Higienópolis: O churrascão da “gente diferenciada”

publicado em 11 de maio de 2011 às 18:29

por Luiz Carlos Azenha

Como morador do bairro, pensando exclusivamente em mim, acho que o Metrô ficaria melhor na Angélica (400 metros de casa) do que no Pacaembu (600 metros).

Logo o Corinthians terá seu próprio estádio, o Santos vai jogar na Vila Belmiro, o Palmeiras no Parque Antarctica. O que será do Pacaembu vazio, com uma estação de metrô bem em frente?

Como a Globo já controla o Museu de Futebol, talvez vá usar o campo para o solteiros vs. casados do fim de ano.

É curiosíssimo, no entanto, notar que uma associação batizada de Defenda Higienópolis tenha eliminado uma estação na principal avenida que corta o bairro, o que facilitaria imensamente a integração com os ônibus.

A obra de ampliação do shopping Higienópolis danou de vez o trânsito na região, mas aparentemente contra isso eles não se organizaram.

“Pobre” FAAP  (universidade de maior renda per capita do Brasil), ficou de fora da linha dos universitários, lamentou um. O metrô traria “gente diferenciada”, lamentou outra.

Eu daria tudo para ver os estudantes da FAAP pegando metrô lotado às seis da tarde, mas não vai acontecer, esteja onde estiver a estação. E onde é que eles deixariam as Ferrari?

Pior são os comerciantes que protestaram contra a estação na Angélica. Só pode ser piada, é o mesmo que espantar uma clientela potencial de milhares de pessoas…

Fiquem com os textos sobre a polêmica:

13/08/2010 – 07h51
Moradores de Higienópolis, em SP, se mobilizam contra estação de metrô

JAMES CIMINO, DE SÃO PAULO, na Folha.com

Um grupo de moradores de Higienópolis (bairro nobre da região central de São Paulo) iniciou um movimento com o objetivo de impedir a construção da estação Angélica da futura Linha 6 – Laranja do metrô.

A nova estação deve ocupar o espaço onde hoje há o supermercado Pão de Açúcar, na esquina da avenida Angélica com a rua Sergipe. A obra prevê desapropriações.

Abaixo-assinado elaborado pela Associação Defenda Higienópolis e espalhado por diversos condomínios da região contesta o projeto.

A principal alegação é a de que, num raio de 600 metros do local, já existem mais quatro estações e que a construção deveria ser feita na praça Charles Miller, para atender aos estudantes da Faap e aos frequentadores do estádio do Pacaembu.

No mesmo documento, os moradores manifestam a preocupação de que a obra aumente o fluxo de pessoas na região “especialmente em dias de jogos e shows” e de “ocorrências indesejáveis”.

Outro receio, diz o documento, é que a estação vire um atrativo para camelôs. Para o engenheiro civil Mario Carvalho, síndico do edifício Palmares e um dos criadores do manifesto, a contrariedade à obra é de natureza técnica.

“Eu não sou contra o metrô passar pelo bairro. Mas essa estação fica a menos de um quilômetro da estação Higienópolis. A proximidade inclusive aumenta custos de manutenção dos trens devido ao arranque e à frenagem em curto espaço de tempo.”

Carvalho critica ainda o slogan proposto pelo Metrô à nova linha. “Eles chamam essa linha de ‘universitária’, mas ela passa pela PUC, pelo Mackenzie, mas não passa pela Faap. A estação tinha que ser no Pacaembu.”

“GENTE DIFERENCIADA”

Enquanto escolhe produtos na tradicional Bacco’s Vinhos da rua Sergipe, cujo imóvel pode ser desapropriado pelo Metrô, a psicóloga Guiomar Ferreira, 55, que trabalha e mora no bairro há 25 anos, diz ser contrária à obra.

“Eu não uso metrô e não usaria. Isso vai acabar com a tradição do bairro. Você já viu o tipo de gente que fica ao redor das estações do metrô? Drogados, mendigos, uma gente diferenciada…

A engenheira civil Liana Fernandes, 55, cuja filha mora no bairro, retruca a psicóloga: “Pois eu acho ótimo. Mais ônibus e mais metrô significam menos carros e valoriza os imóveis.”

Com um bilhete único na mão, a publicitária Isadora Abrantes, 24, diz que a região precisa de transporte. “As pessoas contrárias à obra são antigas e conservadoras. As torcidas já passam por aqui sem metrô. A única coisa que sou contra é desapropriar o Pão de Açúcar. Tinha que desapropriar o McDonald’s.”

Para Cássia Fellet, ex-presidente da Associação de Moradores e Amigos do Pacaembu, Perdizes e Higienópolis, as críticas à futura estação não são consenso no bairro.

