Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha

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Loucuras que eu vi Utilidades

XERIFE AMERICANO FAZ QUALQUER COISA PARA APARECER

Atualizado em 11 de março de 2008 às 16:35 | Publicado em 11 de março de 2008 às 13:36

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Mulheres, acorrentadas pelos pés, saem da cadeia para cumprir trabalhos forçados. Já estive em muitas prisões, mas nenhuma tão exótica quanto a do xerife Joe Arpaio, no estado americano do Arizona.

Ele se orgulha de dizer que é o xerife mais durão do país. Com certeza é o mais folclórico. Nos Estados Unidos, os xerifes são eleitos. Fazem o papel de chefes de polícia local.

Por isso, cuidam apenas dos presos que cumprem penas de menos de um ano. Pode ser alguém que tenha cometido um furto, uma agressão ou deixado de pagar a pensão da ex-mulher. O xerife Arpaio decidiu puní-los de forma exemplar.

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O preso dorme numa tenda. Não há celas na prisão que o xerife inventou. Ficam os homens em um acampamento, as mulheres em outro. Uma cerca alta, coberta com arame farpado, é a fronteira entre a cadeia e a cidade.

No verão, os presos imploram para que a noite chegue logo. A temperatura bate em 40 graus.

Ouvi várias reclamações de presos. "Somos tratados como animais", disse um deles. Os presos passam sabonete em torno dos pés das camas, para evitar que as formigas subam durante a noite.

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Um deles mostrou a mão inflamada. Disse que tinha sofrido uma picada de aranha. Sujeira no banheiro, comida ruim e até acusações de corrupção contra o xerife foram feitas.

Ele estava presente e não se intimidou. "Mesmo que eu tivesse um bilhão de dólares, vocês comeriam lixo", respondeu.

As regras da cadeia foram criadas por Joe Arpaio:

Os presos pagam um dólar por dia que passam na cadeia; o dinheiro é recolhido, do preso ou da família dele, antes do cumprimento da pena;

Fumar é proibido, mesmo ao ar livre;

Na televisão, os presos só podem ver programas de culinária ou desenho animado;

Os homens são obrigados a usar meias e cuecas cor-de-rosa.

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Como explicar, então, que quando encontra os presos o xerife passa o tempo todo dando autógrafos? Durante nossa visita, ele foi cercado pelas presidiárias.
Elas são mantidas num acampamento separado e só encontram os homens no refeitório.

Joe Arpaio já se tornou uma celebridade nacional e diz que os presos querem a assinatura dele como souvenir ou, quem sabe, para vender no futuro. O xerife se orgulha de manter a única escola secundária dentro de uma cadeia americana.

Quem faz trabalhos forçados ganha desconto na pena. Mas enfrenta humilhação. Feito nos tempos da escravidão, os presos são acorrentados uns aos outros, pelos pés, e saem para limpar ruas e carpir mato.

O xerife diz que isso tem um efeito educativo: "Quem vê a cena pensa duas vezes antes de cometer um crime."

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Joe Arpaio mandou imprimir cartões postais como o que aparece na foto acima. É para mostrar à população de Phoenix que os cães abandonados da cidade recebem melhor tratamento do que os presos.

Os métodos dele funcionam? É um assunto controverso. Não há comparações confiáveis. Críticos do xerife dizem que a taxa de reincidência de quem cumpre pena com Arpaio é parecida com a dos condenados que cumprem pena em prisões tradicionais.

Para Arpaio, o que interessa é o que pensam os eleitores. Ele foi reeleito para o quarto mandato. Agora, inventou de fazer algemas cor-de-rosa.

Minha opinião? O xerife é um tremendo marqueteiro. O jogo de cena dele faz a população se sentir protegida. Talvez apele à tradição do Velho Oeste americano, do tempo em que a pena de morte era cumprida em forcas.

Publicado originalmente em 2004


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Dulce (12/03/2008 - 09:17)
Vou tentar de novo.
Diversos métodos de tortura foram desenvolvidos ao longo dos anos. Os métodos de tortura mais agressivos eram reservados àqueles que provavelmente seriam condenados à morte. Clique aqui para ver os método de tortura e execução na Idade Média click aqui

Dulce (12/03/2008 - 00:02)
Diversos métodos de tortura foram desenvolvidos ao longo dos anos. Os métodos de tortura mais agressivos eram reservados àqueles que provavelmente seriam condenados à morte. Clique aqui para ver os método de tortura e execução na Idade Média click aqui.

