Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha

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Eleições nos EUA Utilidades

Obama e McCain partem para a baixaria

Atualizado em 22 de agosto de 2008 às 13:09 | Publicado em 22 de agosto de 2008 às 13:05

Ia acontecer, mais cedo ou mais tarde. Em geral acontece só depois das convenções. Mas, com as pesquisas demonstrando equilíbrio entre os dois candidatos à Casa Branca a campanha desandou para a baixaria.

Você, leitor deste site, deve se lembrar quando eu escrevi que Barack Obama tinha dado um fora ao promover um comício em Berlim. Funcionou para o público externo, que não vota nos Estados Unidos. Para alguém que mora em Boise, Idaho, a Europa é um lugar distante e a cena de um candidato americano fazendo campanha fora do país, francamente, é esdrúxula. O mesmo que a Marta Suplicy num comício em Manaus para demonstrar que se preocupa com o ar respirado pelos paulistanos.

Não deu outra: os republicanos usaram as imagens e o som do comício -- em que a multidão gritou "Obama, Obama" -- em comerciais de campanha dizendo que o democrata é a maior celebridade do mundo, mais preocupado em aparecer do que com os problemas reais do eleitor americano. Deu certo. Uma série de pesquisas demonstrou que a vantagem de Obama foi reduzida.

Há alguns dias a mídia brasileira divulgou um levantamento da Zogby dando vantagem a John McCain "pela primeira vez". A Zogby não é confiável. A Zogby é aquela empresa que, na véspera da eleição presidencial americana de 2004 deu que John Kerry derrotaria George Bush.

Parece claro, no entanto, que contra todas as previsões McCain se mantém competitivo -- apesar da crise econômica -- por três motivos:

1) Racismo. Tudo o que um candidato precisa fazer é levantar dúvidas sobre a honestidade de um negro para que o eleitor branco vote contra. Jamais ele vai votar contra dizendo: "Não voto em negro". Mas o racismo existe e está lá, na cabeça de muitos eleitores. Os republicanos operam uma máquina de calúnia e difamação poderosa, que combina blogs na internet com programas de rádio populares. Ela se ocupa de disseminar boatos, ilações, meias-verdades e suposições. Muitas vezes faz isso através do humor. As "informações" disseminadas através dessa rede informal de campanha são incorporadas ao dia-a-dia do americano. Ele ouve no rádio e comenta com o amigo no trabalho ou com a família em casa. Até que as "informações" sejam desmentidas a campanha eleitoral já acabou.

2) Hillary Clinton. Há sinais de desunião entre os democratas. Os eleitores de Hillary Clinton dizem, majoritariamente, que não votarão em Obama. Preferem votar em McCain. O casal Clinton representa a ala centrista do Partido Democrata. Obama é de outra turma. Mas não se trata de uma disputa ideológica. Obama rompeu o controle que os Clinton exerciam sobre a máquina partidária desde o início dos anos 90. É uma revolução interna. Eleitoras de Hillary dizem que Obama foi "sexista".  O ex-presidente Clinton reclama que foi injustamente acusado, durante a campanha, de "racismo". Na verdade parece haver aí um cálculo político: se Obama perder para McCain a ex-primeira-dama volta a ser a favorita para concorrer à Casa Branca em 2012. Até agora as declarações públicas de apoio a Obama, por parte dos Clinton, foram "tépidas", para dizer o mínimo. Perguntaram a Bill Clinton se Obama estava preparado para ser presidente: "Ninguém está preparado", disse o ex-presidente.

3) Falta de empatia. Barack Obama não demonstrou, até agora, empatia com o eleitor de classe média. Ele e John McCain são milionários e é difícil vê-los, feito o Lula, se agarrando no povão sem que pareça forçado. Obama disse recentemente, pela primeira vez, que quando ele era criança a mãe teve que usar cupons do governo para comprar comida. Mais ou menos como um candidato no Brasil dizer que usou o bolsa família. Obama também usou muito bem a extraordinária declaração de John McCain que não soube dizer aos repórteres quantas casas tem. Isso mesmo: McCain não soube dizer quantos imóveis tem em seu nome (quatro, de acordo com assessores; McCain e a mulher usam oito casas, de acordo com a campanha de Obama). Mas os republicanos são rápidos no gatilho. Trouxeram de volta o nebuloso negócio envolvendo a mansão que Obama comprou em Chicago com a aparente ajuda de Tony Rezko, um lobista condenado este ano por fraude e pagamento de propina. E acusaram Obama de não ajudar o próprio meio-irmão, que uma agência de notícia italiana descobriu vivendo em uma favela de Nairobi, Quênia. Essa campanha promete.

