Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha

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A Folha, imprestável

Atualizado em 01 de setembro de 2008 às 19:23 | Publicado em 31 de agosto de 2008 às 10:46

Desculpem. Não quero parecer pedante. Mas é que depois de uma temporada fora do Brasil -- e, principalmente, depois de uma temporada me informando sobre o Brasil pela internet -- não posso deixar de lamentar a qualidade dos jornais brasileiros. Aliás, daquele que se diz o melhor jornal brasileiro, a Folha de S. Paulo.

Ai que tristeza. Morri com 4 reais.

Nem sei por onde começar. Sei, sim. Vou começar pelo artigo que a Folha de S. Paulo reproduziu sobre Barack Obama, assinado por Robert Kagan.

Demonstra a falta de noção do jornal.

Como notou a Folha, nas letrinhas pequenas, Kagan é assessor informal do candidato republicano John McCain.

Só isso já deveria ser motivo para o jornal não publicar o artigo de Kagan sobre Obama.

Kagan é neocon. David Brooks é neocon. William Kristol é neocon. Os neocons são uma "praga" . Contaminaram o "jornalismo" americano. Usei aspas pelo fato de que não se pode falar em jornalismo neocon. As duas palavras não se misturam. Ou não deveriam se misturar. Os neocon primeiro são ativistas políticos. A verdade factual não interessa a eles. São propagandistas de sua posição ideológica. O jornalismo é apenas um instrumento, um meio.

Acreditar que o Kagan vai escrever algo que não tenha um objetivo político é o mesmo que acreditar que o Ali Kamel ou o Reinaldo Azevedo estão preocupados com a verdade factual. Eles se acreditam envolvidos numa gigantesca batalha ideológica contra o "mal" de ocasião: hoje é o Lula, amanhã é estado brasileiro, depois de amanhã o Bolsa Família, no dia seguinte os professores do ensino público e mais adiante os "esquerdistas".

O importante é ter um "inimigo" a ser derrotado através do convencimento. O jornalismo é uma ferramenta de convencimento. Se for preciso suprimir uma informação vale, já que para os neocon o jornalismo, repito, é apenas um meio para atingir um objetivo. É só ler o Weekly Standard para entender: o objetivo da revista é propagandear o discurso neocon.

Voltando ao Kagan, no artigo ele diz que Barack Obama também terá uma política externa intervencionista. Afirma isso baseado em um discurso de Obama. Só saberemos a política externa do democrata quando ele assumir, se for eleito. É possível especular. Obama é um camaleão que se adapta às circunstâncias. Aliás, como qualquer político.

Meu ponto é que você não pode julgar o Obama pelo que escreve um assessor do John McCain, especialmente um neocon. O objetivo do artigo do Kagan é desacreditar Obama entre a esquerda do Partido Democrata, cuja militância é importante numa disputa eleitoral como a que vai acontecer em novembro.

Os neocon acreditavam que a derrubada de Saddam Hussein criaria no Iraque uma democracia secular que serviria de farol para o Oriente Médio.

Produziram um governo majoritariamente xiita, fortemente influenciado pelo Irã, que ganhou importância regional e hoje projeta seu poder no Líbano -- através do Hezbollah -- e nos territórios palestinos -- através do Hamas.

Na cabeça dos neocon o próximo objetivo é "patrocinar" um ataque dos Estados Unidos -- ou Israel -- ao próprio Irã. Na cabeça deles depois de ter livrado Israel de um inimigo regional -- o Iraque -- agora falta o Irã.

Eles acreditam que tudo se resolve pela via militar, não levam em conta a "lei das conseqüências não pretendidas" -- que deu em um governo xiita no Iraque -- e desprezam a história, a diversidade e as nuances dos países árabes e muçulmanos.

Para os neocon o negócio é sentar paulada na cabeça da "turma dos turbantes", acreditando que isso beneficia Israel.

Como notou um comentarista em um jornal de Israel, os israelenses deveriam se preocupar quando entre os grandes defensores do país nos Estados Unidos figuram líderes de um grupo cristão que crê no fim do mundo.

O que os neocon estão fazendo agora, nos Estados Unidos, é se posicionando para influenciar quem quer que seja eleito, depois de terem sido chutados do governo Bush.

Preferem John McCain, que tem a guerra no sangue.

Mas, num governo Obama, travarão sua guerra ideológica com o objetivo que descrevi acima.

