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EMPRESA QUE VALIA 3,5 BI NO PAPEL VENDIDA POR 236 MILHÕES; FED TENTA CONTER SEGUNDA-FEIRA DE PÂNICO

Atualizado em 17 de março de 2008 às 10:02 | Publicado em 16 de março de 2008 às 19:34

SÃO PAULO - Segunda-feira, 10 da manhã. A Nikkei, bolsa japonesa, fechou com perda de 3%, o menor valor desde agosto de 2005. O dólar bateu em 96 ienes, para desespero dos exportadores japoneses.

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SÃO PAULO - São 22:51 em São Paulo e a bolsa de Tóquio está perdendo 411 pontos. O dólar continua em queda em relação ao yen. A bolsa japonesa está aberta desde as 9 da noite, horário de Brasília. Ou seja, já teve tempo de absorver as notícias dos Estados Unidos e continua em baixa. Se ficar como está será uma segunda-feira terrível nos mercados financeiros.

SÃO PAULO - Este é o prédio da Bear Stearns em Manhattan. As ações da empresa valiam U$ 3,54 bilhões na noite de sexta-feira. Ela acaba de ser vendida em Nova York ao JPMorgan por 236 milhões de dólares, caso contrário declararia falência segunda-feira de manhã. O Banco Central americano anunciou o negócio antes da abertura do mercado em Tóquio, para evitar pânico. Também anunciou uma redução de juros em pleno domingo à noite (para 3,25%) e criou uma ferramenta especial para fazer empréstimos às instituições financeiras americanas que precisarem nos próximos seis meses.

Agora são 20:24 em São Paulo. A Bolsa de Tóquio abriu em queda de 400 pontos. Segura na cadeira...

Às 21:33, depois de 33 minutos de negociações em Tóquio o dólar atingiu seu valor mais baixo em relação ao yen dos últimos 12 anos. A Bolsa de Valores de Tóquio caiu pela primeira vez abaixo dos 12 mil pontos desde agosto de 2005. Segue em queda de cerca de 2%.

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SÃO PAULO - Das duas, uma: ou a proximidade faz a coisa parecer menor do que é ou só à distância é possível ter uma visão mais ampla do buraco em que está se metendo a economia dos Estados Unidos. Já é possível dizer: o buraco é grande. Se o carro vai capotar ou não é imprevisível. Também é impossível dizer qual será exatamente o impacto no resto do mundo.

Digo isso por causa do tom distinto da cobertura. Os jornais mais próximos de Wall Street admitem que as coisas não andam bem. Mas tem gente que ainda diz que a hora de comprar ações é agora, na baixa, para tirar proveito da recuperação irreversível do mercado. Um tipo de sugestão que tem grande impacto nos Estados Unidos: mais da metade dos americanos tem algum dinheiro investido no mercado financeiro.

Já na Europa a visão é mais pessimista. Tanto que um jornal britânico como o Independent, que tem poucas ligações com o mercado, publicou no domingo 16: "Wall Street teme a próxima Grande Depressão."

A editora de Negócios do jornal, Margareta Pagano, se baseia no fato de que, apesar de todas as intervenções feitas até agora pelos bancos centrais, especialmente pelo americano, "os bancos comerciais ainda se negam a emprestar uns para os outros."

Um analista dá como certa a recessão no Reino Unido. Outro diz que Itália e Espanha caminham na mesma direção. A economia da Alemanha está sólida.

Há consenso nos dois lados do Atlântico sobre a crise de confiança. Sobre o medo de fechar negócios. Como escrevi em outro texto, a crise das hipotecas espalhou papéis ruins pelo mundo. O Joe Doe (que é como se referem ao Zé da Silva americano) deixou de pagar as prestações em Denver, Colorado, mas a essa altura - dada as peculiaridades do mercado financeiro dos dias de hoje - a dívida dele está pendurada numa cesta de investimentos de um aposentado britânico.

Centenas de milhares de americanos deixaram de pagar a hipoteca e o rojão está estourando no mundo inteiro.

Há vários motivos para isso:

1. A rapidez das transações eletrônicas, algumas das quais são feitas entre dois computadores;

2. A multiplicação de investimentos que passam praticamente batidos pelas autoridades encarregadas de fiscalizar o setor financeiro;

3. A interdependência dos grandes grupos financeiros, alguns dos quais são irmãos siameses.

4. A dúvida sobre a capacidade dos bancos centrais de controlar a situação, especialmente depois de seguidas intervenções.

