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Delação de Delcídio ainda precisa de provas. Mesmo quando denuncia prejuízo de R$ 1 bi em negociatas na Petrobrás sob Joel Rennó

15 de março de 2016 às 20h53

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FHC estava no Planalto quando o tucano Delcídio era diretor da Petrobrás: ele narrou corrupção na compra da P-36, que afundou, e na atuação da empresa Marítima, contratada por Joel Rennó

Da Redação

Lemos com atenção toda a delação premiada do senador Delcídio do Amaral, que hoje deixou o PT.

O senador é a síntese do tucano-petismo ao qual nos referimos seguidamente: todos os escândalos iniciados no governo de FHC sobreviveram e às vezes floresceram sob o governo Lula.

Sanguessugas, vampiros, mensalão, petrolão…

Não foi falta de aviso de uma tendência do PT, que tentou barrar a filiação de Delcídio, como denunciamos aqui.

Sem moralismo: o incentivo está na necessidade do financiamento de campanha, com as sobras dirigidas ao enriquecimento pessoal.

A delação do senador nos fez lembrar de um episódio que vivemos na Globo: a denúncia de que policiais rodoviários federais do Rio cobravam propina de motoristas que eram parados e descobertos com irregularidades em seus automóveis ou documentos, num posto de uma rodovia que cortava o estado.

A reportagem foi ao ar, com imagens de motoristas que deixavam o dinheiro para que fosse recolhido pelos policiais.

Porém, na Justiça, os acusados contestaram: argumentavam que não havia imagens dos policiais recolhendo o dinheiro da propina. Da última vez que tivemos notícia do caso, os acusados esperavam absolvição e pretendiam processar a emissora em busca de indenização. Alegavam que nunca foram filmados recolhendo o dinheiro e, portanto, não havia prova material do pagamento de propina.

Nosso ponto: na Justiça, diferentemente do jornalismo investigativo, é preciso mostrar a cadeia de provas que une o motorista corruptor ao policial corrupto: o dinheiro ou a vantagem precisa passar direta ou indiretamente entre um e outro.

Na delação de Delcídio, isso claramente não acontece. Foram acrescentadas “provas” para corroborar a delação de Delcídio, mas até agora são bastante frágeis: agendas, viagens realizadas pelo senador, etc.

Explicamos: Delcídio diz que teve uma conversa com a presidente Dilma nos jardins do Alvorada, destinada à nomeação de um juiz que soltaria réus da Lava Jato.

Porém, fica a palavra dele contra a dela. A não ser que fosse exibida uma gravação de áudio do encontro, mesmo que os dois tenham de fato se reunido na data e hora mencionadas pelo delator, isso não significa absolutamente nada.

Podem ter conversado sobre o que Delcídio denunciou, ou sobre bicicletas e gatos.

Isso não vale apenas para Lula ou Dilma. Vale também para as denúncias de Delcídio contra Aécio Neves ou Fernando Henrique Cardoso.

O presidente do PSDB teria pedido ao senador Delcídio um tempo para “maquiar” os documentos enviados pelo Banco Rural à CPI dos Correios, de forma a livrar aliados do tucano.

Esta declaração não vale absolutamente nada, a não ser que a Polícia Federal requisite novamente os dados do banco e os compare com aqueles oferecidos à CPI.

Se de fato houver discrepância, será batom na cueca.

Também não dá para sustentar a versão de Delcídio segundo a qual Aécio teria recebido propinas através da estatal Furnas.

É preciso requisitar formalmente a delação premiada do operador Nilton Monteiro, que está disposto a colaborar com autoridades federais.

Nilton, que foi preso por agentes ligados a Aécio durante a campanha eleitoral de 2014, é capaz de fornecer o mapa da mina para todos os esquemas de financiamento tucano através de caixa dois em Minas Gerais, inclusive a famosa lista de Furnas do diretor de Engenharia da estatal Dimas Toledo, que incrivelmente sobreviveu no cargo depois que Lula ascendeu ao Planalto. Foi, mesmo, uma indicação de Aécio a Lula?