Um bom jornal ouviria gente pró e contra o Obama, com o objetivo de tentar antever a tendência da política externa de um eventual governo democrata. Mas isso envolve tempo e dinheiro. Fica mais fácil mandar traduzir um artigo de propaganda eleitoral de um assessor de McCain e publicá-lo como "jornalismo".

 


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Hans Bintje (08/09/2008 - 14:39)
O assunto é espinhoso, mas a entrevista do site CounterPunch ( http://www.counterpunch.org/whitney09082008.html ) merece uma boa tradução. Trecho:

"When you look at the balance sheet of U.S. assets available for foreign central banks to buy with the $2.5 to $3.5 trillion of surplus dollars they hold, real estate is the only asset category large enough to absorb the balance-of-payments outflows that U.S. military spending, foreign trade and investment-capital flight are throwing off. When the U.S. military spends money abroad to fight the New Cold War, these dollars are recycled increasingly into U.S. mortgage-backed securities, because there is no other market large enough to absorb the sums involved."

Hans Bintje (08/09/2008 - 14:33)
Azenha, peço que você leia um texto recente da Naomi Klein ( http://www.thenation.com/doc/20080922/klein ) sobre as eleições dos EUA. Trecho: "The early results are in: Hurricane Gustav has helped John McCain's bid for the White House. This is nothing short of incredible. (...) Gustav should have been political rat poison for the Republicans, no matter how well it was managed. Yet, as Peter Baker noted in the New York Times, 'rather than run away from the hurricane and its political risks, Mr. McCain ran toward it.' If this strategy worked, it was at least partly because Barack Obama has been running away from New Orleans for his entire campaign."

Carlos Pepezlegal (02/09/2008 - 22:41)
Azenha, desculpe não completar a informação ..

O Franklin Martins disse isso, ao vivo, para a rádio Bandeirantes SP, no dia que ele se demitiu.

A frase é essa, literalm,ente : " ESSE GOVERNO TEM QUE DAR CERTO ".

Hoje ele é o " cara " da comunicaçnão social do governo,Lula. Profissa mesmo, fera. Parabéns !


Luiz Carlos Azenha (02/09/2008 - 22:35)
Pepezlegal, não vi e não gostei do comentário do Franklin. Quanto ao meu, prefiro errar indo direto ao ponto. Espero o mesmo dos leitores deste site. Aqui não tem nenhuma vaquinha de presépio.

raimundo (02/09/2008 - 22:31)
Em relação a ilustre funcionária do jornal A Folha cabe pelo menos destacar o seu reconhecimento da qualidade do jornalista Azenha. Do contrário sequer tomaria conhecimento do seu comentário. No resto, é claro, que fico com a seriedade e sentido ético do Azenha, algo tão raro hoje nos grandes jornais e nos telejornais. A Folha, por exemplo, há muito não consegue atender a baixa exigência de seus ombudsman, chegando a afastar um deles, exatamente porque ousou cobrar isenção, notícias com base em fatos e não o testar hipóteses (para agradar a FIESP e a dupla tucano-pefelista). E isso no curso daquele festival de especulações e bobagens que a Folha, ora produzindo, ora endossando a Veja, bancou para tentar convencer a sociedade que haveria um dossiê. E isso mesmo depois de todos saberem que um senador tucano havia alimentado a revista de informações. Depois disso, veio aquele comentário do atual ombudsman, que chegou a considerar constrangedora a atuação da imprensa paulista(ou falta dessa) na cobertura (ou falta) sobre as noticias dando conta de propinas distribuídos pela ALSTON para dirigentes dos vários governos tucanos em SP. Não custa lembrar que foi preciso um jornal estrangeiro publicar algo para que a noticia aparecesse nos jornais paulista. Claro, tudo muito discreto, para não desagrar os caciques tucanos.

Carlos Pepezlegal (02/09/2008 - 22:30)
Azenha, voce fala isso porque não teve o privilégio de ver o Franklin Martins comentando a eleição presidencial em 2006 na Bandeirantes .. rsrsrs

" Luiz Carlos Azenha (02/09/2008 - 13:36)
Cláudia, você publicar um artigo assinado por um assessor do McCain sem contextualizar eu acho que é um desserviço aos seus leitores, especialmente quando sabemos que os neocons americanos agem como linha auxiliar em campanhas políticas. É só ver o William Kristol comparando o McCain ao Churchill. Eu acho a Folha uma merda, mesmo. Provinciana, tapada, ligada em modismos, não discute os problemas nacionais e faz campanha pelo Serra."