Mesmo o Wall Street Journal, que não está soando o alarme do fim do mundo, diz que chegou a hora do acerto de contas.

Olhem esse parágrafo escrito por Liz Rappaport e Justin Lahart: "A cascata de notícias ruins dos últimos dias, culminando com a operação de salvamento da Bear Stearns, está acelerando a erosão na confiança e longevidade de algumas instituições financeiras nobres dos Estados Unidos. A crise de confiança já se estende a todos os tomadores de empréstimo - inclusive os donos de imóveis americanos, que assistem à perda de valor de seu principal bem [ a casa própria] -, levantando dúvidas até mesmo sobre a capacidade do Banco Central e do governo de reparar rapidamente os problemas".

"Bancos e firmas de Wall Street estão desconfiados de tal forma uns dos outros que estão deixando de fazer negócios", registra o jornal. Isso explica o fato de que a onça de ouro, a maior garantia contra a inflação, está chegando perto de mil dólares.

E a confiança do consumidor americano, responsável por fazer girar a maior economia do planeta? A pesquisa mais recente do Wall Street Journal/Rede NBC mostra que apenas 20% acham "que o país está no caminho certo".

Pior: a dívida conjunta dos domicílios americanos bateu em 13,8 trilhões de dólares no fim de 2007, a maior parte em hipotecas e outras linhas de crédito ligadas à casa própria.

E o investidor estrangeiro? Está caindo fora, aos poucos.

Diz o jornal que é porta-voz de Wall Street: "Isso é uma perspectiva preocupante para uma economia de baixa poupança e alto endividamento, que depende de 2 bilhões de dólares por dia de financiamento externo."

Um entrevistado lembra que o dólar e as hipotecas podres são duas faces da mesma moeda. Muitas instituições e fundos estavam especulando no mercado de papéis garantidos pelas hipotecas com dinheiro emprestado no Japão.  Agora eles se desfazem do investimento e convertem o dinheiro de novo para o yen. O valor dos papéis despenca. E o dólar vai junto. O Wall Street Journal fala na possibilidade de um crash do dólar.

Segundo o Fed, a moeda americana perdeu 14,3% de seu valor em relação a um cesta de moedas estrangeiros nos últimos doze meses. Isso fortalece o setor exportador dos Estados Unidos, que vem aí disputar mercado.

Agora, está em andamento a corrida para encontrar comprador para a Bear Stearns e evitar que o colapso da quinta maior empresa de Wall Street arraste junto outras. Falou-se no grupo financeiro Citic, da China. Seria irônico demais: dinheiro comunista salvando um banco de Wall Street.

PS: Logo depois de escrever esse texto pintou nas últimas notícias do New York Times que a Bear Stearns vai declarar falência nesta segunda-feira se não conseguir ser engolida pelo principal concorrente, o JPMorgan. O Banco Central americano quer que o negócio seja fechado antes das nove da noite deste domingo, quando abrem os mercados em Tóquio. Que domingo, hein?! O Banco Central americano acaba de reduzir novamente a taxa de juros nos Estados Unidos para 3.25%. São 20:34 em São Paulo. Quanto tempo a Folha e o Estadão vão levar para dar a notícia?

PS2: A Bear Stearns foi vendida ao JPMorgan por preço de ferro-velho, 2 dólares por ação, pouco mais de 200 milhões de dólares. É a barganha do século, já que a empresa tem um prédio gigantesco em lugar nobre de Manhattan. O Banco Central americano criou uma instituição paralela para ajudar aos bancos americanos a partir de amanhã cedo, com empréstimos a juros baixos pelos próximos seis meses. São 20:47.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Cláudio (18/03/2008 - 20:59)
Cid Elias, não foi só o teu comentário que não foi publicado, o meu também. Mas repito sem a mesma inspiração, pois já foi o improviso. Só lembro acerca de uma idéia que li, não sei o pensador, acerca de se transformar o CRÉDITO EM BEM DE UTILIDADE PÚBLICA. Passo a bola, talvez o Azenha venha com essa teoria, como alternativa e contraponto doutrinário, utópico?

cid elias (17/03/2008 - 23:19)
Azenha, por que meu comentário-teoria não foi publicado?

