café passou para o algodão , do algodão para a laranja até chegar na cana .Os pequenos agricultores ainda existem e sua maioria arrendam as terras para as usinas devido ao ganho e não terem nenhum trabalho pois a usina faz todo o trabalho.Apesar do aumento do cultivo da cana , também pode-se se notar o aumento do cultivo do milho .Uma terra bem cultivada hoje se produz brincando em media de 300 a 400 sacos de milho por alqueire , coisa que no passado não acontecia .Por aqui também se planta soja , feijão e batata.Por aqui não deixou de se produzir os alimentos , só mudou a atividade principal de café para cana .É oque tem acontecido no Brasil.E vale lembrar que da cana-de açucar não sai apenas o etanol , mas da cana se aproveita tudo e as usinas são auto sustentáveis podendo até vender energia elétrica , oque já vem acontecendo .Já existe até um curativo feito da ana de açúcar .Oque precisa ser feito não é freiar o etanol, que bate de frente com o interesse das grandes do petróleo,mas criar politicas eficientes que cuide de todas as questões que envolvam o etanol , como o meio ambiente , desmatamento , crise de alimentos ,etc.

cid elias (25/04/2008 - 20:26)
Não entendi, Fernando...Estarias supondo que a Petrobrás , por interesses escusos, "encomendaria" uma matéria enganadora? Outra coisa, a matéria não "foi bancada" pela Petrobás, Fernando. Eu sou frequentador assíduo do Carta Maior, um dos espaços mais corretos da rede, e pelo que me consta, a Petrobrás está patrocinando o "Debate Carta Maior", do qual participam vários jornalistas e articulistas, entre eles o excelente Marco Weissheimer(RS-Urgente), Renè L Carvalho, Joaquim E Palhares, entre outros. abrç

Fernando (25/04/2008 - 18:44)
Cid Elias, essa reportagem do link é interessante, mas não dei muito crédito por ter sido bancada pela Petrobrás.

Gilberto Marotta (25/04/2008 - 17:55)
Olha, Azenha, sinceramente acho que seu tratamento pra essa questão tá meio forçado ou, pelo menos, incompleto. Primeiro, temos que considerar que as manifestações contra o etanol surgem em meio a grandes interesses comerciais. O Brasil está despontando como potência mundial e isso desperta cobiça e reações naturais de seus concorrentes; não vejo nenhum aumento substancial recente das plantações de cana por conta de novos acordos comerciais e exportações, o que me leva a crer que o problema esteja sim centrado no etanol americano, que além de ocupar áreas muito mais extensas, em sendo produto do milho já provoca, em si, a diminuição da oferta de um importante insumo alimentar, além de que o etanol dos EUA é, comprovadamente, pior que o nosso; finalmente, o mais importante: toda monocultura é vilã, mas porque só falam da cana? eu me arrisco a responder: é a única que envolve também pequenos produtores, o elo mais fraco. Muito mais danos para a agricultura, a alimentação mundial e a natureza causam, só no Brasil, a pecuária extensiva, o eucalipto e a soja transgênica. E sobre essas produções, pouco se fala, porque envolvem grandes grupos econômicos, inclusive transnacionais. Assim, de repente, a cana passou a ser a vilã do mundo. Primeiro, era a responsável pelo fim da Amazônia (uma falácia!); agora, é a nova responsável pela crise mundial de alimentos (outra falácia!) Ah, detalhe: também nada se fala sobre o papel dos especuladores nessa crise... eu é que não entro nessa!

Fernando (25/04/2008 - 13:38)
O Brasil adotou a modernização conservadora. É produzir para exportar.

Micael (25/04/2008 - 08:26)
O Brasil utiliza 1% de sua terra para o cultivo da cana de açucar. Pronto! ta explicado.

Nilson de Vix (24/04/2008 - 23:10)
Acostumemo-nos a isso: a partir de agora o Brasil incomoda e incomodará MUITO o tal primeiro(?) mundo. Essa questão dos biocombustíveis x comida é artificial. Lula está certo ao bater na questão dos subsídios...

Mateuz (24/04/2008 - 22:22)
Pra min o problema da crise alimenticia se encontra nos latifundios, os paises ermegentes crescendo os pequenos produtores encolhendo por falta de tecnologia, e o resultado agente já sabe.

Laércio Nunes (24/04/2008 - 21:25)
É muito simples: se as pessoas tiverem dinheiro para comprar alimentos, haverá aumento da produção de alimentos. No mundo já há superprodução de alimentos, não falta. A fome existe porque pessoas não têm condições de comprar comida. É uma falácia esta discussão biocombustíveis x alimentos.

