Atualizado em 17 de março de 2008 às 22:15 | Publicado em 17 de março de 2008 às 22:02
A primeira escala de nossa viagem com a Esquadrilha da Fumaça até Paris foi em Recife. Nosso primeiro susto foi sobre Salvador, na Bahia.

Só consegui fazer a foto acima depois de ter recobrado a respiração. Viajávamos a bordo de um Hércules C-130, um cargueiro da Força Aérea Brasileira fabricado em 1965. Quando estávamos próximos da capital baiana, o comandante da aeronave, major Araújo, pediu que fossemos para o fundo do avião.
Sabíamos que ele abriria a porta de carga para que pudessemos ver, filmar e fotografar a Esquadrilha da Fumaça. Mas nada é capaz de preparar um novato para a experiência.
Eu e o cinegrafista Fernando Ferro vestimos uma espécie de camisa-de-força e fomos amarrados à estrutura interna do avião por longos cintos de segurança. Estávamos a 3 mil metros de altitude e não seria uma experiência agradável mergulhar de dentro do Hércules no Oceano Atlântico. Valeu a pena: quando a porta de carga se abriu, demos de cara com a Esquadrilha da Fumaça, voando em formação.

O Tucano T-27 que lidera o grupo, comandado pelo tenente coronel Reis, estava tão próximo de nós que parecia pronto para pousar dentro do Hércules.
Um momento inesquecível! O barulho do vento se sobrepunha ao do produzido pelos quatro motores do Hércules. Os oito aviões da Esquadrilha rasgavam o céu espalhando fumaça branca.

Este é o Hércules que nos levou a Paris. Dentro seguiam cerca de trinta homens da FAB, entre pilotos, mecânicos e especialistas. O avião levava dez toneladas de carga, inclusive um motor sobressalente de Tucano. A tarefa do Hércules era o de ser uma nave-mãe para a Esquadrilha. Como o avião dispõe de radar meteorológico, a tarefa principal da tripulação do cargueiro era manter os pequenos Tucano longe de tempestades.

A porta que se abriu para que avistássemos a Esquadrilha é esta, na traseira do avião. O Hércules é um avião de transporte de soldados ou de carga. Pode despejar centenas de páraquedistas sobre o campo de batalha. Ou jogar suprimentos para os soldados, através da porta-gigante. O Hércules é muito usado na Amazônia, para apoio a bases militares ou em operações de ajuda à população civil.
É um avião versátil, que pousa ou decola em pistas curtas, de asfalto ou terra. Fizemos boa parte da viagem na cabine de comando, conversando com a tripulação. O Hércules é barulhento. Em compensação, o avião é tão grande que é possível caminhar dentro dele e se instalar numa das macas-beliche, montadas para que o pessoal de bordo possa descansar.
No primeiro trecho da viagem, entre Pirassununga e Recife, a imagem que ficou gravada na memória foi a da porta que se abriu lentamente, revelando essa imagem espetacular:

Publicado originalmente em 2005