Flávio H. Nóbrega (17/03/2008 - 11:31)
O Brasil deve urgentemente incentivar a criação do Banco do Sul, para que a moeda corrente no Mercosul, ou Casan, seja efetivamente nossa. A experiência européia com a moeda própria, livre do dólar, mostra-nos o caminho a seguir. Um outro ganho seria a possibilidade de termos um Banco Central independente (independente dos interesses excusos do mercado...). O Banco do Sul acabaria com as reuniões prévias com investidores, com a tabelinha sem-vergonha. Abriríamos mão de um Banco Central nacional entregue às raposas para recuperarmos nossa autonomia, agora, em nível regional.

Patrick (17/03/2008 - 06:55)
Sobre as razões do petróleo alto mesmo com a invasão do Iraque, sugiro a leitura do livro "Armed Madhouse", de Greg Palast.

marcosomag (17/03/2008 - 06:01)
A verdade é a seguinte: os EUA estão super-mega-hiper endividados,tanto os cidadãos,como empresas e governos.O gigantesco balão de gás da "prosperidade" movida a créditos incobráveis está só começando a atingir o sistema financeiro.A torneira do crédito foi fechada, e o tombo nas vendas das empresas reduzirão a economia dos EUA à sua insignificância.A política econômica dos neo-cons,reduzindo impostos dos ricos enquanto aceleravam os gastos militares estão fazendo o mundo recusar o dólar norte-americano.Tal quadro levará a uma estagflação nunca vista.Coisa do estilo Alemanha:1923!Para saber mais sobre o assunto,recomendo este link do site "Resistir":"A metástase do sistema financeiro" em http://resistir.info/crise/whitney_15mar08.html/

Marcos (17/03/2008 - 05:39)
Bush acabou com o dólar. Este respira, ainda, por decisão política de países como China, Japão, Rússia, Brasil, que continuam comprando uma moeda que, a rigor, não vale absolutamente nada. Quando deixarem de comprá-la, já era.

Marcos (17/03/2008 - 05:36)
Os principais países emergentes que citei tem, somados, um PIB tão grande quanto o dos EUA, e ainda possuem um grande potencial de crescimento do seu mercado interno. É o caso do Brasil que, hoje, cresce puxado pelo mercado interno. São eles que estão, por enquanto, segurando o rojão da economia mundial. Por quanto tempo, ninguém sabe, mas agora estão fazendo isso, sim.

Ivan Moraes (17/03/2008 - 01:29)
Acho que so o predio da Bear Stearns vale mais do que os 236 milhoes! Eh panico nesse caso em especifico. A compania era solida. Das outras eu nao sei, mas investidor nao gosta muito de saber que nem seu mercado esta garantido, nem seu proprio dinheiro esta garantido. Nao eh questao de fazer lucros espetaculares todo ano pois investidor nao esta atraz disso. Mas em panico... nem isso eles vao atraz. O mais obvio desvio managerial dos EUA eh o preco do petroleo. Se o Iraq foi invadido pelo petroleo porque razao o preco disparou? Ninguem no Brasil sabe da historia energetica dos EUA mas sem gasolina barata o pais nao haveria passado de outro Brasil, e agora que esta de fato se abrasileirando por causa do monopolio aas maos proprias, ninguem aqui conhece a historia do Brasil: ciclo da borracha, ciclo do cafe, ciclo do ouro, ciclo da madeira, etc. etc. etc. Deles quase nada sobrou no Brasil, tudo exportado. Os EUA deixaram a infraestrutura economica nas maos de neoliberais e veja o que acontece: ciclo de ruina em um riquissimo pais. A contradicao da riquesa que a America Latina sempre enfrentou porca e malmente chegou aqui e o governo nao tomou alguma decisao de findar qualquer contradicao, principalmente porque... o Iraq nao eh conversa educada. Esta mais pra palavrao! Estou com uma tristesa enorme. Como eh que eu poderia dizer a uma populacao que mal ouviu falar do Brasil que panico eh contraprodutivo quando o panico das populacoes sempre foi tao enriquecedor pra pouquissimos na America Latina?

Sergio Telles (17/03/2008 - 01:11)
Os países que dependem demais da exportação pros EUA, como Japão e China entre outros sofrem bastante. A solução é diminuir o peso dos EUA reforçando laços entre os demais países, coisa que o Brasil já vem fazendo tem muito tempo. Os EUA vão exportar mais, mas suas empresas são "adequadas" pro consumo americano, a maioria não é habituada a exportar e esforço exportador precisa de ação do governo, coisa que lá eles não vão fazer exceto que chegue no desespero total. O que o João falou é verdade, os EUA permitiram muita bobagem baseados no seu gogó e sua força como potência hegemônica, mas há real possibilidade de rejeição mundial ao dólar, o que daria uma crise de proporções pouco vistas na história. Mas também não vejo os EUA perdendo o poder hegemônico em termos militares, afinal eles amarraram mto bem os principais adversários, seja sucateados economicamente, como a Rússia, seja por desarticulação do poder militar, como do Japão ou da Alemanha.

