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Magaly Pazello: “A internet perdeu um de seus mais brilhantes sonhadores”

14 de janeiro de 2013 às 12h04

Criador do RSS, Reddit e Creative Commons suicida-se aos 26 anos, sob os efeitos da máquina de moer do Departamento de Justiça dos EUA

por Magaly Pazello, especial para o Viomundo

Este foi um final de semana muito triste, perdemos Selarón no Rio de Janeiro e, em Nova York, aos 26 anos, Aaron Swartz se suicidou.

A internet perdeu um de seus mais brilhantes sonhadores, ativista, prodígio da computação, escritor. Essa perda trágica repercute intensamente pela internet, como uma onda de dor, espanto e indignação. Mais e mais sites publicam relatos, declarações, notícias.

Esse rapaz, os quais os sites de notícia não se cansam de sublinhar que sofria de depressão, sofreu os efeitos da máquina de moer do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Acusado de “roubar” milhões de artigos científicos ele enfrentava um processo judicial que poderia resultar em 35 anos de prisão caso fosse considerado culpado. No centro desse processo se instalou uma séria controvérsia que deixa uma marca indelével sobre o direito de todas as pessoas ao acesso ao conhecimento e à informação, ao livre exercício dos direitos civis e das liberdades individuais.

Aaron Swartz, aos 13 anos foi o ganhador do ArsDigita Prize, uma competição para jovens criadores de websites não-comerciais que fossem úteis, colaborativos e voltados para atividades educacionais. O prêmio incluiu uma visita ao famoso Massachusetts Institute of Technology (MIT), que mais tarde seria protagonista dos eventos que o levaram ao suicídio.

Aos 14 anos, Aaron integrou a equipe de criadores do RSS 1.0, um recurso bacana de leitura de sites através de atualizações em tempo real, os famosos feeds. Eu adoro!

Aos 15 anos, integrou a equipe que desenhou as licenças Creative Commons.

Na sequência, fundou uma start-up, que depois se fundiu à rede social Reddit, onde ele desenvolveu a plataforma que a levaria ao sucesso. E cujo desenho também resultou na base de sites Open Library, ou seja, bibliotecas abertas, e no Archive.org, uma espécie de máquina do tempo da internet. E esta seria sua vida e sua bandeira a partir de então: o acesso ao conhecimento e à informação, sua disponibilização online gratuita através de plataformas abertas, o desenvolvimento técnico dessas plataformas. Especialmente o acesso ao conhecimento e à informação públicas e geradas a partir de recursos públicos. Suas atividades profissionais nunca visaram à obtenção de lucro e promoção pessoal. Sua genialidade está presente em dezenas de projetos semelhantes.

Crítico de filmes e pesquisador, seu blog tinha um enorme público. Entre 2010 e 2011, foi bolsista do Laboratório de Ética Edmond J. Safra na Harvard University, onde pesquisava sobre corrupção institucional. Fundou e era líder do DemandProgress.org, uma plataforma inteligente de ciberativismo.

Aaron foi uma das vozes fortes contra o SOPA-Stop Online Piracy Act, um projeto de lei contra a pirataria online proposto pelo poderoso setor de propriedade intelectual e direitos de autor, a indústria fonográfica e de cinema. Mas o projeto de lei, de fato, iria endurecer as leis a tal ponto que sequer mencionar um texto num blog seria considerado um ato ilegal, estrangulando o direito à liberdade de expressão.

Aaron, junto com Shireen Barday, “baixou” e analisou por volta de 440 mil artigos acadêmicos da área de Direito para determinar o tipo de financiamento que os autores receberam. Os resultados, publicados no Stanford Law Review, levaram a trilhar os caminhos dos fundos públicos para pesquisa. Por causa de sua capacidade de processar grandes quantidades de dados era requisitado para colaborar com vários outros pesquisadores. Disto resultou o projeto theinfo.org, que chamou a atenção do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

O theinfo.org tornou livre e aberto o acesso a uma imensa base de dados públicos somente disponível gratuitamente através de máquinas instaladas em 17 bibliotecas em todo o país, o que obrigava as pessoas interessadas a se deslocar até os pontos de acesso ou, então, pagar 10 centavos por peça. Foram aproximadamente 20 milhões de páginas da Corte Federal, algo de tirar o fôlego. Ele deixou muita gente brava com essa façanha, a tal ponto que começou a ser investigado pelo FBI, contudo sem consequências.

