Atualizado em 30 de julho de 2008 às 19:46 | Publicado em 30 de setembro de 2005 às 09:20

Dezenas de pessoas - desesperadas com o calor, o fogo, a fumaça e a falta de ar - saltaram das torres do World Trade Center, no dia 11 de setembro de 2001. O livro "102 Minutos, a História inédita da luta pela vida nas Torres Gêmeas", se baseia em depoimentos impressionantes.
Testemunhas viram gente se jogando de andares altos da Torre Norte logo depois que o avião pilotado por terroristas explodiu contra o prédio, às 8h46:30 da manhã. Para centenas de pessoas nos andares superiores da Torre Norte, segundo o livro, a morte chegou em meio a um estrondo. Mais tarde, os restos de um homem que trabalhava na Marsh & McLennan, que ocupava salas do andar 93 até o 100, foram encontrados a cinco quarteirões da torre.
Os autores do livro, Jim Dwyer e Kevin Flynn, calcularam que havia 14.154 pessoas no World Trade Center quando o ataque aconteceu. A maioria delas conseguiu se salvar. A tragédia poderia ter sido muito pior.
O amigo Leandro Guedes, que morou em Toronto, no Canadá, esteve em Nova York em julho de 2005. Fez a foto acima. Os prédios espelhados ao fundo fazem parte do World Financial Center. Em primeiro plano aparece o buraco deixado pela destruição das torres gêmeas. Entre eles, um muro de contenção que resistiu à tragédia.

O muro foi construído para evitar que o rio Hudson inundasse os sete andares que existiam no subsolo do World Trade Center. Neles funcionavam lojas, garagens e plataformas de metrô e de trens de subúrbio. Milhares de pessoas desembarcavam diariamente na estação que serve à região de Wall Street.

Esta foto ilustra bem o risco. Do lado direito, o rio Hudson, que desce em direção à baía de Nova York e desagua no oceano Atlântico. Os prédios com as cúpulas verdes são os do World Financial Center. O buraco à esquerda é onde ficava o World Trade Center. Se o muro de contenção tivesse se rompido, engenheiros acreditam que a força da água poderia ter inundado parte do sul da ilha de Manhattan, arrastando prédios inteiros. É uma teoria controversa e assustadora.

Na foto acima, os prédios de teto esverdeado aparecem em primeiro plano. Do outro lado do rio fica Jersey City, no estado de Nova Jersey. É uma cidade- dormitório para pessoas que trabalham em Nova York. Trens de subúrbio usam túneis construídos sob o leito do rio. Se as garagens do World Trade Center tivessem sido inundadas, os túneis também seriam ocupados pela água. O metrô de Nova York corria o mesmo risco. Milhares de pessoas poderiam ter morrido afogadas. Pouca gente se dá conta de que o desabamento das torres espalhou a morte pela região.

A fachada de um dos prédios do World Financial Center sofreu danos. Gente que apenas assistia, do solo, morreu quando foi pega de surpresa pelos desabamentos. Como mostra o livro que citei acima, pouquíssima gente acreditava que os prédios não resistiriam ao impacto dos aviões. Pouca gente sabia que a estrutura das Torres Gêmeas não tinha sido testada contra incêndios de longa duração. Nem que os construtores haviam sacrificado espaço das escadas de emergência para aumentar a metragem dos escritórios.

Em 2004, pouco antes do terceiro aniversário da tragédia, gravei com o cinegrafista Orlando Moreira no topo de um edifício vizinho ao Marco Zero. Entre nós aparecem os prédios do World Financial Center. Atentem para uma estrutura menor, toda de vidro, entre os edifícios. O jardim de inverno do World Financial Center é um dos lugares mais surpreendentes de Manhattan.

Esta é a vista dele para quem está na margem do rio Hudson. Quatro mil destes painéis de vidro foram destruídos pela chuva de aço e concreto que acompanhou o desabamento das torres. A reconstrução incluiu o replantio de 16 palmeiras, cada uma com 12 metros de altura.

Muitos turistas se surpreendem com as árvores gigantes, protegidas pela redoma de vidro. Acreditam que são artificiais. O escritório da TV Globo em Nova York fica a alguns quarteirões de distância. Quando fui correspondente da emissora na cidade eu morava na vizinhança. Num dia de folga, passeando por aqui, decidi matar a curiosidade. De onde vieram as palmeiras?
Viajaram do deserto de Mojave, na Califórnia, até Nova York. Foram cuidadosamente embaladas para a viagem. Estão firmemente plantadas no solo. São o um símbolo de que a reconstrução está avançando rapidamente.
Publicado originalmente em 2005
E sobre o Edifício (WTC 7)?