Luiz Carlos Azenha (17/03/2008 - 00:18)
O João Pedro disse quase tudo o que faltava dizer. O desespero agora é dos países que têm a moeda "pegada" no dólar, sujeitos à inflação e à disparada no preço dos alimentos.

João Pedro (16/03/2008 - 23:51)
Eles só estão aplicando o %u201Cfreio de arrumação%u201D que, além de concentrar na marra os passageiros mostra quem está no comando. Estamos presenciando a mais pura demonstração da hegemonia dos irmãos do norte. Algumas demonstrações: 1. vendem merda a preço de ouro (papéis do subprime); 2. obrigam os concorrentes a injetar recursos em suas empresas atoladas em enormes prejuízos; 3. provocam uma colossal transferência de renda das demais economias para a sua, via juros, dividendos e lucros; 4. sustentam falsos oráculos da economia mundial, como as empresas de rating com suas falsas avaliações; 5. desdenham o apelo dos impotentes aliados que imploram um mínimo de moderação no seu ajuste; 6. forçam a ampliação dos mercados internos dos parceiros para que estes absorvam o excedente da sua parada estratégica, sem nenhuma preocupação com a inflação daí decorrente; 7. equilibram a sua balança comercial mediante o aumento das exportações de suas empresas sem competitividade e sem mercado interno; etc.etc. É como nas guerrinhas %u201Ccirúrgicas%u201D, no fim apresentam a conta para todos. E todos mansamente pagam! O nosso sonho de testemunhar a queda do império está longe de acontecer. Dois exemplos de sonhos que também, para alguns, %u201Cindicavam%u201D a queda do império: 1) FATO: o desmonte da União Soviética e o fim da bipolaridade mundial, SONHO: iniciar-se-ia a formação de vários blocos mundiais (América, Europa, Árabes, Oriente) iniciando a era da multipolaridade mundial; 2) FATO: ataque às torres gêmeas, SONHO: o império reconheceria a sua fragilidade e passaria a ser mais solidário com o resto do mundo. Esta hegemonia outorga ao Dólar as categorias de parâmetro e de reserva internacional, definidoras da economia dominante. Portanto pensar que os EUA, com sua exuberante hegemonia militar, permitirão ameaças a sua moeda não é sonho, é delírio. Assim como no filme famoso, na vida real também o dólar furado salva o mocinho. A única diferença é de que no filme a moeda foi furada pelo bandido e na vida real ela foi furada pelo dedo do proprietário do patacão.

Sergio Telles (16/03/2008 - 23:32)
As sessões da manhã das bolsas asiáticas encerram-se com baixa de 4,2% no Japão, e 5,2% em Hong-Kong. Cingapura cai cerca de 3%, assim como Shanghai. O Yen rompe abaixo de 96/1, em queda de mais de 3%.

agave (16/03/2008 - 23:14)
Apocalipse com Mírian Leitão no Bom Dia Brasil

Sergio Telles (16/03/2008 - 23:10)
23:08, bolsa japonesa caindo mais de 500 pontos (mais de 4% de queda) e o dólar recuperou um pouquinho, cotado perto de 97 yens. As demais bolsas asiáticas estão com situações menos instáveis, operando entre a estabilidade e queda de 2%

Aton (16/03/2008 - 22:50)
Olha o que diz a Economist sobre o arranjo do FED para o caso do Bears: "The central bank has resorted to such an arrangement only twice before, in the depression of the 1930s and in the 1960s." É preciso ver miolos estourados para medir o tamanho da bomba?