O cara finalizou, emocionado,antes de pedir demissão, com essa declaração : " Esse governo TEM que dar certo ! "

Enfim, como jornalista, ele não disse " pode dar certo ", ou ainda, " tem qualidades para dar certo ". ELE CRAVOU : TEM QUE DAR CERTO !

E aí, isso é bom jornalismo ??



Marco Vitis (02/09/2008 - 22:27)
A Folha é neocon. Veja o que afirma Clóvis Rossi (parceiro do dono do jornal nos almoços institucionais): "Jornalismo é uma batalha pelo domínio das mentes e corações de seus alvos - leitores, telespectadores ou ouvintes." Esta informação é uma verdade factual (aquela que Clóvis Rossi considera um mito).

Luiz Carlos Azenha (02/09/2008 - 19:39)
Adailton, nem os neocons americanos vão acreditar se você contar para eles que estão pautando jornal brasileiro...

josé adailton (02/09/2008 - 19:36)
Até pensei ler o texto deste cidadão.Desisti logo no começo quando percebi que ele é mais um pauteiro.

robledo duarte (02/09/2008 - 18:53)
Kagan, o nome do cara já diz tudo, ele escreve igual ao nome dele.

Luiz Carlos Azenha (02/09/2008 - 18:20)
Maxwell, o Obama muda tanto de posição que é difícil saber. Com certeza: fechamento de Guantânamo, retirada do Iraque, transferência de tropas para o Afeganistão. O grande nó é nas relações com a União Européia, que estão bastante tumultuadas. Os europeus querem cautela com a Rússia, pois dependem da energia dela. Os americanos -- e aí vale tanto para o McCain quanto para o Obama -- querem jogar mais duro com o Putin.

Maxwell Barbosa Medeiros (02/09/2008 - 18:05)
O seu objetivo com esse artigo é demonstrar a falta de imparcialidade do artigo da folha, e de quebra, do próprio jornal. O jornal já sofre desses problemas com assuntos de política interna.
Eu gostaria de saber há alguma noção do que será a política externa caso Obama seja eleito, ou é cedo ainda para descobrirmos ?

Luiz Carlos Azenha (02/09/2008 - 17:38)
O artigo não é contra ou a favor do Obama. É artigo de um partidário do McCain com objetivos político-eleitorais. A Folha acha que o leitor dela sabe quem é o Kagan. Eu não acho. É um artigo para eleitor americano publicado às cegas no Brasil. Quantos artigos de jornalistas brasileiros o New York Times publica?

Fernando Bernardo (02/09/2008 - 17:18)
Na mídia brasileira, em geral, há verdadeiras ovações diárias à Barack Obama,e vens dizer que o texto deveria trazer tarjinha preta para artigo contra Obama? Neocon é patrulhamento que você faz contra quem emite algum texto que seja considerado não-esquerdista.

Gorbachev (02/09/2008 - 17:14)
No país da safadeza e da corrupção impregnada nos mais altos escalões é preciso levar a vida com muito bom humor, por isso, sobre este post, cabe a seguinte pergunta: Esse tal de "Kagan" não é aquele da Universidade de "Boston" ? Sobre a Cláudia, da Folha, parece ser uma pessoa de personalidade forte e que defende suas idéias com arrojo, mas, trabalhando onde trabalha, vai ter sempre a credibilidade de suas informações colocada em cheque.

mauro ramos (02/09/2008 - 15:38)
se tem uma coisa qwe eu gosto de ensinar
as pessoas,essa coisa e nao ser mais um honesto imbecil da grande imprensa nativa.hoje , eu faco questao de desprezar essas folhonas,estadoes globos, et caterva.

Luiz Carlos Azenha (02/09/2008 - 15:26)
Cláudia, sei que isso não é de sua esfera, mas os "enlatados" são um problema grave dos jornais brasileiros. Não defendo a reprodução de artigos do The Nation e a supressão dos publicados pelo Weekly Standard. Acho que os jornais do Brasil deveriam oferecer aos leitores uma visão brasileira dos fatos internacionais. Acho que seria muito mais esclarecedor para os leitores, por exemplo, um artigo sobre a máquina de formar opinião nos Estados Unidos, que tem como objetivo influenciar eleições e políticas de governo. É nesse contexto que atuam vários comentaristas, inclusive este que a Folha publicou acriticamente. O fato definidor da política externa americana, hoje, é a supremacia nuclear dos Estados Unidos, a crença que está se cristalizando de que o país pode vencer uma guerra nuclear. É uma pena que os leitores da Folha não saibam disso. Estão ocupados lendo artigos velhos do propagandista Robert Kagan.