Mas a história foi bem diferente com o MIT. Ainda no Laboratório de Ética de Harvard, em 2011, Aaron se utilizou do acesso aberto do MIT para coletar por volta de 4,8 milhões de artigos científicos, incluindo arquivos  da base JSTOR muito conhecida no mundo acadêmico. O caso veio a público, creio, quando ele foi preso em julho de 2011.

A controvérsia sobre se seria roubo ou não foi substituída pelo debate sobre se era correto a cobrança por artigos científicos cujas pesquisas são financiadas com dinheiro público. Sobre a mercantilização e privatização do conhecimento científico, direitos de autor e os custos para tornar esses materiais disponíveis. Uma campanha de apoio a Aaron e o manifesto Guerrilla Open Access, escrito por ele em 2008, ganhou outra vez visibilidade (uma tradução pode ser encontrada aqui).

Segundo a ONG Electronic Frontier Foundation, embora os métodos de Aaron fossem provocativos, os seus objetivos eram justos. Ele lutava para libertar a literatura científica de um sistema de publicação que tornava inacessível essa produção para a maior parte das pessoas que realmente pagaram por isso, quer dizer, todas as pessoas que pagam impostos. Essa luta deveria ser apoiada por todos.

As coisas começaram a tomar outros rumos com o declínio do debate. Após a devolução das cópias digitais dos artigos, a JSTOR decidiu não apresentar queixa contra Aaron. Mas a façanha desta vez resultou num processo por crime cibernético por parte do governo dos Estados Unidos munido pelo MIT. Em seu desabafo ao saber do suicídio, Lawrence Lessig escreveu:

Logo no início, para seu grande mérito, JSTOR compreendeu que era “apropriado” desistir: eles declinaram de dar prosseguimento à sua própria ação contra Aaron e pediram ao governo para fazer o mesmo. O MIT, para sua grande vergonha, não foi limpo, e então o promotor teve a desculpa que ele precisava para continuar sua guerra contra o “criminoso” que nós amamos e conhecemos como Aaron.

 O Departamento de Justiça dos Estados Unidos interpretou a ação de Aaron como crime de roubo e a demanda foi levada ao grande júri que decidiu que ele deveria ir a julgamento. Então, a máquina de fazer moer do governo começou a funcionar.

Primeiramente, Aaron foi acusado de quatro crimes todos relativos à violação de sistema informático. Mas depois o Departamento de Justiça, numa atitude de “exemplaridade”, acrescentou mais nove acusações, todas contidas na Lei de Abuso e Fraude Informática, e atos de conspiração.

Além disto, familiares e amigos, como Lawrence Lessig, relatam situações de intimidação por parte do Departamento de Justiça. Alex Stamos, especialista em crimes cibernéticos, além de inúmeras outras vozes, desmontam item por item o exagero forçado na perseguição a Aaron, a verdade sobre o “crime”.

O efeito cascata dessas acusações resultaram na possibilidade real de Aaron Swartz ser condenado a 35 anos de prisão e multa de 1 milhão de dólares!!!

Lawrence Lessig diz:

Aqui, é onde nós precisamos de um melhor sentido de justiça e de vergonha. O que é ultrajante nesta história não é apenas [o que aconteceu com] Aaron. É também o absurdo do comportamento do promotor. Bem desde o início, o governo trabalhou tão  duro quanto pode para caracterizar o que Aaron fez da forma mais extrema e absurda. A “propriedade” que Aaron “roubou”,  nós fomos informados, valia “milhão de dólares” — com a dica, e então a sugestão, que o seu objetivo de obter lucro com o seu crime. Mas qualquer um que diga que se pode ganhar dinheiro com um estoque de ARTIGOS ACADÊMICOS é idiota ou mentiroso. Estava claro o que disto não se tratava, mas o nosso governo continuou a pressionar como se tivesse agarrado terroristas do 11/09  com a boca na botija.

Não consigo imaginar o que passou com esse rapaz de personalidade introvertida, apresentando um quadro de depressão, à medida que a data do julgamento se aproximava. Sua solidão, seu medo diante deste quadro kafkiano. Sua morte me pareceu daqui de longe uma forma de exílio. Como o exílio do protagonista das tragédias gregas. A morte é a condenação ao exílio da República que não permite a existência dos poetas.