Luiz Carlos Azenha (24/04/2008 - 19:51)
Cid, o estado mais "equilibrado" do Brasil é Santa Catarina, onde há grande número de pequenas propriedades de terra. Reinaldo, eu conheço o Nordeste todinho. Graças a Deus.

Cid Elias (24/04/2008 - 19:38)
E tem um terceiro lado, Azenha: "...João Camilo Penna - Estou convencido de que é um grande programa e que esse ataque que está havendo agora fortemente ao etanol e ao álcool é nos Estados Unidos, porque lá eles produzem o álcool do milho e aí sim compete com os alimentos. E é um álcool que custa muito mais caro que o álcool de cana. Tem todos os inconvenientes em relação ao álcool de cana. O que os Estados Unidos faria dentro desse ataque agora, ao meu ver, era reduzir a tarifa de importação de álcool brasileiro. Chegaria lá muito mais barato do que o que eles produzem, o álcool de milho. - Paulo Henrique Amorim - O Brasil não deixou de plantar um pé de couve por causa de etanol. - João Camilo Penna - Exatamente. Não deixou de plantar um pé de couve. E ele está crescendo agora em pastagens degradadas, que são liberadas pelo confinamento de gado. Então não está prejudicando em nada a produção de alimentos e é muito mais barato que o álcool de milho. Se os Estados Unidos fossem inteligentes, eles importariam álcool do Brasil e financiaria a produção de álcool na África, para comprar da África. Clique aqui para ler a íntegra da entrevista com João Camilo Penna."

Conceição Oliveira (24/04/2008 - 19:36)
Some às ao rol das desgraceiras o avanço nas terras indígenas e a violência contra os povos indígenas. PS. Tem um comentarista de economia que sempre aparece no jornal da Globo dizendo que o Lula está correto, essa é a única questão que vejo a Globo defendendo o presidente

Reinaldo (24/04/2008 - 19:28)
Azenha, talvez aí você esteja observando esse avanço da cana e do eucalipto, mas por favor, não enxergue somente São Paulo como exemplo de Brasil. O Brasil é muito maior que seu estado. Se houver investimento em agicultura irrigável o nordeste se candidata a ser o maior produtor de "pé de comida" do país, vide a produção de frutas na região de Juazeiro e Petrolina (conhece?). Hoje o nordeste produz até morango!

Cid Elias (24/04/2008 - 19:26)
Azenha, há opiniões de um lado...Mas há opiniões de um OUTRO LADO: "AGÊNCIA CARTA MAIOR - AGRICULTURA FAMILIAR Biodiesel traz expectativa de inclusão social no Norte e Nordeste Criado com o objetivo de gerar emprego e renda entre os agricultores familiares, o programa de biodiesel mudou a rotina de parte dos trabalhadores rurais em algumas regiões. No Norte, com o plantio do dendê, e no Nordeste, com o cultivo da mamona, os agricultores já vislumbram dias melhores. - Maurício Thuswohl" http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14960

Gustavo Eduardo Paim Pamplona (24/04/2008 - 19:16)
Prefiro ser o celeiro do mundo e agora também "a bomba de combustível do mundo" (Azenha, gostei da expressão) e ver que um dia os países ricos se curvarão ao Brasil quando começarem a escassear os alimentos deles, quando eles não conseguirem mais dar subsídios ao seus agricultores ou quando o petróleo ficar tão caro e começar a faltar no mundo.

Ricardo Souza (24/04/2008 - 18:27)
Eu também me preocupo com a exploração desenfreada de nossos solos...todo mundo já sebe que esse negócio de monocultura uma hora desanda! Vamos esperar as cenas do próximo capítulo...

Pedro Miranda, Economista, Brasilia (24/04/2008 - 18:10)
Não gosto de pensar assim! Imagino que não precisamos ser o celeiro do mundo e continuarmos sendo um país subdesenvolvido. Em toda a história fomos nós que tivemos de abrir mão de produtos que agregam valores para nos tornamos fornecedores de matéria prima para todos. É chegada a hora do mundo produzir sua própria comida e deixar nós crescermos um pouquinho para poder dá maior conforto ao nosso povo. Os empresários precisam trabalhar em produtos que agreguem valor e aumentem seus investimentos e produtividade para gerar mais emprego e riqueza e parem de suplicar por baixa de impostos para encherem seus próprios bolsos. É chegada a hora do Kg de arroz, feijão, milho e etc. custar mais que um litro de gasolina. Quem sabe agora o mundo dê mais valor a comida!

Artur (24/04/2008 - 17:54)
Azenha, lembre-se que nos últimos anos o Brasil vem aumentando sua produção de grãos, de álcool e de carne ao mesmo tempo. Isto não confirma o que o governo tem dito?



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