“É um grupo pequeno de pessoas que podem ser desapropriadas. Elas não têm representatividade”, diz. E mesmo solidária aos vizinhos, Fellet diz que o interesse público deve ser prioridade: “Higienópolis precisa do metrô e São Paulo precisa de transporte público”.

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11/05/2011 – 03h03
Droga de elite

Fernando Canzian, na Folha

Higienópolis (cidade da higiene) rechaçou a chegada do metrô. Haveria uma estação no local onde hoje funciona um supermercado Pão de Açúcar, na av. Angélica, esquina com a rua Sergipe. Morei anos ali.

Para quem não conhece, é um bairro rico e central de São Paulo.

Esse canto abrigaria a ex-futura estação do coletivo, agora deslocada para o Pacaembu, com bem menos concentração de pessoas.

O lobby dos ricos venceu. O governo tucano tucanou de novo diante da pressão dos moradores.

Empregadas, babás, porteiros, faxineiros, feirantes, garis, funcionários do Pão de Açúcar e milhares de empregados do bairro que servem diariamente os moradores continuarão sem a melhor, mais rápida, pontual, organizada e limpa opção de transporte público.

Temia-se o aparecimento de camelôs nas redondezas. De “uma gente diferenciada”, um morador chegou a dizer.

Reclama-se muito que São Paulo não consegue ser cosmopolita, democrática.

Vamos a Nova York e à Europa e voltamos deslumbrados. Carentes da não dependência do carro e saudosos de “civilização”.

Não conseguimos fazer o mesmo onde vivemos.

Conviver com o próprio povo é um porre.

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1/05/2011 – 08h46
Após protestos, governo desiste de metrô em bairro da elite paulistana

Do UOL Notícias, Em São Paulo

Após pressão de moradores, empresários e comerciantes de Higienópolis, bairro de alto padrão no centro da capital, o governo de São Paulo desistiu de uma estação do Metrô na avenida Angélica, a principal do bairro, e vai reativar o projeto de uma estação na praça Charles Müller, no estádio do Pacaembu. As informações foram publicadas nesta quarta-feira (11) na Folha de S.Paulo.

A estação integraria a linha 6-laranja, que vai da Brasilândia, na zona norte, ao centro, passando por bairros como Perdizes, Pompeia e Santa Cecília e universidades como Mackenzie, PUC e Faap.

A proposta de mudança no projeto foi apresentada na semana passada em audiência e surgiu após protestos da Associação Defenda Higienópolis, que reuniu 3.500 assinaturas contra a estação. Os moradores alegam que o metrô no bairro aumentaria o “número de ocorrências indesejáveis” e a área se tornaria “um camelódromo”.

“Prevaleceu o bom senso”, declarou o presidente da entidade, o empresário Pedro Ivanow.

A mudança, no entanto, irritou a Associação Viva Pacaembu. Para a entidade, a estação na praça Charles Müller seria um problema em dias de jogos, quando haveria uma concentração muito grande de diferentes torcidas no local. Hoje, os torcedores se espalham pelas estações Sumaré, Clínicas, Marechal Deodoro e Barra Funda.

“Se o governo decidiu por pressão, sem considerar a análise prévia da demanda, acho pernicioso”, disse a presidente da Viva Pacaembu.
Outro lado

O Metrô informou em nota que a reavaliação da estação Angélica visa obter um “melhor equilíbrio na distribuição das estações ao longo da linha 6-laranja”. A estação, segundo a companhia, ficaria a “apenas 610 m da futura estação Higienópolis-Mackenzie e a 1.500 m da estação PUC-Cardoso de Almeida”.

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Como resultado da polêmica, está sendo convocado, via Facebook, o Churrascão da Gente Diferenciada, que o Eduardo Guimarães propagandeou.

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Recusa de Higienópolis em receber estação do metrô vira piada na internet

Assunto está entre mais comentados no Twitter e mobiliza Facebook; Linha Laranja foi reavaliada

11 de maio de 2011 | 15h 27

Gabriel Pinheiro – Estadão.com.br

SÃO PAULO – A recusa de Higienópolis em receber uma estação da Linha 6-Laranja do Metrô virou piada na internet. No Twitter, o assunto entrou entre os tópicos mais comentados desta quarta-feira, 11. “É tão fácil resolver problema, gente: faz uma entrada social e uma de serviço”, escreveu a usuária Luisa Tieppo (@lutieppo) em seu perfil no site.

Internautas de outros estados também comentaram. “Tragam o metrô de Higienópolis para Fortaleza! É urgente”, postou Henrique Araújo (OskarSays). “Em Florianópolis, metrô seria salvação. Em Higienópolis, o povo não quer. Mundo doido”, disse Alessandro Bonassoli (@Alebonassoli).