 

 


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Reverendo Ebenezer (29/10/2008 - 00:15)
Decididamente a pior das "qualidades" do caráter humano sem dúvida é o preconceito. Comno esse cara que escreveu antes de mim sobre Obama :"ele mais se parece com uma primo de Osama Bin Laden " , quanta idiotice a gente é obrigado a ler. E daí se o cara é a cara de Satanás ou de Adolf Hitler? O que importa é se o cara ´competente ou não. Vejam o exemplo Lula:por puro preconceito as pessoas o execram. E tudo se resume a isso.Fosse Obama um branco , loiro , tipo , Brad Pitt , e essa besta que escreveu antes diria " ah! esse é meu candidato" . Vade -retro , racista miserável.
Tudo se limita a isso , preconceito. Não é à toa que vivemos numa lata de lixo a céu aberto , que é esse mundo.Com gente desse tipo desfilando sua "educação" facista por aí , nunca teremos um mundo melhor.

MARCKS (09/10/2008 - 12:56)
OBAMA...BOM MESMO ABRIRMOS NOSSAS MENTES COM RELAÇÃO À TUDO ISSO QUE TEM ACONTECIDO ULTIMAMENTE. NÃO SOMENTE PELAS ORIGENS DE IDÉIAS BEM COMO PELA SEMELHANÇA DOS NOMES EM VOGA. ELE MAIS PARECE PRIMO DE OSAMA BIN LADEN. PRECISAMOS TER MAIS SOBRIEDADE E CUIDADO CONCERNENTES À LÍDERES QUE VEM SURGINDO ULTIMAMENTE, EM DIVERSAS PARTES DO MUNDO...PRINCIPALMENTE NA MAIOR POTÊNCIA HOJE DO MUNDO. ANALISEM...E MUITO CUIDADO NO TEOR DAS INFORMAÇÕES EM QUESTÃO QUE NOS APARECEM TODOS OS DIAS. TEOR E TERROR...REFLITAMOS EM TODOS OS ASPECTOS, POSSÍVEIS E INIMAGINÁVEIS. REFLITAM, BEZERROS!

Xaxeila (31/08/2008 - 20:11)
O meu comentário é sobre o contexto e não sobre o texto. O meu marido é estrangeiro, ele á angolano. Ele vira pra mim, toda vez que tem reportagem na TV sobre a eleição nos EUA, e diz: "Afinal, a eleição é nos EUA ou é aqui? Do jeito que comentam tanto tempo aqui no Brasil, parece que a eleição vai ser aqui!!" Estranhei um pouco e depois pensei que em Portugal, a imprensa não dá tanto espaço para a eleição estadunidense quanto o Brasil. Afinal, será que os problemas brasileiros não merecem mais destaque?

Rodolfo Cabral (29/08/2008 - 08:31)
Azenha, me responde uma coisa. A sua viagem para o Quênia, para a matéria da Carta Capital sobre Obama, teve participação da Record, da Heloísa Vilela?
Acabei de assistir uma reportagem na record que é exatamente igual à sua, da revista. Inclusive o texto.
Abraço!

Diego Alexandre (28/08/2008 - 13:19)
Será que o Obama não é o Collor dos EUA?


Sebastião Vargas (23/08/2008 - 05:23)
Pra frente é que se anda. É aguardar como se acomodarão as forças políticas mais conservadoras nestas eleições norte-americanas

bentoxvi-o santo (22/08/2008 - 18:32)
AZENHA.DITADO DO MEU FALECIDO PAI..."MUDA O ROTULO...MÁS A CACHAÇA É A MESMA"....AMBOS SÃO 6 OU MEIA DUZIA...QUEM MANDA SÃO OUTROS...

Augusto José Hoffmann (22/08/2008 - 17:48)
Nada está tão ruim que não possa piorar. McCain travestido de John Wayne vai salvar os norte-americanos do mal. Pode sobrar para nos otros (de novo). Se aqui eu não consego ajeitar meu quintal, quem sou eu para escolher Presidente de lá mas, baseado no que ouvi, considero o Obama menos letal - tem mais comprometimento social. Torço por ele e, mais ainda, pelo Brasil para achar um caminho.