Rocha (16/03/2008 - 22:43)
No livro "1990 - a grande depressão" (Ed. Cultura - 1988), o economista Ravi Batra, baseado em seus estudos sobre os 300 anteriores anos da economia mundial, em especial da estadunidense, cita a conjunção de fatores que ciclicamente irrompem em crises de âmbito planetário: dívidas internas e externas e alta concentração de riquezas. No momento, muito se fala da crise envolvendo o mercado imobiliário dos EUA, que por certo tempo foi o propulsor do consumo e do crescimento econômico, já que diversos membros da classe média utilizava-se da estratégia de hipotecar seu imóvel e aplicar no mercado financeiro, podendo ter restituídos, o valor para as prestações hipotecárias, com uma sobra extra. Isto fez inflacionar-se o mercado imobiliário e mesmo em outros países, através deste método, diz-se que o valor total dos imóveis, apenas nas economias desenvolvidas subiu mais de US$ 30 trilhões nos últimos cinco anos, ou seja, uma valorização 37 vezes maior que toda a economia brasileira. O melhor exemplo, de que basear a sustentação econômica nestas quimeras é perigoso, pode ser verificado com a queda, há poucas décadas, dos, à época tratados como "tigres asiáticos". Naqueles tempos, dizia-se que o Japão, com área territorial equivalente à Califórnia, se tivesse loteado o seu território, obteria um maior lucro que todo os EUA, caso se fizesse o mesmo. Tanto esta conduta não era sustentável, que veio a seguir, a queda de fundos e de impérios bancários asiáticos. A crise nos EUA se dá, porque os preços dos imóveis não mais sugerem uma hipoteca suficiente para o pagamento da dívida, com sobra de lucro. Do outro lado, o item que se refere à concentração de riquezas, nunca antes se saltou tanto aos olhos. O que antigamente era a lista dos milionários, passou a ser dos bilionários e, em dólares. Fala-se que uns poucos, tem uma riqueza nominal, maior que cerca de 50 países juntos. Agora, que muitas coisas, inclusive as riquezas, são virtuais, o problema desta situação falseada é que falta-lhe suporte, sustentabilidade. O princípio da prosperidade é não parar de fazer a roda (o ciclo) que gera riquezas permanecer em fluxo e, obviamente, quando parte da riqueza gerada, concentra-se em alguns locais, além de não permanecer no giro, torna-se um empecilho para o movimento da prosperidade. Texto extraído do post - A verdade e a falsidade não podem andar juntas - escrito em 30/08/2007 no blog Discípulo da Verdade - http://ney_robson.blog.uol.com.br/

Sergio Telles (16/03/2008 - 22:32)
Corrigindo a bobagem que eu falei, a taxa que sofreu corte foi a taxa de desconto, que é a taxa que o FED adianta para as instituições financeiras. Ela caiu de 3,5% para 3,25%, isso significa que o FED pagará mais para os bancos que trocarem entradas futuras por dinheiro vivo (quanto mais perto de zero, maior o valor, em zero o FED pagaria 100% das entradas futuras). A taxa básica será mexida na terça-feira e a expectativa até agora é queda de 3% para 2%.

Aton (16/03/2008 - 22:31)
Outra coisa que fica definitivamente clara é a faca de dois legumes da supercomunicação e do dinheiro eletrônico global. É como a hélice de um barco que, posta a girar com demasiada rapidez, deixa atrás de cada pá uma gigantesca cavitação %u2013 um vácuo %u2013 e, assim, não tem mais onde se agarrar para continuar empurrando o barco. O movimento só será retomado se houver uma parada. Aí é que nós vamos ver o que é bom para a gripe...

Antonio Arles (16/03/2008 - 22:31)
Cadê os neoliberais falando em liberdade de fluxo de capitais, em estado mínimo, e na "mão mágica do Deus mercado"? Cadê a Míriam Leitão neste momento!? Estamos assistindo a uma guinada no processo histórico. Sentem-se em suas poltronas, apertem os cintos, que o piloto sumiu!!!

Aton (16/03/2008 - 22:24)
Perdão, mas é muita ingenuidade acreditar que o crescimento dos emergentes é capaz de segurar esse rojão. Nem a China aguenta o tranco. Os EUA só seguram porque, no limite, têm mais porta-aviões do que qualquer outro país. Escrevam: a coisa daqui para frente tem de ser medida em número de porta-aviões. O resto é romance.

Sergio Telles (16/03/2008 - 22:21)
Azenha, o corte da taxa de juros foi entre o spread da taxa básica federal (em 3%) e da taxa praticada pelo Banco Central de NY (que caiu de 0,5% para 0,25%, indo para 3,25%). A coisa tá feia mesmo, como diria o Galvão, "HAAAAJA CORAÇÃO, AMIGO!"