No sábado, ainda sob o impacto do acontecimento, sua família fez um comunicado público, culpando as autoridades judiciais e o MIT. O documento afirma que essa morte não é apenas uma tragédia pessoal, mas sim um produto de um sistema de justiça criminal repleto de intimidações, o qual iria punir uma pessoa por um alegado crime que não fez vítimas.

Essa última parte é a chave de todo o enredo, pois para a aplicabilidade da lei com a qual Aaron seria julgado era necessário uma série de aspectos todos ausentes dos atos cometidos.

Um memorial online está sendo construído em homenagem a Aaron.

O funeral será realizado nessa terça-feira, 15 de janeiro, em Illinois.

Como tributo a comunidade ciberativista criou uma página com o objetivo de ser um grande e espontâneo repositório de produção acadêmica colocada a disposição  de todas as pessoas de forma gratuita e aberta.

Todas as pessoas estão convidadas a disponibilizar seus trabalhos em qualquer idioma. No twitter acompanhe pela hashtag #pdftribute.

O JSTOR publicou suas condolências imediatamente e o MIT anunciou que vai investigar sua responsabilidade na morte de Aaron, mas  para mim este anúncio beira o cinismo.

E o que nós aqui no Brasil temos com isso?

Bom, a internet foi concebida como uma plataforma sem fronteiras físicas e territoriais. E quando ocorre um evento, triste ou alegre, seja onde for, que está relacionado ao âmago do funcionamento desse incrível sistema isso nos interessa.

O aperfeiçoamento técnico da internet e seu sistema regulatório é, também, de grande interesse de todos, sobretudo quando este aperfeiçoamento está relacionado com o acesso ao conhecimento e à informação, ao livre exercício dos direitos civis e das liberdades individuais.

Em relação à produção científica vale lembrar que o governo brasileiro tem tido uma participação importante na formação de uma cultura de acesso aberto e gratuito. Embora de maneira, por vezes, contraditória.

Mas deixando as idiossincrasias de lado… a área de saúde é um belo exemplo de acesso compartilhado ao conhecimento com a instalação, no Brasil, da BIREME, em 1967, cujo objetivo é contribuir com o desenvolvimento da saúde fortalecendo e ampliando o fluxo de informação em ciências da Saúde.  Dela, em 2002, surgiu o projeto Scielo, uma biblioteca eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros que se expande pela América Latina.

No início dos anos 2000, em consonância com a o debate global, é lançado o Manifesto Brasileiro de Apoio ao Acesso Livre à Informação Científica com vários setores e órgãos do governo brasileiro entre os apoiadores da inicitiava (leia aqui e aqui).

Contudo, a sucessão de eventos desde a cópia dos milhares de artigos científicos até o processo judicial e o incremento da pena — resultando na absurda possibilidade de Aaron ser condenado a 35 anos de prisão mais multa — serve de alerta para a necessidade de nós mesmos repensarmos e revisarmos estrategicamente as recentes leis aprovadas no nosso Congresso Nacional sobre cibercrime, além da debilidade política e conceitual a que chegou o Marco Civil.

Nós não estamos distantes de absurdos como o caso de Aaron! Em terras tupiniquins outros absurdos já acontecem por causa do uso excessivo das leis de difamação e persistência das leis de desacato.

Magaly Pazello é pesquisadora do Emerge — Centro de Pesquisa e Produção em Comunicação e Emergência da Universidade Federal Fluminense (UFF), sendo responsável pela área de pesquisa de governança na internet. É ciberativista e feminista.

Leia também:

A banda larga e 40 milhões de sardinhas

 

45 Comentários escrever comentário »

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Dois anos sem Aaron Swartz. Ele queria mudar o mundo através da internet « Viomundo - O que você não vê na mídia

16/01/2015 - 15h17

[…] Magaly Pazello: “A internet perdeu um de seus mais brilhantes sonhadores” […]

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Wladimir Crippa: Contra o vigilantismo na internet, o Partido Pirata - Viomundo - O que você não vê na mídia

15/04/2013 - 23h58

[…] Magaly Pazello: “A internet perdeu um de seus mais brilhantes sonhadores” […]

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antonio

22/01/2013 - 21h50

É no mínimo uma desproporcionalidade! A procuradora Ortiz deve responder pelo suicídio de Aaron Swartz!

