Atualizado em 13 de maio de 2008 às 20:35 | Publicado em 13 de maio de 2008 às 12:45
WASHINGTON - Hillary Clinton venceu por ampla margem esta noite na Virgínia Ocidental, com mais de 60% dos votos. Ela deverá ficar com 19 dos delegados do estado, contra 9 para Obama. Ou seja, reduziu a margem de vantagem de Obama em 10 votos. O estado tem um grande número de eleitores brancos de classe média baixa.
WASHINGTON - Há algo de podre na mídia americana. Tem relação com a candidatura da senadora Hillary Clinton à Casa Branca.
Fato: Barack Obama, o senador de Illinois, lidera a disputa pela indicação do Partido Democrata em todos os quesitos - número de prévias vencidas, soma de votos, número de delegados e de superdelegados.
Fato: Obama já começou a campanha contra o republicano John McCain.
Fato: A perspectiva para Hillary Clinton é sofrível, para dizer o mínimo.
Fato: A grande maioria dos democratas quer que ela continue no páreo. De acordo com pesquisa divulgada hoje, 64%.
Este último fato tem passado batido pela mídia corporativa americana. Os comentaristas políticos já publicaram a eulogia e o necrológio de Hillary, muitos com um claro ar de prazer.
Existe antipatia em relação à ex-primeira dama, vista como arrogante, carreirista e capaz de fazer qualquer coisa para atingir seu objetivo.
Existe imensa antipatia dos republicanos em relação ao casal Clinton. Assim que Bill Clinton assumiu a Casa Branca ele apresentou um plano de reforma do sistema de saúde desenhado por Hillary. A adoção do plano implicaria em perdas para a indústria dos seguros de saúde. Lobistas derrotaram o projeto no Congresso. Os Estados Unidos seguem como o único país rico que não têm nada parecido com o SUS.
A reação aos "caipiras" do Arkansas, que desembarcaram em Washington pisando no pé do establishment, se articulou no que Hillary mais tarde definiria como "uma vasta conspiração direitista".
Bill Clinton escapou por pouco do impeachment no caso de Monica Lewinsky, que deu aos republicanos a oportunidade de demonstrar toda a hipocrisia puritana e o bom mocismo jeca.
Clinton deixou a Casa Branca no topo das medições de popularidade, depois de oito anos de relativa bonança econômica, de programas de governo reformista e de uma política externa sofrível, mas flexível. A derrota de Al Gore em 2000 hoje é atribuída à desastrosa tentativa do democrata de concorrer ao cargo se distanciando daquele a quem serviu como vice-presidente.
Setores da mídia americana parecem se entregar à tentativa de esmagar o legado dos Clinton mais pelas virtudes do que pelos defeitos do casal.
Olá Azenha, parebéns pelo site e pela cobertura das eleições estadunidenses. Mas eu acho que esta cobertura tem um defeito, e precisa melhorar. Não tem reportagens sobre os candidatos independentes à presidência dos Estados Unidos. É só esta a minha crítica. Um grande abraço do fundo do meu coração vermelho de outubro de 1917, Atenágoras Souza Silva.