Atualizado em 11 de abril de 2008 às 16:54 | Publicado em 27 de dezembro de 2007 às 20:36

A 877 quilômetros por hora o avião da United Airlines vai atingir a Torre Sul do World Trade Center, em Nova York. Eram 9h02:59 do dia 11 de setembro de 2001.
Num dos andares atingidos diretamente pelo impacto estava Stanley Praimnath, que entrevistei em 2003 para uma reportagem do "Fantástico" sobre o segundo aniversário do ataque terrorista. Stanley se escondeu sob a mesa do trabalho. Um pedaço da asa do avião ficou a apenas seis metros dele, em chamas.
Na Torre Sul, só 18 pessoas que estavam acima da zona de impacto (andar 83) conseguiram se salvar.

Brian Clark foi uma delas. Um homem afável, que entrevistei em 2003. Ele abriu mão do horário de almoço para nos acompanhar até o Marco Zero, o buraco deixado pela destruição das Torres Gêmeas. Brian foi o anjo da guarda que salvou Stanley Praimnath. E vice-versa. Os dois são personagens destacados no livro 102 Minutos, de Jim Dweir e Kevin Flynn. Uma hora e quarenta e dois minutos. Foi o tempo entre o impacto do primeiro avião e o segundo desabamento.
O amigo Davy esteve conosco no topo de um prédio vizinho ao Marco Zero, em setembro de 2004. Fazíamos uma reportagem sobre o terrorismo no mundo. Olhando dali, fiquei imaginando o que meus dois entrevistados, Stanley e Brian, enfrentaram durante a tragédia.
Brian, o anjo da guarda, estava no andar 84, atingido pela asa direita do avião.
O livro descreve: No escritório da Euro Brokers, no andar 84, Brian Clark ouviu o abalo. Um instante depois, escutou um poderoso baque, talvez uma explosão ou uma onda de choque, talvez combustível incendiado em algum lugar. Foi o baque e o segundo ruído que pareceram destruir o espaço da Euro Brokers, estourando portas e portais para fora das paredes, arrancando lâmpadas e alto-falantes do teto, numa explosão sem fogo. Partes do piso elevado vergaram. O mais provável é que pelo menos 50 dos corretores da firma, todos no canto sudeste da torre, tenham sido mortos naquele instante: quando se inclinou, o avião entrara diretamente no espaço que ocupavam.

Esta ilustração, publicada no livro "102 Minutos" e produzida pelo jornal "New York Times", mostra como o avião bateu na Torre Sul. Fiz a marca em vermelho. Era onde estava Brian Clark, aproximadamente, na hora do impacto, no andar 84. Em azul, a localização aproximada de Stanley Praimnath, no andar 81. Em amarelo, a única escada do prédio que ficou desimpedida - foi por onde os dois escaparam.
Quando o choque aconteceu, Stanley estava sob a mesa de trabalho. Ele rastejou entre os escombros até perto da escada de emergência. Brian, três andares acima, nos contou a mesma história publicada no livro "102 Minutos":
Brian sentiu o prédio inclinar-se para oeste, na direção do rio Hudson, como fazia durante os ventos fortes, mas agora parecia continuar empurrado com força maior que a de qualquer vento. Brian formou um triângulo de apoio com pés e mãos para manter-se de pé. As oscilações continuaram durante quatro minutos, refluindo gradualmente.
Brian Clark era da brigada de incêndios do prédio. Um homem precavido. Tinha uma pequena lanterna no bolso.

Esta ilustração, publicada no livro "102 Minutos", mostra a posição de Brian Clark quando o avião bateu. Cada andar do WTC tinha 3.600 metros quadrados, o equivalente a meio campo de futebol. É compreensível que cerca de 50 colegas de Brian tenham morrido na hora por causa do impacto do avião, mas ele e alguns colegas conseguiram escapar. Caminharam em direção à escada de emergência A, a única desimpedida no prédio - e começaram a descer. Em alguns minutos, Brian salvaria a vida de Stanley Praimnath. E seria salvo por ele.