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J Souza

18/01/2013 - 05h27

O governo brasileiro, ou seja, nós, através de nossos impostos, damos bilhões a nós, pesquisadores brasileiros, que temos, por obrigação, que publicá-los. Até ai, tudo certo.
O problema é que é cobrado de nós pesquisadores que as publicações sejam feitas em periódicos com maior “fator de impacto”. E ai entra o paradoxo: as publicações que têm os maiores “fatores de impacto” só são acessadas através de pagamento, seja pessoal, seja institucional, através de universidades ou outros órgãos públicos.
Há centenas de publicações científicas “Open Access” atualmente, mas seu “fator de impacto” ainda é menor do que o das publicações pagas.
Talvez fosse correto o governo brasileiro exigir, através da CAPES, do CNPq, e das fundações de apoio à pesquisa, como a FAPESP, que publicações de trabalhos feitos com financiamento público fossem feitas somente em publicações “Open Access”. Isto, sim, seria justo, pois todos nós que pagamos pelas pesquisas, através de nossos impostos, poderíamos ter acesso aos resultados das mesmas.

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mineiro

15/01/2013 - 17h15

eu acho engraçado uma coisa. porque so agora , a maioria esta sabendo quem é essa pessoa. esperou o cara morrer primeiro , para depois dizer quem ele é. porque ninguem ate agora nao falou nada da luta dele contra esse sistema maldito dos quintos dos infernos americano. ele nao era para ser conhecido a mais tempo? cade a blogosfera que nao falou nada dele ate agora. mas a luta dele nao é a mesma nossa? toda blogosfera nao tinha que ter solidarizado com ele a mais tempo? divulgando tudo o texto aqui escreveu e travando uma luta mundial a favor dele? dessa vez todo mundo deixou passar em branco.

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    Magaly Pazello

    17/01/2013 - 15h29

    Olá Mineiro!
    Você tem razão ao sublinhar a falta de um maior diálogo com Aaron Swartz a partir do Brasil. Contudo, não é certo de que nunca foi falado anda sobre ele. Quando o caso com a JSTOR veio a público nos Estados Unidos isto também foi notícia na mídia brasileira. A luta contra os excessos do copyright e da propriedade intelectual no terreno da sociedade da informação é tema de discussão, debate, encontros, blogs etc. no Brasil há muito tempo, bem como a adesão brasileira na luta contra o SOPA. E antes disso contra o ACTA. E antes disso contra essas mesmas proposições na OMPI-Organização Mundial de Propriedade Intelectual.

    O debate sobre os execessos da aplicação do direito de autor sempre foi muito vivo entre jovens estudantes, ciberativistas, especialsitas do campo do direito, por exemplo. Os casos ocorridos no Brasil, inclusive com perseguição a jovens promotores do acesso ao conhecimento foi divulgados amplamente nas redes de ativistas.

    Mas sim, esse é um debate que precisa ganhar outros terrenos e públicos. Precisa se ampliar e aprofundar. Precisa ganhar a sociedade como um todo. Não pode ficar reclusa a um grupo de pessoas. Mas para isso é preciso que todos nós façamos parte dessa corrente tipo “boca-no-trombone”!

    Magaly

O suicídio do gênio da computação - Blog do Ataíde

15/01/2013 - 15h11

[…] “A internet perdeu um de seus mais brilhantes sonhadores” […]

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Sr.Indignado

15/01/2013 - 10h22

O Estado é insaciável na defesa dos interesses dos poderosos.

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Luís

15/01/2013 - 08h09

Suicídio, né? Que nem aconteceu com o Mosquito.

Responder

PdePaula

14/01/2013 - 23h01

O que acontece com os artigos cintíficos, financiados com o dinheiro público, que depois são explorados pela indústria privada?? Remédios, tratamentos, tecnologias etc desenvolvidos com nosso dinheiro, caindo nas mãos de poderosas coorporações que apenas visam lucro?…Não acho isso justo. Para termos essa liberação científica, temos (Estado e Sociedade Civil) que ter o cuidado de controlar (sim, controlar!) o uso desse conhecimento pelas coorporações, para não pagarmos pelo lucro daquilo que já financiamos com os tributos. Tem de haver muito cuidado com esses jogos de interesses…

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Hudson

14/01/2013 - 22h16

Importante:

– Os artigos que Aaron Swartz resgatou ERAM DE DOMÍNIO PÚBLICO, mas só podiam ser acessados pagando-se “pedágio” ao JSTOR e serviços similares.

