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Eleições nos EUA Utilidades

REPUBLICANOS, ESPERTOS, USAM A MÍDIA NA CAMPANHA

Atualizado em 04 de setembro de 2008 às 08:22 | Publicado em 04 de setembro de 2008 às 08:08

O Partido Republicano é muito esperto. Esse ano não será mole ganhar a eleição. A bola está com os democratas, por causa das dificuldades econômicas que afetam o bloco do eleitorado americano que é decisivo: a classe média baixa branca de estados industriais como Michigan, Ohio e Pensilvânia.

Mas, como sempre, os republicanos estão anos-luz à frente dos democratas nas malandragens de campanha.

Transformaram magistralmente um factóide negativo em um factóide positivo durante a Convenção, ao apresentar ao público a filha da candidata a vice -- Bristol, de 17 anos, grávida --  ao lado do futuro marido. Com isso ao mesmo tempo desfizeram a imagem de intolerância atribuída ao partido, asseguraram aos conservadores um "final feliz", sugeriram aos eleitores brancos um contraste (a gravidez precoce que termina com mães solteiras é um problema que atinge desproporcionalmente os negros americanos que estão na base da pirâmide social) e humanizaram a candidata a vice (que poderia ter optado pelo "mais fácil", o aborto).

Com isso, o fato de que a própria candidata a vice, Sarah Palin, cortou fundos para dar apoio a mães solteiras perde força para ser usado contra ela.

Outra jogada magistral dos republicanos é fazer campanha contra a mídia, o que vai "energizar" a base conservadora. John McCain cancelou de última hora uma entrevista com Larry King, da rede CNN, alegando que a emissora havia tratado mal um porta-voz da campanha. E a candidata a vice Sarah Palin atacou a mídia em seu discurso na Convenção. Tudo isso serve à mentalidade do "nós contra eles" ou à sensação de que os republicanos precisam lutar contra tudo e contra todos para triunfar.

É de um cinismo brutal, quando sabemos que Rupert Murdoch, o triliardário magnata da mídia é republicano de carteirinha, assim como 9 de cada 10 empresários do ramo. Diz-se por lá que há um "liberal bias", uma queda da mídia pelos liberais, o que é uma grande besteira. A maioria dos jornalistas americanos é conservadora e eu me arrisco a dizer que vota nos republicanos.

Atacar a mídia é, portanto, uma tática eleitoral que funciona. Além de intimidar os próprios editores lança dúvidas sobre qualquer notícia negativa sobre McCain-Palin: pode ser invenção da mídia. Como no Brasil, há um forte grau de desconfiança em relação ao que sai nos jornais e aparece nos programas de televisão. E isso acaba reforçando a imagem de durão de McCain, uma imagem de firmeza que é atraente em um mundo de "homens tíbios", cuja espinha dorsal parece programada para o servilismo.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Marcos (06/09/2008 - 18:31)
Azenha, só um esclarecimento: quando perguntei se a mídia norte-americana não é servil eu estava respondendo para o 'John Bastos', que disse que não é. Seu texto é ótimo, como sempre, aliás. Você e o Idelber são os que fazem a melhor cobertura das eleições norte-americanas.

Marco Antônio Leite (04/09/2008 - 16:27)
O que muda com a vitória do Obama ou do McCain, entre eles o que muda é apena a cor da camada de células que reveste os órgãos superficial da pele. Porque na maneira de governar ambos são iguais, inclusive ao Bush, o carniceiro do momento. Aquele que ainda estiver vivo verá o que esses capachos da elite Norte America irão fazer no governo da Casa Branca por fora, mas por dentre ela é pintada de vermelho, sangue de Afegãs, Iraquianos e quem mais surgir na frente desses sujeitos de patas sujas.

Allan Ravagnani (04/09/2008 - 16:01)
Azenha
Me tire uma dúvida, em todos os estados americanos, os delegados são obrigados a votar no candidato de maior votação popular ? ex: os 55 delegados da Califórnia serão obrigados a votar em Obama, caso ele vença no estado, mesmo que por 51% a 49% ? ou os delegados votam de maneira proporcional.

