Atualizado em 30 de julho de 2008 às 15:38 | Publicado em 29 de março de 2008 às 17:34
O bispo Edir Macedo posa na porta de uma das sedes da igreja dele, nos Estados Unidos. Foi em Newark, Nova Jersey, que conheci o chefe da Igreja Universal do Reino de Deus. Já era um fenômeno o crescimento da igreja, mas ele ainda não tinha se tornado dono de uma bancada no Congresso, nem da rede de rádios e tevês que controla hoje em dia.
Edir Macedo causava polêmica, acusando a Igreja Católica de perseguí-lo usando para isso a Rede Globo. Polêmica parecida com a que está acontecendo em Madagáscar, a ilha-república na costa da África. O governo do país, onde vivem cristãos e muçulmanos, decidiu expulsar os pastores da Universal, alegando que eles fazem parte de uma seita.
Segundo o Ministério do Interior, 36 brasileiros receberam ordens para deixar o país. Em 2004, quatro integrantes da Igreja Universal foram condenados a seis meses de cadeia por queimar Bíblias no centro de uma cidade de Madagáscar.

A placa na porta da igreja, na Segunda Avenida, em Manhattan, dizia: "Se você tem vícios, insônia, pensamentos suicidas, dores-de-cabeça constantes, se foi vítima de macumba ou bruxaria, venha e receba liberdade completa". Na época de nossa entrevista, Edir Macedo era acusado de forjar curas num evento em que lotou o Maracanã. Uma fiel morreu no estádio. Bispos da igreja diziam que a morte aconteceu antes da bênção. Portanto, a mulher "ainda não estava sob a proteção divina".
A Rede Manchete pediu que eu investigasse a igreja. Fui assistir a um culto. Recebemos permissão para gravar. Dois pastores conduziam a reunião com uma dúzia de fiéis. Um órgão desafinado dava apoio aos cânticos. Era uma das quatro igrejas que a Universal havia estabelecido em Nova York, todas em bairros pobres. Na época, a região de Manhattan onde a igreja estava instalada era decadente.

Um dos pastores pegou no colo o filho de uma imigrante hispânica. Segundo ele, a criança tinha sido curada na igreja de uma doença de pele. Uma integrante da igreja deu entrevista dizendo que um caso de AIDS tinha sido eliminado ali mesmo, através de orações. Na época o bispo Macedo queria expandir a igreja pela África - o que já fez, com grande sucesso. O salto internacional deveria ser baseado em Nova York - nisso os planos dele não deram certo.
A cidade experimentou vinte anos de crescimento econômico, o aluguel em Manhattan está uma fortuna e ficou ruim de convencer um novaiorquino a pagar dez por cento do salário para qualquer causa, quanto mais uma igreja estrangeira. Corremos atrás do bispo, quando ele apareceu em Nova York.
"Nova York é o centro do mundo, segundo dizem a lata de lixo do mundo. Todos os povos se concentram aqui, então o nosso desejo é fazer de Nova York o centro de evangelização do mundo", ele afirmou. Apertei o bispo insistindo num ponto: a igreja estava ganhando dinheiro justamente nos bairros mais pobres, cobrando o dízimo, dez por cento do salário, de gente miserável.
"A Bíblia diz que onde abundou o pecado, super-abundou a graça de Deus. Onde há miséria, onde há mais necessidade, lá é que tem que se manifestar Deus", ele argumentou. Desde então o bispo deixou de aparecer. Expandiu a Igreja Universal, montou seu império na mídia e uma bancada no Congresso brasileiro. Fez tudo isso de bico calado.
Por isso reproduzo aqui algumas pérolas da entrevista que ele deu em Nova York:
"Eu agradeço a Deus pelo plano Collor [aquele que congelou as contas bancárias dos brasileiros] por que beneficiou o mais pobre, o necessitado".
"Se eu fosse uma pessoa que estivesse interessada em dinheiro, eu seria um político. Um senador, por exemplo, o que me daria oito anos de cargo, ganhando um bom salário e todas as mordomias de um senador".
"Todo o aparato [da Igreja Católica] é apenas para enganar as pessoas leigas, que não sabem que o Vaticano é um estado político e que atrás daquelas imagens, daquela religiosidade, daqueles ritos funciona um negócio comercial. O Brasil começou com uma missa. Até hoje se fazem missas e nada resolveu".
"Ela [a Igreja Católica] cobra o nascimento, a Primeira Comunhão, o casamento, a morte. Cobra o cemitério, porque tem monopólio dos cemitérios, e as instituições dela tomam muito dinheiro do governo (...) É o estado mais rico do mundo, o país mais rico do mundo é o Vaticano".
Publicado originalmente em 2005
Eu até concordo em parte que esta instituição tem dado importância ao dinheiro. Mas também temos que aplaudir esse trabalho que ele(Edir Macedo) tem feito, na recuperação de drogados, lares outrora destruídos, empresários que estavam à beira da falência, vidas que estavam condenadas ao sofrimento, e que hoje respiram aliviadas. Muito prazer eu sou um deles!!!