Circula ainda no Facebook um convite para um “churrasco para gente diferenciada em frente ao Shopping Higienópolis”. O objetivo é “mostrar que os ricos não chegam aos pobres, mas os pobres, sim, facilmente chegam aos ricos”, segundo o texto de descrição do evento, que convida os internautas a levar “farofa, carne de gato, cachorro, papagaio e som portátil”. Piada ou não, milhares de pessoas já confirmaram presença.

Desde 2010, um abaixo-assinado intitulado Defenda Higienópolis reúne assinaturas na internet contra a construção da estação no local, entre a Avenida Angélica e Rua Sergipe. Hoje, o Metrô anunciou que está “reavaliando a localização da futura Estação Angélica”, mas ressalta que o motivo para a mudanças nos planos é um “melhor equilíbrio da linha”, sem citar a pressão dos moradores.

Segundo a Companhia do Metropolitano de São Paulo, a parada ficaria “a apenas 610 metros da futura Estação Higienópolis-Mackenzie e a 1.500 metros da futura Estação PUC-Cardoso de Almeida”. Com isso, a obra deve passar para a região do Estádio do Pacaembu. O Metrô disse que “estuda melhor localização de uma nova estação que atenda à Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Av. Higienópolis e Praça Vilaboim”. A definição da nova localização depende da conclusão de “estudos geotécnicos.”

O texto do abaixo-assinado argumenta que um possível crescimento do fluxo de pessoas trazido pela nova estação geraria “um aumento de ocorrências indesejáveis, afetando a qualidade de vida dos moradores que estão acostumados a andar a pé.” Além disso, afirma que a obra poderia provocar um “aumento natural do comércio ambulante e, pelo tamanho previsto da Estação Angélica, pode virar um camelódromo e degradar o entorno.”

‘Parte da democracia’. O presidente da associação Defenda Higienópolis, o empresário Pedro Ivanow, comemorou a decisão. “Um dos pontos que a associação levantou era a pouca distância entre uma estação e outra. Higienópolis não é contra o metrô, mas queria entender isso. Foi um movimento de esclarecimento”, destacou. Para ele, as piadas e os protestos organizados na internet são “parte da democracia”. Ivanow avalia como “extremamente positivo” o movimento dos internautas pedindo paradas em seus bairros depois da recusa de Higienópolis. “O metrô é uma necessidade enorme que a cidade tem, principalmente nas regiões periféricas.”

Em meio à polêmica, ainda surgiu na rede um abaixo-assinado a favor da Estação Angélica. O texto diz que a decisão do Metrô foi “preconceituosa” e destaca que a obra é “desejo de milhões de paulistanos.”

A licitação para as obras de construção da Linha 6-Laranja deve ser feita em 2013, com a conclusão prevista para 2017. Chamada de “linha das universidades”, o trajeto terá 13,5 quilômetros de extensão divididos em 15 estações, ligando a Zona Norte ao Centro, da Estação Brasilândia até a Estação São Joaquim. Passará por bairros como Liberdade, Bela Vista, Higienópolis, Perdizes, Pompeia, Freguesia do Ó e Vila Brasilândia. / COLABOROU SOLANGE SPIGLIATTI

 

174 Comentários para “Higienópolis: O churrascão da “gente diferenciada””

  1. [...] Isso explica, em parte, a preocupação com a “gente diferenciada”, que invadiria o Higienópolis se uma estação de metrô fosse construída no bairro. [...]

  2. Wolney disse:

    Protesto com bom humor e irreverência no Churrascão da Gente Diferenciada. Valeu pessoal! Foi dado o recado. Fiquei feliz de ver a moçada animada, demonstrando que há luz nessa treva cultural de BBB Brasil que nos sufoca.

    “Se esta rua, se esta rua fosse minha,
    eu mandava, eu mandava ladrilhar.
    Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante,
    para o meu, para o meu Metro passar”.

    Eles querem nos proibir de ir ao shopping!
    Eles querem nos proibir de ir ao cinema!
    Eles querem nos proibir de ir à igreja!
    Eles querem nos proibir de ter automóvel!
    Eles querem nos proibir de andar de metrô!
    ELES QUEREM NOS PROIBIR DE SERMOS FELIZES!!

    Veja: http://www.facebook.com/event.php?eid=11445862197

  3. Carlos_O_Diferente disse:

    Tenho um pensamento diferencido a esse respeito, por esse motivo prefiro não me manifestar!!

  4. Luci disse:

    Provocação. É a humilhação diária, contínua a imposição de marginalização e opressão, sem direito a voz e rosto. Eles vivem bem os diferenciados que se explodam, no mundo globalizado isto não cabe mais. Esta gente endinheirada está precisando fazer terapia para mudar a mentalidade do Chicotinho, Pelourinho e Praças de Forca. E tem muitos destes ricos que já foram pobres já foram discriminados e já foram excluídos.

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