Pesquisei esse tema, mas ainda não encontrei em nenhum lugar.

um grande abraço
Allan Ravagnani

Ludi (04/09/2008 - 14:27)
Alguém esqueceu de apertar MUTE na MSNBC durante um intervalo e alguém, provalvemente assistindo o feed aberto no satétile, gravou:
http://www.reddit.com/r/politics/comments/6zhku/two_conservative_commentators_on_msnbc_after/


Luiz Carlos Azenha (04/09/2008 - 12:16)
Uma dica, de graça, só para você: fique de olho em Ohio, que é o microcosmo dos Estados Unidos hoje. Tem zona urbana e rural. Tem terceiro setor e área industrial. Tem muito eleitor independente.

Luiz Carlos Azenha (04/09/2008 - 12:08)
E se você quiser, mais tarde, fazer uma aposta sobre o resultado, estou dentro. Mas te advirto que conheço 45 dos 50 estados americanos.

Luiz Carlos Azenha (04/09/2008 - 12:02)
John, pelos padrões dos anos 50 todos são filhos de feministas, hoje. A Palin é feminista -- embora rejeite o rótulo. Não haveria mulher concorrendo à Casa Branca não fosse o feminismo. Não dá para cuspir nos anos 60, como você pretende, como tendo sido o "atraso", quando eles proporcionaram tanto o Obama quanto a própria Palin. A não ser que você pretenda desconhecer a realidade. Não tente reproduzir aqui o debate americano, já que não votamos e nem você, nem eu vamos "ganhar" a eleição nos Estados Unidos. Estou tentando ajudar as pessoas a entender o que se passa nos Estados Unidos, não a ganhar eleição, entendeu? Para que elas não se surpeendam se o Obama vencer de goleada ou se o McCain vencer. Hoje eu te digo: está faltando liga na coalizão do McCain. Existem contradições internas difíceis de resolver entre a direita religiosa e os independentes. É o quadro eleitoral. E não é minha culpa.

John Bastos (04/09/2008 - 11:24)
"John, hoje existe uma geração de filhos de feministas, "sensíveis"; é nesse contexto que os assessores de McCain acreditam que ele, com sua imagem de "durão", pode se dar bem. A ver."

Discordo veementemente. Os filhos das feministas devem votar em massa no Obama. A estrategia dos republicanos, eh e sempre foi, desde q eu me entendo como gente, jogar na cara dos democratas que eles sao (culturalmente) elitistas, o que alias eh verdade.

Eh nessa guerra cultural que a "dureza" do McCain e os hamburguers de alce da Palin tenta colher votos. Para um americano medio, branco, de classe media baixa, a Palin e o veterano McCain sao pessoas bem mais proximas que o Obama, que foi para a Harvard Law School.

Tambem nao ajuda que o Obama vai para San Francisco e faz comentarios ofensivos sobre os americanos vivendo em cidades pequenas.

John Bastos (04/09/2008 - 11:19)
"Será que somente o cidadão comum passa por problemas ao entrar nos EUA?"

Na frente da Casa Branca, 365 dias ao ano, voce vai encontrar algum idiota dizendo que o Bush eh o filho do demonio ou coisa parecida. A liberdade de expressao eh garantida pela Primeira Emenda da Constituicao Americana.

Lucas Cardoso (04/09/2008 - 11:00)
Eu sempre achei interessante esse mito estadunidense da "liberal media". A mesma mídia que só fala bem da guerra do Iraque, que se tornou um megafone para as "denúncias" de Bush sobre o Saddam ter armas de destruição em massa e chama o Obama de "elitista" (Se bem que, num país racista como os EUA, o fato de pela primeira vez um negro ser tachado de elitista é um avanço, né?) é xingada - porque por lá isso é um insulto - de liberal. E o pior é que muitos acreditam. Muitos eleitores em potencial acreditam. E como a tendência é para o centro, eles preferem se posicionar ainda mais à direita da mídia.

Luiz P (04/09/2008 - 10:29)
Olá Azenha! Eu vi o filme dirigido por Michael Moore [Fahrenheit 911] e nele um senhor aparece dizendo que foi preso e interrogado por agentes só por ter dito em uma academia de ginastica que não concordava com a forma que o governo Bush estava agindo. São mostrados outros exemplos de investigação como um agente que se infiltrou em uma entidade beneficente. Se um simples cidadão americano passa por problemas como este o que pensar de um jornalista Brasileiro que ouse questionar também? Sou leitor assiduo de seu blog porque gosto da linha de pensamento que segue: neutro e denunciante [uma das farpas aos interesses sinistros do atual governo americano]. Acontece que alguns artigos atras li que estava na Philadelfia acompanhando o discurso de Obama e sendo seu blog uma farpa ao atual governo, como tem conseguido sobreviver sem problemas na cova dos leões? Já foi feito algum artigo sobre isso e não encontrei aqui? Todo mundo fala que aqui no Brasil não existe liberdade de imprensa. Mas e ai? Será que somente o cidadão comum passa por problemas ao entrar nos EUA?

