Atualizado em 02 de maio de 2008 às 12:33 | Publicado em 02 de maio de 2008 às 12:32
WASHINGTON - A acreditar na senadora Hillary Clinton - e nos assessores dela -, depois das vitórias em Ohio e Pensilvânia ela está virando o jogo. As pesquisas em Indiana e Carolina do Norte, que realizam prévias na próxima terça-feira, também indicam que a disputa se tornou mais equilibrada. A vitória de Barack Obama na Carolina ainda é dada como certa, mas o mesmo não pode se dizer de Indiana. São 187 delegados em jogo nos dois estados.
Depois ficam faltando: Virgínia Ocidental no dia 13, Kentucky e Oregon no dia 20, Porto Rico em primeiro de junho e Montana e Dakota do Sul em 3 de junho. A Convenção Democrata está marcada para o final de agosto, em Denver, no Colorado. O que dificulta a situação da senadora é que os delegados são concedidos proporcionalmente à votação obtida pelos candidatos nas prévias. Ou seja, Obama joga para empatar, já que está em vantagem.
De acordo com os cálculos do New York Times, a candidata precisa vencer com 70% dos votos nos oito estados restantes para empatar com Barack Obama. E ela ainda teria de convencer 45% dos superdelegados - democratas que ocupam cargos eletivos e fazem parte da máquina do partido e têm direito a voto na Convenção - que ainda não se decidiram, a apoiá-la.
Como vocês já devem ter percebido aí no Brasil, existe uma clara diferença entre o mundo da mídia - que precisa vender jornais e atrair telespectadores - e a realidade. No caso da disputa democrata, mini-escândalos são "produzidos" semanalmente, muitos deles sem qualquer importância real na vida dos eleitores. Comentaristas comentam e repórteres reportam. Colunistas opinam e editorialistas "revelam" toda a verdade.
Nada disso muda o fato de que o preço dos alimentos sobe, o da gasolina idem, soldados americanos continuam a morrer no Iraque e o presidente Bush - que diz que está tudo bem em Bagdá - atinge 71% de desaprovação popular.
Nada disso muda o fato de que o republicano John McCain será pintado como o candidato do continuísmo e o democrata que desafiá-lo como molenga em questões de segurança nacional - embora a diferença entre eles seja a mesma que separa o DEM do PSDB.
Nada disso muda a realidade dos números e eles indicam que Obama ainda é o favorito.
Azenha, essa persistência da Hillary, tendo em vista que as chances dela virar o jogo são mínimas, é uma forma de valorizar o apoio dela a Obama e conquistar maiores e melhores espaços numa eventual formação de um governo democrata? Como funciona isso no jogo político norte-americano? Mantém-se as diferenças das prévias ou se faz uma grande composição? Haveria condições de Hillary subir no mesmo palanque de Obama?