Dulce (11/03/2008 - 23:41)
O Azenha só ensina a Conceição. Faz uma instrução aí Azenha. Dissemina conhecimento.

Conceição (11/03/2008 - 23:39)
Conceição ajuda a gente como fazer, em detalhe, manda um site, link, qualquer coisa, pra gente aprender e deixar este espaço mais legal. Dá uma força ai Azenha. Afinal você quem peneira mesmo. Um abraço.

Paulo (11/03/2008 - 21:04)
Imagina só se é no Brasil. Aqui é assim: quando é lá fora, é bonito, mas se é aqui, haja direitos humanos, OAB...

Sergio Telles (11/03/2008 - 20:34)
Os casos de reincidência deve ser um bando de masoquista que curte ficar lá sofrendo às custas da criatividade do xerife. De toda forma, se a prisão for muito "legalzinha", não serve como pena, mas ele podia usar outros métodos, nada mais chato e insuportável que palestras intermináveis sócio-educativas. No Brasil a cadeia ficará pior na medida que a vida aqui fora for melhorando para quem é o maior alvo de ir em cana hj em dia, que é a parcela mais pobre da população. Casos e mais casos de gente que entra na delegacia pedindo pra ser preso, o delegado não permite, então dá umas porradas no delegado aí sim consegue ir em cana. Sua segurança e conforto está mais assegurada na cadeia, mesmo com todos os enormes e absurdos problemas, do que na sociedade aonde vive ameaçado por quem anda perseguindo-o. PS: boa dica aí da turma esperta, vou passar a usar esse recurso mas não hoje que tou cansado. Até pros comentários do blog ficarem mais bonitos!

Francine (11/03/2008 - 20:17)
O mérito é seu então, via Stanley, e não do Azenha, achei que ele estava lendo sobre arquitetura da informação, preocupado em facilitar a vida dos usuarios.

Conceição Oliveira para Francine (11/03/2008 - 19:58)
Azenha, licença para o 'tutorial básico' Fran, agradeça ao santo Multiply  o truquezinho básico que aprendi depois de apanhar tanto por aqui , e de inultimente pedir instruções de como fazer a formação ao povo que sabia fazer (né Stanley?)O grande 'segredo' é o seguinte: essa pop-up dos comentários do Azenha aceita html. Passei então a aproveitar os 'compose' de blogs pré-formatados como o do multiply ou do blogger; digito o que desejo ou colo (se estou postando algo copiado de outro espaço), faço as formatações que julgo necessárias, crio os links, enfim, depois peço pra ver a edição em htm, copio-as e colo aqui. Eu saquei que dava pra fazer isso pouco tempo atrás, quando copiei e colei os códigos de um vídeo do Correa e passei, via comentário, para o Azenha postar na TV Vi o mundo, só que quando vi ele tinha publicado o comentário e o vídeo podia ser acessado direto do comentário.Se tivesse aprendido isso antes, teria evitado essa confusão aqui

Francine (11/03/2008 - 16:50)
Gostei da novidade, hipertexto nos comentários dos leitores, assim não precisarei mais ficar no Ctrl C Ctrl V.

Conceição Oliveira (11/03/2008 - 14:37)
Azenha o que esperar de uma sociedade que além de permitir em alguns Estados a pena de morte, ainda assiste ao espetáculo da aplicação da pena, como no século XVIII? Isso é de fazer inveja aos espetáculos de castigo pedagógico dos soberanos mais absolutistas.Creio que um xerife como este é fruto de uma sociedade hipócrita ou no mínimo paradoxal, pois os eleitores estadunidenses em sua maioria apóiam as investidas do 'senhor da guerra pelo planeta' afora em nome de valores democráticos e contra as ditaduras e permitem a prática da tortura em seu próprio território.Ontem no blog do Mello ele problematizava uma pesquisa realizada pelo Ibope, que no mínimo foi desonesta, no melhor estilo Veja, pois induz o/a entrevistado/a a uma resposta grotesta vejam aqui: Mesmo assim, Mello e os comentaristas conseguem fazer uma análise bastante pertinente que mostra a hipocrisia também de nossa classe média que se escandaliza e condena os métodos das Farc (seqüestros e as atribuídas 'torturas'), mas aprova seu uso quando se trata de punir 'bandidos'. Vale a pena comparar as análise de Mello com as de Cláudio Lessa no seu artigo tosco intitulado TORTURA E HOMOSSEXUALISMO, publicado aqui. 



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