– JSTOR é uma entidade sem fins de lucro, que tem um serviço de busca e acesso a artigos científicos. Há vários outros serviços similares providos por empresas comerciais.

– Depois que os artigos foram resgatados e difundidos, a JSTOR disse que já planejava liberar o acesso aos artigos de domínio público, mas ainda não o havia feito.

– Após investigar, o FBI reconheceu que os artigos eram de DOMÍNIO PÚBLICO, e portanto não houve desrespeito a /copyright/.

– Nem JSTOR nem o MIT (de onde foi feito o acesso aos arquivos) quiseram processar Aaron. JSTOR foi contra o processo, e o MIT aparentemente lavou as mãos.

– JSTOR então liberou o acesso aos artigos científicos de domínio público.

– Mas autoridades governamentais perseguiram Aaron Swartz com acusações e ameaças de penas que podem tê-lo levado ao suicídio.

Fontes:

http://www.cic.unb.br/docentes/rezende/trabs/raivadehacker.html

http://www.huffingtonpost.com/2013/01/12/aaron-swartz_n_2463726.html

http://www.techdirt.com/articles/20110912/10132515906/jstor-freely-releases-public-domain-papers-that-greg-maxwell-already-freed.shtml

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    Magaly Pazello

    15/01/2013 - 14h05

    Olá Hudson!
    Apenas uma observação, o MIT realmente está envolvido no processo de Aaron ao contrário do que você afirma. Aliás o MIT está envolvido até o pescoço nesse processo e não é como vítima. Veja o que Lessig e toda a imprensa dos Estados Unidos vem afirmando sobre o caso. O MIT teve a chance de cair fora e deixar tudo, mas decidiu ir até o fim com o caso para demonstrar “exemplaridade”.

    Magaly

    Hudson

    22/01/2013 - 00h36

    Oi Magaly,
    Obrigado pela ressalva.
    Peça ao Viomundo para corrigir a ligação para o texto do Lessig, que está quebrada.
    Até mais,
    Hudson

    Hudson

    22/01/2013 - 10h25

    De fato o MIT não tem ajudado em nada a luta pela liberdade digital. Aqui está o caso de um estudante do MIT que foi “isolado” do MIT para enfrentar sozinho um processo da Microsoft:

    http://www.bunniestudios.com/blog/?p=2860

Aaron Swartz (1986-2011) « trapos e bagaços

14/01/2013 - 22h05

[…] Da Magaly Pazello, no Viomundo, “A internet perdeu um de seus mais brilhantes sonhadores”. […]

Responder

Mário SF Alves

14/01/2013 - 21h22

Então é assim?

Primeiro a REALIDADE disponibiliza uma ferramenta que só funciona e/ou se justifica comercialmente como produto da ação e uso coletivo; e, que, em síntese e analogamente, pode ser considerada como um cérebro cuja conexão de neurônios demanda ambiente comum.

A seguir, tal ambiente comum, em função de interesses diversos e predominantemente privados, e na falta de solução mais eficaz, com o tempo, passa a ser loteado e defendido com cercas virtuais ainda muitíssimo precárias; aí, de repente, e paradoxalmente, aqueles que se acham os dono do cérebro, do ambiente comum, loteado e cercado, se acham no direito de incriminar aqueles que conseguem ultrapassar os vazios de tal precária cerca?

Conclusão: é certo que não somos irracionais a ponto de desconhecermos a noção de limites, havendo ou não cercamento virtual, com ou sem brechas na cerca. No entanto, o que é o limite em se tratando de um ambiente de uso comum? Limite ético? Limite democrático? Assim, até que ponto seria sensato manter-se ético e democrático com quem nos trata com ética e democracia nenhuma?

Responder

    FrancoAtirador

    15/01/2013 - 11h55

    .
    .
    A irracionalidade do Sistema:

    Quem busca obstinadamente o lucro

    desconhece a noção de limites.

    Nestes sombrios dias que correm

    a Ética é uma ilusão de Ótica.

    E vice-versa…
    .
    .

Samira Silva

14/01/2013 - 18h32

É a Suprema Justiça do Assassino Planetário canibalizando os seus. A Aberração Ianque, além de fabricar loucos e matadores, agora come os próprios filhotes, os quais nem foram para a guerra.

