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A Folha e os bilhetes de Getúlio

Atualizado em 08 de novembro de 2009 às 16:13 | Publicado em 08 de novembro de 2009 às 16:05

07/11/2009 - 10h45
Bilhetes inéditos de Getulio revelam nepotismo, solidão e controle do "Última Hora"

CAIO BARRETTO BRISO
da Folha de S.Paulo, no Rio


Bilhetes recém-descobertos da última fase no poder de Getulio Vargas (1883-1954) revelam um presidente sufocado, atento a miudezas da administração e ao comportamento da imprensa, em especial do jornal criado por Samuel Wainer para apoiá-lo ("Última Hora").

A primeira parte dos bilhetes, de 1951, foi divulgada pela Folha em 24 de agosto deste ano. Já os bilhetes de 1954, aproximadamente 200, foram encontrados em setembro, sendo de teor inédito.

De compreensão razoável, a letra de Getulio está em cada um dos quase 700 bilhetes que o presidente escreveu para seu Chefe da Casa Civil, Lourival Fontes, em 51 e 54.

Cada bilhete, em papel já amarelado pelo tempo, traz a marca do período turbulento que Getulio viveu na sua volta ao Palácio do Catete, sede do governo federal quando o Rio era a capital do país, culminando com seu suicídio.

Neles, Getulio demonstra sua insatisfação com a imprensa ("Noto que os jornais (...) não publicam os numerosos atos (...) diariamente praticados pelo Poder Executivo"), preocupação com seus discursos ("Na fala de São Paulo, é preciso cortar esse trecho onde diz que o Brasil é um país pobre"), atos de nepotismo ("A viúva do senador Salgado Filho pede interferência (...) afim de que seu sobrinho (...) não seja exonerado") e sua influência no jornal "Última Hora", de Samuel Wainer, que apoiava seu governo ("Diga ao Wainer que a edição de hoje tem muito esporte"; "Pergunte ao Wainer se os temas do Mercado Municipal e do Tribunal de Contas já estão esgotados").

Ontem de manhã, Celina Vargas --neta de Getulio-- e Francisco Baptista Neto doaram os documentos ao Arquivo Nacional, no Rio. Os bilhetes foram guardados e mantidos sob sigilo desde 1967 pelo pai de Baptista Neto, o ex-governador sergipano Lourival Baptista, amigo de Fontes, que recebeu deste os documentos oficiais.

"Eles mostram um presidente atuante e atento a todos os assuntos do governo", diz Baptista Neto. "E mostram também que a ideia de que ele era um velho despreparado para governar, que a oposição tentou vender, é absurda", acrescenta Celina.

Em um dos últimos bilhetes, provavelmente um mês antes de seu suicídio, sob intensa pressão, ele desabafa: "Querem me aprisionar. Não sou prisioneiro de ninguém".

Exposição e livro

Baptista Neto, Celina Vargas e o Arquivo Nacional têm o projeto de, em um ano, montar uma exposição itinerante com todos os bilhetes e também com fotos de Getulio que integram o acervo iconográfico do Arquivo Nacional, além de editar um livro que contextualize os quase 700 bilhetes encontrados.

NOTA DO VIOMUNDO: Contextualizar é a palavra-chave. E a Folha não contextualiza. Não explica porque um presidente da República precisou lançar um jornal para apoiá-lo: porque a oposição, representante da elite brasileira e do capital internacional, usou os jornalões para promover uma intensa campanha para desmoralizar, desgastar e derrubar Getúlio. Mas dizer isso coloca em xeque o mito da imprensa "neutra" e "imparcial". E pode remeter o leitor a outros episódios nada edificantes da história de nosso imprensalão.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Renato (24/11/2009 - 12:34)
Mangueira, o Getulio Vargas é um Chaves do passado. Ditador.
Derrubou, não. Nem Deixou tomar posse um Presidente Eleito.
Vargas foi derrotado em 18 estados, Venceu em apenas 3.
Além disso, patrocinou mortes de 2.500 paulistas e estrupos pelo interior do Estado de SP.
Graças ao Senhor Vargas, o Brasil deixou de ser um país liberal.
Paulista odeia Vargas.

Mangueira (14/11/2009 - 23:08)
Acho que falar sobre Getúlio é falar da História do Desnvolvimento do Brasil, pelo que ele fez. Se em 1930 a camarilha de SP (Júlio Prestes) estivess no poder fatalmente seriamos um país prá-lá de sub desenvolvido.Agora só lamento que SP não tenha alguma praça ou rua em homenagem a Getúlio, isto prova o rancor com o resto do Brasil. Aqui como no do resto do Brasil sentimos um orgulho imenso de ter alguma praça, rua ou avenida com o nome do brilhante brasileiro a que tenho como o maior político desse Brasil que se chama Getúlio Vargas.

Renato (10/11/2009 - 12:32)
Semelhanças Getúlio e Chaves.
Os dois são ditadores. São Populistas e Gostam da política de Pão e Circo.
Graças a Deus que aqui na Paulista não tem nenhuma Avenida, Praça e rua com o nome desse canalha.
Derrubou um presidente eleito, o exercito sob as ordens dele matou 2200 paulistas, estrupos pela cidades do interior do Estado de São Paulo.

