
Atualizado em 01 de agosto de 2008 às 15:26 | Publicado em 01 de agosto de 2008 às 12:16

Começou mais cedo do que eu imaginava. A título de responder a um discurso de Barack Obama a campanha de John McCain injetou a questão racial na disputa pela Casa Branca.
Fez isso de maneira cínica e eficaz, como sempre fazem os republicanos, que operam uma verdadeira "máquina de moer carne" apelando aos instintos mais selvagens dos eleitores.
Na campanha de 1988 ficou famoso o caso de Willie Horton. Era um condenado que participava de um programa que dava liberdade aos presos em alguns fins de semana, programa que tinha o apoio do então governador de Massachussets, Mike Dukakis, que se tornou candidato democrata à Casa Branca. Os republicanos trouxeram Horton para a campanha eleitoral, sugerindo que Dukakis era mole contra o crime, muito liberal e, portanto, incapaz de ser presidente dos Estados Unidos.
Isso era o que dizia o texto. Mas as imagens foram usadas de forma a sugerir aos eleitores brancos: se Dukakis for eleito ele vai soltar todos os assassinos negros que estão na cadeia.
É óbvio que contra Obama os republicanos não poderão fazer o mesmo. Eles estavam apenas esperando uma oportunidade para trazer a questão racial de volta. Num discurso recente o democrata disse que a campanha republicana tentaria pintá-lo como uma aberração, alguém que "não se parece com os presidentes que figuram nas notas do dólar". Foi o suficiente para que assessores de McCain - e o próprio candidato - atacassem Obama por supostamente ter trazido a questão racial para a campanha.
Aos republicanos o assunto interessa por um motivo muito simples: os eleitores de classe média baixa são os mais suscetíveis à insegurança gerada pela crise econômica. E a tendência deles seria votar por mudança. É aí que entra a questão da identidade. O que a campanha de McCain quer fazer é dizer a esse eleitor: mudança, sim, mas com alguém que seja como você, com o qual você tenha identidade. Esse é um bloco suficientemente grande de eleitores para decidir a eleição.
É óbvio que os republicanos não vão abraçar o texto que foi visto no Texas - um dos lugares mais racistas dos Estados Unidos: "Se Obama for presidente... ainda chamaremos a Casa de Branca?". Dirão a mesma coisa de forma subliminar.
Ora pois, não entendi. Não foi o Obama que tocou no assunto racial?...
Aliás, nem precisava. tentou deixar isso obscurecido até agora. Ainda não era a hora.
A mim me parece que mais interessa é à Obama, ter esse trunfo em mãos, caso esteja caindo por demais nas pesquisas.
Afinal, os jovens adoradores de "mudanças" que acreditam que o candidato democrata vai mesmo acabar com a guerra e criar o "novomundopossível", não vão permitir que não se eleja um negro que chegou tão perto.
Queiram ou não, o grande diferencial a favor do Obama, mais que o estilo fashion, o ar de "não muito radical" e o discurso certo, na hora certa e para a platéia certa, é mesmo o fato de ser negro.
Um presidente negro vai provar o quanto os EUA agora são humanistas e desenvolvidos. O quanto mudaram. O quanto estão arrependidos das malvadezas feitas aí pelo mundo todo...