Responder

    Mário SF Alves

    14/01/2013 - 21h44

    É a mais fria, calculista e inescruprulosa fogocitose de cérebros. Fagocitam os desejáveis e expelem os indesejáveis. Fogocitaram o Einsteien e expeliram o Aaron.

Hans Bintje

14/01/2013 - 18h25

Dentro do sistema atual nos EUA, não existe mais espaço de manobra.

Responder

Mário SF Alves

14/01/2013 - 18h08

Enfim, Swartz era assim: um hacker que agia na outra ponta do processo, no fortalecimento e uso da informática na anti-fascistização neoliberal do mundo.

_____________________________________________
Lennon jamais esteve só; menos ainda agora, querido Aaron. “Power To The People!”

Responder

    Mário SF Alves

    14/01/2013 - 20h01

    Se fosse durante a guerra fria, Aaron seria de pronto tachado de espião a serviço daquele que, aos olhos e da propaganda dos ideólogos norte-americanos, era o Império Mal, a ex-URSS.
    Se bem que num cenário daquele, num contexto de guerra fria, o neoliberalismo/desumanização neoliberal, sequer parcialmente teria se consolidado; ainda que o Chile, sequestrado e sob o tacão de uma das ditaduras mais sangrentas da Terra, tenha sido o laboratório por excelência dessa solução econômica de interesse exclusivo das corporações que hoje dominam o mundo.
    _______________________________________________
    Mas, afinal, até onde seria justificável esse temor do império em relação ao vazamento de informações tecno-científicas? Afinal, nós somos ou não somos incompetentes? Do que nos adiantaria ter acesso a este conhecimento se é certo que não seríamos capazes de aplicá-lo ou desenvolvê-lo? Qual o medo, enfim?
    ___________________________________________________________
    Além do mais, qual o problema em divulgar/socializar tal conhecimento? Afinal, à custa de quem ou do quê ele foi obtido? O Chile sofreu o que sofreu por quê? Por nada? O subdesenvolvimentismo e as ditaduras que submetem e submeteram o Brasil e a Argentina teria sido a troco de nada ou só mesmo em nome do propalado “risco de comunistização” destes países?

FrancoAtirador

14/01/2013 - 16h52

.
.
SUICIDADO

.
.
Sobre os comentários de João Sérgio e Fabio.
.
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Responder

Júlio De Bem

14/01/2013 - 16h51

Pra quem não conhece, existe a deep web. A internet escondida (que tem muita podridão como pedofilia ou até mesmo comercio de armas), mas que também tem sites muito bons com milhoes de artigos científicos. Os que esse rapaz reuniu estão por lá. Pesquisem sobre deep web, o google não encontra os sites que também não podem ser acessados por navegadores normais. Ideal é utilizar o Tor browser.É de lá que vem e atua o wikileaks antes de vir para a surface.

Hiden wiki : http://hmybz2aqe7whj7qr.onion/wiki/Main_Page

Responder

Doris Gibson

14/01/2013 - 16h34

Esse MIT tá parecendo o nosso STF. Stanislaw Ponte Preta diria:”mais uma vez, os EUA se curvam diante do Brasil”.
Na minha modesta opinião, deveríamos parar de chamar de “justiça” esse sistema que anda se especializando em condenar pessoas que não cometeram crime algum.

Responder

MariaC

14/01/2013 - 16h13

A Humanidade sempre esteve em evolução contínua. Porém neste momento estamos em evolução acelerada. E aparecem mais e mais pessoas assim, com um maravilhoso coração aberto para ajudar. Só podem ver o mundo dessa maneira, pelo seu próprio espelho. Ver que existem crápulas completamente diferentes deles é um choque. Nao podem suportar. Muitas dessas pessoas pagarão o preço da ignorância dos menos evoluídos até que tenhamos uma massa crítica de seres evoluídos suficiente para a virada.E os crápulas – estes também são parte do processo – estarão mortos. .

Responder

Willian

14/01/2013 - 15h57

A produção científica é mais desenvolvida onde ela é mais capitalista.

Responder

    abolicionista

    14/01/2013 - 23h37

    Andou lendo Marx? KKK

Fabio

14/01/2013 - 15h53

“Suicidaram” ele!