Renato (10/11/2009 - 12:29)
Agora eu sei o por que que a Esquerda e os Sindicatos amam Getúlio. Ele deu golpe, derrubou um presidente Eleito. E ainda matout 2200 paulistas. Sem falar nos estrupos praticados pelo exercito brasileiro pelo interior do estado de São Paulo, durante a Revolução Constituicionalista.

Carlos. (09/11/2009 - 11:34)
Na folha tem uma seçãozinha chamada "Na Folha, a 50 anos", em que se destaca algo que a Folha publicou 50 anos antes. Eu morro de curiosidade de saber o que será rememorado nos dias 31/03, 1/4 e 2/4 de 2014.

Fernando Trindade (08/11/2009 - 20:23)
Por que será que a Folha, CINQUENTA E CINCO ANOS após a morte de Getúlio (o último e radical gesto político de Vargas), ainda sente necessidade de manipular uma notícia para atacá-lo?

Por que atacar Getúlio neste momento político? E só à sua memória que querem atingir? Ou será que a retomada e o crescimento do movimento nacional e popular que ora assistimos no País (e o ator político que lidera esse movimento) não é o alvo oculto por trás de Vargas?

Leider Lincoln (08/11/2009 - 19:41)
Klaus, sério? Foi mesmo?!? No período em questão? Ou de 1937 a 1945, o que NÃO é o mesmo período em que os bilhetes oram escritos? Contextualização ou folhificação: cada um escolhe o que mais coaduna com seu caráter...

Klaus (08/11/2009 - 19:23)
Getúlio foi também ditador, uma ditabranda, mas ditadura.

Ronaldo Braga (08/11/2009 - 19:14)
Poucas vezes vi um slogan tão apropriado quanto este que O Globo está utilizando: "Muito além do papel de um jornal". Com ou sem duplo sentido não diz tudo mesmo?

Lucia (08/11/2009 - 18:36)
Eles jamais fariam isso! Seria mostrar o real papel que tem e teve a mídia em manter o " status quo" das zelites. No época de Getúlio eles tinham o poder de influenciar a opnião publica. Hoje, graças a Deus que existem os blogs para nos esclarecer e jogar luz sobre tudo que publica a grande imprensa e com isso vão ajundado a criar uma sociedade mais crítica. Menos manipulada

Marcos D. (08/11/2009 - 18:30)
Abaixo vai o link do texto em que comento a nova política trabalhista adotada por Vargas e Jango entre 1951-1964:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/11/vargas-jango-e-nova-politica.html

Marcos D. (08/11/2009 - 18:28)
A campanha contra o governo de Getúlio Vargas, feita pelo PIG da época (na verdade, é o mesmo de hoje...) e pelos grandes empresários, teve várias causas, como:

1) Nomeação de Jango para o Ministério do Trabalho, no qual foi implantada uma nova política trabalhista (ver link abaixo);

2) Reajuste de 100% para o salário mínimo, concedido em 01/05/1954;

3) Criação da Petrobras e adoção do monopólio estatal do petróleo;

4) 'Greve dos 300 mil', em São Paulo, que o governo Vargas se recusou a reprimir, irritando profundamente os empresários paulistas.

Assim, foi o fato de Vargas ter adotado uma política nacionalista e de aproximação com as classes trabalhadoras que provocou o Golpe de Estado que o derrubou do governo e que o levou a cometer suicídio em 24/08/1954


Moacir Simples Assim (08/11/2009 - 18:12)
Olá, Azenha e amigos leitores,

Uma pequena observação à nota de Viomundo:

Segundo relatado pelo próprio Samuel Wainer em seu livro de memórias "Minha Razão de Viver", não foi Getúlio quem criou o jornal Última Hora, mas este apenas atendeu à sugestão do referido jornalista, que havia se tornado seu amigo desde alguns anos antes, de fundar um veículo independente, embora contasse com financiamento público, mas não só, que divulgasse além dos erros de Getúlio, também os seus acertos.

De resto, todos os jornais da época usufruiam de verbas federais em montante até maior do que aquelas destinadas ao jornal Última Hora, como, aliás, é assim até hoje.

Abraços

Ana Maria (08/11/2009 - 17:42)
Alguem conhece alguma coisa parecida?

jose carlos lima (08/11/2009 - 17:09)
Tempos atrás o JN falou deste bilhetes, claro, fazendo o recorte apropriado para a emissora, ou seja, destacando aqueles bilhetes que de alguma forma pudesse ser editado no sentido de dizer ao telespector que Getúlio praticou o clientelismo ao atender a pedidos de um ou de outrem, não me lembro exatamente o que, mas vi que a Globo se preocupou em fazer tal recorte. Esta gente não perde tempo.

george (08/11/2009 - 16:53)
A imprensalona há muito deixou de lado a sua função de informar e passou a mentir, manobrar; hoje chega ao fundo do poço traindo o país.



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