Luiz Carlos Azenha (04/09/2008 - 10:14)
Marcos, é lógico que a mídia foi servil; trata-se de uma tática política dos republicanos. Fernanda, acho que os republicanos preferiam o Obama mas poderão ser surpreendidos por ele, que tem acertado mais do que errado.

Marcos (04/09/2008 - 10:00)
A mídia norte-americana não é servil? então, deve ser por isso que ela apoiou, ostensivamente, ao governo Bush e sua política de 'Guerras Preventivas e Infinitas' e convenceu o povo norte-americano de que Saddam Hussein foi o responsável pelos ataques de 11/09/2001? Tá explicado...


Luiz Carlos Azenha (04/09/2008 - 09:58)
John, hoje existe uma geração de filhos de feministas, "sensíveis"; é nesse contexto que os assessores de McCain acreditam que ele, com sua imagem de "durão", pode se dar bem. A ver.

Luiz Carlos Azenha (04/09/2008 - 09:56)
John, não venha aqui me ofender. Vc sempre foi tratado com civilidade. Caso contrário te dou um cascudo.

Galerius (04/09/2008 - 09:48)
Mas francamente não tem como não ganhar dos democratas, mesmo com gente de cabeça sana. Veja só, a causa número um dos democratas é o casamento gay porque o partido recebe dinheiro de grupos gay. E com todos os problemas e crises deste mundo a causa gay é que tem mais prioridade, e ficam tocando naquela tecla como se não aprovasse o casamento gay será o fim do mundo, e toda crise é fim do mundo. Haja quem aguenta! Lembra os republicanos na última campanha presidencial no estado de Ohio? um estado chave na campanha presidencial? Um republicano, patrocina uma lei gay sabendo que os democratas iriam apoiar senão iriam sair contra seus próprios valores, logo durante a campanha, e assim criando uma controversia e que os republicanos vão salvar a familia enquanto os democratas vão minar a família, revoltando a população local que não lhe agradava tal legislação, e o resto é história: Bush de presidente. Jogada de mestre. Uma outra causa do partido democrata, a causa numero dois na lista, é a causa dos direitos das mulheres ''porque as mulheres são muito oprimidas neste país'', e logo uma mulher de vice pra implacar.

Fernanda - Advogada (04/09/2008 - 09:31)
Azenha, você não tem a sensação de que os Republicanos (principalmente aqueles donos de veículos de comunicação, que são a maioria nos EUA) ajudaram a escolher seu melhor adversário? Pode ser teoria da conspiração, mas acho que soltaram rojões quando perceberam que Hillary Clinton perdera nas prévias democratas e o foguetório ainda foi maior quando ela foi limada como vice. Eu não tenho nada contra o Obama, mas achar que o americano médio, aquele tão bem retratado pelo Michael Moore, vai votar num negro de família africana-mulçumana e com esse nome "Obama", cuja rima, cá para nós, é imperdível... não sei não... todo mundo sabe que o povo americano não prima pela inteligência ou pelo senso crítico. Você acha acha que os Republicanos "ajudaram" o Obama a vencer a Hillary?

Alexandre (04/09/2008 - 09:10)
Putz!!! Comentar o que??? Com uma cara-de-pau, ou melhor dizendo, "face-of-wood" dessas, nem adianta falar nada....

John Bastos (04/09/2008 - 08:52)
"E isso acaba reforçando a imagem de durão de McCain, uma imagem de firmeza que é atraente em um mundo de "homens tíbios", cuja espinha dorsal parece programada para o servilismo."

Serio que voce acredita nisso? Vc, um BRASILEIRO!?!?, consegue escrever que americanos sao programados para o servilismo?!? Isso eh louco. Vc nao conhece o seu pais, vc nao conhece os EUA, deve viver em alguma bolha alucinatoria.

John Bastos (04/09/2008 - 08:49)
"A maioria dos jornalistas americanos é conservadora e eu me arrisco a dizer que vota nos republicanos."

Azenha, isso eh fatualmente incorreto, conforme pesquisa academica sobre o topico.



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