Atualizado em 30 de julho de 2008 às 19:44 | Publicado em 28 de dezembro de 2007 às 13:08

O caso dela deixou telespectadores fascinados. É uma história antiga, dos anos 80. Depois de ler sobre o assunto neste site, um internauta lembrou-se do caso e perguntou onde anda Denise Casanova. Meu último encontro com ela foi numa farmácia de Nova York. Conseguir emprego era condição para que ela recebesse liberdade condicional. O dono da farmácia, que tem grande clientela de turistas brasileiros, decidiu ajudá-la.
Denise é uma pessoa intrigante. Eu a entrevistei antes e depois da condenação. Ela era executiva do Citibank, o maior banco americano. Só lidava com clientes que tinham mais de um milhão de dólares depositados. Viajava pela América Latina para dar atendimento personalizado. Na época, o dinheiro dos ricos fugia da região para os paraísos fiscais.
O banco em que Denise trabalhava não queria ficar para trás. Como ela, havia muitos outros executivos encarregados de bajular clientes endinheirados. Ela nunca admitiu isso, mas acho que foi por amor. Só a paixão poderia tê-la tirado do caminho. Denise foi acusada de desviar quatro milhões de dólares para a conta de um amigo venezuelano.
Segundo a promotoria de Nova York, o golpe funcionou assim: o dinheiro era sacado das contas de clientes por Denise. Rendia juros na conta do amigo dela e era devolvido para a conta original. Os clientes tinham tanto dinheiro que nem percebiam a perda de alguns milhares de dólares. O amigo de Denise embolsava os juros. Quando ela foi presa, o amigo sumiu. Denise foi ganhar 12 centavos de dólar por hora como professora de uma cadeia no estado americano de Connecticut, onde cumpriu a maior parte da pena de mais de 5 anos de prisão.

Numa das reportagens com Denise, ela foi filmada caminhando pelas ruas de Manhattan, na entrada do banco para o qual trabalhava. A imagem é de quando ela ainda não havia sido condenada por desfalque e fraude bancária.Eu a entrevistei três vezes. Quando estava presa, antes de pagar fiança, em liberdade aguardando julgamento e cumprindo pena. Ela nunca admitiu ter cometido os crimes.
Mulher bonita, de conversa agradável - difícil imaginá-la no papel de vilã. Os promotores apresentaram documentos que seriam prova da ligação entre Denise e o venezuelano.Por exemplo, cópias do extrato de um cartão de crédito, mostrando despesas que ela teria feito para presentear o amigo.

Fui visitá-la na cadeia de Connecticut, quando já cumpria pena em regime semi-aberto. Estava presa há três anos e meio. Denise lutava para não ficar deprimida. Dizia ter sofrido muito em outra cadeia, onde era obrigada a ficar nua durante as revistas. Denise disse os carcereiros pediam as peças de roupa uma a uma, como se assistissem a um strip-tease: Espere um pouco, ainda não estou pronto para receber o sutiã, teriam dito.
Confesso que mesmo depois de quatro encontros pessoais, três deles incluindo longas entrevistas, a verdadeira Denise permaneceu um mistério. Por trás do jeito meigo e do rosto bonito havia uma mulher impenetrável. Minha intuição de repórter diz que ela fez o que fez por amor.
Publicado originalmente em 2005