Claudia Antunes (02/09/2008 - 14:00)
Azenha, este debate pode ir longe, mas só para concluir. Não acho que todos os leitores da Folha sabem. Mas acho que todos os que acompanham notícias internacionais pelo jornal sabem o que ele é representa. Ou vão saber quando lerem, porque sabem distinguir posições político/ideológicas e sabem que publicamos as mais diversas, desde que representativas do seu espectro. O artigo foi publicado como tal, como um artigo, que por excelência representa a opinião do autor. Por isso digo que você erra em tomar a parte pelo todo.

Luiz Carlos Azenha (02/09/2008 - 13:51)
Não é uma questão de subestimar os seus leitores. É de aplicar um princípio básico do Jornalismo -- não do Jornalismo Folha: presume-se que o leitor, ao abrir o jornal, nunca tenha lido um jornal na vida antes. Ou quase. Ou você acha que todos os leitores da Folha sabem quem é o Kagan e a turma dele?

Claudia Antunes (02/09/2008 - 13:46)
Desculpe, Azenha, eu não subestimo os meus leitores. Não acho que preciso avisar "atenção, direita falando", ou "atenção, esquerda" falando cada vez que for publicar algo de alguém com tendências diferentes e conhecidas. Assim como você, imagino que o leitor que se interessa por assuntos internacionais tem noção disso.

Quanto às suas críticas, como disse, você tem todo o direito de tê-las e mantê-las.

Luiz Carlos Azenha (02/09/2008 - 13:36)
Cláudia, você publicar um artigo assinado por um assessor do McCain sem contextualizar eu acho que é um desserviço aos seus leitores, especialmente quando sabemos que os neocons americanos agem como linha auxiliar em campanhas políticas. É só ver o William Kristol comparando o McCain ao Churchill. Eu acho a Folha uma merda, mesmo. Provinciana, tapada, ligada em modismos, não discute os problemas nacionais e faz campanha pelo Serra.

Claudia Antunes (02/09/2008 - 13:23)
Azenha,

Sou editora de Mundo da Folha. Você tem todo o direito de achar o jornal uma merda, e de usá-lo para embrulhar peixe ou coisa pior, como sugerem muitos dos seus leitores. Mas acho injusto você desqualificar uma editoria inteira por causa de um artigo que não lhe agradou. Publicamos o artigo do Kagan _e não foi a primeira vez_ porque julgamos que ele representa uma posição que ainda tem bastante influência na opinião pública americana. Não falo dos eleitores de esquerda do Obama _estes não vão mudar de idéia por causa de um artigo do Kagan. Falo dos americanos que assistem à CNN e à Fox News. Acho que o leitor da Folha, e de qualquer outro jornal, deve conhecer os argumentos dele, assim como deve conhecer os argumentos da esquerda. Lembro que o mesmo jornal que você considera uma merda publicou um artigo de página inteira de Immanuel Wallerstein, no dia 17 de agosto, sobre o conflito no Cáucaso, e também um artigo de página inteira, do colunista da "Nation" Robert Dreyfuss, no dia 27 de julho, sobre a construção do projeto de política externa de Obama. Achei importante registrar isto aqui porque acho que você foi leviano em sua crítica, e porque acho muito ruim gente que detesta ver impresso algo que lhe desagrade. Recebo muitas mensagens no mesmo tom do seu post de leitores de direita. Não ler é seu direito, mas tomar a parte pelo todo é injustiça e mau jornalismo.

Daniel Duende (01/09/2008 - 21:54)
Excelente artigo, como de costume, meu caro cara Azenha. Citamos você (como também já está virando um costume) lá no Global Voices Online, e por conseguinte lá no Global Voices em Português: http://pt.globalvoicesonline.org/2008/09/02/brasil-folha-de-sao-paulo-imprestavel/

Abraços do Verde

Antonio Ilton Oliveira (01/09/2008 - 21:25)
Azenha, acho que vc tá muito otimista quanto a uma outra tendência dos democratas, a polìtica externa de Obama será a dos Estados Unidos, ou seja, aquela postura de supremacia americana, Obama se inspira em Martin Luther King para falar de idealismo e sonho americano, mas lá fora o esperam, o petróleo no Oriente Médio, Israel, OTAN, o eixo do mal ( segundo Bubuchy ) e agora a obscura Russia de Putin. Obama será sucumbido por essa combinação de petróleo, aliado que seria melhor não ser OTAN, organização mal vista pela Russia obscura e o ódio do islam. Nestas circunstâncias talvez McCain seria escolha mais apropriada para os americanos.

