
Atualizado em 22 de abril de 2008 às 20:26 | Publicado em 22 de abril de 2008 às 19:37
SÃO PAULO - Tempo bom na Pensilvânia. Filas nos postos de votação. Alguma esperança no campo de Barack Obama de que a margem de vitória de Hillary Clinton será menor do que a esperada. Mas o fato de que Obama fará discurso esta noite no estado de Indiana, onde as primárias democratas acontecem no início de maio, deixa claro que o candidato já dá a vitória de Hillary Clinton como certa. A senadora fará discurso na Filadélfia. Ela vem de uma vitória por mais de 10 pontos em Ohio, um estado sem o qual dificilmente um candidato conquista a Casa Branca.
Pesquisa de boca-de-urna mostra que 54% dos democratas da Pensilvânia acham que Obama será o candidato do partido à Casa Branca, contra 43% para Hillary. Isso não significa que eles votaram para Obama. Apenas acham que ele é o favorito.
Um bom sinal para a senadora: os eleitores mais religiosos, aqueles que freqüentam a igreja uma vez por semana e representam 40% do total votaram maciçamente em Hillary (59% a 41%).
A vitória dela na Pensilvânia tem uma explicação bastante óbvia: é a economia, estúpido! O velho estado industrial se recuperou aqui e ali, graças aos serviços, mas está longe da exuberância do passado. E o perfil dos democratas do estado cai como uma luva para a senadora: mais velhos, sindicalizados, preocupados acima de tudo com as dificuldades econômicas. A senadora tem mais preparo para lidar com a economia - e os eleitores sabem disso.
Lembrem-se: o apelo de Obama tem muito da utopia de reformar a política americana. A base dele: jovens, profissionais de classe média alta, negros e independentes. Ele atraiu mulheres e latinos aqui e ali, mas não de uma forma consistente. Em geral vence entre os homens brancos, que consideram Hillary pushy, aquela sogra mandona, arrogante.
Atribua isso ao machismo. Mas não só. Tanto Hillary quanto Obama, talvez pelo ineditismo envolvido nas campanhas, às vezes soam como se tivessem sido ungidos por Deus para fazer História.
A única chance de virar o jogo, para Hillary Clinton, é obter uma vitória esmagadora esta noite. Por exemplo, com 70% dos votos. Ainda assim, ela seguirá em campanha com uma desvantagem de cerca de 100 delegados, tendo pela frente dois estados em que Barack Obama deve se sair bem em 6 de maio: Indiana e Carolina do Norte.
Também acho que Obama será o indicado