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a-delao-de-delcdio-78-638Da mesma forma, Delcídio apenas forneceu indícios de um prejuízo que soma U$ 270 milhões à Petrobras durante a gestão de Joel Rennó na Petrobrás.

Ele dirigiu a empresa nos governos Itamar e no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, quando Delcídio era tucano e diretor da Petrobras (veja documentos).

Por valores de hoje, seria cerca de R$ 1 bilhão, sem considerar a inflação.

Como poderia agir a Polícia Federal neste caso? Fazendo uma devassa na vida de Joel Rennó, German Efromovich e na empresa Marítima.

Além disso, seria preciso analisar as relações dos acusados por Delcídio aos presidentes da época. Não havendo provas, é puro disse-me-disse de Delcídio.

Que fique claro: isse vale para o PT, para o PSDB e para qualquer partido denunciado na Lava Jato.

Leia também:

Veja o depoimento completo de Delcídio

 

13 Comentários escrever comentário »

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Sidnei Brito

16/03/2016 - 15h40

E quem vai ressuscitar o Paulo Francis?

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Julio Silveira

16/03/2016 - 13h08

Quando o Brasil tiver justiça, e ela for isonômica, eu passo acreditar na punição dos grandes, inclusive dos Marinho, que fazem do Brasil sua casa de bonecas.

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FrancoAtirador

16/03/2016 - 13h08

.
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Curiosidade
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Afinal de Contas,
o Delator é o Delcídio
ou o “Marzagão”?
.
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Responder

Orlando Bernardes

16/03/2016 - 11h22

Tudo muito correto, muito bonito mas a nossa justiça atual, para prender petistas, não precisa de provas. Vide o que aconteceu com o chamado processo do ” mensalão ” e o que vem acontecendo com a ” Lava Jato “. Exemplo: O tesoureiro do PT – Vaccari, foi preso e condenado pelo ” juiz ” Moro, a 19 anos de prisão só porque um delator, dono de empreiteira, disse que os valores dados e registrados no TSE, para a campanha do PT, era propina. Simples assim. O mesmo empreiteiro doou mais dinheiro até, para o PSDB ( Aécio ), mas o juiz não quis saber ( ” Não vem ao caso ” ) se era também propina. Pausa para gargalhadas…..

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augusto

16/03/2016 - 09h31

Basicamente a velha mídia faz acusação e dão veredito e ficam na porta pra ver a policia cumprir as suas ordens. Se for PT é culpado, se PSDB e afins,inocente, tudo invenção de procuradores lulo-petistas. O nazi-fascismo ao alcance de todos.

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Leo

15/03/2016 - 23h19

Azenha, acho muito improvável que Delcídio esteja mentindo. Note que ele delatou a propina de Aécio em Furnas, coisa que o Viomundo vem denunciando há séculos!
.
É! O Delcídio disse a verdade e a corrupção no Brasil leva um duro golpe.

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ADEMAR RAMOS BRILHANTE

15/03/2016 - 22h45

Tá dominado, tá tudo dominado, pela sujeira, que loucura!

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    augusto

    16/03/2016 - 09h28

    Concordo. mais ou menos isto. Uma guerra sem fim de disse me disse.

Fabio Nogueira

15/03/2016 - 21h45

RECADO PARA LULA
Teori Zavaski mandou hoje um recado para o presidente Lula ao tomar sua decisão sobre a família de Eduardo Cunha. Mulher e filha de Eduardo Cunha não têm foro privilegiado, portanto, quem vai julga-las é Sérgio Moro. Lula decide hoje (coincidência, né Teori?) se vira ministro de Dilma e escapa de Curitiba, e vai ter que levar em consideração a possibilidade de Dona Marisa e Fabio Lula serem atirados aos porcos, para que roam até os ossos.

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ana s.

15/03/2016 - 21h27

Muito bem, Azenha. É isso mesmo que tenho dito. Não podemos relativizar as denúncias contra quem apoiamos e considerar verdade as denúncias contra os do outro lado. Estou sempre dizendo, seja qual for a denúncia: delação NÃO É prova, é só um ponto de partida para investigações. Se não restar provado…

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