ALEX (01/09/2008 - 18:19)
"9 ENTRE 10 GRAMPOS, LEGAIS OU ILEGAIS, ACABAM NA CAPA DA REVISTA VEJA. QUEM QUISER HOJE ATINGIR A PF MONTA UM GRAMPINHO BOBO E ENTREGA PARA A REVISTA VEJA"...

Ricardo Boechat

ouçam na conversa Boechat com Mônica Bergamo -Folha

http://bandnewsfm.band.com.br/audio/MONICA_0109.mp3

João Humberto Venturini (01/09/2008 - 15:14)
Caro Azenha: Vc falou sobre os neocons e a relação deles com o jornalismo norte-americano. Aqui no Brasil existe algo parecido com esses neocons? Quem seria? Eu acho que o Mainardi é um exemplo, vc não acha?

OD Furlani (01/09/2008 - 13:51)
Daria uma sugestão de novo formato para esses jornais(Folha/Estado/Globo). Que tal se fossem impressos em formato de rolo e em papel (bem) macio. Se não tem nada de útil para ler pelo menos serviriam para outra coisa.

Augusto José Hoffmann (01/09/2008 - 09:41)
Prezada Silvana Mansano: sobre a cara-de-pau da Folha. Esse e tantos outros veículos praticam Nicolau Maquiavel. Misturam com bastante talento, para sermos justos, mentiras e verdades. Veja só o bom serviço prestado desmascarando a concorrência para Linha 2- Verde do metrô-SP. Com oito horas de antecedência revelaram em um texto sobre arte, se não me engano, a vitória da Camargo Corrêa. Palpite: muito provável que a Camargo Corrêa não esteja na lista de lientes/anunciantes do grupo Folha entendeu? Com isso, matam dois coelhos com uma só paulada: o público atribue-lhes credibilidade e a Camargo pensa duas vêzes antes de NÂO anunciar de novo com eles. Entendeu?

ana cruz (01/09/2008 - 09:10)
A Folha e Veja são exemplos do mau jornalimos praticado no Brasil. De dá vergonha! Tambem, para quem emprestava, como a Folha, veículos de sua propriedade, na epoca da ditadura, para o DOI-CODI transitar com jornalistas sequestrados e torturados por São Paulo, isto é pouco!

Haertel (31/08/2008 - 21:32)
Meus caros, uma vez conservadora, sempre conservadora. Seja aqui ou lá, sempre à serviço do conservadorismo de plantão.

João Bravo (31/08/2008 - 21:29)
Azenha, dizem que jornalista da folha quando chega atrasado, o chefe já vai dizendo:-Atrasado outra vez?!...vai já fazer o horoscopo!.

Silvana Mansano (31/08/2008 - 21:13)
Azenha, parabéns pelo texto esclarecedor!
O pior de tudo é sabermos que este artigo do neocon Kagan foi publicado há mais de um ano atrás e a Folha de SP volta a requentá-lo como sendo atual!!
eu me impressiono com a cara-de-pau da Folha: será que Ela menospreza tanto assim os leitores a ponto de achar que jamais descobriríamos a verdade??
Ainda bem que contamos com blogs como o seu.
Parabéns pela posição firme em assuntos que norteiam nosso pseudo-jornalismo.
Abraços!

Augusto José Hoffmann (31/08/2008 - 20:59)
Insisto: enquanto a sala do depto comercial ficar tão próxima da redação o jornalismo, no mundo inteiro, será bem assim. Tenho a convicção de que está surgindo um novo jornalismo cuja mídia é, basicamente, a internet. Esse sim, com baixos custos e amplo leque de ideologias patrocinadoras, deve se aproximar do fato. Com uma leve pitada de socialismo, não por birra, mas por que precisamos urgentemente nos humanizar.