Guto (22/08/2008 - 17:11)
Os candidatos americanos deveriam fazer um estágio nas campanhas políticas aqui no Brasil.Aprenderiam a fazer o diabo chorar...

Jose de Almeida Bispo (22/08/2008 - 16:57)
Sinceramente, nem como brasileiro eu votaria em Obama; muito menos se fosse americano. A aura do cara não me inspira confiança. Questão de empatia. Preferiria o bonachão McCain, apesar do cerco dos neocons. Aquela droga de elefante (EUA) cresceu tanto que não dá pra deixar desabar. Vai amassar o jardim inteiro se vier abaixo. E Obama, repito, não me inspira confiança. Muito menos como brasileiro, terceiro mundo, onde democratas americanos adoram impor ditaduras.

Eliott Ness (22/08/2008 - 16:56)
Na minha trama de Shakespeare Latino-americano, "Othelo" vai escolher "Iago" de vice (Hillary Clinton), façam suas apostas.

Eliott Ness (22/08/2008 - 16:45)
Olhem as fotos e decidam qual impreciona mais?
http://www.huffingtonpost.com/2008/08/21/photos-podium-scenes-at-r_n_120487.html

Casa (22/08/2008 - 15:34)
Você lembra de um outro país,com tamanha semelhanca!
WWW.Elpais.com.
El Gobierno mexicano entona el 'mea culpa' por la inseguridad en el país
Las autoridades y representantes de la sociedad se reúnen para firmar un acuerdo en favor de la legalidad y la seguridad
México ha vivido este jueves una reunión sin precedentes en materia de seguridad pública. Una ola de indignación provocada por el asesinato en junio pasado de Fernando Martí, un joven de 14 años, a manos de los policías que lo secuestraron ha servido para que esta tarde distintas autoridades del país se reunieran en el Palacio Nacional, sede del Gobierno de Felipe Calderón, en busca de un acuerdo para frenar una de las lacras que asuelan el país: la inseguridad.
El ¡ya basta! que la sociedad mexicana lleva años clamando ha calado en los políticos, que desde hace semanas llevan anunciando medidas para tratar de paliar el sentimiento de impunidad, corrupción y violencia que se tiene en México.

Hans Bintje (22/08/2008 - 13:57)
Vale a pena ler o artigo de Dave Lindorff sobre o tema ( http://www.counterpunch.org/lindorff08212008.html ). Trecho: "Like John Kerry and Al Gore before him, Obama, who ran his primary campaign as a liberal, staking out an anti-war position, has morphed over recent weeks into a Republican-lite candidate, calling for a hard line against Palestinian rights, threatening to attack Iran, calling for an expansion of the disastrous war in Afghanistan, and backing away from genuine health care reform and other important progressive goals here at home. One might think that after watching Democratic candidates lose the last two presidential elections by following exactly this kind of "strategy," if it can be called that, Obama and his campaign managers would have decided to try something different, but it appears that the Democratic Party at the top is hopelessly in the grip of corporate interests that favor war, free-market nostrums and corporate welfare."

Eliott Ness (22/08/2008 - 13:39)
Azenha, Pensando bem o pior para um pode ter um lado bom para outros. São situações diferentes, mais especulando um pouco e extrapolando tbm, pense se o Lula tivesse ganhado em 98, alta probabilidade que teria se trucidado pela situação colocada na ocasião e FHC poderia ter voltado em 2002 nos braços do povo. Na verdade, comecei a escrever tentado cria um argumento de ver algo positivo mesmo na "teoria do quando pior melhor", não é meu forte não, ai lembrei como ja alertou Noam Chomsky, "ele e mais perigoso que o Bush". McCain ganhando será bomba aqui (Ira), bomba ali (palestina), bomba acolá (Rússia), fui derrotado por mim mesmo, pela minha própria idéia. A gente acha que a situação esta ruim, mas pode piorar e muito, nesse cenário não tem "o pior para um pode ter um lado bom para outros", com McCain, neocons e crise do imperio sinalizando que será menos só com a de 1930, teremos tragédia para muitos. Se pensar duas vezes não envio o que escrevi, nesse cenário nuvens negra.
Sds,

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