
Atualizado em 06 de fevereiro de 2009 às 07:58 | Publicado em 05 de fevereiro de 2009 às 16:06
por CONCEIÇÃO LEMES, especial para o Viomundo

Marc Garlasco, da HRW
Há quase um mês Israel e Hamas anunciaram o cessar-fogo. A Guerra de Gaza matou mais de 1,3 mil palestinos (boa parte civis) e 14 israelenses (onze soldados, três civis).
No início de janeiro, quando Israel começou ofensiva por terra, a Human Rights Watch (HRW) levantou a suspeita: as forças militares israelenses estavam utilizando munições com fósforo branco.
A Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNWRA, em inglês), a Anistia Internacional, a Cruz Vermelha, o Crescente Vermelho, entre outras organizações humanitárias, reforçaram a denúncia. Bombas com fósforo branco continuaram a ser lançadas. Na cidade de Gaza, vivem mais de 1,5 milhão de palestinos. É uma das áreas mais densamente povoadas do mundo.
“Foi ilegal o uso de bombas com fósforo branco por Israel, pois não tomou todas as precauções possíveis para poupar a população civil dos seus efeitos nocivos, incendiários”, condena Marc Garlasco em entrevista exclusiva ao Viomundo. “Não havia necessidade de queimar as zonas civis da Faixa de Gaza.”
A Human Rights Watch é uma organização não-governamental, independente que se dedica há 30 anos à defesa e à proteção dos direitos humanos. É uma das principais no mundo. Marc Garlasco é o seu analista militar sênior. Ele acompanha em Gaza as investigações sobre a guerra.
Viomundo – Quais as evidências de que bombas contendo fósforo branco foram utilizadas?
Marc Garlasco – Eu estou em Gaza e encontramos numerosos cartuchos dessas munições derretidos em áreas populosas. Casas, um hospital, uma escola e escritórios da Organização das Nações Unidas foram queimados por elas. Civis foram mortos e feridos. Não há mais qualquer dúvida. Bombas com fósforo branco foram usadas. Até Israel admite isso agora.
Viomundo – O senhor testemunhou o uso?
Marc Garlasco – Sim, eu estava na fronteira com a Faixa de Gaza e vi, pessoalmente, a artilharia israelense disparar bombas com fósforo branco sobre Jabaliya e a cidade de Gaza. Suas explosões produzem uma nuvem que lembra água-viva. Os seus ‘tentáculos’ provocam fumaça. O fósforo branco tem alto poder incendiário. O fósforo branco queima tudo o que toca. Queima bastante e por muito tempo.
Viomundo – No Brasil, há quem diga que o fósforo branco produziria apenas cortina de fumaça e seria mentira que provocaria uma barbárie humana?
Marc Garlasco – Lamento. Quem pensa assim é desinformado ou falta com a verdade.
Viomundo – O que é exatamente o fósforo branco?
Marc Garlasco – Uma substância química fabricada a partir de rochas de fosfato. É colocado num reservatório que fica dentro da bomba. Esse reservatório explode antes de atingir o solo ou em cima do alvo. Deixa no ar um cheiro semelhante ao do alho. Em contato com o oxigênio, o fósforo branco se inflama, pega fogo e cria uma cortina de fumaça, seja dia, seja noite. Serve, assim, para esconder a movimentação das tropas em terra. Porém, quando atinge o ser humano, causa queimaduras gravíssimas. Casas, edifícios, lojas, campos, objetos atingidos, pegam fogo; são destruídos. Os efeitos incendiários das bombas com fósforo branco se espalham rapidamente por vastas áreas.
Viomundo – As queimaduras com fósforo branco vão além da pele, certo?
Marc Garlasco – Realmente, o fósforo branco queima não só a pele mas também os órgãos internos, como fígado, rins. O fósforo branco queima até o osso. Nós vimos um homem no hospital que teve o seu olho totalmente destruído. Os ferimentos causados pelo fósforo branco são tão horríveis que ele precisará se submeter a uma nova cirurgia.
Viomundo – Quantos palestinos foram mortos ou feridos pelo fósforo branco?
Marc Garlasco – Não tenho idéia do número total de vítimas.
Viomundo – O fósforo branco seria “parente” do napalm?
Marc Garlasco – Não.
Viomundo – O fósforo branco é uma arma química?
Marc Garlasco -- Não é. E, por si só, o seu uso não é proibido.
Viomundo – Quer dizer que pela legislação internacional ele é permitido como arma?
Marc Garlasco – Sim, desde que se tomem todas as precauções possíveis para evitar ferimentos e perdas de vidas humanas.
Viomundo – O uso por Israel foi dentro da lei?
Marc Garlasco – Foi ilegal, pois não tomou todas as precauções possíveis para poupar os civis dos efeitos incendiários do fósforo branco. Israel violou o direito internacional humanitário.
Viomundo – O uso do fósforo branco poderia ser considerado crime de guerra?
Marc Garlasco – Sim, poderia ser, mas nós não dissemos que é. As investigações é que determinarão.
Viomundo – Primeiro, Israel negou. Depois, relutantemente, acabou admitindo o uso do fósforo branco na Guerra de Gaza. Disse que vai investigar. O senhor acredita que será uma investigação isenta? Ou é um jogo de cena para o público mundial?
Marc Garlasco – Eu não tenho idéia.
Viomundo – Não existiria outra substância capaz de criar a fumaça sem provocar destruição tão devastadora? Ou o objetivo real era matar palestinos?
Marc Garlasco – Sim, tinham outras opções. As forças militares israelenses dispõem de bombas que produzem fumaça sem provocar fogo. Eu não sei por que não usaram essas. Não havia necessidade de atingir a população civil em Gaza.
Viomundo – A Human Rights Watch denunciou o uso do fósforo branco. Também pediu a interrupção imediata da utilização. O que a HRW deseja agora?
Marc Garlasco – Queremos uma investigação internacional sobre o uso ilegal do fósforo branco. Também queremos uma investigação internacional sobre como os dois lados agiram em combate.

Senhora Amyra, onde foi que disse que o povo palestino é terrorista? Posso ter me equivocado no caso do vídeo, mas isso muda em que no que o Hamas está fazendo? No título desse artigo diz que não havia necessidade de queimar zonas civis. Pergunto à todos, há necessidade de lançar mísseis contra a população civil de Israel? Li comentários aqui dizendo que "Israel ocupa ilegalmente o território palestino há 60 anos". Ora, Isarel foi criado pela ONU, como pode ser ilegal? Antes, não existia Estado algum naquela região. Existiam árabes que nasceram e viviam na região da Palestina e judeus que nasceram e viviam na região da Palestina. Por definição eram árabes palestinos e judeus palestinos. Depois que foram criados os 2 Estados, passam a ser chamados então, de israelenses e palestinenses. Acho que o povo palestinense tem direito a ter um Estado.
O Hamas não pode ser criticado? Pela constituição de meu país tenho o direito de me manifestar quando discordo de algo ou alguma coisa. Não estou denegrindo a imagem de ninguém. Estou criticando as ações de outros. Pelo que estou vendo neste site, parece que algumas pessoas não aceitam críticas e acabam por ameaçar o outro. Paciência!! Achei que estava discutindo no campo das ideias. Daniel, lembrou de outros conflitos como entre os turcos e os armênios, por exemplo. Não vejo niguém criticar a Turquia pelo massacre armeno...De antemão peço desculpa se fui mal interpretado.