ROBERTO PAULO SANTOS (31/08/2008 - 20:09)
Infelizmente acho inexplicável o que passa nos segmentos organizados da sociedade brasileira (partidos progressistas, sociedades de classes, sindicatos, artistas, estudantes, etc) vivendo numa letargia ou alienação absurdamente antipatriótica. A mídia dia após dia posiciona de uma forma ostensiva contra o povo brasileiro, sem nenhuma reação destes segmentos numa voz uníssona. Ocultam os dados ruins e mostram dados enganosos da privataria de FHC, se posicionam contra os programas sociais do governo Lula, querem sempre macular os dados de crescimento econômico-social que atravessa o Brasil, expressaram claramente sua oposição a operação Satiagraha (onde o governo Lula anunciou o começo do seu melancólico fim), agora no Pré-Sal produz os comentários ou favor dos grandes grupos econômicos ou de pessimismo com a descoberta. Apesar da internet ser instrumento valioso, vejo seu seu papel como instrumento de massa em condições de competir com o PIG, somente quando todos nós seremos pós. Muitas leis dos azeredos da vida surgirão para deter o seu crescimento.

João Bravo (31/08/2008 - 19:39)
Azenha, o "sumidadde" que realmente tornou acessivel a linguagem do computador a todos, morreu no anonimato, quem pagou miseros dolares pela ideia, hoje figura como "o homem do seculo". Você não sabe a força que tem, Tá fazendo os "tupiniquins" pensarem.

Marcelo Conti (31/08/2008 - 19:37)
Azenha, lógico que temos de saber o que a FSP, bem como Estado, Veja, Globo e os demais meios de comunicação marrons pensam, mas, sem gastar um tostão. Devemos tomar emprestado de algum direitista (que paga por essas porcarias) e saber de suas bobagens e idiotices, sem pagar...

Marco Antônio Leite (31/08/2008 - 18:44)
Caro Luiz Carlos Azenha não se preocupe com esse individuo isso porque se trata de um proxeneta do sistema, o qual escreve aquilo que o patrão determina e, não aquilo que ele pensa ou entender ser o correto.

Luiz Carlos Azenha (31/08/2008 - 18:34)
John, lá vai uma nódoa: o Reinaldo Azevedo escreveu, no blog dele, faz tempo, que eu havia sugerido uma pauta para a falecida Primeira Leitura. E que ele havia rejeitado. Mentira descarada, grosseira, estapafúrdia. Nunca falei com o cara: nem pessoalmente, nem por telefone, nem por intermediários. Quem mente assim, descaradamente, tem algum tipo de problema.

John Bastos (31/08/2008 - 18:17)
"Acreditar que o Kagan vai escrever algo que não tenha um objetivo político é o mesmo que acreditar que o Ali Kamel ou o Reinaldo Azevedo estão preocupados com a verdade factual."

Nao dah para colocar Ali Kamel ou Reinaldo Azevedo no mesmo barco. O Ali Kamel eh fraquinho, mas o Reinaldo Azevedo nao soh escreve muito bem como eh dificil para caramba voce apontar uma nodoa em seu "record".

Mary (31/08/2008 - 17:49)
Já faz algum tempo que estamos órfãos de pai e mãe na questão da informação tradicional. Jornais, revistas e emissoras de tv adotam a mesma tática de usar meias-verdades, manipulando as informações ao seu bel prazer. Por mim, poderiam ir todos para o limbo, sem exceções. Azenha, essa nova denúncia que a revistinha está alardeando, e os outros veículos repetindo, não merece um tópico específico? Nós queremos falar sobre o assunto.

Marco Antônio Leite (31/08/2008 - 16:22)
A imprensa de papel não serve nem mesmo para embrulhar peixe, bem como limpar o glúteo. Isso em função da quantidade de besteiras e sofismas que essa imprensa teima em escrever no cotidiano.

Carlos (31/08/2008 - 16:18)
"Morri com quatro reais". Pois é, diziam que a CPMF era culpada de tudo, do preço do alfinete à bomba de Hiroshima. Já se 'morria com quatro reais' na FSP dominical quando a CPMF -instrumento do demônio- ainda vigorava. A CPMF foi exorcizada pelos demo-tucanos sob inspiração de FHC através do exorcista Virgílio. Continua-se morrendo com 4 reais na edição dominical da FSP. Uai, mas se a CPMF foi reenviada para o fogo do inferno, porque continua habitando este corpo em formato standart, impresso a quatro cores? Para facilitar o troco? Na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma, dizem. No que se transforma o montante de CPMF -obra de Satã- que a Folha não recolhe mais? Em doação para o caixa de campanha de 2010? A FSP, além de estar se tornando versão diária da Veja, tornou-se coletora de impostos? Nem hoje, nem domingo passado, nem no retrasado, nem em muitos outros eu morri com estes quatro reais. Pagar pra ler propaganda eleitoral é o fim da linha. Vade retro, Satanás!

