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Loucuras que eu vi Utilidades

SUBINDO O MORRO EM MEDELLIN

Atualizado e Publicado em 26 de março de 2008 às 00:58

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Esse retrato vale para quase toda a região. É uma comuna de Medellin, na Colômbia. É como os colombianos chamam suas favelas. Não é a cara da Rocinha, no Rio de Janeiro?

São três milhões de habitantes em Medellin. Mais de 60% vivem entre a pobreza e a miséria. A concentração de renda é o problema mais grave dos países da América Latina.

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O teleférico de Medellin foi o primeiro grande investimento da Colômbia oficial no mundo dos miseráveis da cidade. Foi inaugurado há um ano e meio. Antes, já havia sido construída uma linha de metrô ligando pela primeira vez o bairro dos ricos às comunas. Uma forma de permitir que os servos tivessem transporte rápido até a casa dos patrões.

Feito acontece no Brasil, os colombianos endinheirados se escondem em condomínios super-protegidos, com cercas elétricas e seguranças fortemente armados. Enquanto isso, nas comunas, Pablo Escobar cultivava aliados construindo casas, iluminando ruas, prestando serviços que o estado não prestava.

Igualzinho aos traficantes fizeram no Rio de Janeiro. Nos bairros miseráveis Escobar recrutou os matadores que fizeram o serviço sujo em nome do cartel de Medellin - o bando que aterrorizou a Colômbia.

O serviço de teleférico transporta cerca de 30 mil pessoas por dia. O bilhete é único: vale para o metrô e o bondinho. Na estação que fica no topo do morro, há escola, banco e cooperativa que incentiva pequenos empresários com empréstimos.

O prefeito de Medellin é um doutor em matemática que tem a maior taxa de aprovação entre os políticos da Colômbia. A prefeitura investe 40% do orçamento em educação. Deu para sentir, na comuna, o orgulho dos moradores com a obra que reduziu o crime no bairro. Cerca de 300 mil habitantes de Medellin moram na região do teleférico. Uma nova linha de bondinhos está sendo projetada.

A obra é um exemplo de como o estado pode ocupar espaços antes controlados pelo crime organizado. Em Medellin, a população tem grande respeito pelo sistema de transporte integrado. Não há lixo nos bondinhos, nem pichações no metrô. Mas é apenas o começo. A concentração de renda na Colômbia é escandalosa. Pior, só mesmo no Brasil.

Publicado originalmente em 2006


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