Responder

Alan Kardec

14/01/2013 - 15h01

A arte de pensar em um mundo melhor não é tarefa fácil. O desejo de se fazer um mundo melhor ainda continua uma das mais difíceis tarefas da humanidade. Aaron Swartz deixa seu legado, ou deixa o mundo? As máquinas continuam moendo o processo da humanização, enquanto os sonhadores buscam a real essencial da vida em harmonia e da possibilidade de compartilhar conhecimento sem a violência do vil capital.

Responder

Messias Franca de Macedo

14/01/2013 - 14h22

… Todo conhecimento só tem sentido se for compartilhado!… E pensar que uma premissa tão trivial resultou em mais um episódio de “justiçamento” perpetrado pelos que pensam a Justiça a partir de interesses inconfessáveis, “incompartilháveis”!… A brutalização do mundo nunca chocou “os poderosos”: não será esta tragédia que irá redimi-los!…

… Além de lamentar profundamente, o que podemos fazer para repudiar os assassinatos de reputação, o esquartejamento das liberdades, a decapitação da criatividade revolucionária?!…

Quantos minutos de silêncio?!…

Responder

José de Almeida Bispo

14/01/2013 - 13h21

Isso me lembra Brecht e suas constatações sobre a acomodação da sociedade. Eis porque é preciso ser radical e intransigente na defesa da liberdade: os espertalhões sempre estarão à espreita para dar o bote.
Uma tragédia, a perda de um gênio como esse.

Responder

Lenir Vicente

14/01/2013 - 13h18

Ele ousou pensar a liberdade de informação como um bem maior.Que sua morte não seja em vão. #liberdadedeexpressão#

Responder

paulo roberto

14/01/2013 - 13h07

Pelo jeito, não é só o Brasil que tem o “privilégio” de ter uma justiça de exceção comandada pelos poderosos.

Responder

João Sérgio

14/01/2013 - 12h40

O Latuff fez uma charge sobre o caso

Responder

Roberto Locatelli

14/01/2013 - 12h36

Steve Jobs, ultra-elitista, foi pranteado meses a fio.

Aaron Swartz, que sonhava com a distribuição livre do conhecimento, se foi sem ser pranteado pelo “mercado”.

Responder

    Willian

    14/01/2013 - 16h29

    É forçoso dizer que Steve Jobs é muito mais importante que Aaron Swartz para a vida das pessoas. Antes de criticar a mídia, lembre-se que, mesmo você que o acha tão importante, não sabia de sua existência antes dele morrer.

    Paulo ETV

    14/01/2013 - 17h14

    para a vida das pessoas nem um nem outro,certo o maluco,ou voce acha que essas tecnologias são inexoráveis ,coisas do destino.

    poderiam ser outras visando outras maneiras de se viver mas são essas que promovem a dominação e exclusão.

    se liga e pare de atirar em quem se mostra.

    Marcio H Silva

    14/01/2013 - 21h57

    Steve Jobs é mais importante para a vida das pessoas? porque, poderia explicar. Não utilizo nada fabricado pela Apple e vivo muito bem, o unico produto consumido deles foi os 2 primeiros filmes Toy Story a qual levei meus filhos ainda pequenos ao cinema. Ainda que admire Jobs pela sua estória de vida….e suas realizações……

    Hudson

    14/01/2013 - 22h38

    Steve Jobs foi um lutador incansável pelo fim dos direitos civis na era eletrônica. Pelo vigilantismo, contra a autonomia dos usuários de dispositivos eletrônicos. A Apple é um dos maiores inimigos da humanidade.

    Aaron Swartz foi um lutador incansável pelos direitos civis na era digital. Contra a colocação de catracas eletrônicas em obras de domínio público (como no caso dos artigos resgatados da JSTOR), pela neutralidade da internet, contra leis abusivas de /copyright/ e escravização/colonização de usuários da internet.

    Se Steve Jobs for muito mais importante para a vida das pessoas do que Aaron Swartz, isso significa que estamos perdendo nossos direitos humanos para os canalhas.

    Roberto Locatelli

    15/01/2013 - 09h00

    O marketing da Apple é convencer o usuário que ele é sócio da empresa. Assim, o usuário passa a ser um propagandista. Muita esperteza. Esperteza da Apple, claro.

    jorge

    15/01/2013 - 10h56

    Está de sacanagem?
    Importante para a vida de quem?
    Há anos eu só utilizo software livre (licença Creative Commons) e JAMAIS utilizei qualquer produto do Jobs.
    Cada uma!

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