Jose Oswaldo Bosso (31/08/2008 - 16:07)
Caro Azenha, Tenho um dado a acrescentar sobre seu comentário ao artigo comprado e traduzido pela Folha, fui checar o artigo e descobri que a data de publicação do artigo no Washington Post é de 29 de abril de 2007, ou seja, A Folha esta pagando para traduzir e publicar artigo ou esta sendo paga para publicar artigo requentar de mais de ano?
A "industria jornalística brasileira" são bons como tradutores, é isso, seria uma comédia se não fosse uma tragicomédia.
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2007/04/27/AR2007042702027.html

Ver artigo sobre a "industria jornalística brasileira", por Alberto Dines em 26/8/2008
LIVRE-ARBÍTRIO É ISSO: Adeus Quarto Poder, agora você é indústria
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=500JDB001
Sds, J.O. Bosso

João Bravo (31/08/2008 - 16:04)
Azenha voce tem razão,se um homem santo viesse ao Brasil e para provar, caminhasse sobre as àguas, no dia seguinte a folha daria a manchete: "Homem que se diz santo, não sabe nadar".

marcelo - curitiba (31/08/2008 - 14:56)
Bem, vou chover no molhado: "grande" imprensa = lixo

Meu Pirão 1º (31/08/2008 - 14:21)
Político = Representante do povo ?? HAHAHAHAHAHAHAHA !!!

Meu Pirão 1º (31/08/2008 - 14:13)
"É A ECONOMIA, ESTÚPIDO"! É isso o que interessa, já diziam os acessores da campanha de quem, mesmo? Sobre os rumos da eleição de quando, mesmo? Aí, nos EUA !! Então, a economia indo bem, o candidato se reelege ou faz seu sucessor...E, no dia-a-dia, quem manda no mundo é quem tem dinheiro !! Financia político, que faz as leis, assume grupo de mídia, que faz a cabeça do povo, envolve o legislativo através de favores para familiares (ou dinheiro mesmo)...Para as grandes montadoras nunca interessou o trem (cujo frete é 1/3 do valor do que se paga pelo mesmo frete por caminhão), mas para o país, como um todo, seria ótimo. É isso Azenha, cada um utiliza as ferramentas que tem (ou que pode comprar!)
O SISTEMA ESTÁ PODRE, já dizia o Marcola naquela entrevista p/ o Cabrini, em 2006...

Baader (31/08/2008 - 14:12)
"Ai que tristeza. Morri com 4 reais."

Foi a frase do dia!rs Acho que agora vc entende pq eh que a gente não sai de blogs como o seu, né?

Vera Pereira (31/08/2008 - 13:41)
Há um artigo de Paul Harris, do The Observer, edição de hoje do The Guardian, com o título "US election: It's the most vicious election campaign ever - and here's why", mostrando a máquina do Partido Republicano de destruir rivais eleitorais, com as práticas, os nomes dos "attack dogs" - de assessores a jornalistas - que é de cair o queixo. Diante daquela sofisticada "tecnologia" de ganhar eleições a qualquer preço, nosso PIG parece amador. Quem se interessar pode ler em The Guardian online, 31/08/2008.

Otaciel de Oliveira Melo (31/08/2008 - 13:40)
O nome do jornal passa a ser " A Rolha de São Paulo. Não deixa sair nada que contrarie os interesses do PSDB-DEM no Estado. É uma senhora rolha. Em Minas é a mesma coisa entre os proprietários dos jornais que sonham com Aécio Neves no Planalto. Vou repetir aqui o que já falei antes: nem café, nem leite, nem café com leite. O Brasil e muito maior do que Minas e São Paulo, juntos.

Luiz Carlos Azenha (31/08/2008 - 13:25)
Desculpem pelo "escolhem seletivamente". É o jet lag.

