Atualizado e Publicado em 30 de abril de 2008 às 17:38
por Steve Wissman, do TruthOut, em 29 de abril de 2008
Quando o senador John McCain cantou para os repórteres, em abril, seu "bombardeia, bombardeia o Irã", fiquei em dúvida. Era apenas uma demonstração de seu envelhecido humor de piloto? Ou estava nos dizendo o que devemos esperar dele se for eleito presidente? Podemos ficar sem a resposta. Se o vice-presidente Dick Cheney tiver o que quer, vai se adiantar a McCain, possivelmente ainda em maio, depois que o presidente George W. Bush voltar da celebração dos 60 anos de Israel.
Os indícios são surpreendentemente públicos, apesar de aparecerem em pedaços que formam um quebra-cabeça; espero ter me enganado ao montar, mas aqui está como eu o vejo.
No dia 25 de fevereiro deste ano Cheney fez uma visita surpresa ao sultanato de Omã, um antigo aliado que fica diante do Irã, no estreiro de Hormuz. Ele foi, de acordo com uma autoridade citada pela Associated Press, "discutir questões de segurança regional, inclusive o impasse dos Estados Unidos com o Irã em torno do programa nuclear".
Cerca de três semanas depois, Cheney voltou a Omã como parte de uma visita de dez dias a vários países da região, inclusive Israel, Turquia e Arábia Saudita. Enquanto em Omã, ele deu uma entrevista a Martha Raddatz, da ABC News. "Você pode antever em que ponto uma ação militar poderia acontecer?", perguntou Raddatz. Cheney tentou descartar a pergunta, mas Raddatz persistiu, perguntando especificamente sobre a Estimativa de Inteligência Nacional [um relatório preparado pelos serviços de inteligência americanos], que concluiu que o Irã tinha paralisado seu programa de armas nucleares há cinco anos.
Cheney tinha outra percepção do relatório. Os iranianos definitivamente tinham um programa para desenvolver uma ogiva nuclear, que eles haviam paralisado em 2003, ele insistiu. "Não sabemos se eles recomeçaram ou não". Cheney enfatizou que os iranianos continuavam seu programa de enriquecimento de urânio, o qual - ele disse - daria a eles material para fazer armas nucleares. Ele não apresentou provas de que o programa iraniano poderia ou seria capaz de produzir o urânio altamente enriquecido necessário para fazer a bomba.
"Vice-presidente: Irã pode ter retomado o programa nuclear", as manchetes disseram. "Cheney: Irã pode ser o próximo alvo dos Estados Unidos". O site israelense DEBKA acrescentou que Cheney estava falando especificamente sobre uma possível ação militar dos Estados Unidos na região para acabar com o programa nuclear do Irã.
Para pontuar as declarações de Cheney, a Marinha dos Estados Unidos continua a aumentar as suas forças na região, que agora incluem dois porta-aviões e grupos de ataque capazes de atacar o Irã ou se defender de um ataque de mísseis. Oficiais militares americanos também dão palpite. O Pentágono avalia "ações militares em potencial" contra o Irã, alerta o oficial mais importante - almirante Michael Mullen, chefe do Estado Maior das Forças Armadas. "Seria um erro pensar que não temos capacidade de combate."
Mullen apresentou sua ameaça, segundo ele, como resposta ao apoio iraniano a milícias iraquianas que lutam contra forças americanas, assim como ao Hamas, Hezbollah e ao Talibã, no Afeganistão. Ele também repetiu a crença de Dick Cheney de que o Irã está em busca de armas nucleares. Mullen disse isso um dia depois que a CIA informou ao Congresso que a Coréia do Norte havia fornecido à Síria um reator nuclear, que um ataque de Israel destruiu setembro passado. O timing de Mullen deu peso à ameaça e levantou a questão de qual seria o papel dos israelenses num ataque aéreo ao Irã.
O próprio Cheney tocou nessa questão quando retornou de sua visita de dez dias [ao Oriente Médio]. Numa entrevista ao jornalista neo-conservador Hugh Hewitt, ele mencionou as ameaças amplamente divulgadas feitas pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad contra Israel. "Conheço os israelenses suficientemente, estive lá há algumas semanas, sei que eles não estão preparados para ignorar esse tipo de declaração vinda de Teerã", disse Cheney. "Eles devem levar isso a sério, dada a História. E acho que eles consideram um Irã armado com armas nucleares como uma ameaça à própria existência do estado de Israel."
O que exatamente os israelenses fariam? Cheney se negou a dizer. Mas um ataque aéreo de Israel ao Irã seria muito mais difícil do que um ataque contra a Síria. Os israelenses provavelmente precisariam de autorização americana para sobrevoar o Iraque, garantia de não interferência dos sauditas e de outras forças árabes, além de informação de satélite, do bloqueio de radares iranianos e possivelmente do reabastecimento de aviões israelenses. Ele usariam, naturalmente, os F-15 de longo alcance e as bombas de penetração fornecidas pelos Estados Unidos, enquanto os iranianos já anunciaram que responderão a qualquer ataque como sendo tanto de Israel quanto dos Estados Unidos.
Considerando tudo isso, Cheney pode querer um ataque israelense primeiro, e quando os iranianos retaliarem, as forças americanos interviriam "em legítima defesa" ou "em defesa de nosso aliado Israel."
É certo que outras previsões de ataques americanos e israelenses contra o Irã foram feitas e nunca aconteceram. Espero que minha leitura tenha o mesmo destino, seja pelo registro de fatos novos ou por uma decisão de Bush de não seguir adiante. Mas Cheney claramente começou a bater os bumbos da guerra e, a não ser que o Congresso mostre mais firmeza, eu não planejaria uma viagem ao Irã ou a qualquer outro lugar do Oriente Médio ou do Golfo Pérsico no final da primavera ou durante o verão [de junho a agosto nos Estados Unidos].
Senta o pau neste extremista fanatico iraniano, explodam esse maluco logo antes que seja tarde.