Atualizado em 02 de julho de 2008 às 14:19 | Publicado em 02 de julho de 2008 às 14:14
NAIROBI - Caminho pelas ruas de Nairobi, uma das maiores metrópoles da África. São quatro milhões de habitantes e um trânsito infernal, especialmente depois das cinco da tarde, quando fecham as repartições públicas.
Estudando a história do Quênia é inacreditável que os ingleses tenham feito o que fizeram aqui em tempos coloniais. Entraram no país, expulsaram os negros das terras férteis e aplicaram o "dividir para governar" jogando tribo contra tribo.
Mais difícil de acreditar é que tão pouco tenha mudado desde a independência, nos anos 60. Ainda há uma elite branca em Nairobi, que inclui os descendentes de ingleses que ficaram e os comerciantes que vieram da Índia e do Paquistão.
Há, também, uma elite negra, que governa de acordo com seus interesses políticos de manutenção no poder. A exploração eleitoral do tribalismo está por trás da violência entre as diferentes tribos que matou centenas de quenianos nos últimos meses.
É como se, no Brasil, políticos gaúchos xingassem os paulistas e estes os cariocas com objetivos meramente eleitorais.
Como resultado da violência foi formado um governo de coalizão que contempla os diversos grupos étnicos. Mas as questões subjacentes à violência estão todas lá, praticamente intocadas: a miséria, a falta de saneamento básico, de educação... Com a urbanização, as favelas se espalham.
Diante disso, é triste constatar que a elite vive em seu próprio mundo, nos jipes importados, vendo futebol europeu, seriados americanos e novelas trash importadas do México - dubladas em inglês. A independência serviu, sim, mas apenas ao grupo que desde antes da independência já era alinhado aos interesses colonialistas.
A história do Quênia é semelhante a do Brasil. As diferenças são mínimas. Nosso explorador inicial era Portugal, do Quênia era a Inglaterra. Os exploradores atuais são os mesmos. Tanto a cultura brasileira, quanto a queniana já sofreram com a "intromissão da cultura estadunidense, e em menor proporção, da européia. É um dos efeitos da globalização. Plagiando o jornalista Álvaro Damião: "Tudo junto e misturado". Abraços fraternais!