Julio (31/08/2008 - 13:24)
Muito bom o seu artigo Azenha, gostei do que li! É a mais pura verdade sobre essa midia que pensa que engana a todos! Um assunto que você poderia abordar também, visto que esses neocons devem estar até o pescoço nisso também, são os ataques de 11 de setembro. Existem alguns documentários sérios que circulam pela internet que apontam fortes indícios de que o proprio governos fez "aquilo"... será? Gostaria de ler um texto com a sua opinião a respeito do assunto.

Marcos (31/08/2008 - 13:23)
A imprensa brasileira acabou!! o jornalismo, na grande imprensa, morreu! o que existe, hoje, nos 'jornalões' e 'revistonas' é apenas propaganda politica direitista, retrógrada e neofascista disfarçada de jornalismo.

O pior de tudo é saber que existem milhares de pessoas que se dispõe a pagar para receber esse lixo produzido pela 'Folha', 'Estadão', 'Veja', etc.

Se eu quiser saber algo, de fato, hoje em dia, entro na Internet e seleciono sites e blogs de qualidade, como os do Azenha, do Idelber Avelar, do Eduardo Guimarães, entre outros. Aprende-se mais lendo um único texto escrito por eles do que em 200 anos de leituras destas 'revistonas' e 'jornalões' reacionários e mentirosos.

Luiz Carlos Azenha (31/08/2008 - 13:20)
Ademar, todas as suas perguntas são pertinentes. A um jornalista caberia buscar resposta para todas elas baseado em fatos. O problema dos neocon é que eles escolhem os fatos seletivamente: só os que interessam ao seu discurso ideológico. E vendem isso como "jornalismo".

Andre Portella (31/08/2008 - 13:14)
Geralmente eu evito esse tipo de comparacao, em respeito aos muitos que sofreram na Segunda Grande Guerra, mas nao da pra evitar a comparacao desses neocoms com o J. Goebbels da Alemanha Nazista.

Luiz Affonso (31/08/2008 - 13:08)
Pela lei do mercado, só existe este "jornal" porque tem gente (infelizmente) que comprar.

Victo Rennó Neto (31/08/2008 - 13:03)
Como ex-assinante da Folha me enviaram uma oferta de receber o jornal gratuitamente por 30 dias. Estou pensando em aceitar a proposta para usar o jornal como forro de chão para uma Akita que tenho aqui em casa.

Ademar (31/08/2008 - 12:56)
Azenha, concordo com o que vc disse, acho que a mídia, na sua grande maioria não relata os fatos em sua plena verdade. Ela na maioria das vezes, conta meias-verdades. Gostaria de ouvir sua opinião sobre o sequestro do Losekan pelo Hezbollah. Por que Azenhaa BBC, que teve um de seus repórteres sequestrados omitiu esse fato? Será que é porque em seu quadro existe gente ligado à Al Jazira? Por que a Globo, que tratava esse grupo como ativista, depois dessa ação os chamou de grupo terrorista? Independente do que os neocon acham, o Iraque realmente não era um inimigo de Israel onde Saddam patrocinava os terroristas de plantão? Na sua opinião como Israel deveria proceder frente ao Irã, que o ameaça o tempo todo? Ou vc acha que essas ameaças são da boca pra fora?
A mídia em geral é hipócrita, pois trata de forma diferente os conflitos EUAxIraque, RússiaxGeórgia e ChinaxTibet. Não seriam estes detentores dos mesmos meios e fins? Belicismo a favor do imperialismo? Por que só criticar Bush e minimizar figuras iguais como Putin (czar) e o neosocialista Hu Jintao?

Ricardo Souza (31/08/2008 - 12:44)
Fica muito claro o que é jornalismo de verdade e "jornalismo" entre aspas. As letrinhas miúdas sempre escondem informações importantes. Dá pra ver que os jornais daqui estão há muito atrasados, quando se trata de sua principal função: JORNALISMO!

Rita de Cassia (31/08/2008 - 12:26)
E verá coisas ainda piores. Veja o que estão fazendo com o Paulo Lacerda.
Alguns aqui não dispensam um antiácido.

Bem-vindo.

Horacio M. Pires (31/08/2008 - 12:03)
Não concordo, em absoluto, com a matéria. Folha Imprestável? Como assim? Veja (essa também) bem, nem a Folha de S.Paulo é imprestável nem, muito menos o referido KAGAN na falta do papel higiênico ambos ajudam.

andrei barros correia (31/08/2008 - 11:57)

Azenha, texto muito preciso. Maniqueísmo misturado a ignorância histórica é muito explosivo.

As visões religiosas interventivas são catastróficas.



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