Conceição Oliveira (16/03/2008 - 22:09)
Curiosidade: a uol parou de anunciar a crise(item economia) à 16 h e usando o Financial Times e The Wall Street Journal volta anunciar às 21:07 a compra da Bears; no Estadão o link de chamada sobre a nova crise nos EUA dá na página da disputa eleitoral paulistana; O Globo às 19:44 via The Wall Street Journal falava da possível compra da Bears... Mas pelo visto, vc ainda vai ter de viver mais para ver a China salvando os EUA. Quanto a questão, nem sei como é que a gente compra ou vende ações e as perspectivas positivas da economia brasileira ainda não chegaram aqui em casa :(

Marco Aurelio(MSM) (16/03/2008 - 21:51)
Lembra daquele filme que contava a história da ENRON,Azenha?"The smartest guys in the room"?Jeffrey Skilling?Pois é...Em uma passagem do filme,quando a ENRON já estava num verdadeiro samba do crioulo doido,começou a circular uma frase que definiu bem a situação daquela companhia e define bem a situação do mercado financeiro americano hoje:"Deixaram os loucos tomarem conta do hospício"...Agora,como sempre,vão pendurar o papagaio na conta da bodega do Joe Doe.Como sempre,o Estado vai morrer de fome para garantir a suruba do capitalismo moderno.Como é bom ser capitalista quando penduramos as dívidas nas costas do povão!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Sergio Telles (16/03/2008 - 21:49)
Linda cobertura. Se eu achar mais notícias te repasso. Parabéns Azenha, isso sim é jornalismo.

Cesar Cardoso (16/03/2008 - 21:08)
A lição que sai da história toda da crise do subprime é que, sem um fórum de coordenação dos bancos centrais e sem mais mecanismos transnacionais de fiscalização e regulação, inclusive desses derivativos-de-ar que estão na moda do povo das finanças, vamos viver sempre aos solavancos, entre uma crise de horas e uma prosperidade de dias.

Marcos (16/03/2008 - 21:05)
Azenha, fui ao site do New York Times, como você indicou aqui, e descobri que o edifício do Bear Stearns em Manhattan que você citou vale 'apenas' US$ 1 Bilhão. Assim, o B.Stearns foi, literalmente, doado para o JP Morgan, pela pechincha de uns US$ 250 milhões, mostrando que a instituição foi ladeira abaixo, mesmo, devido aos péssimos negócios que fez. E isso do FED criar um Banco para salvar os bancos privados que quebrarem mostra que, na hora do aperto, é o Estado velho de guerra quem salva o Capitalismo das suas maluquices.

Alexandre de Aguiar (16/03/2008 - 20:56)
PROER Americano ? É o FHC fazendo escola ! Desculpem a minha ignorância mas esse "bolsa-banqueiro" não ajudou a afundar a economia do Brasil ? Caso sim, isso não ajudaria a jogar mais uma pazinha da cal sobre a economia americana ?

Marcos (16/03/2008 - 20:14)
Azenha, o crescimento dos países emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China, Argentina, Venezuela, etc) é, hoje, praticamente a única coisa que impede que a economia mundial mergulhe numa Depressão. Sem o forte crescimento destes países, já teríamos ido para o buraco, pois os rombos do sistema financeiro dos países ricos são imensos e, praticamente, incalculáveis. Justamente porque ninguém sabe o quanto as demais instituições financeiras estão dependuradas nessa montanha de papéis sem nenhum valor (pois estão atrelados a outros papéis que também não valem coisa alguma) é que cada instituição financeira desconfia das demais. Se eu penso que você, Azenha, está em má situação financeira, mas esconde essa informação de mim, porque eu lhe emprestatia algum dinheiro? Esse é o grande problema, Azenha. Que o rombo é imenso, todos sabem disso. Mas o tamanho do dito cujo é que ninguém faz a menor idéia qual seja. Enquanto esse mistério não for melhor esclarecido restará aos Governos e Bancos Centrais do mundo inteiro continuar injetando dinheiro e articulando operações de salvamento das instituições que forem caindo pelo meio do caminho, como é o caso do Bear Stearns. Tal crise veio para ficar, será forte e irá durar vários anos, com certeza.

Dulce Leão (16/03/2008 - 19:57)
Esta situação é causada pela PREPOTÊNCIA DO AMERICANO, de que pode tudo, compra tudo, compra todos....estão comendo sardinha e arrotando caviar. Mas a coisa ainda não está tão feia não Azenha. Só quando começarem a estourar miolos como em 29, aí é porque o BICHO PEGOU! Mas ...tem uma coisa boa...Bush entrega a presidência desmoralizado.



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